sexta-feira, junho 30, 2017

"Uma Família de Dois" (Demain Tout Commence)



Para começo de conversa, "Uma Família de Dois" (Demain Tout Commence), direção de Hugo Gélin, tem uma incrível similaridade com o hoje clássico setentista "Kramer vs Kramer". Além do que é o remake francês do sucesso mexicano "Não Aceitamos Devoluções". Protagonizado por Omar Sy, de "Intocáveis" e "Samba", o filme mostra o amadurecimento de um homem e sua relação com a filha, de início rejeitada.

Na trama, Samuel (Sy) é um festeiro, irresponsável, que trabalha em um hotel no litoral da França. Um dia, Kristin (Clémence Poésy), com quem ele teve um rápido caso no passado retorna e deixa com ele um bebê: "toma que o filho é teu", e se manda para Londres. Samuel vai atrás da garota, mas não a encontra. Sem dinheiro, sem teto, vai ficando na capital inglesa com o bebê, batizada de Gloria. Acaba arumando emprego de dublê e vai ficando, ficando, sem nunca aprender inglês. Os anos passam e Gloria (Gloria Colston) se mostra inteligente, bem tratada pelo pai, que faz tudo por ela. Só que a menina não abandona a ideia de conhecer a mãe.

Quando já está com oito anos, Kristin aparece, e para desespero de Samuel, deseja a guarda da filha que abandonou ainda bebê. A briga vai parar nos tribunais. Então de comédia, vira drama. Mas nunca sem perder força. "Uma Família de Dois" faz refletir sobre a paternidade, amadurecimento, responsabilidade, amor intenso e inconteste. Enfim, mostra que às vezes temos de mudar para sermos felizes e fazer os outros felizes.

Duração: 118min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Um Instante de Amor" (Mal de Pierres)



Marion Cottilard está simplesmente esplendorosa em "Um Instante de Amor" (Mal de Pierres), direção de Nicole Garcia. No original, o título significa doença de pedras, aí o "gênio" do titulador brasileiro consegue pensar em instante de amor. Vai entender...

A trama se passa na França dos anos 1950, quando uma mulher, Gabrielle (Marion Cotillard), para tentar escapar de um destino nada agradável no interior do país, acaba casando com um pedreiro, José (Alex Brendemühl). O matrimônio é infeliz, e Gabrielle é uma mulher com forte feminilidade e sexualidade. Doente, com fortes dores renais, ela acaba sendo internada num hospital. E aí que começa a extravassar sua loucura, ao se apaixonar por outro paciente, o tenente do exército André Sauvage (Louis Garrel), que voltou da Guerra da Indochina. Os dois mantém um relacionamento intenso e apaixonado. E aí está a pegadinha do filme, que será explicado só lá em seu término.

De volta para casa e de José, Gabrielle não se conforma em se manter longe de André e lhe escreve cartas e mais cartas apaixonadas. Ela nunca se resigna, e os anos vão passando, e Gabrielle vai se aquietando, ainda mais depois que nasce seu filho.

Apesar do forte erotismo em algumas cenas, "Um Instante de Amor" é delicado, com uma bela trilha sonora, onde se destaca a música do compositor russo Tchaikovsky. E até mesmo o personagem de Alex Brendemühl, marido traído, se mantém sempre ao lado da mulher, mostrando uma sensibilidade fantástica quando mostra para Gabrielle porque sempre aceitou os acontecimentos. Mas o destaque fica mesmo por conta da forte atuação de Marion Cotillard, comprovando porque é uma das grandes atrizes da atualidade.

Duração: 121min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Meu Malvado Favorito" (Despicable Me 3)



"Meu Malvado Favorito" (Despicable Me 3), direção de Kyle Balda e Pierre Coffin, traz de volta o ex-vilão Gru, sua esposa Lucy e as filhas adotivas Margot, Agnes e Edith. Gru abandonou a vilania no segundo filme, entrando para a Liga Anti-vilões como agente, ao lado da mulher. Nesta terceira parte, ele acaba sendo demitido após fracassar em uma missão: capturar Balthazar Bratt, ex-astro mirim dos anos 1980, que resolveu entrar para o mundo do crime e, se vingar de Hollywood após seu seriado ser cancelado.

