Thursday, February 15, 2018

"Três Anúncios para um Crime" (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)



"Três Anúncios para um Crime" (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri), direção de Martin McDonagh, mostra a batalha de uma mãe por justiça, lutando contra a ineficiência ou seria descaso da polícia? Mildred Hayes (Frances McDormand, mais uma vez magnífica), após esperar por mais de sete meses o esclarecimento sobre o assassinato de sua filha adolescente, e não vendo respostas, decide alugar três outdoors numa estrada na entrada da cidade, aonde coloca frases pedindo respostas para o crime e denunciando a ineficiência do delegado Bill (Woody Harrelson).

A partir daí, Mildred passa a ser tratada como uma pária social em Ebbing, sofrendo perseguição dos policiais, que se sentiram ofendidos com a atitude dela. O pior deles é Jason Dixon (Sam Rockwell, excepcional), um homem que ainda mora com a mãe e é racista ao extremo, atacando não só a Mildred, mas também os amigos dela.

Aos poucos, a situação vai fugindo do controle tanto de Mildred, quando dos policiais, e uma cena forte destaca toda a desesperança de Bill, mas não vou dar spoiler!!! Enfim, todos os personagens de "Três Anúncios para um Crime" não são totalmente bons, nem totalmente ruins, mas todos com qualidades e defeitos. Todos os atores têm seus momentos para brilhar e o fazem com muita força - a virada na parte final é algo único.

Duração: 1h55min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississippi" (Mudbound)



"Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississippi" (Mudbound), da diretora Dee Rees, é baseado no romance homônimo de Hillary Jordan, e tem como pano de fundo o miserável sul dos Estados Unidos nos anos 1940, onde imperava a segregação racial, violência, machismo, misoginia e pobreza. O filme mostra como duas famílias tentam se virar em um ambiente hostil.

Vemos duas famílias protagonistas, uma de brancos, onde se destaca Laura (Carey Mulligan, de As Sufragistas e sósia de Katie Holmes), casada com Henry (Jason Clarke, de Os Infratores). Os dois deixam a cidade para ir morar numa fazenda e logo descobrem que entraram numa roubada. Outro personagem importante da trama é Jamie (Garrett Hedlund), irmão de Henry, que retorna da Segunda Guerra Mundial destruído e alcoolatra, mas mesmo assim dono de um bom coração.

A outra família de negros vive na fazenda de Henry como se estivesse ainda na época da escravidão, trabalhando numa terra que não é sua. Nela se destaca o jovem Ronsel (Jason Mitchell, de Straight Outta Compton: A História do N.W.A.), o filho mais velho de Hap Jackson (Rob Morgan). Ele lutou na Segunda Guerra Mundial, onde conheceu um outro mundo, onde não importava a cor de sua pele, apesar de ele ter lutado contra os nazistas. Ao voltar para casa, nada mudou e sua atitude é vista como arrogante pelos racistas locais. E ele vai fazer amizade com Jamie, o que desencadeará sérios problemas.

A trama é forte, pesada, chegando a incomodar, pois é tudo tão cruel, tenso, que ficamos imaginando como que um dia homens podem ter tratado outros de uma forma tão absurda e abjeta apenas por causa da cor de pele diferente.

Duração: 2h14min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Eu, Tonya" (I, Tonya)




"Eu, Tonya" (I, Tonya), direção de Craig Gillespie, mostra de forma quase cômica a trajetória da patinadora olímpica Tonya Harding, que tentou de todas as formas o sucesso em sua carreira, mas sempre tropeçou por não se enquadrar no sistema exigido pelo esporte. Além disso, sua vida ficou marcada por seu marido ter organizado um atentado contra a principal concorrente de Tonia, Nancy Kerrigan, às vésperas das Olimpíadas de Inverno de 1994.

Tonia é interpretada de forma magistral, primeiro na infância por Mckenna Grace, e depois na adolescência e fase adulta por Margot Robbie. A garota, desde pequena, mostrou grande capacidade para patinadora, mas isto fez com que sua mãe, LaVonna (Allison Janney) agisse de forma quase brutal com ela, exigindo o máximo e até mesmo a tirando da escola. Sua vida deveria ser toda focada na patinação. Aos 15 anos, Tonia conseguiu se livrar das garras abusivas da mãe, mas acabou num casamento mais abusivo ainda com Jeff Gillooly (Sebastian Stan), que anos depois seria o provocador de um dos maiores escândalos esportivos.

"Eu, Tonya" é uma cinebiografia criativa, onde os personagens, muitas vezes, falam direto para a câmera numa espécie de mockumentary (documentário falso), mas também interrompem a atuação, para falar diretamente com a plateia.

O desempenho de Margot Robbie, atriz australiana, de 27 anos, é de extremo talento, ela conseguindo fazer a personagem com 15 anos e depois com 40, seja com desespero, graça, sapequice (se é que existe esta palavra!). Allison Janney no papel da mãe abusiva de Tonia, também está excelente. A gente não sabe se a odeia, ou se sente pena daquela mulher patética.

Duração: 2h
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Lady Bird - A Hora de Voar" (Lady Bird)




"Lady Bird - A Hora de Voar" (Lady Bird), temos a estreia na direção de Greta Gerwig (atriz de Frances Ha e Para Roma, com Amor), onde ela mostra a vida da adolescente Christine McPherson (Saoirse Ronan), de 17 anos e que está em seu último ano no ensino médio e tendo como objetivo cursar uma faculdade o mais longe possível de Sacramento, Califórnia, onde mora com a família. E ela tem atitudes meio excentrícas, gostando de ser chamade de Lady Bird.

