Thursday, June 14, 2018

"Talvez Uma História de Amor"



A trama é até legal, mas o que atrapalha são algumas das atuações. Falo do longa nacional "Talvez Uma História de Amor", dirigido por Rodrigo Bernardo, em sua estreia cinematográfica. O personagem principal é Virgílio (Mateus Solano), publicitário bem-sucedido, mas portador de TOC - tudo em sua vida é regulado, desde usar equipamentos retrô, como o celular tijolão, o toca-discos, a televisão de tubo com vídeocassete, as refeições onde os alimentos ficam sincronizados. Mas o que acontece? Certo dia, ele encontra uma mensagem em sua secretária eletrônica. Uma voz feminina, dizendo ser Clara, lhe comunica o final do relacionamento.

O problema é que Virgílio não tem a mínima noção de ter tido um relacionamento nos últimos tempos e de quem seja Clara. A partir daí, o rapaz passa a buscar a garota, mas ele não sabe nem como ela é, aonde mora. Simplesmente deletou Clara de suas memórias.

"Talvez Uma História de Amor" é uma adaptação do livro homônimo do escritor francês Martin Page. E tem até direito a momentos finais passados em Nova Iorque, com uma participação meio que constrangida de Cynthia Nixon (a Miranda, de “Sex and the City”). Mateus Solano até está bem como o maniatico Virgílio, mostrando os percalços em que passam pessoas com esta doença. Bianca Comparato como a vizinha simpática e prestativa traz certo charme para a história, e até ficamos pensando se não vai rolar nada ali. Mas os demais coadjuvantes são de doer, com atuações engessadas ou forçadas demais, como por exemplo Marco Luque, que consegue estragar cada cena em que surge.

Duração: 1h41
Cotação: bom

Chico Izidro

''Do Jeito Que Elas Querem" (Book Club)



Vamos vender livro? No caso o pseudoerótico “50 Tons de Cinza”, de E.L. James é a base para o digamos assim feminista ''Do Jeito Que Elas Querem" (Book Club), dirigido por Bill Holdermann, e que reúne quatro das musas dos cinemas dos anos 1960, 1970 e 1980 Jane Fonda (80 anos), Diane Keaton (72), Candice Bergen (72) e Mary Steenburgen (65), todas ainda com muito charme e beleza presentes.

Elas interpretam amigas de longa data cujas vidas se encontram em certo marasmo romântico e sexual. Todas as semanas elas se encontram na casa de uma delas para discutir e analisar um determinado livro, daí o nome original do filme. Até que são apresentadas ao best-seller “50 Tons de Cinza”. A partir daí, suas vidas começam a se transformar, e as meninas descobrem que ainda têm muito para aproveitar.

A trama tem toques românticos, mas também abre espaço para piadas sexuais. Me soou tudo um pouco forçado, faltando naturalismo das personagens, que recebem o reforço de seus pares românticos: Andy Garcia (62 anos), Richard Dreyfuss (70), Craig T. Nelson (74) e Don Johnson (68). Este último aliás reforça o filme e o livro por ser o pai de Dakota Johnson, atriz que protagonizou as três sequências da chatíssima cinessérie “50 Tons de Cinza” no cinema.

Duração: 1h44
Cotação: regular

Chico Izidro

"Baronesa"




Ambientado na periferia de Belo Horizonte, “Baronesa”, de Juliana Antunes, é o retrato cruel da vida de duas mulheres que moram numa favela da capital mineira. O documentário retrata a vida das moradoras Andreia e Leid, que tentam levar as suas vidas em meio a pobreza e a ausência dos pares românticos.

A câmera foca as duas protagonizas, que agem com muita naturalidade, como se fossem veteranas em frente às câmeras. Leid tem filhos e espera a volta, ioncerta, do marido, que se encontra preso. Já Andreia quer se mudar para a Baronesa, outra favela de Belo Horizonte, e está construindo, com muitas dificuldades, sua casinha de tijolos.