Bratt é o puro estereótipo daquela década: usa cabelo com mullets, roupa com ombreiras e sua aparição é sempre mostrada com músicas que fizeram sucesso naquele período, indo de Michael Jackson, com Bad, A-ha e Take On Me, Van Halen, com Jump, entre outras.

Desempregado, Gru fica sabendo que tem um irmão gêmeo, Dru, que é multimilionário por causa de uma criação de porcos. Reunidos, o gêmeo quer fazer Gru voltar ao mundo do crime - e ele até acaba caindo em tentação, escondendo suas ações da mulher e das meninas. Ah, e tem ainda os Minions, que decidem abandonar Gru quando ele se nega a voltar a praticar maldades.

A melhor parte do filme é a presença das meninas, com seu jeito fofo e meigo. A trama é leve, sem grandes subterfúgios, e com boas piadas e referências - quem é saudosista vai curtir muito as lembranças aos anos 1980. E ainda fica um gancho para uma continuação.

Duração: 90min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Mar Inquieto"



Dirigido por Fernando Mantelli, "Mar Inquieto" mira em vários gêneros cinematográficos, mas erra na maioria deles. A história tem drama, suspense, paranormalidade, fantasmas, tudo junto e misturado. A protagonista é Anita (Rita Guedes), que tem um passado completamente junkie. Livre das drogas, ela é casada com o bruto Vitorino (Daniel Bastreghi), e mora numa praia no litoral do sul do Brasil.

Sua única amiga é a vizinha Paula (Áurea Batista), também afundada num casamento infeliz. E Anita acredita em demônios e jura ouvir vozes que vêm do mar. O marido, que quer muito ter um filho com ela, é envolvido em um crime. E o personagem de Bastreghi é dono das piores falas do filme, sendo que o ator não consegue imprimir veracidade a Vitorino. A trama ainda tem o comparsa dele, o bruto Hugo (Miguel Lunardi), que passa a assediar Anita, ao lado de um capanga (Marcos Contreras).

Anita terá de esquecer seu passado de drogadita - as piores cenas de "Mar Inquieto", onde a atriz se mostra incapaz de uma boa interpretação - são várias cenas de flash-back mostrando o passado de Anita, antes de ela se envolver com Vitorino.

As melhores partes da história são centradas nas duas amigas, Anita e Paula. Talvez para mostrar um filme feminista, onde as mulheres demonstram mais força e inteligência. A parte final vira um

Duração: 98 min

Cotação: regular
Chico Izidro

quinta-feira, junho 22, 2017

"Ao Cair da Noite" (It Comes At Night)



Um filme de terror não precisa exatamente trazer momentos explícitos, com sangue escorrendo e monstros perseguindo alguém. Pode ser apenas de sutileza, como é "Ao Cair da Noite" (It Comes At Night), direção de Trey Edward Shults. É uma obra repleta de paranoia, desconfiança, onde nada é dito, tudo é feito de forma implícita. E extremamente assustador.

A humanidade foi dizimada, mas nada é explicado. Um vírus é o mais provável. Uma família então, se isola numa casa na floresta - logo no começo o patriarca morre e seu corpo é queimado. Restam Paul (Joel Edgerton), sua mulher Sarah (Carmen Ejogoj) e o filho adolescente de 17 anos Travis (Kelvin Harrison Jr.). Uma noite, um homem tenta entrar na casa em busca de comida e água para sua família, também isolada em outro local. Após muita conversa, repleta de desconfiança, os dois núcleos decidem que o melhor e mais seguro é dividirem o espaço, para reforçar a segurança - afinal, o que mais pode estar lá fora?

O problema é que Paul nunca deixa de desconfiar de Will (Christopher Abbott), que sempre deixa furos, não parecendo ser quem ele aparenta ser. E toda a paranoia e loucura ficam presentes no personagem de Travis, um garoto que tem pesadelos intensos, e que não consegue ter muita atitude, por causa do controle que Paul faz da situação. Além do que, por vezes parece surgir uma tensão sexual entre ele e a mulher de Will.

