quinta-feira, março 07, 2024

"Apaixonada"

O filme “Apaixonada”, direção de Natalia Warth, é inspirado no livro “Apaixonada aos 40”, de Cris Souza Fontes. O longa-metragem apresenta a história de Beatriz (vivida pela bela Giovanna Antonelli), que aos 40 anos, vê a sua vida mudar completamente. A filha de 21 anos decide estudar em Buenos Aires e o marido, Alfredo (Danton Mello) resolve acabar com o casamento de mais de duas décadas.
Sozinha, Beatriz acha que não deve deixar a peteca cair, e ao lado de dois amigos inseparáveis, Dora (Polly Marinho) e Jeff (Pedroca Monteiro), resolve que está na hora de redescobrir a alegria de viver. Ela se envolve com um vendedor de sorvetes, Pablo (Rodrigo Simas), que tem a metade de sua idade, e até encara uma viagem para a capital argentina para reencontrar sua filha e ter um rápido caso com um portenho.
“Não foi tão difícil achar o equilíbrio entre o romance e a comédia. É algo que já havia no livro, e o roteiro é muito bem escrito, então consegui debater muito com a equipe cada passagem, e afinamos uma história que emociona e faz rir – como a vida. É uma comédia divertida, e, às vezes, algo triste até te faz rir”, afirmou a diretora Natalia Warth.
Dito isso, "Apaixonada" é é uma comédia romântica fraca, apesar de até sentirmos empatia com alguns personagens, gente como a gente, tentando encontrar a felicidade na vida. Porém, é uma história tão batida, com algumas situações forçadas demais. É mais do mesmo.
Cotação: fraco
Duração: 95 min
Chico Izidro

quinta-feira, fevereiro 15, 2024

"Bob Marley: One Love" (One Love)

Não gosto de Reggae, mesmo sendo a música vinda da Jamaica uma das mais influentes do mundo. Mas assistindo a cinebiografia "Bob Marley: One Love" (One Love), dirigido por Reinaldo Marcus Green, comecei a ter outra perspectiva. Pelo menos em relação ao trabalho de Marley. O filme conta a jornada do músico até se tornar o maior nome do estilo, em uma vida curta, ceifada pelo câncer com apenas 36 anos de vida.
Ao estilo das atuais obras cinematográficas retratando a vida de alguma personalidade, a trama foca em apenas determinado período da vida de Bob Marley, que ficou conhecido por sua pregação pela paz, o amor e a fé rastafari. Mais especificamente entre 1976 e 1981, ano de sua morte. E desculpem o trocadilho, com direito a alguns flash-backs ao longo da história.
O roteiro foca especialmente nos anos turbulentos na Jamaica, quando o país era controlado por gangues e com problemas governamentais. Em 1976, Bob Marley foi vítima de um atentado a tiros ao lado da esposa Rita e de amigos músicos. Os criminosos dispararam mais de 80 tiros e acertaram a cabeça de Rita e do empresário Dom.
"Nós não queríamos fazer algo do berço ao túmulo", disse o diretor. "Queríamos mostrar uma janela da vida de Bob. Escolhemos de 1976 a 1978 porque havia ali sua criação, sua genialidade, durante um momento de extrema violência política e desordem civil na Jamaica. Foi um período muito rico. Há cenas de sua infância e juventude, mas mais para apoiar a história que estávamos contando do que para tentar dar conta de sua vida", concluiu.
O astro acabou saindo do país, se refugiando em Londres, dando partida para o seu disco clássico "Exodus" (1977), o álbum de Reggae mais vendido de todos os tempos. E de onde saíram os sucessos "Three Little Birds" e "One Love/People Get Ready".
Marley é interpretado belíssimamente pelo ator britânico Kingsley Ben-Adir, mas não canta as músicas, e sim as dubla, enquanto que Rita é interpretada por Nia Ashi e Lashana Lynch, já na fase adulta. "One Love" não é um filme maravilhoso, tem seus defeitos, porém faz o que acho essencial: querermos saber mais sobre o músico - que teve infância pobre, sofreu com a ausência do pai, um norte-americano branco.
Foca também e muito no seu ativismo político. Mais preocupado com a música e a política, talvez estivesse vivo se se preocupasse com o câncer, diagnosticado cedo. Mas Marley não buscou ajuda.
Cotação: bom
Duração: 1h47min
Chico Izidro

segunda-feira, fevereiro 05, 2024

"Argylle: o Superespião" (Argylle)

