terça-feira, abril 21, 2026

“MICHAEL”

Foto: Universal Pictures.
Dirigido por Antoine Fuqua, “Michael” pretende trazer uma cinebiografia de um dos maiores artistas da história, o cantor Michael Jackson (1958-2009). Porém, com produção da família do astro, a trama transforma a obra em longa-metragem quase chapa-branca, ou seja, evita entrar mais fundo na conturbada história do criador de “Thriller”, o disco mais vendido da história com mais de 100 milhões de cópias.
Praticamente toda a família de Michael está envolvida na história, inclusive um dos sobrinhos do astro, Jaafar Jackson, interpreta o cantor. E aqui um fato evidente: o garoto merece concorrer ao Oscar por sua interpretação convincente. O diretor é o competente Antoine Fuqua, conhecido por dirigir “Dia de Treinamento” (2001), que rendeu um Oscar de melhor ator para Denzel Washington, a quem dirigiu na trilogia “O Proteror”.
“Michael” conta a história de Michael Jackson desde o começo da carreira em Gary, Indiana, onde o astro era severamente cobrado pelo pai, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo (Fear of The Walking Dead), uma pessoa tirânica e que tentou, de forma invejosa, deter o sucesso individual do filho. O filme segue com o crescente sucesso do garoto, que antes dos 20 anos, já era um astro mundial, à frente do grupo Jackson 5, formado ao lado dos irmãos.
O filme mostra que Michael Jackson era uma pessoa que se negou a crescer, assim como Peter Pan, livro que acompanha o astro, que vivia cercado de animais e de ajudar crianças. Porém, o longa-metragem evita tocar em assuntos polêmicos, inclusive passa rapidamente na questão de o cantor sofrer de vitiligo, de ser viciado em cirurgias plásticas e das acusações de pedofilia, e do vício em remédios. Além disso, “Michael” se mostra ansioso e pula eventos cronológicos, como por exemplo, focar no disco “Off the Wall” como se fosse o primeiro solo dele, sendo que já havia lançado vários discos antes sem contar com a participação dos irmãos.
Porém, acerta na reconstituição de “Thriller” (1982), disco que é um marco da música mundial, com hits como "Beat It", "Billy Jean", e "Thriller", mas esquece de citar as importantes participações de Eddie Van Hálen (1955–2020) e Vincent Price (1911-1993) na construção da obra.
O filme é cuidadoso em mostrar as feituras das coreografias, as filmagens dos videoclipes de "Beat It" e "Thriller", e a pressão de sua gravadora, a CBS, para que os trabalhos passassem a ser veiculados pela emergente MTV, que se negava a colocar no ar o trabalho de artistas negros – Michael Jackson quebraria esta barreira na primeira metade dos anos 1980.
Quem viveu nos anos 1980 se lembra da febre que era Michael Jackson, mesmo quem não curtia seu trabalho, sabia de sua importância. Por isso, outro erro do filme é esquecer do fenômeno que foi “We Are The World”, a música e videoclipe para arrecadar fundos para a fome no continente africano. Simplesmente “Michael” não dispensa uma simples menção, uma frase ao evento, liderado pelo astro pop.
Porém, perde muito tempo mostrando shows de Michael, sua fixação pelos animais que criava e o conflito com o pai, numa interpretação caricata de Colman Domingo, que geralmente entrega um ótimo trabalho. Além dele, o filme tem Nia Long como a mãe Katherine Jackson, Jessica Sula como a irmã LaToya e Miles Teller como o empresário John Branca. O estreante Juliano Valdi vive Michael na infância.
"Michael" falha em retratar um dos maiores astros da história, morto precocemente aos 50 anos, com medo de macular sua trajetória incrível. A música dele supera qualquer problema que ele poderia apresentar. O filme ainda mostra apenas um recorte de 30 anos de sua vida, parando em 1988. Nos anos 1990, o astro começaria a perder popularidade, protagonizando incidentes patéticos com os casamentos, um deles com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley, e tendo seus dois filhos, gerados por inseminação artificial. Mas sua importância para a cultura pop é inegável.
Cotação: regular
Duração: 2h08
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HZZgZUU9XIc

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