Friday, November 16, 2018

"Parque do Inferno" (Hell Fest)



Adoro filmes de terror, e confesso, a maioria que vejo são ruins. Tem até uma frase de um site que diz: filme ruim é filme bom. "Parque do Inferno" (Hell Fest), direção de Gregory Plotkin, poderia ser inserido nesta máxima, não fosse repetir os clichês do gênero, sem o menor pudor. E é slasher total, com muito sangue e tripas escorrendo pela tela.

No filme, a estudante universitária Natalie (Amy Forsyth) está visitando sua melhor amiga de infância, Brooke (Reign Edwards), e sua colega de quarto, Taylor (Bex Taylor-Klaus) em plena época do Halloween. E elas vão se divertir num parque de terror, chamado convenientemente de Hell Fest - com muitos labirintos e ambientes propiciados para assustar os frequentadores.

Porém, um maniaco homicida se mistura ao público e aos funcionários do local, quase todo ele usando fantasias, e sai matando a torto e direito. Até decidir que as garotas e seus amigos são o alvo preferido para cometer seus assassinatos, seja com machadadas, facadas, estrangulamento.

O roteiro do filme propicia bons momentos de suspense e mortes bem desenvolvidas. Só que fica aquela coisa de "ah, quem será a próxima vítima? E claro que a bonitinha vai se safar..."Às vezes isso causa tédio. E nunca vemos o rosto do assassino, convenientemente escondido por uma máscara (Jason Vorhees, Michael Myers vivem!!!). Mas quem curte slasher movies não bai se decepcionar, e pelo que mostra o final, talvez venha uma continuação por aí.

Duração: 1h29
Cotação: regular

Chico Izidro

"A Rota Selvagem" (Lean On Pete)



Pensei que estaria diante de um novo e choramingoso "O Corcel Negro", mas me equivoquei em "A Rota Selvagem" (Lean On Pete), direção de Andrew Haigh, e que mostra a paixão de um jovem por um cavalo. Porém o filme, um road-movie, fala sobre abandono, solidão, desesperança, recomeço. A trama foco no garoto Charley (Charlie Plummer, nenhum parentesco com Christopher Plummer, o Capitão von Trapp, de A Noviça Rebelde).

O jovem tem 15 anos e vive com o pai em Portland, Oregon. Com o hábito de correr, ele é visto pelo cuidador de cavalos Del (Steve Buscemi, de novo sensacional), que o emprega para cuidar de seus cavalos, criados para disputarem provas em hipódromos pelos Estados Unidos.Charley acaba se afeiçoando de um deles, Lean On Pete. Mas como a vida do garoto não é das mais fáceis, tragédias aparecem em sua vida, e ele se vê motivado a fugir com o animal, e tentar encontrar uma tia, que anos atrás havia tentado adotá-lo.

Charley e Lean On Pete, então, iniciam uma jornada pelo interior norte-americano. As paisagens são outro atrativo desta obra, passada a maior parte do tempo nas estradas. Com uma bela trilha sonora, feita por James Edward Barker, se destacam ainda os coadjuvantes, como o já citado Buscemi, Chloë Sevigny e Steve Zahn, como um morador de rua que se atravessa na vida de Charley, e faz aflorar nele um lado selvagem que havia segurado em todas as situações desesperadoras que havia passado. Um belo filme.

Duração: 2h01
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Entrevista com Deus" (An Interview with God)



Como ateu, fiquei meio assim de assistir a "Entrevista com Deus" (An Interview with God), direção de Perry Lang, e que me soava como uma propaganda religiosa forçada. Mas foi apenas impressão inicial, pois não existe neste filme nenhuma forçação de barra na história do jornalista que vai entrevista "o criador do mundo" para os criacionistas.

O diretor Perry Lang consegue fazer um filme que prende o espectador, principalmente nas conversas de Paul (Brenton Thwaites), um jornalista em busca de sucesso profissional através de alguma grande matéria e que vive uma crise no casamento, e o deus vivido por David Strathairn. Os dois batem papo numa praça de Nova Iorque, e tocam em assuntos como a existência de Lúcifer e o Paraíso e funcionamento do livre arbítrio.

Algumas coisas não ficam bem claras no filme, como qual a motivação de Paul em entrevistar deus, e como ele chegou nele. E o que aconteceu no passado do jornalista - sabe-se que ele esteve em uma guerra, e que isso o traumatizou. Mas o mais importante é que o longa não tenta fazer a cabeça de ninguém.

Duração: 1h37
Cotação: bom

Chico Izidro

"Verão" (Leto)



Baseado na vida real do roqueiro russo Viktor Robertovich Tsoi (1962/1990), líder da banda Kino, considerada uma das pioneiras do rock russo, "Verão" (Leto), direção de Kirill Serebrennikov, faz um retrato forte da juventude soviética nos anos 1980. O estilo musical era considerado subversivo pelo governo comunista, que tratava com mão de ferro as pessoas que curtissem o rock - uma cena emblemática mostra um concerto em um teatro, onde todos deviam ficar sentados, sem fazer movimentos. Quem se agitava era prontamente censurado, e mandado ficar paradinho. Imagina isso num show de rock!!!

Viktor (papel do alemão de origem sul-coreana Teo Yu)teve vida curta, mas profícua, tendo como influências bandas como Led Zeppelin, David Bowie, Talking Heads, Joy Division. Mas as letras do músico soavam um pouco ingênuas, visto que ele não poderia escrever músicas de contestação, né. A trama acaba girando muito na concorrência que ele teve com outro cantor, Mike Naumenko (1955/1992), líder da banda Zoopark, criada em Leningrado em 1981, e vivido por Roma Zver, ele próprio músico popular na Rússia, à frente da banda Zveri. Os dois, além da música tinham outro fator de tensão, que era a atração que a esposa de Mike, Natasha (Irina Starshenbaum), sentia por Viktor.