"Argylle: o Superespião" (Argylle), direção de Matthew Vaughn, é uma comédia de ação misturada com filme de espionagem. Além do que, coloca realidade e ficção correndo juntas. Lá pelas tantas me lembrou um filme que assisti ainda criança, "O Magnífico", de 1973, onde um escritor interpretado por Jean-Paul Belmondo se coloca na pele de sua criação, o agente secreto Bob Saint-Clar.
O diretor Matthew Vaughn começou bem, com obras cinematográficas de ação muito boas e que caíram no gosto dos cinéfilos, como "Kick-Ass", "X-Men: Primeira Classe" e "Kingsman: Serviço Secreto". Mas então já tropeçou "King's Man - A Origem", muito decepcionante. E agora com Argylle: o Superespião", foi ladeira a baixo.
O filme mostra a escritora de livros de espionagem Elly Conway (Bryce Dallas Howard) colhendo os louros com uma série de romances de sucesso com o espião Argylle (Henry Cavill). Porém, lá pelas tantas ao ser interpelada por um espião de verdade, Aidan White (Sam Rockwell), Elly descobre que as suas histórias são fruto de aventuras vividas por ela mesma, uma espiã que estava em estado vegetativo.
Então o filme, que já estava ruim, fica pior ainda, com cenas de ação sofríveis - a da patinação no petróleo é uma das coisas mais lamentáveis dos últimos tempos, reviravoltas no roteiro sem pé nem cabeça. As atuações são fracas, caricatas. Bryan Cranston, o sr. Walter White de Breaking Bad, parece que está ali só para pagar o aluguel. E o espectador sofre com as quase duas horas e meia de filme. Tortura.
Cotação: ruim
Duração: 2h19m
Chico Izidro

quinta-feira, fevereiro 01, 2024

"Pobres Criaturas" (Poor Things)

Baseado na obra de Alasdair Gray, em "Pobres Criaturas" (Poor Things), com direção de Yorgos Lanthimos, temos a história de Bella Baxter (Emma Stone, excelente), uma mulher que cometeu suicídio, mas foi pelo cientista Godwin Baxter (Willem Dafoe) na Londres da Era Vitoriana, e reanimada, numa obra que remete diretamente ao clássico Frankenstein.
Trazida de volta à vida pelo cientista maluco e visto como um monstro por seus alunos na universidade, já que seu rosto é totalmente coberto de cicatrizes, ela está longe de ser vista como uma monstruosidade. Bella estava grávida ao morrer - por isso o suícidio -, e o cérebro de seu filho é implantado no lugar do seu.
Então vemos Bella como um bebê em plena fase de desenvolvimento, com coordenação motora e fala limitada. E para ajudar a verificar os avanços da garota, o cientista contrata um aluno, Max McCandless (Ramy Youssef), para fazer as anotações necessárias e ser o acompanhante de Bella, que não pode nunca sair da mansão. Em determinado momento, Baxter pede que McCandless se case com ela, mas com a condição de continuarem vivendo na mansão.
Para escrever o contrato de matrimônio é chamado o advogado Duncan Wedderburn (Mark Ruffalo, também excepcional no papel de um canalha e interesseiro), que se encanta com a criatura, e decide fugir com ela. E Bella, disposta a conhecer mais do mundo e dos seres humanos, aceita a proposta. Os dois partem para Lisboa e depois Grécia.
E na viagem, começa a florescer o lado sexual de Bella, que primeiro com Duncan e depois com outros homens, começa a descobrir o prazer, experimentando sensações e sentimentos. O engraçado da coisa é que Bella pensa como uma criança, ingênua, e isso encanta as pessoas - me lembrou remotamente ao filme "Muito Além do Jardim", onde o personagem vivido por Peter Sellers é um idiota, mas que cativa os poderosos com seu pensamento simples.
A trama de "Pobres Criaturas" é ousada, com toques de bizarrice. As cenas de sexo são fortes, mas nunca apelativas - atente quando Bella descobre o prazer solitário da masturbação. Talvez Emma Stone esteja em seu melhor papel.
Cotação: ótimo
Duração: 2h21min
Chico Izidro