No meio disso tudo, as duas não têm vergonha em mostrar seus corpos, longe dos padrões que atraiam olhares, e falam abertamente sobre sexo, muito aliás, e morte, sempre presentes - numa cena forte, as duas são surpreendidas por um tiroteio no local e são obrigadas a se jogar no chão, para evitar ser atingidas. A obra é autêntica e vigorosa, mostrando vidas difíceis, mas cheias de esperança.

Duração: 1h13
Cotação: ótimo

Chico Izidro

Thursday, June 07, 2018

"A Morte de Stalin" (The Death of Stalin)



Com atuações matadoras de um elenco que conta com Steve Buscemi, Jeffrey Tambor, Michael Palin, Simon Russell Beale e Adrian McLoughlin, "A Morte de Stalin" (The Death of Stalin), dirigido por Armando Iannucci, é uma excepcional comédia que mostra a briga pela sucessão do ditador comunista, que ficou no poder na União Soviética de 1924 a 1953.

O diretor, conhecido pelo trabalho na séries "Veep" transforma um momento histórico e de transição em uma trama hilária e inteligente, ajudado pelo elenco. O filme mostra como Stálin era poderoso e mais cruel possível, tanto que todos o temiam até mesmo a sua morte - que é o que passa a tratar a história em sua segunda parte, onde os camaradas comunistas passam a fazer tramoias para ver quem sucederá o tirano.

Os momentos tragicômicos são vários, mas destaque para três deles. O primeiro quando os líderes buscam um médico para assinar o atestado de óbito de Stálin, mas a maioria deles se encontram presos, acusados de traidores. O segundo é quando os sósias do ditador são demitidos, pois não tem mais função. E o terceiro quando após esvaziarem a dacha de Stálin, todos os serviçais são assassinados...
Também merecem destaque a reconstituição de época e a fotografia. Um filme para rir, não fosse ele retratando um dos momentos cruéis da história recente.

Duração: 1h47
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"No Olho do Furacão" (The Hurricane Heist)




Dirigido por Rob Cohen, de "Velozes e Furiosos", "No Olho do Furacão" (The Hurricane Heist) se apresenta como um ótimo filme de ação, com efeitos especiais de primeira. Muita gente ao ver o trailer chegou a fazer comparações com "Twister", mas esqueça isso, apesar de a trama se passar durante um forte furacão.

Neste caso aqui, um grupo de ex-militares e policiais corruptos decide roubar 600 milhões de dólares, que serão incinerados, do Tesouro Nacional Americano, localizado numa cidadezinha litorânea no sul dos Estados Unidos. Para efetuar a ação, vão aproveitar que a localidade foi esvaziada por causa de um furacão devastador que se aproxima.

Mas uma agente federal, Casey (Maggie Grace, de Fear teh Walking Dead) auxiliada por um expert em meteorologia e ex-militar, Will (Toby Kebbel), decide evitar o crime, se valendo de várias técnicas de combate. E esqueça que a trama apresenta vários furos, como por exemplo os ladrões precisarem de Casey, que tem a senha para abrir os cofres, mas passam o tempo todo tentando matá-la. E qual a motivação da garota em evitar o assalto? O dinheiro nem era dela e seria incinerado mesmo...mas vai lá

Duração: 1h43
Cotação: bom

Chico Izidro

"Os Estranhos - Caçada Noturna" (The Strangers: Prey at Night)



"Os Estranhos - Caçada Noturna" (The Strangers: Prey at Night), dirigido por Johannes Roberts, é a sequência, exatos dez anos depois de "Os Estranhos", onde um grupo de assassinos ataca um casal. Nesta continuação, as vítimas da vez são uma família formada pelo casal Cindy (Christina Hendricks) e Mike (Martin Henderson) e pelos filhos Kinsey (Bailee Madison) e Luke (Lewis Pullman).

A garota Kinsey, problemática além da conta, vai ser enviada para um internato, mas antes de levarem a adolescente para o local decidem visitar os tios, que moram em um comunidade de trailers afastada da cidade. E lá o terror será pleno, quando encontram o local completamente vazio e começam a ser atacados por pessoas usando máscaras e usando facas e machados para tentar matá-los.

