quinta-feira, julho 05, 2007

Meu nome é Elizabeth (J'e m'appelle Elizabeth)




Meu Nome é Elizabeth, de Jean Pierre Ameris, trata de solidão, de abandono e do final da infÂncia, sob a visão da meiga Betty (a excelente Alba Gaïa Kraghede Bellugi). Filha de um diretor de um manicômio, a garotinha vive praticamente sozinha numa grande mansão no interior de uma cidadezinha francesa no começo dos anos 1970. A irmã mais velha e melhor amiga foi para um internato, o pai passa o dia trabalhando e a mãe (a portuguesa e com carinha de boneca Maria de Medeiros, a Anaïs Nin do clássico Henry e June) vive na cidade com o amante. Abandonada e com a mente fervilhando de fantasias, Betty se agarra num jovem que fugiu do hospício e que ela esconde numa choupana. Ele passa a ser o porto seguro da menina, que na presença do rapaz, não se sente tão isolada do mundo. Um filme tocante, que entanto derrapa em seu fraco e pouco inventivo final. Porém vale a pena ser visto.

quinta-feira, junho 28, 2007

Quarteto Fantástico e Surfista Prateado









Eis um bom exemplo de continuação que supera o original: Quarteto Fantástico e Surfista Prateado, de Tim Story. Se no primeiro, era mostrado o surgimento do grupo e a briga com o vilão Dr. Destino, neste exemplar, recheado de boas piadas - não perca o criador da trupe, Stan Lee, sendo barrado numa festa -, o Sr. Fantástico (Ioan Cruffudd) não consegue casar com a Mulher-Invisível (Jessica Alba), pois sempre na hora do sim ocorre alguma catástrofe. Agora surge o Surfista Prateado (Doug Jones), que chega à para preparar a terra para a sua destruição por Galactus. Então o Surfista é combatido pelo Quarteto Fantástico, que recebe até a ajuda sempre traiçoeira do Dr. Destino (Julian McMahon, de Nip/Tuck). E como sempre digo, histórias assim devem ser curtidas como se você estivesse lendo uma revistinha, sem nenhum compromisso e sem pensar muito. O negócio é curtir, como o Tocha-Humana (Chris Evans) faz o tempo todo com a cara do Coisa (Michael Chiklis). Efeitos de primeira e diversão garantida.

O Despertar de Uma Paixão




Tirando o equivocado título nacional - Despertar de Uma Paixão (no original The Painted Veil - O Véu Pintado), dirigido por John Curran e baseado em romance do escritor inglês W. Somerseth Maughan (desconhecido por muita gente e que fez sucesso na primeira metade do século passado.é dele, por exemplo, o genial livro Servidão Humana), é um excelente filme, que nos remete aqueles clássicos dos anos 1950 e 60. Em Despertar de uma Paixão, Edward Norton e Naomi Watts dão show como o casal que se une sem amor - por parte dela. Walter é um médico apaixonado até a medula pela mulher, que para os padrões da época, a Londres de 1925, já estava ficando passada por não ter se casado. Para se livrar da mãe megera, Kitty topa a união com Walter e os dois se mudam para Xangai, na China.Como ela não tem o mínimo interesse pelo marido, acaba se envolvendo com um diplomata britânico, Charlie Towsend (Liev Schreiber, de Sob o Domínio do Mal 2). Descoberta a infidelidade da esposa, Walter decide se embrenhar no interior chinês levando a infeliz mulher de arrasto, para tratar de uma epidemia de cólera. Com o tempo, Kitty passa a admirar o marido. O filme não tem grandes surpresas e lá pela sua metade já dá para prever o destino dos personagens. Só que os atores já citados seguram as pontas com maestria, principalmente Norton, que é lembrado mais por filmes brutais como Clube da Luta, A Outra História Americana, Dragão Vermelho e A Última Noite do que filmes românticos. Já Naomi Watts, aqui morena, permanece linda e seu jeito frágil nos faz sentir pena dela.
Chico Izidro