"Verão" se passa em Leningrado, atual São Petersburgo, e somente mostrado nesta estação do ano. A fúria da juventude, que enxergava a liberdade ocidental como uma miragem, está presente o tempo todo. A câmera passeia pelos palcos, pela praia, sempre em preto e branco - as cores surgem em imagens feitas por um documentarista que segue os músicos pela cidade.

O filme tem momentos bons com outros beirando o tédio. Talvez proposital, para mostrar um país que começava a mudar, já entrando em colapso - terminaria de forma abrupta em 1991. E os músicos também não tiveram muita longevidade, morrendo jovens, mas deixando um legado impactante.

Duração: 2h06
Cotação: bom

Chico Izidro

"Sueño Florianópolis"



"Sueño Florianópolis", escrito e dirigido pela argentina Ana Katz, tem como cenário o Brasil do começo dos anos 1990, e mostra a trajetória de uma família que viaja da Argentina para o litoral catarinense durante um veraneio, e tentando se reconectar. O elenco é multinacional, e tem além dos brasileiros Andrea Beltrão, Caio Horowicz, Marco Ricca, e os argentinos Mercedes Morán, Gustavo Garzón, Manuela Martinez e Joaquin Garzon.

Pedro (Gustavo Garzón) e Lucrécia (Mercedes Morán), separados após vinte e dois anos de casamento, chegam ao Brasil de férias, com seus dois filhos adolescentes, Florencia (Manuela Martinez) e Julian (Joaquin Garzón). Após uma viagem de 1.750 km de Buenos Aires a Florianópolis, num Renault 12, sem ar-condicionado, eles se deparam com uma casa sem condições de recebê-los. Assim, aceitam o convite de Marco (Marco Ricca) Larissa (Andrea Beltrão), casal divorciado que havia os encontrado na estrada e feito o convite para ficar em uma de suas residências.

Após um início interessante, a história vai caindo na previsibilidade e vai ficando morna, quase sonífera, numa trama envolvendo relações amorosas. Marco começa a se relacionar com Lucrecia, e enciumado, Pedro se envolve com Larissa. Para piorar, Florencia também começa um namorico com o filho de Marco. Já o filho de Pedro, Julian, é um mero coadjuvante, sem muita função.

O que de mais legal a se encontrar em "Sueño Florianópolis" são as belas imagens do litoral catarinense e as diferenças entre brasileiros e argentinos. Porém o ritmo lento, e o pouco a contar sobre os personagens fazem dele um drama menor.

Duração: 1h46
Cotação: regular

Chico Izidro

Friday, November 09, 2018

"Chacrinha - O Velho Guerreiro"



Uma das melhores cinebiografias dos últimos anos, ficando lado a lado com "Bingo: O Rei das Manhãs" e superando "Tim Maia", Chacrinha: O Velho Guerreiro, longa-metragem dirigido por Andrucha Waddington retrata a vida de José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha. Como ele mesmo se intitulava, era um palhaço que alegrava com seu show de auditório a televisão entre as décadas de 1960 a 1988, quando morreu. Era ainda um mestre dos bordões, como "quem não se comunica, se trumbica", "eu vim para confundir e não para explicar", "hoje tem bacalhau" e "Terezinhaaaaaa, uhuh". Chacrinha teve ainda uma admirável carreira no rádio, onde iniciou no começo dos anos 40.

Vivido por Eduardo Sterblitch, o Freddie Mercury prateado do extinto Pânico na TV, em sua fase jovem, e Stepan Nercessian já na parte madura de sua vida, vemos no filme como Chacrinha chegou ao Rio de Janeiro em 1939, logo quando estourou a II Guerra Mundial, e seu início difícil na Cidade Maravilhosa, tentando convencer os executivos das rádios que merecia ter uma chance. Até começar a fazer sucesso e partir para a carreira na televisão, onde criaria um estilo próprio, com suas chacretes, como a musa Rita Cadillac, e jurados, como a ex-modelo russa Elke Maravilha (Giane Albertoni), que o chamava de painho, e foi fiel a ele até o fim.

Andrucha Waddington mostra ainda a relação conturbada que ele tinha com os filhos, a quem pouco via por passar o dia todo trabalhando, a luta pela independência em seus programas - Chacrinha exigia autonomia total e não aceitava ingerências nem na forma e nem no estilo de seus programas. Quando não estava satisfeito, simplesmente se mandava.

A reconstituição de época é marcante, fazendo com que o espectador passeie emocionado entre as décadas de 1940 e 1980. E o que dizer da atuação de Sterblitch e Nercessian, que conseguiram captar muito bem o estilo de Chacrinha, um ser anárquico, sem papas na língua, mas teimoso. E que assim combateu a censura da Ditadura Militar e que foi contra a caretice hipócrita dos brasileiros.

Duração: 1h54
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Millennium - A Garota na Teia de Aranha" (The Girl in the Spider’s Web: A New Dragon Tattoo Story)



Escritos pelo sueco Stieg Larsson, "Os Homens que Não Amavam as Mulheres", "A Menina que Brincava com Fogo" e "A Rainha do Castelo de Ar" foram adaptados para as telas ainda nos anos 2000. Depois, o primeiro seria refilmado por Hollywood em 2011. Morto em 2004, Larson foi sucedido pelo autor David Lagercrantz para dar continuidade à série e em 2015 foi publicado "A Garota na Teia de Aranha", o quarto volume da série Millennium, que agora chega às telas do cinema sob a direção do uruguaio Fede Gomez: "Millennium - A Garota na Teia de Aranha" (The Girl in the Spider’s Web: A New Dragon Tattoo Story), trazendo novamente a heroína Lisbeth Salander, agora interpretada por Claire Foy (The Crown).