Rola muita música pop e boa dos anos 1980, como Kids in America, de Kim Wilde, Total Eclipse of the Heart, de Bonnie Tyler. Mas também não é poupado sangue e tripas escorrendo pela tela, em cenas fortes e muito, muito agressivas. O diretor não se preocupa em explicar qual a motivação dos assassinos, tanto que um deles, ao ser questionado por uma das vítimas qual o motivo de tanta matança, e ele responde: "Por que não?". Simples. "Os Estranhos - Caçada Noturna" é para estômagos fortes.

Duração: 1h25
Cotação: bom

Chico Izidro

"Um dia para Viver" (24 Hours To Live)



Um Dia para Viver (24 Hours To Live), dirigido por Brian Smrz, pretendia ser um thriller de ação empolgante, mas é entregue ao espectador uma das piores patacoadas (quem lia as revistinhas do Tio Patinhas nos anos 1970 e 1980 vai saber o que estou dizendo) dos últimos tempos. Tudo é absurdo na trama, com vários defeitos de continuidade, num trabalho que pode ser chamado de preguiçoso.

A história apresenta um matador profissional, Travis Conrad (Ethan Hawke), que aposentado é convocado para um novo trabalho - ele deve matar a testemunha de crimes praticados por uma empresa corporativa. Mas falha e acaba morrendo, para logo em seguida ser ressuscitado através de uma experiência médica, pois só ele sabe a localização de onde a testemunha vai depor. Ou seja, ele acorda, passa a informação e fica sabendo que após isso morrerá de novo!! Mas tem 24 horas para tentar se redimir de seus crimes e tentar evitar novas mortes.

Aí começa uma profusão de erros, como corpos desaparecendo da cena, sangramentos que somem em questão de segundos, figurantes que ao invés de tentarem ficar despercebidos em cena ficam observando os atores principais atuando (?). Ou quando o mocin ho entra atirando a esmo em uma sala, mas só não acerta o vilão, que o tempo todo esteve de pé, parado no meio do local? Santa paciência. E as atuações? Uma pior que a outra, sobrando até mesmo para o veterano Rutger Hauer em um ponta que não diz a que veio.

Duração: 1h35
Cotação: ruim

Chico Izidro

Saturday, May 26, 2018

“Hans Solo – Uma História Star Wars” (Hans Solo – A Star Wars Story)




Harrison Ford eternizou no cinema dois grandes personagens, o arqueólogo aventureiro Indiana Jones e o mercenário intergalático Hans Solo na cinessérie Star Wars. Agora este ícone tem suas origens contadas no longa “Hans Solo – Uma História Star Wars” (Hans Solo – A Star Wars Story), dirigido pelo veterano Ron Howard, que substituiu os demitidos Phil Lord e Christopher Miller, que não conseguiram contentar os produtores com o material que estava filmado.

Para o papel de um jovem Hans Solo foi escalado Alden Ehrenreich, de “Dezesseis Luas”, “Blue Jasmine” e “Ave Cesar” – tarefa árdua para o jovem de 29 anos tentar repetir o sucesso de Ford e o jeito cínico do personagem. Ele até não se sai mal no papel do órfão criado num planeta arrasado, ao lado da também órfã Qi’ra (Emilia Clarke), a quem jura defender e por quem é secretamente apaixonado, além de se tornar um piloto excepcional a se aventurar pelas galáxias.

Solo vai se envolver com um grupo de mercenários liderado pelo esperto Beckett (Woody Harrelson), vai conhecer seu inseparável amigo Chewbacca (Joonas Suotamo) e o inconfiável dono da Millenium Falcon (que passaria para as mãos de Solo), Lando Calrissian (Donald Glover, das séries Community e Atlanta) em busca de um combustível essencial na luta contra o império. Apesar do visual bonito e das belas cenas de batalhas, aliás de tirar o fôlego, “Hans Solo – Uma História Star Wars” ((Hans Solo – A Star Wars Story) é capenga por culpa de seu roteiro, do mais do mesmo, onde os personagens são inconfiáveis, sempre mudando de lado, traindo uns aos outros, chegando a ficar insuportável em determinado momento. Faltou um melhor cuidado.

