quinta-feira, maio 07, 2026

“ERA UMA VEZ MINHA MÃE” (Ma Mère, Dieu et Sylvie Vartan)

Foto: California Filmes
“Era Uma Vez Minha Mãe” (Ma Mère, Dieu et Sylvie Vartan), com direção de Ken Scott, conhecido pelos sucessos “Meus 533 Filhos” e “De Repente Pai”, é um excelente filme de memórias. O longa é baseado na autobiografia do advogado francês Roland Perez, que nasceu com uma deficiência em uma das pernas que o impedia de andar. A obra faz uma homenagem à sua mãe, a judia marroquina Esther, que fez de tudo para garantir que ele tivesse um futuro brilhante mesmo diante das adversidades.
O filme tem seu início na Paris de 1963, quando Roland nasce, filho mais novo do casal de imigrantes Maklouf (Lionel Dray) e Esther (Leïla Bekhti). Ele nasce com o pé direito torto, e devido às condições da época, os médicos diagnosticaram que ele nunca andaria e nunca teria uma vida normal. Porém, a mãe, extremamente religiosa e apegada ao caçula, passou anos se dedicando para que o garoto pudesse andar, inclusive apelando para diversas orações, acreditando que poderia ocorrer um milagre. “Era Uma Vez Minha Mãe” atravessa décadas na vida de mãe e filho, relatando as conquistas e dificuldades do menino, a partir de uma visão íntima e acolhedora.
O filme apresenta um trabalho meticuloso de reconstituição de época, o que garantiu ao filme uma segunda indicação ao César (o Oscar francês), na categoria de direção de arte. A atriz Leïla Bekhti, conhecida por participações em filmes como “O Profeta” e “A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília”, foi indicada por sua performance ao César de melhor atriz. Roland é interpretado por vários atores, que o representam nas diferentes fases de sua vida, com destaque para Jonathan Cohen, de “Amanda” e “Enorme”, que o vive em sua idade adulta.
O elenco ainda tem Joséphine Japy, Lionel Dray, Jeanne Balibar e o jovem Milo Machado-Graner, de “Anatomia de uma Queda”. A cantora Sylvie Vartan, figura recorrente na vida de Roland, também faz uma participação especial, interpretando a si mesma. “Era Uma Vez Minha Mãe” é um filmaço.
Cotação: excelente
Duração: 1h42min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=CbY0YbD2BxM

“ECLIPSE”

Foto: Mercúrio Produções
“Eclipse”, filme nacional é dirigido por Djin Sganzerla, filha do cineasta Rogério Sganzerla (1946-2004), e nasceu depois dela tomar conhecimento de um caso real: o de uma mulher que descobriu que o próprio marido a difamava e ameaçava de morte em um fórum na internet. A partir desse ponto, Djin imaginou o encontro entre uma astrônoma grávida e sua meia-irmã de origem indígena — um encontro que destrava memórias reprimidas e expõe camadas ocultas de relações abusivas, no passado e no presente. Do choque entre ciência e ancestralidade, emerge uma jornada marcada por intuição, investigação e transformação.
Na trama, a própria Djin interpreta a astrônoma Cleo, é casada com Tony (Sergio Guizé), e fica sabendo da existência de uma meia-irmã, Nalu (Lian Gaia), de origem indígena e especialista em computação, e fruto de uma relação extraconjugal de seu falecido pai. Depois do choque inicial, as duas começam a conviver.
E enquanto espera os meses para dar a luz, Cleo começa a desconfiar de ações do seu marido, e pede ajuda a Nalu para investigá-lo nas profundezas da deep web, acabando por descobrir segredos terríveis do parceiro.
Protagonizado pela própria diretora, atriz com mais de duas décadas de carreira, o filme reúne ainda nomes conhecidos do público, como Sergio Guizé, que recentemente estrelou a novela “Êta Mundo Melhor!”, e Lian Gaia, da série “DOM” e da novela “Vai na Fé”.
“Eclipse” conta também com presenças fundamentais do cinema brasileiro, como Luís Melo, Selma Egrei, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce e a icônica Helena Ignez, mãe da diretora e uma das artistas mais revolucionárias do país.
“Ao tratar da relação entre mulheres e do convívio entre pessoas de diferentes origens, o filme ‘Eclipse’ reflete questões essenciais para o Brasil de hoje”, disse Marina Moreira Gama, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES, uma das patrocinadoras do projeto.
Cotação: ótimo
Duração: 1h50
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fSLoBKqtOIw