Neste novo filme, Lisbeth, uma exímia hacker, vive no submundo, mas sempre surgindo para atacar mulheres agredidas por homens, como uma espécie de vingadora. Então ela é contratada por um cientista, Balder (Stephen Merchant) para recuperar um programa de computador chamado Firefall, que dá ao usuário acesso a um arsenal bélico - o programa foi criado para o governo dos Estados Unidos, mas agora quer apagá-lo por considerá-lo muito perigoso. Ela consegue roubá-lo, mas se depara com um grupo cyber-terrorista que pretende ficar com o sistema, os Aranhas.

É quando Lisbeth se depara com sua irmã, Camilla (Sylvia Hoeks), que ela acreditava estar morta. Num flash-back é mostrado quando elas se separam ainda pré-adolescentes, quando Lisbeth foge e a irmã decide ficar vivendo com um pai abusador.

Claire Foy vai bem no papel que já foi de Noomi Rapace na versão sueca e Rooney Mara. Ela consegue captar bem a personalidade errática e sofredora de Lisbeth Salander. O problema é que o filme é repleto de furos de roteiro, com situações que beiram o absurdo, quase que agredindo a nossa inteligência.

Duração: 1h52
Cotação: regular

Chico Izidro

"Operação Overlord" (Overlord)



Nazistas e suas experiências com cobaias humanas foi uma realidade cruel e gritante na II Guerra Mundial. Pois "Operação Overlord" (Overlord), produzido por J.J. Abrams e dirigido pelo estreante Julius Avery, tenta levar esta máxima ao pé da letra nesta obra de ficção, diria, científica. Já vimos nazistas zumbis, nazistas vampiros, enfim, nazistas de todos os tipos nas telas do cinema. No projeto deste filme, os asseclas de Hitler tentam criar super-soldados imortais, que manteriam o III Reich vivo por mil anos, como era o sonho do ditador.

A trama se passa durante o Dia D, quando da invasão aliada na França, em 6 de junho de 1944. E aí já tem erro histórico gritante - dois dos paraquedistas que saltariam sobre o litoral francês são negros, um deles sargento, sendo que à época as tropas eram segregadas. E nunca um sargento afro-americano teria liberdade para gritar com soldados brancos! Bom, eles têm a missão de derrubar uma torre de rádio instalada em uma igreja, para facilitar a chegada dos aviões americanos e ingleses ao local. O que a reduzida tropa aliada não esperava encontrar, além dos furiosos soldados da SS, é um laboratório de experiências genéticas sob à igreja.

Então o que de início parecia ser um pesado drama de guerra, que lembra muito "O Resgate do Soldado Ryan", se transforma em um filme de suspense e terror gore - ou seja, muito sangue e tripas escorrendo pela tela. Não são cenas fáceis de se assistir a partir de sua segunda parte, quando os americanos adentram os subterrâneos nazistas.

No elenco se destacam o soldado negro Boyce (Jovan Adepo), o cabo Ford (Wyatt Russell), o oficial nazista Wafner (Pilou Asbæk) e a jovem Chloe (a atriz francesa Mathilde Ollivier). "Operação Overlord", enfim, é um filme violento, com muitas cenas de terror que realmente nos fazem pular da poltrona, e que diverte, apesar de seus exageros.

Duração: 1h50
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"A Garota da Névoa" (La ragazza nella nebbia)



"A Garota na Névoa" (La ragazza nella nebbia), de Donato Carrisi, é um filme sobre um serial killer em uma pequena cidade italiana. Tenso, prende o espectador desde o início e apresenta uma forte surpresa na parte final. E ainda traz um velho astro num papel menor, Jean Reno, e Toni Sevillo, de "A Grande Beleza" no papel principal, de um detetive não muito ético e em busca dos holofotes.

Em Avechot, cidade nas montanhas geladas da Itália, Anna Lou, uma jovem de 15 anos, filha de dois fanáticos, desaparece ao sair de casa em determinada noite. O detetive Vogel (Toni Sevillo) é chamado para solucionar o caso. Ansioso em resolver o sumiço da menina, ele vai atropelando fatos e querendo aparecer para a mídia. Primeiro o suspeito do crime é um rapaz que costumava filmar os passos de Anna Lou. Mas depois toda a investigação vai resultar na culpabilização de um pacato professor da escola local, Marini (Alessio Boni), que passa a ser perseguido por jornalistas e populares furiosos. Jean Reno interpreta um psiquiatra que tenta analisar o comportamento errático de Vogel.

É um bom suspense, cujo desenrolar do mistério se faz aos poucos, sem pressas, mas não se tornando enfadonho. Enfim, ele prende o espectador na poltrona, se surpreendendo muito no final.

Duração: 2h07
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"A Misteriosa Morte de Pérola"



Determinados filmes nunca deveriam ser realizados. Em nome da experimentação, alguns diretores lançam obras que não dizem nada, parecendo ser fruto de mentes doentias ou consumidoras de drogas ilícitas. E é neste caso que se insere "A Misteriosa Morte de Pérola", de Guto Parente & Ticiana Augusto Lima.

Assistir à esta obra foi como se eu estivesse sendo torturado por nazistas, tendo agulhas enfiadas por sob as unhas, amarrado pelos pés de cabeça para baixo. Enfim, foi um sofrimento indizível.
Em uma história sem muito nexo, uma jovem brasileira chega à França, onde vai estudar História da Arte em uma pequena cidade do interior. Ela se instala em um apartamento, que no começo parece normal. Mas aos poucos, Pérola (Ticiana Augusto Lima) começa a ter visões fantasmagóricas, acabando por cometer suicídio. Já na segunda parte, o namorado de Pérola chega ao local para tentar desvendar o mistério sobre a morte da namorada, e também começa a sofrer com visões de um ser estranho, presente no apartamento.