"Ao Cair da Noite" mostra um mundo que parece ter acabado, mas não vemos escombros, não vemos pessoas caindo pelas ruas ou pela floresta. Aliás, não vemos nada. Tudo aqui é feito para o espectador pensar. Nada é gratuito. Mas que é claustrofóbico, ah, sem dúvida;

Duração: 97min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Na Vertical" (Rester Vertical)



Um filme repleto de personagens estranhos, envolvidos em jogos sexuais, e que deixa muita dúvida no ar. "Na Vertical" (Rester Vertical), dirigido pelo francês Alain Guiraudie. O longa provoca muita estranheza, com mudanças rápidas de tempo.

A história é centrada em Leo (Damien Bonnard), um roteirista com dificuldades em concluir um projeto e que vaga pelo interior da França em busca de inspiração. Em sua caminhada, ele tromba com Yoan (Basile Meilleurat), um jovem que Leo acredita ter as condições necessárias para ser um ator e que mora com o avô Marcel (Christian Bouillette), que será o protagonista de uma virada no filme quase em seu final. Seguindo viagem, Leo encontra a jovem pastora Marie (India Hair), que cuida de um rebanho de ovelhas com o seu pai Jean-Louis (Raphaël Thiéry). Não demora muito e os dois estão transando.

E o filme dá um pulo no tempo, mostrando Marie com um filho de Leo. Enfim, sua ida temporária pelo interior acaba sendo definitiva, e Leo não consegue mais deixar o local. Vai se envolvendo ainda mais com as pessoas, passando a viver como uma delas, e até entrando em relacionamentos homossexuais.

"Na Vertical" acaba sendo uma obra bizarra, não muito fácil de se assistir e de se entender.

Duração: 98min

Cotação: regular
Chico Izidro

"O Cidadão Ilustre" (El Ciudadano Ilustre)



A Argentina já tem o Papa, um dos melhores jogadores do mundo, Messi, e de forma ficcional também o prêmio Nobel da Literatura, o escritor Daniel Mantovani (Oscar Martinez, sensacional) na comédia de situação "O Cidadão Ilustre" (El Ciudadano Ilustre), direção de Mariano Cohn e Gastón Duprat. A história mostra um homem voltando para sua cidade natal e verificar que não tem nenhuma relação com o local.

Daniel Mantovani, ao contrário do conterrâneo José Luis Borges, ganhou o prêmio máximo da literatura. Na hora de receber a premiação, mostra ser um homem que não gosta de convenções, ao se recusar a usar o traje tradicional na cerimônia e também não fazendo a tradicional reverência ao rei e à rainha da Suécia. Depois, começa a receber uma enxurrada de convites para palestras, entrevistas, visitas, mas vai recusando todas. Até que uma em especial chama a sua atenção - de voltar a Salas, sua cidade natal, no interior da Argentina. Mantovani saiu de lá há 40 anos e nunca mais voltou. E a volta não será nada agradável. Aí está a graça do filme.

O escritor, ao chegar, anda de carro de bombeiros, vê um busto seu ser inaugurado na praça principal, a medalha de cidadão ilustre de Salas. Recebido como herói, mas aos poucos o passado começa a lhe incomodar. Sua literatura foi quase toda ela feita de experiências vividas na cidade, utilizando personalidades locais como personagens - enfim, ele fez uma caricatura dos moradores salenses. E alguns cobram esta hipocrisia de Mantovani.

Os tipos mostrados no filme são hilários. Desde o melhor amigo, que casou com a namoradinha de Mantovani na adolescência, o prefeito puxa-saco, a miss da cidade, o morador que se sente ultrajado e começa a atrapalhar os movimentos do escritor por Salas. Afinal, o ressentimento, o passado, estão lá presentes, incomodando, e atrapalhando o futuro de Mantovani.

Duração: 118min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...