Duração: 2h15
Cotação: regular

Chico Izidro

“Tropykaos”



“Tropykaos”, do diretor baiano Daniel Lisboa, pode ser classificado como uma viagem lisérgica e beirando o realismo fantástico, principalmente em sua parte final, na qual não irei adiantar aqui (seria demais dar este spoiler!). A trama se passa numa quente e sufocante Salvador à véspera de um carnaval, onde o poeta Guima (Gabriel Pardal) deve entregar um livro para a sua editora. O problema é que sofrendo com o calor asfixiante da cidade, ele não consegue produzir nada. Ele fracassa ao tentar renegociar o contrato.

E a situação vai piorando aos poucos, quando por falta de pagamento, vê a energia de seu modesto apartamento ser cortada. Após negociar com os funcionários da empresa de energia elétrica, o ar-condicionado passa a ser o problema, quando estraga. Guima se desespera, tem de conseguir a grana para pagar o conserto do aparelho – então conhecemos a origem do poeta, que apesar de viver à beira da pobreza, é um rapaz de classe média, que deixou a segurança do lar dos pais para viver de sua arte. Ele busca o auxílio da mãe, uma senhora trancada em um belo apartamento, mas que se vê impossibilitada de ajudar o filho.

Por vezes “Tropykaos” perde o ritmo, se mostrando cansativo, mas é uma obra em que ficamos angustiados em querer saber o que acontecerá com Guima e sua busca para se safar do calor. Quase em sua parte final, o filme se perde em um momento onde tenta brincar com a influência das igrejas na vida das pessoas, mas o seu término é poético, digno das obras fantásticas criadas nos anos 1960. O novato Gabriel Pardal se destaca, com uma atuação extasiante, desesperada, conseguindo transmitir todo o terror vivido por seu personagem.

Duração: 1h22
Cotação: bom

Chico Izidro

“O Processo”




A primeira olhada dá a impressão de ser a transposição para a telona do clássico de Franz Kafka, mas não “O Processo”, documentário da roteirista e diretora Maria Augusta Ramos, retrata o impeachment que sofreu a presidente Dilma em 2016, ou seria golpe?

A obra tenta ser parcial, mas nota-se leve simpatia pela primeira mulher a presidir o Brasil entre 2011 e o ano de seu impeachment. O documentário é direto, não trazendo uma única entrevista, sem trilha sonora – o que escutamos na tela são os barulhos dos corredores do Senado, e das ruas, turbulentas. Tudo começa no dia da votação que derrubou Dilma, onde são mostrados os votos de alguns dos políticos, sejam contra ou a favor dela. Tem espaço até para o patético Jair Bolsonaro, atual pré-candidato à presidência, e sua elegia aos torturadores, principalmente o monstro Brilhante Ustra e a gaúcha Maria do Rosário denunciando o golpe.

É uma edição de momentos daquele período turbulento, com imagens de arquivo ou de a documentarista seguindo os passos dos deputados pelos corredores do Congresso. Mas não tem entrevista. Aliás, os personagens não são nomeados, como tivéssemos a obrigação de conhecer a todos, mas tanto a direita, destacando a advogada Janaina Paschoal, quanto a esquerda ganham espaço, principalmente Lindbergh Farias e Gleisi Hoffman. Mas são apenas detalhes.

Duração: 1h42

cotação: bom
Chico Izidro

“A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro”




Gaúcho nascido em Passo Fundo em 1941, Tarso de Castro teve vida breve, encurtada por causa da cirrose, que o vitimou em 1991, com apenas 49 anos. Mas foi uma vida intensa, retratada no ótimo documentário “A Vida Extra-Ordinária de Tarso de Castro”, dirigido por Leo Garcia e Zeca Brito.
Jornalista ativo, criador dos jornais Pasquim, Enfim, O Nacional e do suplemento da Folha de S. Paulo Folhetim, Tarso de Castro pensava muito pouco nele e mais nos amigos, inimigos e desconhecidos, a quem costumava ajudar, sem pensar no dia seguinte. Crítico feroz da Ditadura Militar, foi também namorador serial, tendo no currículo namoro até com a atriz Candice Bergen, entre outras beldades.