"A Misteriosa Morte de Pérola" é um filme mudo, apenas com uma trilha sonora claustrofóbica e enervante. Os diretores, que têm um histórico de experiências com o cinema da horror, tentaram inovar, mas erraram gravemente. Tentaram realizar uma obra delirante e assustadora, porém o que conseguiram foi o de torturar os espectadores.

Duração: 1h12
Cotação: péssimo

Chico Izidro

Sunday, November 04, 2018

"Bohemian Rhapsody"




Um dos maiores sucessos da banda inglesa Queen batiza esta cinebiografia focada mais na vida de seu cantor, Freddie Mercury. "Bohemian Rhapsody", com direção de Bryan Singer, da franquia "X-Men" pega o espectador pela emoção das grandes músicas do grupo, sucesso excepcional nos anos 1970 e 1980, mas peca por alguns exageros e por não respeitar a cronologia dos fatos envolvendo a polêmica vida do músico, morto vítima da AIDS em 1991, aos 45 anos.

A trama começa exatamente em 1970, quando Freddie, ainda usando seu nome de batismo, Faroukh Bulsara, conheceu Bryan May e Roger Taylor, que integravam a banda Smile, e mostrando seus dotes musicais, entrou para a banda, logo mudando o seu nome, com o que se eternizou na história do rock'n'roll. Rami Malek (Mr. Robbot) interpreta muito bem Freddie Mercury. Ele repete os movimentos e convence, não somente pela semelhança física, mas por demonstrar a força que Mercury possuia no palco. A cena de maior destaque é no final, quando Malek parece ser a imagem viva de Mercury durante o concerto Live Aid, em Wembley, em 1985. Ele merece uma indicação ao Oscar de Melhor ator.

Já os outros atores também não ficam atrás, estando muito bem. Gwilym Lee, que interpreta Brian May é o sósia exato do guitarrista e líder da banda. Joseph Mazzello (Jurassic Park) é muito parecido com John Deacon, mas já Ben Hardy (X-Men: Apocalipse) não se parece tanto com Roger Taylor, porém não decepciona em sua atuação. Outro destaque ainda é de Lucy Bointon, que vive Mary Austin, a esposa de Mercury antes de ele assumir sua homossexualidade, e que foi sua amiga por toda a vida.

O problema porém, para os fãs mais fiéis, como eu por exemplo, são os inúmeros erros históricos. O pior talvez seja quando em 1977 vemos Mercury aparece falando para Mary sobre como foi apresentar “Love Of My Life” para um público de mais de 500 mil pessoas no Rock in Rio: o problema é que o show aconteceu em 1985! Outro é quando aparece a banda compondo "We Will Rock You" no começo da década de 1980, sendo que a música surgiu em 1977. Ou mesmo quando Mercury revela sua sexualidade para a esposa, fato ocorrido em 1974, e não quase oito anos depois. E tem um documentário mostrando como Mary reagiu a notícia, e não foi nada como ocorreu no longa. Ou seja, a vida do Queen é tão bem documentada, que esses erros acabam incomodando e muito uma pessoa mais atenta.

Duração: 2h15
Cotação: bom

Chico Izidro

"A Casa Que Jack Construiu" (The House That Jack Built)




A nova obra do cineasta e roteirista dinamarquês Lars von Trier trata de um tema de que gosto muito: serial killer. "A Casa Que Jack Construiu" (The House That Jack Built) tem no papel principal um assustador Matt Dillon, que faz uma ótima caracterização: aquela pessoa que tem boa conversa, parece simpática, preocupada com os outros, mas no fundo é um psicopata.

No filme, Jack conversa com o intelectual e poeta Virgílio (Bruno Ganz, de A Queda), autor da Eneida, também citado na Divina Comédia de Dante, falando de 12 anos de sua vida, entre os anos 1970 e 1980, quando envolveu-se em uma rotina de assassinatos iniciados ao matar uma mulher que pediu carona e disse que ele se parecia com um serial killer.

Jack vê suas mortes como obras-primas, e gosta de fotografar os corpos das vítimas após os assassinatos. As vítimas são preferencialmente mulheres, que ele observa como um verdadeiro caçador, até atacar as suas presas.

"A Casa Que Jack Construiu" apresenta cenas de extrema brutalidade, como uma em que o serial killer mata uma mãe e seus dois filhos com uma arma de caça. Ou quando o assassino relembra sua infância, e aparece cortando a pata de um patinho.

Enfim, não é um filme para estômagos fracos. Polêmico. Mas sensacional. Apenas o seu final cai um pouco, mostrando a ida de Jack para o inferno.

Duração: 2h35
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"O Doutrinador"




"O Doutrinador", filme dirigido por Gustavo Bonafé, é uma adaptação cinematográfica das histórias em quadrinhos do brasileiro Luciano Cunha, publicadas a partir de 2013, e sucesso principalmente na Internet. Com ritmo intenso, ótima computação gráfica, e vilões no máximo da caricatura, é um filme bom, mas também tem alguns erros de sequência e de edição.

O Doutrinador é um vigilante que toma para si a missão de eliminar políticos corruptos, por causa de um trauma familiar. Tipo um Charles Bronson em "Desejo de Matar", que sem muito a perder, decide fazer justiça com as próprias mãos. Muita gente vai se identificar com o mocinho, pensando que para acabar com a corrupção tem de se eliminar a classe política.