Invasão de Domicílio




Anthony Minghella consegue ser tão chato quanto Jean-Luc Goddard. O diretor inglês comete, agora, Invasão de Domicílio (Breaking and Entering). Elenco para se fazer um bom filme ele tem de sobra - Jude Law, Robin Wright Penn (a sra. Sean Penn), Ray Winstone e a eterna sofredora Juliette Binoche, que com Minghella, protagonizou o enfadonho Paciente Inglês.Em Invasão de Domicílio, Jude Law é o arquitetoWill, que depois de ter sua empresa - localizada em um bairro barra-pesada de Londres - arrombada pela enésima vez, decide fazer uma campana para tentar flagrar os ladrões. Um deles é Miro (Rafi Gavron), filho da refugiada bósnia Amira (Binoche).Na sua investigação e com crise no casamento, Will acaba se relacionando com a costureira - que se entrega não de todo ao arquiteto, afinal uma mãe faz de tudo pelo seu filho.Após duas horas, o diretor encontra uma das piores soluções de todos os tempos para encerrar a história, deixando o espectador com aquela sensação de "perdi duas horas da minha vida". Um bom desperdício de elenco e de tempo. Que venha o próximo.
Chico Izidro

sexta-feira, junho 22, 2007

GOYA




O veteraníssimo diretor espanhol Carlos Saura nos brinda com um belo filme: Goya, sobre a atribulada vida do pintor, que morreu há quase 200 anos e hoje é motivo de curiosidade, tendo mostra de suas obras em Porto Alegre e livros lançados sobre ele. Francisco Goya tem como intérprete o xará Francisco Rabal. Já aos 80 anos e vivendo exilado em Bordeaux, na França, o liberal pintor, que trabalhou para a corte espanhola e assim sobreviver, sofre com a surdez adquirida quando tinha cerca de 40 anos e a distância da terra natal. Ele relembra momentos marcantes de sua vida, enquanto delira na cama, assistido pela filha adolescente Rosarito e pinta algumas de suas obras seminais sob a luz de velas - era um notório notívago. Lembra da paixão maior pela nobre Cayetana (Mareibelo Verdú) e de como realizou suas obras, até hoje essenciais no mundo da arte.
Saura realizou o filme como se ele fosse várias pinturas, com cores fortes, principalmente o vermelho - retratando a violência e o desespero dos desenhos de Goya. No filme, ainda a participação dco grupo Fura del Baus, que faz de uma batalha um lindo baile, de deixar-nos admirados ao extremo. E o diretor ainda acerta a mão na trilha sonora, com obras clássicas e do regionalismo espanhol. Magnífico.



Chico Izidro

Os 12 TRABALHOS




Os 12 Trabalhos, de Ricardo Elias, é mais um bom filme da safra nacional, mas atraindo para variar, um público ínfimo. Nele, o garoto Herácles (Hércules, em grego) tem um dia para provar ter condições de trabalhar como motoboy. Recém egresso da Febem, sente na pele o preconceito de ter passado pela instituição - em nenhum momento é explicado qual crime o menino (Sydney Santiago) cometeu - e tem de tentar apagar ou esconder esta mácula. Numa São Paulo caótica (desculpem o pleonasmo), Herácles e sua combalida moto mostram ao espectador as agruras da vida da categoria, marginalizada em excesso até por seguranças de prédios. O título faz trocadilho com a mitologia grega - afinal eram 12 os trabalhos de Hércules. Um bom filme, onde o elenco praticamente desconhecido, com excessão de Lucinha Lins como uma professora aposentada, segura bem as pontas e não necessita de efeitos especiais ou histórias mirabolantes para prender a atenção em seus cerca de 90 minutos.



Chico Izidro

quinta-feira, junho 21, 2007

Batismo de Sangue





Queria o cinema nacional não tivesse tantos altos e baixos. Mas isso não é possível, seja em qualquer atividade. Porém assistir Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton, mostra que também dá para fazer bom, muito bom cinema no país. E melhor, recuperar uma parte obscura de nossa história: o período da ditadura militar entre 1964 e 1985. Aqui se prendendo, desculpe o trocadilho, entre os anos 1968 e 1974, quando do envolvimento dos padres dominicanos com a guerrilha urbana. Baseado no romance homônimo de Frei Betto, relata a ajuda do próprio e de seus colegas religiosos ao líder esquerdista Carlos Marighella e as torturas sofridas por eles pelas forças das ditaduras. Quem mais sofreu, além de Marighella, assassinado numa emboscada, foi o Frei Tito, interpretado por Caio Blat. Ele acabou se suicidando durante o exílio na França, pois não conseguia esquecer o que sofreu nas mãos dos milicos. Frei Betto teve como intérprete Daniel Oliveira (Cazuza). Show dá Cássio Gabus Mendes no papel do sádico policial Luiz Paranhos Fleury, o Papa. Torturador de carteirinha, ele era o todo poderoso do Deops. Em tempo, as cenas de tortura são para quem tem estômago forte. Extremamente realistas e que fazem o espectador se mexer incorfortáveis na poltrona. É para ver e entender o quanto foi infame a ditadura. Nunca mais.



Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...