quinta-feira, fevereiro 25, 2016
"Deuses do Egito" (Gods Of Egypt)
Meu deus, como filmam algo assim? Para começar, os principais personagens egípcios são vividos por atores brancos, mais europeus impossíveis, como Gerard Butler, Brenton Thwaites e Nikolaj Coster-Waldau. Depois, parece que um fã de videogame é que dirigiu as cenas de ação.
E vira um desastre "Deuses do Egito" (Gods Of Egypt), dirigido por Alex Proyas. A história é baseada em lenda egípcia, um povo que tem milhares de anos. O poderoso deus Horus (Nikolaj Coster-Waldau), no dia de sua posse como rei do Egito, é cegado e exilado por seu tio, o impiedoso deus Set (Gerard Butler, mais careteiro, impossível). Logo o reino se torna o inferno na terra, com o povo sendo escravizado e os inimigos de Set mortos. Os deuses, todos têm cerca de três metros de altura.
O jovem ladrão Bek (Brenton Thwaites), descontente com a situação e afastado da namorada Zaya (Courtney Eaton), escravizada por um aliado de Set, decide ajudar Horus, apesar de sua mortalidade. E da antipatia de Horus, que afinal é um deus, mesmo cego. Duas horas depois, o público já está cansado de pancadaria, cenas que remetem a video-games e caretas. Sem contar atores brancos vivendo personagens egípcios, morenos desde sempre.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=YtJL5FrNakU
Duração: 1h58min
Cotação: ruim
Chico Izidro
quarta-feira, fevereiro 24, 2016
"Orgulho e Preconceito e Zumbis" (Pride and Prejudice and Zombies)
Na onda das mash-ups ou misturas, "Orgulho e Preconceito e Zumbis", direção de Burr Steers, está na mesma linha de "Abraham Lincolm, Caçador de Vampiros". O filme é uma releitura da obra clássica da escritora inglesa Jane Austen, "Orgulho e Preconceito", e baseado no livro "Orgulho e Preconceito e Zumbis", lançado por Seth Grahame-Smith em 2009.
A história centra nas cinco irmãs Bennet, Elizabeth ( Lily James, de Downton Abbey eCinderela), Jane (Bella Heathcote, de Sombras da Noite), Lydia (Ellie Bamber), Kitty (Suki Waterhouse) e Mary (Millie Brady). Elas vivem com os pais, o Sr. e a Sra. Bennet (interpretados, respectivamente por Charles Dance, de Games of Thrones; e Sally Phillips, de O Diário de Bridget Jones) na propriedade rural Longbourn.
As irmãs, porém, não se destacam apenas por suas belezas e por estarem procurando marido. Elas também são exímias praticantes de artes marciais, já que a Inglaterra vive uma assolação de zumbis. Liz Benneth, a mais velha das irmãs, tem uma estranha relação com o misterioso Mr. Darcy (Sam Riley), um caçador de mortos-vivos, e a quem ela sente atração, mas também repulsa.
Os zumbis não são aqui como os conhecemos, vagando por aí, soltando grunhidos. Muitos se misturam aos seres humanos, falam normalmente. Mas sobrevivem à base de cérebros. Tirando esta alteração, a história de Jane Austen é respeitada, afinal os personagens originais, a trama e até os diálogos originais foram mantidos. O que houve de diferente? A inclusão de zumbis no romance histórico.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fGw6lXk8tew&ebc=ANyPxKphpUQeiPS03FEuM03Y_sveJbF
Duração: 1h47min
Cotação: regular
Chico Izidro
"Como Ser Solteira" (How To Be Single)
"Como Ser Solteira" (How To Be Single), direção de Christian Ditter, é mais uma comédia romântica repleta de clichês. A história centra em quatro mulheres vivendo em Nova Iorque. Uma delas é Alice
(a chatinha Dakota Johnson, de 50 Tons de Cinza), que está dando um tempo em um relacionamento de quatro anos. Em seu novo emprego, ela fica amiga de Robin (Rebel Wilson), uma gordinha festeira. Ao mesmo tempo, a irmã de Alice, Meg (Leslie Mann), é uma médica que decide ter um filho de forma independente. A quarta garota é Lucy (Alison Brie, da série Community), uma jovem que procura um namorado em sites da internet.