Gerwig mostra este período na vida de Christine - a trama se passa em 2002. Ali vemos a garota envolvida em seu primeiro namoro, os problemas na escola católica onde estuda, as divergências com a mãe, que não a quer morando longe.

Laurie Metcalf interpreta Marion McPherson, mãe de Christine, que é obrigada a enfrentar uma dupla jornada no trabalho, enquanto o marido está desempregado, mas é o grande herói para a filha.
"Lady Bird: É Hora de Voar" mostra o crescimento de um personagem. No entanto, o filme não empolga, se mostrando frio, com situações corriqueiras muitas vezes vista em outras obras similares. Acaba sendo, por vezes, tedioso.

Duração: 1h35min
Cotação: bom

Chico Izidro

"Lou" (Lou Andreas-Salomé)



Dirigido por Cordula Kablitz-Post, o filme "Lou" (Lou Andreas-Salomé) pretende mostrar a vida atribulada da escritora e psicanalista russa Lou Andreas Salomé, que, no fim do século XIX, ficou conhecida por conquistar, com suas posições políticas e de vida, pensadores brilhantes da época, como o filósofo Friedrich Nietzsche e o psicanalista Sigmund Freud. Ela é pouco conhecida no Brasil e autora prolífica, não tem sua obra traduzida para o português.

Apesar de todo o seu modo de viver a vida nos rígidos finais do Século XIX, a cinbebiografia acaba sendo muito convencional, mostrando mais o lado amoroso de Lou, que teve um triângulo amoroso com os filósofos Paul Rée e Friedrich Nietzsche, mas sem nunca ceder a nenhum deles. Assediada por um pastor em sua adolescência, ela teria jurado nunca se apaixonar ou se casar. Mas cairia mesmo de amores pelo poeta Rainer Maria Rilke.

A diretora Cordula Kablitz-Post acaba ousando pouco, sendo que Lou foi uma mulher à frente de seu tempo, transgressora, que não aceitava as normas machistas, mesmo por parte das mulheres. Post perde muito tempo com os momentos sentimentais. Mesmo assim é de se aplaudir as atrizes Katharina Lorenz e Nicole Heesters, que interpretam Lou na fase adulta e na velhice, respectivamente. Outra coisa a se destacar é a fotografia e a bela reconstituição de época.

Duração: 1h43min
Cotação: bom

Chico Izidro

Thursday, February 08, 2018

"O Que Te Faz Mais Forte" (Stronger)



No ano passado, "O Dia do Atentado" reproduziu fielmente o ataque terrorista na Maratona de Boston em 2013, que vitimou três pessoas e feriu mais de 250. Agora, em "O Que Te Faz Mais Forte" (Stronger), direção de David Gordon Green, e baseado no livro de mesmo nome, escrito por Jeff Bauman e Bret Witter, é mostrado o que aquele atentado afetou as vidas humanas, principalmente na figura do próprio Jeff Bauman (vivido por Jake Gyllenhaal).

Jeff foi pego pelo destino, pois nem deveria estar presente no local de uma das explosões, mas ele foi lá para incentivar Erin Hurley (Tatiana Maslany), uma garota com quem ele mantinha um relacionamento amoroso marcado por idas e vindas. O jovem foi testemunha ocular, ao conseguir identificar um dos irmãos que praticaram o atentado, mas antes sofreu o pior, quando ele estava próximo a uma das bombas, e acabou perdendo as duas pernas. Assim como outros sobreviventes, ele se tornou um dos símbolos do slogan Boston Strong, criado para apoiar familiares de vítimas e mortos no atentado terrorista.

O filme acaba por tratar sobre os efeitos do atentado em famílias, em relacionamentos. Jeff teve de superar depressão, interesseiros que queriam se aproveitar de sua tragédia pessoal. E reaprender a caminhar, enfim a viver. Jake Gyllenhaal entrega uma atuação digna, fazendo um trabalho espetacular, mostrando aquele olhar de quem perdeu muito, mas precisa se recuperar, apesar dos percalços.
"O Que Te Faz Mais Forte" consegue fugir da armadilha que é cair, neste tipo de filme, em chantagens emocionais. O diretor David Gordon Green consegue acertar em realizar um drama forte, sem apelação.


Duração: 2h
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Sem Amor" (Loveless)




Um drama intenso, mostrando o descaso de um casal com seu filho é o que encontramos em "Sem Amor" (Loveless), do diretor russo Andrey Zvyagintsev. A trama mostra o casal Zhenya (Maryana Spivak) e Boris (Aleksey Rozin) que estão se separando em meio a muitas discussões e pior, eles tem um filho de 12 anos, Alyosha (Matvey Novikov), que é simplesmente negligenciado por seus pais. E cada um deles está reconstruindo a vida com novos pares, sendo que Boris já está esperando um outro filho com a nova namorada.

E tanto Zhenya quanto Boris não querem ficar com Alyosha. Um dia o garoto escuta nova discussão e simplesmente desaparece. Mas passam mais um par de dias para os seus pais notarem sua ausência. A partir daí o que temos é uma procura pelo garoto, e é quando Zhenya e Boris notam que não sabem nada, mas nada sobre seu filho. Se tem amigos, o que faz, como está na escola, o que não faz.
A polícia, no início, também se mostra desinteressada pelo caso, mas aos poucos é formado um grupo de socorristas para tentar encontrar Alyosha.