O vigilante é o agente Miguel (Kiko Pissolato), da Divisão Armada Especial – uma espécie de Polícia Federal ficcional –, que viu a filha morrer em seus braços após ser atingida por uma bala perdida - aí já tem um erro grosseiro, quando o policial se abraça no corpo da menina morta, e ela está respirando!!! No hospital, a menina morre por não receber atendimento, já que faltam recursos e até médicos.

Durante o protesto de estudantes contra um governador acusado de corrupção, Miguel encontra uma máscara, que o roteiro não explica bem, se lhe dá força descomunal, agilidade. E aliado com hacker Nina (Tainá Medina), o Doutrinador começa a eliminar políticos, que ele considera culpados, por terem desviado dinheiro público, inclusive de hospitais. O vingador é visto pela polícia como uma ameaça, enquanto que a população o considera um salvador. E não faltam policiais e políticos corruptos para serem exterminados!!!

Duração: 1h48
Cotação: bom

Chico Izidro

"Johnny English 3.0" (Johnny English Strikes Again)




Começou o filme e a primeira sequência me fez rir muito quando Rowan Atkinson se reúne numa sala com outros espiões. Achei que finalmente, depois de muito tempo, veria uma comédia daquelas para se dobrar de rir. Foi alarme falso em "Johnny English 3.0" (Johnny English Strikes Again), com direção de David Kerr, e trazendo o Mr. Bean no papel de um agente secreto atrapalhado e beirando o patético.

Este é o terceiro filme da franquia iniciada em 2003, com "Johnny English", que teve continuação em 2011 com "O Retorno de Johnny English", até sete anos depois chegar a esta parte, com o humorista que usa muito da parte física para fazer graça. Infelizmente lembra o chatérrimo Leandro Hassum, que jura ser engraçado. Mas só que não...

Na história, o personagem de Atkison tem de sair da aposentadoria depois que um hacker vaza informações sobre todos os agentes secretos britânicos na ativa. A sua missão passa a ser descobrir quem é o culpado pelo vazamento. Só que English é um ser analógico num mundo totalmente digital, e o roteiro tenta fazer graças disso, mas não funciona.

Na trama tem o chefe que não acredita no herói, no caso a primeira ministra inglesa vivida por Emma Thompson, até Olga Kurylenko, que interpreta uma agente secreta russa, e o vilão caricato vivido por Jake Lacy. Enfim, apenas a presença de Rowan Atkinson e suas gags corporais não são suficiente de fazer o filme escapar do naufrágio.

Duração: 1h28
Cotação: ruim

Chico Izidro

Thursday, October 25, 2018

“Halloween – A Noite do Terror” (Halloween)




Confesso que dei uns bons pulos na poltrona durante “Halloween – A Noite do Terror” (Halloween), direção de David Gordon Green (O Que te Faz Mais Forte), traz após 40 anos o assassino serial Michael Myers perseguindo sua vítima preferida, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), que ainda sofre das consequências do longa de 1978.

Foi naquele agora distante ano que o cineasta John Carpenter, ao lançar “Halloween – A Noite do Terror” (1978), estabeleceu o slasher como um subgênero do horror através da icônica figura de Michael Myers e sua máscara, cometendo crimes na noite das Bruxas - o dia 31 de outubro. Desde então, surgiram os mais vários assassinos – mascarados ou não –, como Jason Vorhees, Freddie Kruger, entre outros (alguém vai aí lembrar do Leatherface, de "The Texas Chain Saw Massacre", de 1974. Mas foi mesmo com Myers que a moda pegou.

Bem, voltemos ao presente. Passadas quatro décadas dos incidentes do primeiro filme, agora Myers vive internado numa instituição mental para criminosos, enquanto que Laurie vive reclusa, afastada dos familiares, que a consideram uma maluca e sempre esperando por um retorno do assassino mascarado. E claro que ele vai conseguir escapar, quando estava sendo transferido, e sai tocando o terror, atrás de Laurie e de seus familiares.

E o filme é assustador, mesmo que com alguns furos no roteiro. Mas todas as regras do gênero estão presentes, e parece que os atores estão vivendo realmente aqueles momentos de terror, com um cara com uma máscara branca atrás deles com uma faca. “Halloween – A Noite do Terror” (Halloween), enfim, apresenta um resultado satisfatório, mas será que teremos uma continuação daqui a alguns anos?

Duração: 1h49
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Fúria em Alto Mar" (Hunter Killer)



Dirigido por Donovan Marsh, Fúria em Alto Mar é baseado no livro "Firing Point", de Don Keith e George Wallace, e intitulado Hunter Killer em inglês, no Brasil ganhou o nome genérico de "Fúria em Alto Mar", muito parecido com "Mar em Fúria", filme protagonizado por George Clooney em 2000.

Em "Fúria em Alto Mar" (Hunter Killer), temos um misto de thriller de guerra fria, com ação e política. O herói é o capitão de submarino Joe Glass, vivido por Gerard Butler. Novato no comando de marinheiros, ele tem a missão de resgatar o presidente russo que foi sequestrado por militares insubordinados e impedir um conflito mundial.

A trama tem dois núcleos muito fortes. Um passado dentro do submarino com Joe Glass e um capitão russo, Andropov, interpretado por Michael Nyqvist, que passa dicas de como combater os seus compatriotas, e o outro em terras russas, onde um comando liderado pelo militar Bill Beaman (Toby Stephens) se infiltra para tentar salvar o presidente.

"Fúria em Alto Mar", apesar de não conseguir fugir dos clichês dos filmes de ação, é um bom filme, com suspense razoável e trazendo tensão em muitos momentos. Gerard Butler, que no papel principal, não sai por aí atirando a esmo e fazendo cenas irreais, está bem, contido. Do outro lado, Gary Oldman tem um papel ruim (será a síndrome pós-Oscar? Ele ganhou este ano pelo papel em Churchill, e agora faz um general norte-americano mais caricato impossível). E o final do longa é de uma pieguice impressionante, enfraquecendo um pouco o espetáculo.