O documentário traz imagens de época, dele e de outros jornalistas com quem conviveu, como por exemplo Paulo Francis, Jaguar, Roberto D’Ávila e de seu filho João Vicente, um dos criadores do Porta dos Fundos. Esse fato é lembrado no documentário, quando se constata o quanto Tarso de Castro, considerado um dos maiores jornalistas do país em todos os tempos, atingiu no máximo uns dois milhões de leitores – o Pasquim, no auge do sucesso, vendia 250 mil exemplares, que tinha o público estimado. E João Vicente, com as esquetes do PF alcança mais de 20 milhões de visualizações.

O documentário não é chapa branca, mas não se encontram vozes discordantes ou que não gostavam de Tarso de Castro – mas isso não é uma falha, apenas retrata um fato de que ele era uma pessoa amada por seus pares.

Duração: 1h29
Cotação: ótimo

Chico Izidro

“Deadpool 2”




“Deadpool 2”, dirigido por David Leitch, é um belo exemplo de como uma sequência deve funcionar, sendo tão bom quanto o primeiro, em nenhum momento perdendo o pique e fazendo com que queiramos mais. E é o papel da vida de Ryan Reynolds, com direito a piada sobre sua escolha fracassada em protagonizar “Lanterna Verde”, em 2012.

O personagem falastrão e com superpoderes que o impedem de morrer, desta vez está desolado pela perda de sua amada, Vanessa (Morena Baccarin). Desejando ter sido pai, Deadpool vai conhecer o adolescente Russel (Julian Dennison), mutante com o poder do fogo, e que deseja ser o maior vilão de todos os tempos. Vindo do futuro, Cable (Josh Brolin) tem a missão de matar o moleque, mas Deadpool vai formar um supergrupo de heróis para proteger e tentar mudar a mentalidade do garoto.

E dê-lhe piadas por segundos, uma delas com Deadpool sarrando Brolin, que no filme “Os Vingadores” é o vilão Thanos, e este fato é lembrado, hilário. O grupo formado por Deadpool é formado por um bando de loosers, e o que acontece com eles, numa sequência arrasa-quarteirão é outro momento de tirar o nosso fôlego, de tanta risada que damos.

Outro destaque é o garoto Russel, que detesta o mundo por rejeitá-lo, já que ele é gordinho, e assim vítima de bullying, sendo que nunca se viu super-herói gordo, e assim ele está fora dos padrões. Um dos melhores filmes de super-heróis dos últimos tempos.

Duração: 2h
Cotação: ótimo

Chico Izidro

“Desejo de Matar” (Death Wish)



A franquia ficou famosa nos anos 1970 e 1980 tendo o astro Charles Bronson (1921-2003) como o protagonista, o arquiteto que tem a mulher e a filha serem mortas, partindo para a vingança, matando todo o criminoso que aparecesse na sua frente. “Desejo de Matar” estreou em 1974, tendo mais quatro continuações, até 1994, já virando piada de si mesmo, mas sempre pregando a pena de morte.

Pois agora é lançado um remake, “Desejo de Matar” (Death Wish), dirigido pelo mestre do trash Eli Roth, tendo Bruce Willis como o protagonista Paul Kersey, agora não mais um arquiteto. Nesta nova versão ele é um médico bem sucedido, casado com Lucy (Elisabeth Shue, ainda muito linda) e com uma filha prestes a ir para a faculdade. Tudo muito lindo, idílico, até que numa noite ele sai para um plantão no hospital e as duas mulheres de sua vida ficam sozinhas em casa. Claro que acabam sendo atacadas por um bando de ladrões, e Lucy acaba morrendo (olha o spoiler aí).

Paul entra em um processo de depressão, depois aceitação, até que certa noite após adquirir ilegalmente uma pistola, sai para as ruas e começa a agir como um vigilante vingador, matando todo o marginal que lhe cruza à frente. E na mente, o desejo de matar os caras que vitimaram a sua esposa e deixaram sua filha em coma. Claro que nos tempos atuais, a produção teve o cuidado de incluir na trama o uso das redes sociais e dos vídeos – é através deles que Paul Kersey aprende a usar uma arma.