Enfim, o filme trata da falta de amor, da indiferença, desprezo. "Sem Amor" (Loveless) é melancólico, e angustiante, até mesmo para o espectador, que fica sofrendo para saber o desfecho sobre o sumiço do garoto. Triste.

Duração: 2h08min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"O Insulto" (L'insulte)



O filme libanês "O Insulto" (L'insulte), do diretor Ziad Doueiri, mostra que as feridas religiosas e étnicas ainda estão abertas passados mais de 25 anos do final da guerra civil que devastou o Líbano nos anos 1970 e 1980. Toda a trama começa por causa de um mal-entendido ocorrido em um bairro simples de Beirute, capital do país e que um dia ficou conhecida como a “Paris do Oriente Médio”.
O ponto de choque são dois homems, o mecânico libanês e cristão Toni (Adel Karam) e o refugiado palestino Yasser (Kamel El Basha), que trabalha numa empreiteira que presta serviços a um deputado consertando logradouros da cidade. Um dia Toni está molhando suas plantas em sua varanda ilegal e acaba molhando Yasser, que se propõe a consertar a calha, que está estragada. O libanês não concorda, mas mesmo assim Yasser toma a liberdade de fazer o conserto, logo destruído por Toni.

Os dois então passam a trocar insultos, sendo que Yasser dispara: "seu babaca do caralho" para Toni. O libanês passa, então, a exigir desculpas por parte do palestino. As coisas vão piorando e Toni devolve a ofensa, mas desta vez, xenófoba: "Pena que Ariel Sharon não acabou com vocês!", referindo-se ao líder israelense.

A partir daí, os acontecimentos vão ficando piores, mais extremados e cada vez mais minando a paz das duas famílias até levar todos aos tribunais. Logo cristãos libaneses e palestinos estarão se agredindo pelas ruas de Beirute, e as lembranças da guerra civil voltam à tona.

As atuações dos dois protagonistas são fortes, diria excelentes. Adel Karam constrói em Toni uma pessoa explosiva, nervosa, impulsiva e sem pensar muito nas consequências de suas palavras e atos. Já o Yasser de Kamel El Basha é o contrário. Um personagem que sofreu perseguição, é um deslocado, sem lar, e introspectivo, e mesmo se sentindo injustiçado, não consegue expor seu sofrimento, se defender de forma correta. Um retrato forte e cruel do mundo de hoje e ontem, e infelizmente, de amanhã.

Duração: 1h52min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Todo o dinheiro do mundo" (All the Money in the World)




O veterano diretor Ridley Scott reconstitui em "Todo o dinheiro do mundo" (All the Money in the World) um dos sequestros de maior repercussão no mundo nos anos 1970, envolvendo então a família do homem mais rico do planeta, John Paul Getty (interpretado espetacularmente por Christopher Plummer, que teve de refazer as cenas no lugar de Kevin Spacey, demitido após vir à tona seus escândalos sexuais).

Seu neto, Paul Getty (Charlie Plummer e nenhum parentesco copm Christopher) é sequestrado em Roma por uma gangue calabresa, que pede o resgate de 17 milhões de dólares. Mas JPG se nega a pagar, alegando ter vários netos e que se pagasse o resgate, teria de ver outros sequestros e mais gastos. O detalhe é que Paul era filho de Gail (Michelle Williams, explendorosa), nora de JPG e sem um centavo no bolso - mas claro que os sequestradores não queriam nem saber.

A trama se arrastou por vários meses, e teve ajuda nas investigações de um auxiliar de JPG, Fletcher Chase (Mark Wahlberg). Sem o resgate pago, o garoto acabou sendo vendido pelos sequestradores à máfia calabresa, pior e mais violenta, que tirou a orelha direita de Paul e a mandou como prova de que se o dinheiro não fosse liberado, coisa pior aconteceria com o jovem, então com 16 anos - mais não dá para contar, para não quebrar o clima de suspense.

Mas Ridley Scott faz um trabalho meticuloso de construção de um personagem para quem as pessoas importavam pouco. JPG queria mais e sempre mais dinheiro, perdendo muito de sua humanidade - se é que um dia chegou a ter. E Christopher Plummer, do alto de seus 88 anos, consegue transmitir todo o egoismo e frieza do então homem mais poderoso do planeta.

Duração: 2h02min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

Thursday, February 01, 2018

"A Forma da Água" (The Shape of Water)




"A Forma da Água" (The Shape of Water), é a nova obra de Guillermo del Toro, único do trio de diretores mexicanos que ainda não possui um Oscar - Alejando González já levou a estatueta duas vezes, por "Birdman" e "O Regresso", e Alfonso Cuarón foi premiado por "Gravidade" e "E Sua Mãe Também". Mestre do cinema fantástico, com trabalhos como "O Labirinto do Fauno", "A Espinha do Diabo", "Mutação" e "A Colina Escarlate", del Toro faz aqui uma homenagem ao clássico "O Monstro da Lagoa Negra", de 1954, e um dos favoritos dele. O visual do ser aquático e o modo como a história é trabalhada remetem direto ao filme dos anos 1950.