Duração: 2h03
Cotação: bom

Chico Izidro

"Meu Anjo" (Gueule D'ange)




Dirigido por Vanessa Filho, o drama francês "Meu Anjo" (Gueule D'ange), não é um filme fácil de se assistir. Angustiante, pesado, mas traz duas grandes atuações, da excepcional Marion Cotillard, oscarizada em 2008 por sua atuação em "Piaf - Um Hino ao Amor" e a estreante Ayline Aksoy-Etaix. A obra lembra e muito outro ótimo filme recente, "Projeto Florida", de Sean Baker, e que concorreu ao Oscar de melhor ator coadjuvante com Willem Dafoe neste ano.

Na história, Marlene (Marion Cotillard) tem uma filha de quase dez anos, Elli (Ayline Aksoy-Etaix), e a trata de modo ambíguo. Por mais que ame a menina, seu alcoolismo a deixa desleixada. Logo no começo nos é mostrado o casamento de Marlene e durante a festa, ela já trai o marido, transando com outro homem na cozinha do hotel onde está sendo realizada a cerimônia. Nos momentos seguintes, vemos as duas mulheres dentro de um apartamento - Marlene entregue à bebida e a garotinha isolada, sem mesmo indo ao colégio. Para em seguida ser abandonada pela mãe e adotada por um ex-mergulhador Julio (Alban Lenoir), que passa a ocupar o papel de pai, que sempre esteve ausente na vida dela.

As atuações de Marion Cotillard, Ayline Aksoy-Etaix e Alban Lenoir tem ótimos momentos, assim como a direção de Vanessa Filho, que acerta muito mostrando o drama sob a ótica da pequena protagonista. Porém, "Meu Anjo" é uma experiência extremamente cruel de ser vivenciada de qualquer um dos lados da tela. É ótimo, mas dá dor de cabeça.

Duração: 1h49
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Podres de Ricos" (Crazy Rich Asians)




Adaptação cinematográfica do livro "Asiáticos Podres de Ricos", de Kevin Kwan, "Podres de Ricos" (Crazy Rich Asians), direção de Jon M. Chu (“Truque de Mestre: O 2º Ato”), é o exemplo de como perpetuar preconceitos e estereótipos e de fazer cinema ruim. Pior que deve agradar aquelas pessoas que não querem pensar e buscam apenas diversão fácil e rápida. Sem contar que a trama é para lá de batida, com a história do casal que sofre para ficar junto por causa da família tradicional de um deles.

Aqui no caso quem sofre é a professora de economia e sino-americana Rachel Chu (Constance Wu), que é convidada por seu namorado Nick Young (Henry Golding) para acompanha-lo até Singapura para o casamento do melhor amigo dele. Só que ela não sabe o que lhe espera - a moça acredita que o namorado é um simples executivo, quando na realidade ele é o herdeiro de uma das famílias mais ricas, como também um dos solteirões mais cobiçados do país oriental. Pior ainda quando ela dá de cara com a futura sogra, Eleanor (Michelle Yeoh), que desaprova o namoro, por achar que a moça não tem berço. Ou seja, é pobre e filha de mãe solteira. Rachel vai sofrer com o desprezo de Eleanor.

O filme, no entanto, chama a atenção por mostrar a ostentação e o glamour brega dos milionários de Singapura. E também mostra um pouco da cultura asiática, presa ao passado com seus preconceitos e tradições ultrapassadas - logo no começo a família de Nick é barrada em um hotel londrino por ser asiática. Mesmo assim, não aprendeu nada com esta tal de superioridade racial...

E sem contar os personagens periféricos - o gordinho tímido e virgem, o primo gay descolado, a amiga feia, mas esperta, a vovó com mente mais aberta. Depois de quase duas horas, a gente quase implora para que tal bomba acabe.

Duração: 2h01
Cotação: péssimo

Chico Izidro

"Salto no Vazio"




Ao terminar de ver este filme fico me perguntando como os seus diretores levantaram verba para realizá-lo? Simplesmente é algo inexplicável que alguém filme algo deste tipo e o chame de trabalho cinematográfico. Baixando um pouco o nível, perguntaria o que os cineastas fumaram ou cheiraram para gravar tal história, que não é uma história?

"Salto no Vazio" se classifica como um longa de ficção de Cavi Borges e Patricia Niedermeier. Primeira direção da dupla, foi filmado em seis cidades: Rio de Janeiro, Nova Iorque, Alepo, na Síria,, Berlim, Cannes e Praga, e levou cinco anos para ficar pronto. Mistura elementos de ficção com com dança, artes plásticas, performance e cinema (???).

Os diretores falam em off sobre observações do mundo, enquanto que Patricia Niedermeier ensaia passos de dança em cenários como o Muro de Berlim e ruas da capital da República Tcheca. Nada faz sentido neste recorte de imagens, que funde mapas, fotos e vídeos numa épica de andanças pelo mundo.

Pelo menos o sofrimento não dura muito. O filme tem pouco mais de 60 minutos, e quando termina é um alívio para os espectadores. Alguns dirão que é obra de arte. Eu diria que é desperdício de tempo e dinheiro.

Duração: 1h04
Cotação: péssimo

Chico Izidro

"A Justiceira" (Peppermint)




Você já viu o filme "O Justiceiro" (Punisher) ou a série homônima da Netflix, ou a cineséria "Desejo de Matar"? Pois bem, agora tem a versão feminina, "A Justiceira" (Peppermint), direção de Pierre Morel, e com Jennifer Garner como a protagonista. A premissa de ambas as histórias é a mesma: uma pessoa perde a sua família assassinada, vai para a ilegalidade e começa a caçar os assassinos.