Todas elas quebram a cara em tentativas de relacionamentos, muitos casais enrolados. E Alice, que pretendia dar um tempo para ficar sozinha, acaba se envolvendo com três homens. O filme lembra muito as histórias mostradas em "Simplesmente Amor”, “Idas e Vindas do Amor” e “Ele Não Está Tão a Fim de Você”, que aliás foi escrito pela mesma autora do livro que inspirou "Como Ser Solteira".
Nada funciona aqui, sendo que os personagens não conseguem escapar dos estereótipos. E o pior deles é mais uma vez o vivido por Rebel Wilson, que faz sempre o mesmo papel vistos em outros filmes e até sua falida série televisiva: a da jovem tresloucada e desbocada.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=MxARqpiCMTc
Duração: 1h50min
Cotação: ruim
Chico Izidro
"Presságios de Um Crime" (Solace)
Dirigido pelo brasileiro Afonso Poyart, do ótimo "2 Coelhos", "Presságios de Um Crime" (Solace) teria todos os ingredientes para ser um ótimo filme policial, aproximando-se do hoje clássico "O Silêncio dos Inocentes", ainda mais que traz no elenco Anthony Hopkins, que viveu o serial killer Hannibal Lecter. Só que no decorrer da história, o roteiro vai se perdendo, mostrando muita incoerência na trama.
Tudo começa quando dois detetives do FBI, Joe Merriwether (Jeffrey Dean Morgan) e Katherine Cowles (Abbie Cornish), em busca de um serial killer, que tem como modus operandi matar suas vítimas com um golpe perfurante na nuca, buscam a ajuda de um vidente, John Clancy (Anthony Hopkins), que vive isolado do mundo desde a morte da filha. Inicialmente Clancy se recusa a ajudar os dois, mas isso dura poucas cenas. Logo ele está tentando ajudar Joe e Katherine a encontrar o serial killer. Que possui os mesmos poderes de Clancy, ou seja, o assassino Charles Ambrose (Colin Farrell), também é um vidente. Ele assim pode prever os passos dos policiais que estão em seu encalço.
Pena que a história escorregue. O personagem de Hopkins, apesar de ser um vidente, nunca tem certeza do que viu - ele tem visões ao encostar a mão em outras pessoas ou até mesmo cadáveres. E Poyart insiste em imagens como gotas de água ou sangue caindo em câmera lenta ou os rostos dos detetives sangrando e mostrando desespero. Chatice total.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=e4STzYlcqrs
Duração: 1h42min
Cotação: regular
Chico Izidro
"Amor em Sampa"
"Amor em Sampa”, direção de Carlos Alberto Ricelli e seu filho Kim Ricelli, é uma amostra de como ainda o cinema nacional não sabe como elaborar um musical. O filme se pretende uma declaração de amor a São Paulo, mostrando cinco histórias paralelas, entremeadas por números musicais, que se mostram completamente constrangedores.
Ricelli interpreta o taxista Cosmo, ex-publicitário, que largou tudo para viver dirigindo pela cidade que tanto ama, e escutando as histórias dos passageiros que atende. Seu par romântico é a interesseira Lara (Miá Mello), personagem completamente insuportável. Cosmo é até o personagem mais tragável. O restante é formado por uma horda de estereótipos, desde a empresária desiludida com o amor vivida por Bruna Lombardi, que aproveita suas passagens para mostrar sua boa forma, aos 63 anos de idade.
Já Rodrigo Lombardi interpreta Mauro, um publicitário que pretende lançar uma campanha mostrando o melhor dos paulistanos, ao mesmo tempo que se apaixona pela traumatizada Tutti (Mariana Lima). Mas se estereótipos têm nome neste filme, eles são apresentados nas figuras do casal gay formado por Raduan e Ravid (Tiago Abravanel e Marcello Airoldi), que escondem a relação dos colegas e amigos. E que proporcionam um número musical dos mais desastrados de todos os tempos. Não precisava.
A história mais engraçada de "Amor em Sampa" talvez esteja na das duas amigas, Mabel e Carol (Letícia Colin e Bianca Müller), que se envolvem com o diretor de teatro Matheus (Kim Ricelli, péssimo).