Na trama, acompanhamos a vid quase solitária da faxineira de uma instalação militar, Elisa (Sally Hawkins), que é muda e que divide o apartamento, acima de um cinema falido, com Giles, um pintor fracassado e gay enrustido, que sobrevive de pinturas que faz aqui e ali. No trabalho, ela tem como amiga Zelda (Octavia Spencer), uma divertida faxineira que compensa o silêncio de Elisa falando sem parar quase um minuto e que traduz o que a colega tenta transmitir.

Um dia Elisa acaba encontrando em um laboratório de pesquisa uma estranha criatura marítima, que é objeto de pesquisa dos militares, e acaba se afeiçoando do monstro, interpretado por Doug Jones. Ele é violentamente tratado pelo Coronel Strickland, vivido por Michael Shannon. Aos poucos, Elisa vai começar a bolar um plano para libertar o homem-peixe, por quem se apaixona, visto que são duas criaturas, mesmo que de espécies diferentes, mal-tratadas pelo mundo e objeto de estranheza - ela por sua mudez, o monstro por sua aparência.

"A Forma da Água" (The Shape of Water) se passa nos turbulentos anos 1960, em pleno período da Guerra Fria - os russos também almejam em sequestrar a criatura dos americanos - e que trata ainda do machismo e do forte racismo da época, muito presente na figura do Coronel Strickland, que não entende que todo o mundo a sua volta está começando a mudar, mas continua agindo com radicalidade e intolerância.

Sally Hawkins está excepcional no papel da protagonista. Sem dizer uma única palavra em todo o filme, ela consegue transmitir com olhares e gestos todo o sofrimento de seu personagem. Já Octavia Spencer e Michael Shannon praticamente dispensam comentários - são excepcionais atores, sempre fantásticos em seus papéis. Ele mais uma vez como vilão, é assustador e mais monstruoso que a própria criatura aprisionada. "A Forma da Água" é um conto de fadas para adultos.

Duração: 2h02min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

Friday, January 26, 2018

"The Post - A Guerra Secreta" (The Post)



O novo filme de Steven Spielberg, "The Post - A Guerra Secreta" (The Post), une pela primeira vez os geniais Meryl Streep e Tom Hanks nos papéis de Katherine Graham e Ben Bradlee, que em 1971 estavam à frente do jornal Washington Post, que comprou uma briga com o governo do republicano Richard Nixon - que acabaria renunciando 3 anos depois por causa de matérias publicadas pelo mesmo veículo e que teve a história retratada no clássico "Todos os Homens do Presidente".

Aqui, o cineasta de "Tubarão" e "A Lista de Schindler" conduz um sensacional thriller sobre jornalismo, liberdade de imprensa e censura governamental. Temas mais do que atuais por causa do desastrogo governo do bufão Donald Trump.

O longa retrata a briga de dois jornais, o New York Times e o The Washington Post, que queriam divulgar um estudo secreto encomendado pelo então secretário da defesa de Nixon, Robert McNamara, e vazado à imprensa por um analista do governo, Daniel Ellsberg (Matthew Rhys, de The Americans). O Times começa a divulgar, mas logo recebe a censura do governo. O Post entra na briga, e Spielberg mostra a briga de Katherine Graham e Ben Bradlee para poder levar ao público os dados do relatório, que informavam que a guerra do Vietnã estava perdida, ao contrário do que divulgava Nixon.

O Post ainda não era um jornal de influência nacional, e Graham lutava para manter a publicação, que herdara após o suicídio do marido, que por sua vez o havia recebido das mãos do pai dela. Ela também preparava a abertura de capital da empresa na bolsa de valores, e havia o temor de que os investidores largassem fora por o veículo ir de frente contra o governo.

Apesar de sabermos hoje o que aconteceu à época, Spielberg conduz com brilho o suspense, que é reforçado pelas atuações excepcionais de todo o elenco, com destaque para Meryl e Hanks. Uma aula de jornalismo.

Duração: 1h55min

Cotação: excelente
Chico Izidro

"The Square - A Arte da Discórdia" (The Square)



O diretor sueco Rubens Östlund gosta de falar sobre a anestesias que impera nos seres humanos, como visto em “Força maior”, que mostra a desintegração de uma família após um pai abandonar a família para proteger a si mesmo durante uma avalanche de neve. Agora, em "The Square - A Arte da Discórdia" (The Square), Östlund foca a vida de um curador de um museu em Estocolmo, Christian (Claes Bang, sósia de Pierce Brosnan), que vive em seu mundinho de ricos e privilegiados. Ele está promovendo uma exposição chamada exatamente The Square, ou O Quadrado, que consiaste em grande quadrado pintado no chão, definido como um “santuário de confiança e cuidado, um espaço onde compartilhamos direitos e responsabilidades”. Ou seja, é uma metáfora de um mundo isolado, distante da realidade.

E as coisas começam a funcionar de forma estranha para Cristian, o fazendo sair de sua letargia, após ele perceber que foi vítima de um golpe e teve roubados seu celular e sua carteira. Com a ajuda de um funcionário, Christian consegue rastrear o celular, e para tentar recuperar os seus objetos, envia uma carta ameaçadora a todos os moradores de um edifício na periferia de Estocolmo, colocando todos sob suspeita. Ele consegue reaver suas coisas, mas haverá consequências, quando um garoto do prédio aparece e pede para que ele se desculpe, já que seus pais leram a carta e consideram o menino responsável pelo roubo: "Ou você se desculpa ou vou transformar a sua vida num caos", ameaça o menino.