quinta-feira, janeiro 11, 2024

"Beekeeper – Rede de Vingança" (Beekeeper)

John Wick está se revirando na tumba (o personagem morreu no último filme). Pois "Beekeeper – Rede de Vingança" (Beekeeper), direção de David Ayer, tem aquela máxima: mexeu com a minha família, mexeu comigo. Além de trazer à tona uma nova modalidade de agentes secretos, na figura de apicultores ou pessoas que lidam com abelhas. Acredite se quiser.
E no caso, o apicultor em questão é Adam Clay, interpretado por Statham, que vive em celeiro alugado na fazenda de uma senhorinha, Eloise (Phylicia Rashad), cuidando de suas abelhas. Além de servir como ajudante para a idosa. E ela, em certo dia, ao mexer no seu computador, recebe um aviso de que o aparelho pode ter sido infectado por um vírus e um número de telefone. Ela liga para a central, é atendida e inocentemente cai em um golpe. Em poucos minutos, Eloise perde toda as suas economias, além de 2 milhões de dólares de uma conta de uma organização de caridade da qual era responsável. Envergonhada, a idosa se suicida.
A filha de Eloise é Verona (Emmy Raver-Lampman), que ao chegar ao local encontra um desolado e quieto Clay, passando a acreditar ser ele o responsável pela morte da mãe. Mas aos poucos, os dois acabam descobrindo que Eloise foi vítima de um golpe. É quando o apicultor decide agir - ele é um agente especial aposentado, e logo descobre o local da empresa que aplica os golpes, e resolve agir, tacando fogo nas instalações.
Só que ao fazer isso, Clay mexeu com gente muito poderosa e passa a ser perseguido pelos criminosos e pelo FBI. Mas vai deixando um rastro de mortes e destruição na busca dos responsáveis pela empresa que aplicou o golpe em Eloise.
Além da premissa da vingança solitária, "Beekeeper – Rede de Vingança" (Beekeeper) apresenta um roteiro cheio de falhas, atuações esquecíveis. O legal são as cenas de porradaria, bem coreografadas. Mas tanto o mocinho, sempre com a mesma expressão e totalmente imune as balas e facadas, os vilões, vividos por Josh Hutcherson e Jeremy Irons, pecam por seus personagens caricatos. Dá para assistir numa sessão pipoca, sem compromissos. E só.
Cotação: ruim
Duração: 1h45m
Chico Izidro

"Os Rejeitados" (The Holdovers)

