quinta-feira, novembro 29, 2018

"As Viúvas" (Widows)




Baseado no livro homônimo de Lynda La Plante, "As Viúvas" (Widows), tem a direção do oscarizado Steve McQueen, vencedor por "12 Anos de Escravidão", e retrata a vida de três mulheres que tem de enfrentar um grande desafio após perderem os seus maridos. Veronica, Linda e Alice são vividas pelas atrizes Viola Davis, Michelle Rodriguez e Elizabeth Debicki, respectivamente, se unem depois que eles morrem durante a tentativa fracassada de um assalto.

Veronica acha que conseguirá seguir em frente apesar da morte do apaixonado Harry (Liam Neeson), mas um gângster roubado por ele surge, cobrando 2 milhões de dólares surrupiados pelo falecido. Ela tem um mês para pagar a dívida. E aí arma um plano, buscando a ajuda de Linda e Alice. Mesmo não possuindo nada em comum, as três se unem e se mostram determinadas a praticar um plano, que havia sido arquitetado por Harry e deixado anotado num caderninho dele.

Viola Davis mais uma vez dá um show de interpretação, nos fazendo lembrar a causa de seu nome estar entre as principais estrelas de Hollywood na atualidade. Sua personagem é uma mulher determinada, mas abalada pelo luto recente. Porém sabe que é preciso superá-lo para sobreviver.

Elizabeth Debicki, por sua vez, é uma grata surpresa, como uma viúva que se mostrava frágil no casamento, agredida pelo marido, e que acaba descobrindo forças de onde achava não ter. Já Michele Rodriguez também se destaca em um papel de uma mulher que precisa garantir a segurança dos filhos pequenos. Mas a grande surpresa mesmo está com Cynthia Erivo, como Belle, uma garota ipoi faz-tudo para ganhar uns trocados a mais.

Além do mais, "As Viúvas" não é apenas um filme sobre um grande assalto. O diretor britânico ainda é mordaz ao fazer críticas à corrupção política, o racismo institucionalizado dos Estados Unidos - um personagem negro é morto pela polícia, por tentar pegar um celular que estava tocando no carro, e violência doméstica. Filmaço.

Duração: 2h09
Cotação: excelente

Chico Izidro

"Um Homem Comum" (An Ordinary Man)




Há poucos meses Ben Kingsley interpretou Adolph Eichmann no longa "Operação Final”, lançado pela Netflix. Não demorou muito e o ator britânico volta a viver outro personagem fugitivo. Desta vez ele é um general da extinta Iugoslávia em "Um Homem Comum" (An Ordinary Man), direção de Brad Silberling. Após ter participado dos massacres na guerra dos Balcãs nos anos 1990, o general, que não tem nome, vive escondido, apoiado por antigos seguidores, que pagam por sua segurança. O general, visto como herói por parte do país, que não é especificado, mas tanto pode ser Croácia, Sérvia como Bósnia, é procurado por crimes contra a humanidade, praticados durante o conflito.

O general está sempre sendo cuidado pelo guarda-costas Miro (Peter Serafinowicz), mas não consegue se conformar com a vida que leva, sempre obrigado a trocar de esconderijo. Até que surge a empregada Tanja (Hera Hilmar), garota de 26 anos, sem amigos, órfã e que é contratada pelos aliados do general para cuidar dele. Cozinhar, conversar. Só que ela não tem muitos traquejos sociais, e seus erros batem de frente com o estilo grosseiro do ex-militar. Só que aos poucos eles começam a criar laços, mesmo que seja difícil lidar com o general, que não facilita para seus cuidadores, volta e meia saindo às ruas, perigando ser capturado.

O filme é interessante, trazendo nada de cenas de ação. É um filme de guerra, sim. Mas não precisa mostrar batalhas, tiros. A obra tem vários diálogos, interessantes, e que prendem a atenção. E o general é uma figura ímpar - mesmo sendo criminoso de guerra, não aparenta ter consciência pesada, mas vive amargurado por ter de viver afastado do mundo. Filmado em Belgrado, na Sérvia, o longa apresenta uma região que ainda parece não ter se recuperado dos traumáticos anos de conflitos.