E a vida de Christian realmente muda, com ele começando aos poucos a notar que não vive num paraíso como achava. A Estocolmo de Östlund é multiracial, repleta de sujeira, mendigos e pedintes, tão longe daquela cidade que nos acostumamos a ver aqui no Brasil, que imaginamos a Suécia o paraíso social. Uma bela crítica.

Duração: 2h22min
Cotação: excelente
Chico Izidro

"Sem Fôlego" (Wonderstruck)




Baseado no livro homônimo de Brian Selznick, autor de A Invenção de Hugo Cabret, "Sem Fôlego" (Wonderstruck), direção de Todd Haynes, mostra, simultaneamente, as histórias de duas crianças com deficiência auditiva, Rose (Millicent Simmonds) e Ben (Oakes Fegley). Uma nos anos 1920 e a outra cinquenta anos depois.

A garota sofre com uma educação rigorosa longe da mãe na década de 1920, Ben vive a angústia de não saber quem é seu pai, nos anos 1970. Dispostos a arrumar as suas vidas, decidem partir para Nova Iorque atrás de respostas e vivem jornadas distintas até que, em certo ponto, as suas vidas vão se cruzar.

A trama ganha ainda mais força por causa de desenhos com estética dos filmes mudos da segunda década do século passado, mostrados na trajetória da garota.
Já a trajetória de Ben ganha contornos mais atuais, mostrando numa excepcional reconstituição de época a cidade nos anos 1970, com sua agitação, os bairros negros - Ben acaba fazendo amizade com um garoto negro, Jamie (Jaden Michael) que o ajudará em sua busca.

A história das crianças é mostrada com sensibilidade e cuidado, e nunca apelando. Também é muito forte a presença de Michelle Williams e Juliane Moore.

Duração: 1h57min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

“Viva — A Vida é Uma Festa” (Coco)



Ambientado em uma cidadezinha do México, durante as celebrações do tradicional Dia dos Mortos, “Viva — A Vida é Uma Festa” (Coco), de Lee Unkrich e Adrian Molina traz de novo o espírito da originalidade dos filmes da Pixar.

A trama mostra o pequeno Miguel, que tem o sonho de se tornar um músico famoso como seu ídolo maior, Ernesto de la Cruz. Acontece que sua família de sapateiros simplesmente abomina músicos por conta de um incidente do passado - o avô abandonou a casa para viver de música, e ela acabou excluída da vida de todos.

Teimoso e querendo mostrar que possui talento, Miguel acaba brigando com sua família em pleno “Dia de los Muertos” e vai parar na Terra dos Mortos. Lá ele se depara com Hector, que em vida era músico e tenta não ser esquecido pelos vivos, e assim, não ter sua existência apagada. Os dois se unirão para mostrar a importância da música em suas vidas, além de depararem com um perigoso vilão.

“Viva — A Vida é Uma Festa” tem como parte importante da narrativa a trilha sonora, que funciona muito bem, desde as canções (com especial destaque para “Lembre de Mim”) até a trilha instrumental de Michael Giacchino (“Jurassic World”). A história tem um ritmo acelerado, e com o tema morte lidado com delicadeza e sensibilidade para não ou assustar as crianças. Ah, o nome original do filme Coco é de um personagem que vai mostrar sua importância quase no final. Divertido.

Duração: 1h45min

Cotação: bom
Chico Izidro

Wednesday, January 17, 2018

"Me Chame Pelo Seu Nome" ( Call Me By Your Name)



"Me Chame Pelo Seu Nome" ( Call Me By Your Name), do italiano Luca Guadagnino, é baseado no livro de André Aciman e roteiro adaptado pelo cineasta James Ivory (indicado para três Oscar de direção: Uma Janela para o Amor, Retorno a Howards End e Vestígios do Dia), trata da descoberta da sexualidade homossexual de um rapaz de 17 anos e um acadêmico norte-americano de 24.

O jovem Elio (Timothée Chalamet), passa uma temporada de férias ao lado dos pais em Crema, na Itália, em 1983. O pai, vivido por Michael Stuhlbarg (A Forma da Água), um professor de história, convida para o local um antigo aluno, Oliver (Armie Hammer). E ele cativa a todos ao redor com seu charme, beleza e inteligência, provocando ainda mais a curiosidade de Elio, que está se descobrindo sexualmente, inclusive tendo um relacionamento com a jovem Marzia (Esther Garrel).

"Me Chame Pelo Seu Nome" acaba sendo uma bonita história de autoconhecimento e de amor. As cenas são quentes, mas nada de exageradas - e claro que os momentos gays vão incomodar o público mais conservador. O grande destaque acaba sendo o ator Armie Hammer, de "O Cavaleiro Solitário", que interpreta corajosamente um intelectual homossexual. Talvez seja o seu melhor momento na profissão.

Duração: 2h02min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Sobrenatural: A Última Chave" (Insidious: The Last Key)



A franquia de terror chega ao seu quarto longa com "Sobrenatural: A Última Chave" (Insidious: The Last Key), direção de Adam Robitel, tendo como destaque a atriz Lin Shaye (Quem Vai Ficar Com Mary?) como a paranormal Elise Rainier. Este filme é uma prequel, ou seja, que precede os dois primeiros filmes da saga. O terceiro "A Origem" explica como ela conheceu seus parceiros de caça aos Specs (Leigh Whannel) e Tucker (Angus Sampson).