"Os Rejeitados" (The Holdovers), direção de Alexander Payne, é uma deliciosa aventura de três pessoas deslocadas no mundo, vivendo no problemático começo da década de 1970. A história transcorre no internato Barton Academy, uma escola prestigiada em Massachusetts, nos Estados Unidos, durante as festas de final de ano.
O protagonista é o professor mal-humorado Paul Hunham (ator Paul Giamatti, excelente), que é detestado pelos alunos devido a sua extrema severidade. Ele não costuma dar moleza, e reprova qualquer um sem piedade. Solitário, Hunham não temn projetos para as férias de final de ano. E a maioria dos alunos vai retornar para casa para passar o feriado prolongado com as suas famílias.
Porém, nem todos os alunos têm para onde ir e precisam ficar no colégio. E alguns funcionários devem estar na escola para cuidar dos estudantes. E o professor Paul Hunham é escalado para a missão, tendo de lidar com o rebelde Angus (Dominic Sessa), que está enfrentando o luto após a morte do pai. Os dois se odeiam, e com eles fica também a chefe de cozinha Mary Lamb (Da’Vine Joy Randolph), que acabou de perder o filho na Guerra do Vietnã.
A história se guia pelos conflitos e uma lenta aproximação dos três, destacando a relação de Angus e Paul. Em certo momento, o trio embarca em uma viagem, quando acabam descobrindo que têm muito em comum.
Giamatti, que já havia trabalhado com Payne em "Sideways", consegue fazer com que o espectador tenha um sentimento dúbio por seu personagem - as pessoas odeiam e amam o professor. Já Da'Vine Joy Randolph transmite em cada gesto a dor e a desesperança de uma mulher que procura motivos para viver, vivendo num lugar totalmente diferente de suas origens, cercada de jovens ricos e mimados, e professores rudes e brutais. Por sua vez, Dominic Sessa faz sua estreia no cinema com a segurança de um veterano, e promete um grande futuro.
O filme oferece uma grande lição de cumplicidade e redenção, mas sem cair nas armadilhas que estamos acostumados a ver em filmes de Natal. Filmaço.
Cotação: ótimo
Duração: 2h13m
Chico Izidro

quarta-feira, novembro 15, 2023

"Jogos Vorazes: A cantiga dos Pássaros e das Serpentes" ( The Hunger Games: The Ballad of Songbirds and Snakes)

"Jogos Vorazes: A cantiga dos Pássaros e das Serpentes" ( The Hunger Games: The Ballad of Songbirds and Snakes), direção de Francis Lawrence, é a história do ditador de Panem, Coriolanus Snow, anos antes de ele chegar ao poder, e do surgimento da heroína Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), protagonista dos quatro filmes anteriores.
A trama é ambientada cerca de 60 anos antes dos eventos dos filmes anteriores, e mostra Coriolanus Snow (Tom Blyth) aos 18 anos, quando era ainda um estudante universitário. Ele é escolhido para ser tutor de um dos jovens selecionados de diferentes distritos para disputar os Jogos Vorazes, que estão em sua décima edição e enfrentam problemas de audiência.
O futuro ditador, tem de cuidar da jovem Lucy Gray Baird (Rachel Zegler), selecionada como tributo do Distrito 12, para disputar os Jogos. Aos poucos, vai surgindo uma empatia entre os dois e Snow passa a se preocupar cada vez mais com a garota, fazendo o possível para que ela consiga sobreviver à disputa. No entanto, quanto mais se envolve com Lucy, e mais uma série de eventos vão fazendo com que ele comece a sofrer mudanças em seu comportamento, passando a descobrir a sua verdadeira natureza.
Apesar de o filme ser direcionado a um público adolescente, ele é extremamente violento, não poupando cenas de mortes cruéis e muito sangue escorrendo. Também se destaca a direção de arte, mostrando uma Panem que lembra e muito aquele visual dos países da Cortina de Ferro das décadas de 1950 e 1960, com suas largas avenidas, prédios imponentes e estátuas gigantes.
A direção de Francis Lawrence, que já tinha estado à frente dos três últimos filmes da franquia, cria um bom clima de tensão nos Jogos. Destaque ainda para os sempres ótimos Peter Dinklage como o reitor Highbottom e Viola Davis na pele da dra. Volumnia Gaul.
Ah, em determinados momentos, o filme parece descambar para um musical, com o excesso de cantoria de Rachel Zegler, que usa a sua própria voz em várias canções. Mas no geral, "Jogos Vorazes: A cantiga dos Pássaros e das Serpentes" agrada, apesar de ser um pouco longo demais.
Cotação: Bom
Duração: 2h38min
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...