Duração: 1h29
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"A Excêntrica Família de Gaspard" (Gaspard va au Mariage)




O nome do filme recorre ao oscarizado "A Excêntrica Família de Antônia", em 1995. Falta de imaginação dos distribuidores ao batizar "A Excêntrica Família de Gaspard" (Gaspard va au Mariage), longa francês com direção de Antony Cordier. Mas se formos pensar em títulos repetidos pelo Brasil...a lista é longuíssima. Bem que no caso, a família de Gaspard é mesmo fora do eixo.

Na trama, Gaspard (Félix Moati) mora longe da família, que possui um zoológico. O seu pai, Max (Johan Heldenbergh) vai se casar novamente, e o jovem precisa voltar para casa, a fim de acompanhar a cerimônia. Junto com o pai, moram ainda o Virgil (Guillaume Gouix) e a irmã Coline (Christa Théret), que está sempre usando uma fantasia feita de pele de urso, fedorenta.

Ela é sim, a personagem excêntrica da família, e que tem uma relação meio incestuosa com Gaspard. Só que ele não apareceu sozinho. Durante a viagem para casa, conheceu a jovem Laura (Laetitia Dosch), e ofereceu dinheiro para que ela fingisse ser sua namorada.

Ninguém parece agir com normalidade. O pai, apesar de estar noivo, é um mulherengo costumaz. Já Virgil namora uma tatuadora vegetariana, que não aceita muito bem o fato de ele ser dono de um zoológico. E a estranha Laura suspeita que Gaspard seja gay, por isso a contratou, para poder enganar a família.

"A Excêntrica Família de Gaspard", enfim, tem lampejos de graça, mas no final não consegue se definir se é um drama, se é uma comédia. Talvez o humor seja muito específico, incomum. Diferente.

Duração: 1h43
Cotação: regular
Chico Izidro

"Robin Hood - A Origem" (Robin Hood)



Por que alguns diretores tem a triste ideia de modernizar histórias clássicas? Para atender o público atual, menos exigente e pensante, só pode ser isso. Assim, Otto Bathurst dirige "Robin Hood - A Origem" (Robin Hood), versão remodelada da história do homem que roubava dos ricos para doar aos pobres, é completamente equivocada. Usa uma linguagem de vídeo game, com cenas de ação exageradas e aquelas câmeras que parecem estar no meio de uma tempestade.

E tudo soa completamente inverossímil na história, que se passa no período das Cruzadas, onde Robin Hood (Taron Egerton, de Kingsmans: Serviço Secreto) é o nobre convocado para ir ao Oriente lutar pelos cristãos contra os muçulmanos. Lá vira um pária ao salvar o mouro Little John (Jamie Foxx), e volta para Nottingham, onde descobre ter perdido tudo, até a mulher amada, Marian (Eve Hewson), que acredita que ele tenha morrido. Então Robin começa a praticar crimes para tentar desmascarar o Xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn), completamente caricato.

Mas podem esquecer toda a história que vocês conheceram sobre o herói e sua trupe. Em tempos politicamente corretos, o gigante Little John virou um negro, que anda pelas ruas de Nottingham sem ser notado pelos britânicos!!! E o que dizer das armas usadas pelos mocinhos - arco e flecha, mas utilizadas como se fossem metralhadoras. E o que dizer dos coquetéis molotov lançados por protestantes fantasiados de black blocks...é muito exagero, e ainda por cima em um evento que se passa no Século XIII.

Quer agradar a um público jovem, tudo bem, mas pelo menos que o faça pensar, e não apresentando soluções fáceis e modernosas.

Duração: 1h56
Cotação: ruim

Chico Izidro

"Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro"



Não é porque o humorista Danilo Gentili se bandeou para a direita é que vou malhar seu novo filme, sucessor de "Como se Tornar o Pior Aluno da Escola". É porque o longa, "Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro", dirigido por Fabrício Bittar, é ruim mesmo, e aqui não vai nenhum ranço político. Desta vez o objetivo era fazer uma obra de terror com toques de humor, e sem nenhuma vergonha em copiar longas como "Ghostbuster", "The Evil Dead", "Fome Animal".

O resultado beira o trash, mas no mau sentido. Pois tem filme trash que é bom. O gênero pede coisas exageradas, sangue em excesso e mortes bizarras. "Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro" tem tudo isso, mas colocados de forma equivocada e com atuações fracas, nada naturais. E Gentili acha que é engraçado. Léo Lins e Murilo Couto ainda se salvam, mas Dani Calabresa é desperdiçada.