quarta-feira, abril 29, 2026

“SALA-ESCURA - CINEMA POR CHICO IZIDRO” COMPLETA 20 ANOS

Então é isso, o “Sala-Escura, Cinema por Chico Izidro”, acaba de completar 20 anos – sim, duas décadas e mais de 2.500 análises de filmes. O projeto surgiu numa noite de sábado de 2006, como forma de poder falar de todos os filmes que eu assistia semanalmente, mas não encontrava espaço para todos nos veículos em que colaborava – a revista “Carta Capilé”, de São Leopoldo, e o programa “Cena de Cinema”, da Ipanema FM.
A partir de 2009, o “Sala-Escura” passou a dividir espaço com o blog “Cine CP”, criado por mim, e que contava ainda com Adriana Androvandi e Marcos Santuário. Mas desde a minha demissão do Correio do Povo em 2024, o “Sala-Escura, Cinema por Chico Izidro” voltou a ser meu espaço exclusivo para a publicação das críticas e resenhas.

“ZICO - O SAMURAI DE QUINTINO”

Foto: Vudoo Filmes
“Zico, o Samurai de Quintino”, dirigido por João Wainer, é um excepcional documentário, que homenageia plenamente o legado do craque Arthur Antunes Coimbra, o Zico, para o futebol brasileiro e também para o desenvolvimento do esporte no Japão.
O documentário mergulha na trajetória do craque, ídolo do Flamengo, do Kashima Antlers e com três participações em Copas do Mundo defendendo a Seleção Brasileira. O trabalho apresenta imagens raras, desde a infância até a fase adulta, registros de arquivo e bastidores inéditos. A produção mostra gols antológicos e conquistas marcantes, episódios pouco conhecidos da carreira, os desafios enfrentados ao decidir jogar no Japão e a construção de um legado e inspiração que ultrapassa gerações – a destacar os primeiros passos de Zico no futebol japonês no começo dos anos 1990, quando a estrutura do esporte na Terra do Sol Nascente era praticamente nula.
O filme traz depoimentos exclusivos e conversas com personagens-chave, ex-parceiros e fãs que se tornaram ídolos, como Júnior Maestro, Carpegiani, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo Fenômeno, o radialista José Carlos Araújo, entre outros. Além deles, os três filhos de Zico e sua esposa, Sandra, visitam o vasto acervo pessoal do Galinho de Quintino. Ao equilibrar emoção, contexto histórico e análise esportiva, o filme dialoga tanto com quem acompanhou de perto a trajetória do camisa 10 quanto com novas gerações que continuam a descobrir a dimensão de sua influência dentro e fora dos gramados.
“Mais do que as conquistas e glórias do Zico, venho aprendendo com ele lições que vão além do futebol, como humildade, respeito e gentileza. Posso garantir que toda a equipe trabalhou com muita dedicação e afeto para construir um filme emocionante e repleto de informação”, disse o diretor João Wainer.
O produtor André Wainer complementou, lembrando que a proposta do projeto é colocar Zico no lugar e na dimensão que ele merece. “Trabalhamos não apenas para trazer elementos novos, mas para usar esses elementos na construção de uma narrativa inédita sobre o Galinho. Gostamos de dizer que este é um filme de não ficção, apesar de muitas jogadas do Zico parecerem fora da realidade”, destacou o produtor.
As filmagens tiveram início em 2023, quando Zico completou 70 anos, e passaram por locais emblemáticos como a casa do jogador em Quintino, ruas do Rio de Janeiro e um set especialmente montado para receber convidados. O projeto também percorreu o Japão, país onde ele se tornou um pioneiro e desenvolvedor do futebol, do time operário do Sumitomo à seleção, de quem foi técnico.
A produção reúne ainda um vasto acervo pessoal, com dezenas de fitas VHS, filmes Super-8 e objetos históricos, entre eles, a camisa 10 usada na final do Mundial de 1981 e um caderno com anotações detalhadas de gols ao longo da carreira.
Cotação: ótimo
Duração: 2h
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Mwt21FirOjA

“O DIABO VESTE PRADA 2” (The Devil Wears Prada 2)