A trama é absurda. O marido de Riley (Jennifer Garner) é convidado a participar de um roubo a um traficante mexicano. Mas desiste, porém mesmo assim o traficante ordena a execução. E no dia do aniversário da filha pequena deles, marido e a filha são mortos a tiros em um parque de diversões. Ela é baleada e entre em coma. E quando acorda, identifica os matadores e depois no tribunal, testemunha. Mas mesmo assim eles são inocentados, para a sua revolta.

O que faz Riley? Após perder tudo, a viúva entra na clandestinidade, e passa a circular pelo mundo, onde aprende a se tornar uma máquina de matar letal. Então no quinto aniversário da morte de sua família, ela volta com um objetivo: matar a gangue que cometeu o crime, os advogados que os libertaram e os policiais que nada fizeram sobre o caso.

Ufa...tudo é exagerado, mas se leva muito a sério. E com momentos implausíveis. Num deles, com apenas seus cerca de 50 quilos, Ripley amarra três criminosos mortos de ponta cabeça numa roda gigante. Noutro escapa de um prédio que explode, sai no meio da rua e começa a perseguir o carros dos vilões - mas como ela viu que no carro que passou estavam eles? Risível...Sem contar que o filme é um pastiche de tudo o que já foi feito, e com resultados muito mais superiores a esta bomba.

Duração: 1h42
Cotação: ruim

Chico Izidro

Thursday, October 18, 2018

"O Primeiro Homem" (First Man)



O enredo de "O Primeiro Homem" (First Man), direção de Damien Chazelle, é baseado no livro homônimo de James R. Hansen, que relata os eventos pessoais e profissionais que culminaram na ida de Neil Armstrong, com a Apollo 11, à Lua, em 1969. A trama busca desmitificar o homem, um verdadeiro herói americano, que tinha problemas pessoais como qualquer ser humano, e sofria com a morte prematura da filha pequena, vítima de câncer, no começo dos anos 1960.

O filme mostra os passos de Armstrong (vivido por Ryam Gosling, que já havia trabalhado com o diretor em La La Land), desde sua carreira de piloto de testes até a entrada na Nasa em 1961 até 1969, quando ele colocou os pés na Lua. Retrata também seus dramas familiares e o apoio de sua mulher, Janet Armstrong, interpretada por Claire Foy (a Rainha Elizabeth, do seriado The Crown). É mostrado ainda os erros e acertos da Nasa, que com seu projeto Apollo tentava vencer a batalha espacial travada contra os russos, que já haviam mandado um homem para o espaço, Yuri Gagarin.

O diretor não vacila ainda em mostrar os desastres que ocorreram durante os anos anteriores à chegada de Armstrong à Lua, como por exemplo o fatídico acidente da nave Apollo 1, que explodiu matando todos os astronaustas que estavam lá dentro. E o pouco de Armstrong em seu destino é o climax, de um peso emocional excepcional - muitas pessoas com mais de 50 anos irão evidente se emocionar e lembrar aonde estavam quando ele colocou os pés no satélite da Terra, em 20 de julho de 1969.

"O Primeiro Homem" é uma obra de muita qualidade técnica, com momentos sombrios e outros espetaculares. E é também um filme dramático, onde retrata a coragem de um homem de arriscar a vida para entrar na história.

Duração: 2h21
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Legalize Já - Amizade Nunca Morre"



Filmado em preto e branco, "Legalize Já - Amizade Nunca Morre", dirigido por Gustavo Bonafé e Johnny Araújo, conta a improvável amizade de um vendedor de fitas cassetes com músicas selecionadas por ele mesmo, e um camelô de camisetas de bandas de heavy metal no início dos anos 1990, no Rio de Janeiro, que apesar de sua diversidade cultural e racial, não escondia o racismo, principalmente vindo da polícia. E é a história da banda Planet Hemp, que sim, fazia a apologia do uso da maconha.

O filme não é um musical, mas fica muito perto de ser, pois a música está presente em quase toda a totalidade da obra, principalmente através do rock punk dos Dead Kennedys e do rap dos Beastie Boys. Skunk, interpretado por Ícaro Silva, sonha em ganhar a vida com seu talento para compor, enquanto Marcelo, vivido por Renato Góes, é o camelô, que nas horas de folga faz letras contestatórias e realistas. Os dois se conhecem de forma inusitada, mas leva um tempo até que se deem conta que podem trabalhar juntos e criar coisas novas.

Afinal, Skunk, que é portador da AIDS, vindo a falecer em 1994, antes de a banda fazer sucesso, é mostrado como o grande incentivador da dupla, e os diretores não se preocupam em fazer dramalhão, não mostrando como ele adquiriu a doença. Ele faz as melodias para as letras de Marcelo, marca shows - a primeira apresentação é hilária, numa igreja de evangélicos -, e vai às rádios para tentar promover o grupo. Já Marcelo, que depois viria a ser conhecido como D2, é mais resistente, pois a namorada está grávida, e o pai o expulsou de casa. Assim, o dinheiro se faz urgente em sua vida, e a vida de rock star parecia distante para ele.

"Legalize Já - Amizade Nunca Morre" não é um filme fácil, às vezes até sufocante. Mas seus protagonistas funcionam perfeitamente, mostrando muito carisma, e brilhando bastante. O resultado é um drama que mostra a realidade pesada da juventude brasileira, que através da música, tenta colocar para fora os fantasmas que a persegue.