O roteiro de "Amor em Sampa", escrito pela Bruna Lombardi recorre a clichês desde o princípio, trazendo atuações ruins, músicas ruins. Nada funciona nesta ode fracassada a maior cidade do país.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=ES-1xeKQOUs
Duração: 1h43min
Cotação: ruim
Chico Izidro
"13 Horas: Os Soldados Secretos de Bengazhi" (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi)
Em 11 de setembro de 2012, exatamente 11 anos após os ataques da Al-Qaeda nos Estados Unidos, a embaixada norte-americana em Benghazi, na Líbia, foi alvo de ataque de fundamentalistas islâmicos em protesto pelo lançamento de um filme que muçulmanos consideram ofensivo ao Islã. O ataque causou a morte do embaixador J. Christopher Stevens e outros três funcionários do local. O incidente é reencenado agora no filme "13 Horas: Os Soldados Secretos de Bengazhi" (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi), direção de Michael Bay.
O diretor conseguiu criar boas cenas de tensão e ação. Claro que não faltaram as patriotadas. O filme mostra a morte do embaixador, mas foca as atenções em seis soldados que trabalham na segurança do complexo da CIA em Benghazi. Eles não estão autorizados a combater, porque fazem apenas atividades de observação, mas quando a embaixada é atacada, eles decidem entrar em ação - visto que o local não estava suficientemente protegido. As coisas não param apenas na embaixada, porque so terroristas decidem invadir também o anexo da CIA, que tinha apenas funcionários civis. E enquanto esperam pelo resgate, os soldados tentam defender o local.
Os seis soldados são vividos John Krasinski, James Badge Dale, David Denman, Dominic Fumusa, Max Martini e Pablo Schreiber. Seus momentos antes do ataque são mostrados quando eles têm contato com suas família, que vivem nos Estados Unidos. É o momento mela-cueca, sentimentaloide. Mas não enfraquece este bom filme de ação, que prende o espectador.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=4CJBuUwd0Os
Duração: 2h24min
Cotação: bom
Chico Izidro
quarta-feira, fevereiro 17, 2016
"O Quarto de Jack" (Room)
Inspirado em fatos reais, principalmente na violenta história dos Fritzl - Josef Fritzl, que sequestrou a própria filha, Elizabeth, mantendo-a prisioneira no porão de casa, em Amstetten, na Áustria, e com quem teve sete filhos entre 1984 e 2008, quando foi descoberto, "O Quarto de Jack" (Room), direção de Lenny Abrahamson, mostra a história do pequeno Jack (Jacob Tremblay). Aos cinco anos, ele vive com a mãe num pequeno cômodo, cujo único contato com o mundo é uma pequena televisão e a claraboia, onde ele enxerga o céu azul.
Os dois recebem frequentemente a visita de um homem, chamado por ele e a mãe, Joy (Brie Larson), de Velho Nick (Sean Bridgers). Jack passa os dias brincando no pequeno espaço que tem, e se esconde quando Velho Nick aparece. Até cerca de meia hora de filme não sabemos o que acontece com os dois e porque estão confinados no local. Mas Joy tenta mostrar ao garoto que o mundo é mais do que ele está acostumado a ver.
Então descobrimos que Jack e Joy estão presos naquele lugar. Ela foi sequestrada por Velho Nick aos 17 anos quando saia da escola e levada para o cativeiro, onde estuprada, engravidou do seu raptor. Joy sonha em escapar do cárcere e é este o climax da história - o que vem a seguir não convém antecipar aqui.
A atuação de Jacob Tremblay é fenomenal. O garoto, que por causa dos longos cabelos, faz no ínicio pensarmos ser ele uma menina, tem uma atuação de gala, excepcional. Ele rouba a cena, sendo o grande protagonista do filme - que mostra um olhar angustiante em relação à vítimas de sequestro, que tem suas vidas alteradas, às vezes, para sempre. Brie Larson, que apesar de ter apenas 26 anos, tem uma longa filmografia, também está ótima, como a mãe que nunca desiste de tentar mudar o destino, que se apresentou tão cruel para ela e o filho. Um filme angustiante.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=IeM5qJp2v8Y
Duração: 1h58min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
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