Em "Sobrenatural: A Última Chave" (Insidious: The Last Key), Elise recebe uma ligação de um homem que pede à ela que exorcize a sua casa, mal-assombrada. O problema é que o local, no Novo México, é o mesmo onde Elise passou a infância e a adolescência, tendo sido vítima de abuso por parte do seu pai.

O filme, aliás, tem ótimos momentos mostrando a primeira fase da vida de Elise, no começo da década de 1950. E são momentos de tensão e suspense. A protagonista volta a casa ao lado de seus parceiros, que são o ponto cômico do longa. E as cenas até empolgam, dão alguns sustos, mas pena que o roteiro deixe de aproveitar alguns ganchos que ocorrem durante a história, como o de dar mais ênfase ao serial killer que é descoberto. Simplesmente fica por isso mesmo...Mas a veterana Lin Shaye carrega o filme nas costas, mostrando ser a força motriz de uma história que poderia ser mais.]

Duração: 1h46min

Cotação: regular
Chico Izidro

Destino de uma Nação (Darkest Hour)




O britânico Winston Churchill apareceu recentemente em filme que leva o seu nome, sendo interpretado por Brian Cox, e também na série "The Crown", onde é vivido por John Lithgow. Mas quem arrasa no papel do ex-primeiro ministro inglês é Gary Oldman em "Destino de uma Nação" (Darkest hour).

A trama mostra Churchill assumindo como primeiro ministro num dos piores momentos, se não o pior, da história da Inglaterra, em 1940, quando Hitler dominava a Europa no segundo ano da Segunda Guerra Mundial. A França estava caindo nas mãos dos nazistas, e o veterano político, já com seus 65 anos, precisava tomar decisões fortes, e tendo ainda dentro do parlamento políticos favoráveis a um acordo de paz com a Alemanha. Mas astuto, ele sabia se aceitasse, logo a ilha seria invadida, pois Hitler nunca respeitaria o acordo. O filme ainda faz uma ponte com o recente "Dunkirk", de Christopher Nolan.

Afinal, uma das primeiras missões de Churchill (Oldman)como governante seria o de tentar retirar os mais de 400 mil soldados britânicos que estavam espremidos em Dunkirk, tentando fugir dos alemães. É um filme de gabinete, com cenas de interiores, com muita discussão política, artimanhas, estratégias.

A maquiagem, finalmente consegue ser impressionante, tranformando totalmente Gary Oldman em Churchill - recordem a precariedade de Leonardo DiCaprio como J. Edgar Hoover no filme de Clint Eastwood!!! Aliás, o ator tem uma interpretação de Oscar, roubando todas as cenas com um vigor excepcional. Mas também há interpretações fantásticas de Kristin Scott Thomas como a esposa do protagonista e Ben Mendelsohn como o Rei George VI.

Duração: 2h06min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"O Jovem Karl Marx" (Le Jeune Karl Marx)




Dirigido pelo haitiano Raoul Peck (Eu Não Sou Seu Negro), "O Jovem Karl Marx" (Le Jeune Karl Marx) foca o autor de O Manifesto Comunista no auge de seus 26 anos, vivido por August Diehl, tendo de se exilar com sua esposa, Jenny (Vicky Krieps), em Paris no ano de 1844, e conhecendo o também jovem Friedrich Engels (Stefan Konarske), que seria seu grande amigo e mecenas.

É mostrada a amizade dos dois, com Engels influenciando Marx, que quatro anos depois escreveria seu grande clássico O Manifesto Comunista, em 1848. Friedrich Engels era filho de um industrial da época e não aceitava aquela condição de o pai explorar os trabalhadores de suas fábricas. Mas é engraçado ver como Peck mostra a união de Engels e Marx, que mais parecem dois adolescentes irresponsáveis, se escondendo da polícia em Paris, bebeiras e conversas filosóficas. Será que Marx não era tão sisudo como a história o construiu?

A ambientação de época é fiel, com vestuários e ambientes, aliás estes ficam quase restritos a interiores, sejam em bares, apartamentos, fábricas - quase nada de locais abertos. O roteiro também acerta em mostrar como viviam os trabalhadores à época, sendo explorados (bem que muita coisa não mudou nestes mais de 150 anos).

Duração: 1h58min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Estrangeiro" (The Foreigner)



O astro chinês Jackie Chan mostra estar muito em forma aos 63 anos no político "O Estrangeiro" (The Foreigner), dirigido por Martin Campbell, que comandou dois longas da franquia de James Bond, "007 - Cassino Royale" e "007 Contra GoldenEye". O ator não poupa suas acrobacias e balé em suas lutas, mas apresenta um personagem sombrio e vingativo, Quan Ngoc Minh.

Chan é um comerciante viúvo que mora em Londres, ao lado da filha Fan (Katie Leung). A garota, no entanto, acaba morrendo em um atentado a bomba feito por terroristas irlandeses. Ao ser ignorado pelas autoridades, que não se empenham em buscar os criminosos, Quan Ngoc Minh tenta ajuda de um ex-militante da organização que praticou o atentado, uma espécie de IRA, o agora primeiro-ministro Liam Hennessy (Pierce Brosnan, que interpretou James Bond em quatro filmes).