Foto: 20th Century Studios
“O Diabo Veste Prada 2” (The Devil Wears Prada 2), chega exatamente 20 anos depois do primeiro filme, com David Frankel novamente na direção, e trazendo os mesmos protagonistas, Miranda Prestley (Meryl Streep), Andy Sachs (Anne Hathaway), Emily (Emily Blunt) e Nigel (Stanley Tucci), mas agora tendo as adições de Lucy Liu, Kenneth Branagh, Simone Ashley e Lady Gaga.
A primeira parte mostrava a recém formada Andy tendo de conviver com uma chefe abusiva, Miranda, na prestigiada revista de moda nova-iorquina Runway, baseada na real Vogue. Obra baseada no livro de mesmo nome escrito por Lauren Weisberger.
Agora, duas depois, Andy é uma jornalista conceituada e premiada, que ao receber mais um prêmio, descobre que foi demitida de seu jornal, assim como todos os colegas. Vivendo num apartamento precário em Nova Iorque, é convidada pelo dono da Runway, por Irv Ravitz (Tibor Feldman), a assumir um cargo de chefia na revista, para apagar uma crise provocada pela editora-chefe Miranda Priestley.
Ela volta para a publicação, verifica que o mundo mudou muito nestes 20 anos, mas Miranda segue praticamente sendo a quase mesmo chefe carrasca, um pouco mais contida, para evitar processos – nisto o roteiro, escrito por Aline Brosh McKenna e Lauren Weisberger acerta -, pois agora assédio moral é crime grave.
Então, Andy passa a tentar ver seu trabalho reconhecido e prestigiado por Miranda, que faz de conta que não a conhecia...e o personagem de Anne Hathaway (atriz que parece não ter envelhecido um dia), nem parece ter vinte anos de uma carreira bem sucedida, agindo como uma mulher insegura, enquanto procura validação por suas matérias e encontra um par romântico totalmente sem química no personagem Peter (Patrick Brammall). E não faz nenhum sentido Andy se esforçar além da conta para tentar manter o emprego de Miranda, uma personagem escrota, maligna, que só pensa em seus interesses, não se importando com as pessoas ao seu redor.
Porém, outro acerto do roteiro é em tratar da crise em que passa o jornalismo, com as publicações impressas sendo extintas, com o predomínio do material online, as demissões frequentes dos jornalistas, que perdem espaço cada vez maior para influencers, a superficialidade nas matérias e a cada vez maior influência de anunciantes no que deve ou não ser publicado. No mais, o filme é uma avalanche de personagens vazios, preocupados com vestidos, sapatos e bolsas.
“O Diabo Veste Prada 2” acaba sendo cansativo, com personagens caricatos – tem até o gordinho que sofre bullying de uma colega, a melhor amiga conselheira, o namorado sem noção e burro de Emily (Emily Blunt), e a bilionária que surge do nada para salvar o dia.
Podem me chamar de antipático, mas não consigo ter empatia por nenhum dos dois filmes, nem pelos personagens, todos me parecendo vazios.
Cotação: ruim
Duração: 1h58
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=r3_gZDsy1iQ

terça-feira, abril 21, 2026

“MICHAEL”