Duração: 1h35
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Berenice Procura"




Baseado no livro do romancista policial Luiz Alfredo Garcia-Roza, com direção de Allan Fiterman, "Berenice Procura" é um suspense policial tendo como pano de fundo o bairro carioca de Copacabana. O filme n ão é somente suspense, mas fala também de violência doméstica, homossexualismo, mudanças de gênero e independência feminina.

A protagonista é exatamente Berenice, vivida por Cláudia Abreu, que impressiona pela sua beleza intocada - ela está com 48 anos, mas aparenta ter 30 anos a menos!, que está presa a um casamento falido e trabalhando como taxista, no carro herdado do pai. O marido é um machista agressivo, Domingos (Eduardo Moscovis), que trabalha como repórter em um programa de TV sensacionalista, e o filho Tiago (Caio Manhente), que aos 15 anos, está descobrindo a sexualidade, e se sente ignorado pelos pais.

Toda a trama foca no assassinato do travesti (transgênero, corrige Tiago, em determinado momento) Isabelle (Valentina Sampaio), de forma violenta, cujo corpo é encontrado na praia de Copacabana. De alguma forma, Berenice se sente ligada à vítima e começa a investigar, amadoramente, a morte de Isabelle, ao mesmo tempo em que tem de lidar com o marido violento e o filho. O filme apresenta ainda outro núcleo, mas também ligado ao crime, que traz o irmão adotivo de Isabelle, Russo (Emílio Dantas), um ladrão que é acusado do assassinato e inimigo mortal de Greta (Vera Holtz), dona da boate onde cantava a sua irmã.

O elenco é espetacular e o suspense prende a atenção, mesmo que um pouco depois da metade, as soluções pareçam óbvias demais. Além de Cláudia Abreu, se destacam a modelo Valentina Sampaio, que faz um papel intrigante, mas de entrega. A veterana Vera Holtz rouba todas as cenas em que aparece, assim como Moskovis, assustador no papel de uma pessoa assustadora.

Duração: 1h30
Cotação: bom

Chico Izidro

"Estás me Matando Susana" (Me estás matando Susana)




"Estás me Matando Susana" ((Me estás matando Susana) é uma comédia dramática, que mostra a obsessão de um jovem ator por sua mulher, uma escritora que tenta alcançar o sucesso, mas não se sente mais confortável ao lado do parceiro, e busca ares novos. No que ele parece não entender. E aí é criado o clima, que é mostrado de forma bem-humorada.

Gael García Bernal vive Eligio, que um dia acorda e descobre que sua esposa, Susana, não está ao seu lado, na cama. E pior, ela levou quase todos os pertences, não deixando qualquer sinal. Eligio passa a buscar a mulher de forma incessante, até que descobre que ela viajou para um congresso em uma universidade americana, em Iowa. E vai atrás, sem calcular os riscos que corre.

Logo aos chegar aos Estados Unidos, dá de cara com o serviço de imigração, que não quer saber de mais um mexicano pisando nas terras de Trump. Mas Eligio consegue o visto, e reencontra Susana, acompanhada de um escritor polonês, Slawormir (o ator islandês Björn Hlynur Haraldsson), e não quer mais ele, uma pessoa egocêntrica e infantil. Porém, o ator não se dá por vencido e decide lutar pela amada, mesmo que seja de forma ameaçadora.

Porém Eligio não consegue entender o porquê de ser rejeitado por Susana. Mas quem já viveu momento assim, vai se identificar com o personagem, que acha não existir o impossível. É uma comédia, mas também é amarga, pois fala de rejeição, ciúmes, de falta de simancol.

Duração: 1h40
Cotação: bom

Chico Izidro

Thursday, October 11, 2018

"Nasce Uma Estrela" (A Star Is Born)




"Nasce Uma Estrela" (A Star Is Born), direção de Bradley Cooper e com Lady Gaga no papel principal, é a quarta versão da história da construção de uma pop star. A primeira versão estreou em 1937, com Janet Gaynor, a segunda em 1954, com Judy Garland como Ally, a terceira em 1976, com Barbra Streisand como a protagonista.

A trama deste musical - apesar de os personagens não declamarem seus diálogos cantando, não deixa de ser um musical, já que a música é o forte da história - que conta a vida de Ally (Lady Gaga), uma aspirante a cantora que é descoberta por Jackson Maine (Bradley Cooper) cantando, agora em tempos mais modernos, em um bar de drag queens. Ele é um músico famoso, mas alcoolatra e viciado em drogas, que se apaixona por Ally, e a incentiva a aparecer para o mundo.

E a criatura Ally acaba engolindo o criador, Jackson, que cercado de fantasmas do passado, acaba perdendo o passo, enquanto que ela vai ascendendo rapidamente para a fama. E o músico vai se afundando cada vez mais, quase atrapalhando a carreira da diva.

Aliás, a ascenção de Ally é mostrada numa narrativa que a mostra começando a carreira seguindo uma linha mais rock'n'roll e country, mas após a aparição do empresário, ela vai se transformando numa diva pop, com músicas pegajosas e dançarinas no palco (sempre me pergunto o porquê da necessidade de estas cantoras terem de colocar gente no palco dançando - talvez para tentar fazer o público não notar a qualidade fraca das músicas e o uso frequente do playback!!!).

Apesar de o filme ser sobre a estrela Ally, quem se sobressai mesmo é o personagem de Bradley Cooper - que se mostra um ótimo músico e instrumentista. Mas Lady Gaga ou Stefani Joanne Angelina Germanotta tem uma voz de arrepiar e tambpem se sobressai com uma atuação ímpar, passando verdade naquilo que interpreta. E não, o filme não é a vida de Lady Gaga antes da fama.

Duração: 2h16
Cotação: ótimo

Chico Izidro