Mas o político também não faz força nenhuma para ajudar o imigrante. Que então decide buscar justiça pelas próprias mãos - e aí surge o verdadeiro Quan Ngoc Minh, que antes de imigrar para a Inglaterra, era das forças especiais do exército, uma espécie de máquina de matar. E essa sua faceta renasce com muita força.

O filme de Martin Campbell mostra um equilíbrio muito forte entre cenas de ação e política. E Jackie Chan apresenta uma bela atuação, deixando de lado aquele seu lado mais engraçado, mostrando um personagem triste, mas determinado. Brosnan também não fica muito atrás, apresentando um político cínico e aproveitador. Até mesmo lembra um pouco o namorado de Sally Field em "Uma Babá Quase Perfeita", inimigo do ex-marido dela, Robin Williams.

Duração: 1h54min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, January 04, 2018

"120 Batimentos Por Minuto" (120 battements par minute)



"120 Batimentos Por Minuto" (120 battements par minute) é uma espécie de cinebiografia do diretor Robin Campillo, que no início dos anos 1990 fez parte do grupo ativista francês AIDS Coalition to Unleash Power (ACT UP), criada em 1987, na luta contra o vírus HIV. Eles lutaram lutaram pela democratização do acesso aos coquetéis que hoje asseguram a longevidade aos soropositivos, que à época, quando recebiam o diagnóstico era como uma sentença de morte. Campillo sobreviveu para contar a história destas pessoas.

A trama se passa durante o governo do socialista François Mitterrand, que durou de 1981 a 1995. E no início desta década, o Act Up está intensificando a batalha para que o governo francês tome uma atitude e esclareça melhor o público sobre a epidemia, que era vista como uma praga homossexual - em uma das cenas do filme, os militantes invadem uma escola para distribuir camisinhas, e uma estudante, em sua total ignorância, diz que não precisa, pois "não anda com veados". O filme também mostra o Act Up em ações de guerrilha, invadindo instalações médicas e farmacêuticas.

O drama é mostrado sob a ótica do jovem Nathan (Arnaud Valois), que não é soropositivo, mas homossexual, entra no Act Up pela ideologia, acabando por se encantar e apaixonar por Sean (Nahuel Pérez Biscayart), que está sofrendo os horrores da doença em seu corpo.

"120 Batimentos Por Minuto" é um filme interessante, educativo, mas peca pelo excesso de cenas desnecessárias, outras muito longas, e alguns personagens que simplesmente somem da história ao longo de suas mais de duas horas.

Duração: 2h23min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Jumanji: Bem-Vindo à Selva" (Jumanji: Welcome to the Jungle)



"Jumanji: Bem-Vindo à Selva" (Jumanji: Welcome to the Jungle), dirigido por Jake Kasdan é uma aventura que tem todos os ares da saudosa “Sessão da Tarde” dos anos 1980 e 1990, e um ótimo complemento do longa original, de 1995, e que tinha como protagonista o também saudoso Robin Williams. E se naquele filme, a galera entrava no jogo através de um tabuleiro, agora o toque original está por conta de um jurássico video-game.

A trama tem como foco quatro jovens diferentes, vivendo as agruras do ensino médio: o nerd Spencer (Alex Wolff), o atleta Fridge (Ser'Darius Blain), a patricinha Bethany (Madison Iseman) e a certinha e esquisita Martha (Morgan Turner). Um dia eles pegam uma punição de detenção e são obrigados a limpar uma sala antiga na escola. E lá encontram o video-game, e ao ligar o aparelho são jogados no cenário de selva do jogo e ocupando o corpo dos avatares que escolheram, interpretados por Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillan. E eles não vão apenas jogar Jumanji – os quatro terão que sobreviver à aventura, ou ficarão presos no jogo para sempre.

A sacada dos avatares é muito boa. A melhor sendo Bethany, que se acha a mais gostosa do pedaço, presa no corpo de Jack Black. Ou Spencer ganhando força e valentia na pele de Dwayne Johnson.
Jake Kasdan consegue entregar um filme na medida certa entre o humor e a ação, agradável de se ver comendo pipoca e tomando guaraná, assim como aquele comercial noventista.

Duração: 1h59min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Rei do Show" ( The Greatest Showman)



O sucesso de "La La Land" no ano passado reativou um pouco o interesse dos musicais em Hollywood, que já havia tentado voltar ao gênero com certa timidez com "Os Miseráveis", em 2013, e que já contava com o astro Hug Jackman, que agora retoma o estilo em "O Rei do Show" ( The Greatest Showman), direção de Michael Gracey.

O ator, mais conhecido como o Wolverine, interpreta P.T. Barnum (1810-1891), empresário criador do chamado circo dos horrores, que tinha mulher barbada, gigantes, acrobatas siameses. Mas tudo era farsa. E o sonho de Barnum era o de se vingar daqueles que o haviam humilhado quando criança, casando até com a filha do patrão de seu pai, Charity (Michelle Williams).

Ele ficou rico, mas para tentar ser recebido pela classe dominante nova-iorquina na metade do século XIX, o empresário investiu em musicais, trazendo da Europa a cantora Jenny Lind (vivida pela bela atriz Rebbeca Ferguson).

O filme é belo visualmente e com bonitas coreografias, e com os atores se sobressaindo no canto, como Michelle Williams e Zak Efron. Mas o que falta a ele? É que sendo um musical, deveria ter canções que marcassem, que fizessem a gente sair do cinema cantarolando. Mas não tem isso. Todas as músicas são muito similares, sem alma, um bate-estaca chato e repetitivo. Assim, "O Rei do Show", apesar de cativante, é algo sem alma.