Foto: Universal Pictures.
Dirigido por Antoine Fuqua, “Michael” pretende trazer uma cinebiografia de um dos maiores artistas da história, o cantor Michael Jackson (1958-2009). Porém, com produção da família do astro, a trama transforma a obra em longa-metragem quase chapa-branca, ou seja, evita entrar mais fundo na conturbada história do criador de “Thriller”, o disco mais vendido da história com mais de 100 milhões de cópias.
Praticamente toda a família de Michael está envolvida na história, inclusive um dos sobrinhos do astro, Jaafar Jackson, interpreta o cantor. E aqui um fato evidente: o garoto merece concorrer ao Oscar por sua interpretação convincente. O diretor é o competente Antoine Fuqua, conhecido por dirigir “Dia de Treinamento” (2001), que rendeu um Oscar de melhor ator para Denzel Washington, a quem dirigiu na trilogia “O Proteror”.
“Michael” conta a história de Michael Jackson desde o começo da carreira em Gary, Indiana, onde o astro era severamente cobrado pelo pai, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo (Fear of The Walking Dead), uma pessoa tirânica e que tentou, de forma invejosa, deter o sucesso individual do filho. O filme segue com o crescente sucesso do garoto, que antes dos 20 anos, já era um astro mundial, à frente do grupo Jackson 5, formado ao lado dos irmãos.
O filme mostra que Michael Jackson era uma pessoa que se negou a crescer, assim como Peter Pan, livro que acompanha o astro, que vivia cercado de animais e de ajudar crianças. Porém, o longa-metragem evita tocar em assuntos polêmicos, inclusive passa rapidamente na questão de o cantor sofrer de vitiligo, de ser viciado em cirurgias plásticas e das acusações de pedofilia, e do vício em remédios. Além disso, “Michael” se mostra ansioso e pula eventos cronológicos, como por exemplo, focar no disco “Off the Wall” como se fosse o primeiro solo dele, sendo que já havia lançado vários discos antes sem contar com a participação dos irmãos.
Porém, acerta na reconstituição de “Thriller” (1982), disco que é um marco da música mundial, com hits como "Beat It", "Billy Jean", e "Thriller", mas esquece de citar as importantes participações de Eddie Van Hálen (1955–2020) e Vincent Price (1911-1993) na construção da obra.
O filme é cuidadoso em mostrar as feituras das coreografias, as filmagens dos videoclipes de "Beat It" e "Thriller", e a pressão de sua gravadora, a CBS, para que os trabalhos passassem a ser veiculados pela emergente MTV, que se negava a colocar no ar o trabalho de artistas negros – Michael Jackson quebraria esta barreira na primeira metade dos anos 1980.
Quem viveu nos anos 1980 se lembra da febre que era Michael Jackson, mesmo quem não curtia seu trabalho, sabia de sua importância. Por isso, outro erro do filme é esquecer do fenômeno que foi “We Are The World”, a música e videoclipe para arrecadar fundos para a fome no continente africano. Simplesmente “Michael” não dispensa uma simples menção, uma frase ao evento, liderado pelo astro pop.
Porém, perde muito tempo mostrando shows de Michael, sua fixação pelos animais que criava e o conflito com o pai, numa interpretação caricata de Colman Domingo, que geralmente entrega um ótimo trabalho. Além dele, o filme tem Nia Long como a mãe Katherine Jackson, Jessica Sula como a irmã LaToya e Miles Teller como o empresário John Branca. O estreante Juliano Valdi vive Michael na infância.
"Michael" falha em retratar um dos maiores astros da história, morto precocemente aos 50 anos, com medo de macular sua trajetória incrível. A música dele supera qualquer problema que ele poderia apresentar. O filme ainda mostra apenas um recorte de 30 anos de sua vida, parando em 1988. Nos anos 1990, o astro começaria a perder popularidade, protagonizando incidentes patéticos com os casamentos, um deles com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley, e tendo seus dois filhos, gerados por inseminação artificial. Mas sua importância para a cultura pop é inegável.
Cotação: regular
Duração: 2h08
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HZZgZUU9XIc

quarta-feira, abril 15, 2026

“A MALDIÇÃO DA MÚMIA” (Lee Cronin’s The Mummy)

Foto: Warner Bros.
“A Maldição da Múmia” ((Lee Cronin’s The Mummy), dirigido por Lee Cronin, é mais um filme da franquia sobrenatural, que tem seu começo lá em 1932, com “A Múmia”, estrelado por Boris Karloff. Porém, este novo longa-metragem tem um diferencial em relação aos seus pares, pois é uma obra que realmente foca no terror, com muito sangue, cenas repugnantes e deixando praticamente o humor (muito usado nos filmes dos anos 2000, protagonizados por Brendan Fraser) de lado.
Na trama, uma família americana que mora no Egito, o pai jornalista, Charlie (Jack Reynor) e a enfermeira Lari (Laia Costa), sofrem com o rapto de sua filha pequena, Katie (Natalie Grace). Oito anos depois e já morando em Albuquerque, no Novo México (EUA), e com uma outra filha, eles recebem a notícia de que Katie foi encontrada no deserto, dentro de um sarcófago que estava sendo transportado por um pequeno avião, que caiu, matando seus pilotos.
A garota, agora uma adolescente, volta ao convívio dos pais. Porém, seu corpo está destroçado, coberto de chagas, os membros retorcidos, depois de anos de aprisionamento e sofrimento. Só que Katie carrega dentro de si um demônio – sim, aqui a múmia é mais um demônio malévolo, disposto a se libertar e matar todo mundo ao seu redor.
“A Maldição da Múmia” é um filme tenso, repleto de referências, como por exemplo “A Profecia”, “O Silêncio do Lago”, “Fome Animal” e “A Morte do Demônio”, O diretor não poupa cenas de vômitos, pele arrancada, sangue jorrando à profusão e inocentes possuídos e trabalhando em prol do demônio – a produção escorrega no humor somente em determinada cena onde aparece a avó extremamente católica.
O filme poderia ser mais curto – ele ultrapassa as duas horas -, e tem alguns momentos personagem idiota, como por exemplo, por que eles insistem em ficar no escuro, tendo o interruptor do lado? Mas são detalhes. No final, “A Maldição da Múmia” surpreende, assusta e se mostra uma obra digna do gênero.
Cotação: bom
Duração: 2h17min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fUANevKVe78

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...