A história é sobre um grupo de caça-fantasmas contratado para limpar a escola do fantasma da tal loira do banheiro. Ela foi conjurada por dois alunos, e saiu do espelho matando pessoas pelos corredores escolares. Eles até brincam que o logo da empresa é semelhante ao dos ghostbusters. Mas é uma pisada feia.

Duração: 1h29
Cotação: ruim

Chico Izidro

"De Repente uma Família" (Instant Family)



"De Repente uma Família" (Instant Family) é baseado nas experiências reais de seu diretor, Sean Anders. A história mostra o casal formado por Pete (Mark Wahlberg) e Ellie (Rose Byrne), que com dificuldades para engravidar, decide adotar uma criança para formar a tão sonhada família. Para conseguir um filho (a), são obrigados a passar por um processo seletivo, junto com outros casais, como se fosse um curso para quem deseja ser pai.

Finalmente após grande busca, eles conhecem e decidem adotar a adolescente hispânica Lizzy (Isabela Moner), de 15 anos. Mas de acordo com as leis americanas, o casal é obrigado a abrigar também os dois irmãos menores da garota, o atrapalhado Juan (Gustavo Quiroz) e a difícil Lita (Julianna Gamiz). Com os três novos filhos e sem qualquer tipo de experiência, Pete e Ellie terão que aprender a se virar na nova vida. Sendo que Lizzy é a típica aborrescente, rebelde e que não está acostumada a ser bem tratada, dificultando muito as tentativas de Pete e Alice cuidarem das crianças.

Para quem pretende ser pai, o filme é um bom prato para mostrar como é dificil este tipo de vida. E para quem não quer, ele reforça esta ideia, pois não é fácil lidar com crianças, ainda mais elas já vindo de outras experiências traumáticas com outros pais adotivos.

"De Repente uma Família" (Instant Family) apresenta momentos de humor, mas também tem momentos de drama - o destaque fica com a jovem Isabela Moner, fazendo uma atuação memorável como uma garota rebelde, mas extremamente inteligente. Mark Wahlberg e Rose Byrne, por sua vez, obtém excelente química, não caindo na armadilha que até poderia acontecer de o longa virar um dramalhão.

Duração: 1h58
Cotação: bom

Chico Izidro

sexta-feira, novembro 23, 2018

"Infiltrado na Klan" (Blackkklasman)



Com direção e roteiro de Spike Lee, e baseado na obra "Black Klansman: A Memoir", "Infiltrado na Klan" (Blackkkklasman), nos leva direto aos anos 1970, e reproduz a história surreal vivida pelo policial negro Ron Stallworth.

Em 1979, recém chegado a força policial de Colorado Springs, Stallworth notou um anúncio em um jornal da cidade: a Ku Klux Klan buscava novos membros. Ao entrar em contato com o número telefônico colocado no anúncio, ele se apresentou como um homem branco que sentiu ódio por “negros, judeus, mexicanos e asiáticos.” Assim, ganhou a confiança do líder local da KKK, e marcou um encontro em pessoa. Aí que surgiu o problema. Afinal, ele é negro.

A solução foi encontrar um colega branco que aceitasse ir ao encontro do líder local da Klan: o policial branco Flip Zimmerman, que se infiltrou na seita racista durante nove meses. Judeu não praticante, o policial disfarçado correu risco de morte, e foi testado quase o tempo todo por um dos integrantes da KKK, que desconfiava de sua real identidade.

Stallworth é interpretado por John David Washington, filho de Denzel Washington, e Flip Zimmerman é vivido por Adam Driver. O líder supremo da KKK, David Duke, é representado por Topher Grace, da "That '70s Show", que tem as falas muito, mas muito parecidas com o atual presidente norte-americano Donald Trump. Spike Lee, afinal, quis fazer um paralelo com aquela época e a atual, inclusive nas cenas pós-créditos, onde coloca cenas reais dos protestos em defesa da supremacia branca em Charlottesville em 2017, e também de atos em defesa dos negros nos Estados Unidos, no movimento batizado de “Black Lives Matter” (vidas negras importam).

“Infiltrado na Klan” é uma obra importantíssima e reflete o momento atual, onde o perigo do fascismo voltar está muito presente.

Duração: 2h16
Cotação: excelente

Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...