Duração: 1h45min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Roda Gigante" (Wonder Wheel)



Sempre que Woody Allen vai lançar um filme, a genmte fica na expectativa de que surja um novo "Hannah e Suas Irmãs", "Manhatan" ou "Annie Hall". Mas esta época já passou, e apesar de o hoje octagenário cineasta manter a tradição de soltar um longa por ano, sua produção se mantém irregular, com alguns acertos e muitos erros. Por isso é um alento assistir ao seu novo trabalho, "Roda Gigante" (Wonder Wheel), que resgata o drama e conflitos presentes na obra do diretor nova-iorquino. Allen acerta na fotografia, na cenografia, que reconstitui Coney Island dos anos 1950.

Os personagens são, em sua maioria, perdedores, como a protagonista Ginny (Kate Winslet, espetacular), que é casada pela segunda vez com o operador do parque de diversões Humpty (James Belushi) e mãe de um pré-adolescente Richie (Jack Gore), que com sério problema comportamental, adora atear fogo em qualquer objetivo inanimado. Ginny é uma ex-atriz frustrada e trabalha em uma lanchonete como garçonete, tendo um caso com o guarda-vidas Mickey (Justin Timberlake). A vida de todos começa a mudar quando surge a filha de Humpty ,Carolina (Juno Temple), que havia se distanciado do pai há alguns anos por ter casado com um gangster. Ela volta para casa, pedindo socorro, pois é ameaçada de morte pelo ex-marido.

E a presença de Carolina vai mexer com Ginny e Mickey - este se apaixona por ela e Ginny sente a ameaça, passando a ter ataques de ciúmes.

Estamos longe de uma comédia, daquelas que tanto agradavam aos fãs de Woody Allen nos anos 1970 e 1980. É um drama forte, tenso, com ares de tragédia grega. E é um show de Kate Winslet, que imprime a sua personagem angústia, amargura, desespero. Enfim, muita intensidade.

Duração: 1h42min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Fala Sério, Mãe!"




Fala sério, que filmezinho mais medíocre é "Fala Sério, Mãe!", dirigido por Pedro Vasconcelos, e que traz duas das estrelas, para ver como estamos mal no país nos dias de hoje, Ingrid Guimarães e Larissa Manoela. Tem de ter muita paciência. E repito o que já havia escrito outra vez sobre a atriz global: "quem disse para ela que ela é engraçada?". Ela acreditou e fica repetindo o tipo "ad eternum".
Neste filme, acompanhamos a trajetória de Ângela Cristina (Guimarães) e a filha Maria de Lourdes (Larissa Manoela), desde o nascimento desta até o final da adolescência. Em sua primeira metade, a vida das duas é narrada pela mãe, e quando a garota faz 15 anos, a história ganha a sua ótica.

E estão lá a previsibilidade habitual: Ângela fala muito, põe sempre a carroça na frente dos bois, constrange a filha - a cena do ônibus é lamentável. Já a adolescente reclama da mãe, mas sempre a perdoa, sendo que Larissa carece de poder cênico - o momento em que conta ter perdido a virgindade é de uma falsidade do tamanho do universo. E para completar, tem ainda a indefectível cena do aeroporto, com Ingrid Guimarães se teletransportando tal como o Capitão Kirk...

Duração: 1h19min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, December 21, 2017

"Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso" (Suburbicon)



"Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso" (Suburbicon) tem direção de George Clooney, mas roteiro dos irmãos Joel e Ethan Coen. O que surge é uma daquelas comédias de humor negro, com muito de "Fargo". E um tom pesado, mostrando uma América racista, mas não a atual, de Donald Trump, mas sim a dos anos 1950, antes das lutas pelos Direitos Civis.

A história transcorre num condomínio fechado, o tal Suburbicon, onde todos viviam em harmonia, com estilo de vida de classe média, em um local com shopping, escolas. Mas as coisas começam a mudar quando se muda para o lugar uma família afroamericana, provocando a revolta os moradores, todos brancos e achando que a civilização americana iria acabar. Os argumentos dos moradores é puramente racista, sem lógica e que incomoda muito. E como.

Ao lado desta família que começa a sofrer o diabo com as provocações dos racistas, que os querem longe dali, mora uma outra família, cujo chefe é Gardner Lodge (Matt Damon). Com ele residem a esposa e a irmã dela, as duas interpretadas por Julianne Moore, e mais o filho Nicky (Noah Jupe, visto recentemente em Extraordinário). E uma noite a casa é invadida por dois assaltantes, que torturam a família, ocasionando a morte da esposa de Gardner.

Então começa a comédia de erros tão comum aos irmãos Coen. Enquanto uma linha do filme segue a rotina da família afroamericana ao lado, sofrendo com a discriminação, a outra mostra que existem mais culpados do que a dupla de assaltantes que invadiu a casa dos Lodge - e aí a história parte para questões de seguro de vida, de traições. A cara de paspalho de Matt Damon é algo, mas quem ganha o filme é o pequeno Noah Jupe, que já havia se destacado como o melhor amigo do protagonista de Extraordinário. E Julianne Moore em papel duplo é...sem palavras!!!

Duração: 1h44min

Cotação: ótimo
Chico Izidro