Um adendo em relação ao título do filme, traduzido erroneamente no Brasil: Death Wish em uma leitura correta seria desejo de morrer e não de matar. Explicando, como não tem mais nenhum prazer na vida, tanto fez, tanto faz para o protagonista sair por aí, descuidado, matando gente. Se morrer, tudo bem, se matar melhor. E claro, o filme continua sendo pró pena de morte. E Bruce Willis está ótimo no papel do vingador, provavelmente abrindo uma nova franquia em sua carreira, depois de “Duro de Matar”.

Duração: 1h49
Cotação: bom

Chico Izidro

“Acertando o Passo” (Finding Your Feet)



O filme é até bonitinho, mostrando personagens entrando na Terceira Idade, belas imagens, mas não há nada que já não tenha sido visto nofilme inglês “Acertando o Passo” (Finding Your Feet), dirigido por Richard Loncraine. A trama mostra o renascimento na vida da socialite Lady Sandra Abott (Imelda Stauton). Após 40 anos de casada, ela descobre no dia da aposentadoria do marido, que ele a trai com a melhor amiga há cinco anos.

Arrasada, Sandra decide deixar tudo para casa e procurar a irmã mais velha, a riponga Bif (Celia Imrie), que parece viver ainda nos anos 1970, e participando de um grupo de dança, coisa que Sandra deixou de praticar quando se casou. E ela se tornou uma mulher esnobe, fria, até começar a mudar o comportamento ao conhecer o faz tudo Charlie (Timothy Spall), cuja mulher está internada numa clínica, vítima do Mal de Alzheimer.

Não é difícil imaginar o que vai se suceder, com direito a uma personagem muito querida na história estar com câncer terminal, e o casal de pombinhos, a certa altura da história se desentender. Mas claro que virá o arrependimento, com direito a correria no final do filme, com um dos personagens em desabalada carreira para evitar que o amado viaje sem ela! Clichês em cima de clichês. O que salva são os personagens simpáticos, mas nada de novo.

Duração: 1h51
Cotação: regular

Chico Izidro

Thursday, May 10, 2018

“Guarnieri”



Esta semana está especial destacando dois grandes atores brasileiros. O primeiro é o documentário “Todos os Paulos do Mundo”, trazendo a trajetória do gaúcho Paulo José. E tem também “Guarnieri”, documentário que mostra a vida do grande intérprete, escritor, dramaturgo e diretor Gianfrancesco Guarnieri, e dirigido por seu neto Francisco Guarnieri. A obra se mostra urgente, afinal neste ano se completam os 60 anos da magistral peça “Eles Não Usam Black-Tie”, que originou o filme homônimo em 1981, em plena época da ditadura militar.

Nascido em Milão, na Itália, em 1934, veio com apenas dois anos para o Brasil com a família, que fixaria residência em São Paulo já nos anos 1950, depois de um período no Rio de Janeiro. Gianfrancesco se destacou pelo teatro engajado de esquerda, mas que não o impediu de trabalhar na Rede Globo, como mostra trecho de uma entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Aliás, o documentário é rico em imagens de arquivo, trazendo trabalhos no cinema, teatro e televisão entre os anos 1950 e 1990.

Ativo na política, através de suas obras, Guarnieri é lembrado no trabalho como um pai ausente pelos filhos Flávio e Paulo, atores de sucesso nos anos 1980. “Nosso pai não estava lá para brincar comigo, me confortar. Mas penso que estava naquela hora ajudando os outros, o mundo. E isso é algo extraordinário”, diz um dos filhos, ao lembrar da figura paterna. Gianfrancesco morreu em 2006.

Duração: 1h11
Cotação: ótimo

Chico Izidro

“Todos os Paulos do Mundo”




O gaúcho de Lavras do Sul Paulo José é um homem de sorte. Ao avisar os pais que não pretendia mais ficar na faculdade de arquitetura e que desejava ser ator, ouviu do patriarca: “Então você não pode mais ficar nesta casa”. Paulo acreditou que estava sendo expulso, mas não, o seu pai estava avisando que se fosse ser ator, deveria buscar um centro maior para seguir na carreira. E acrescentou: “E eu irei lhe ajudar”.

Assim, Paulo José chega agora aos 81 anos de uma das carreiras mais significativas na área de atuação no Brasil. Sua vida é resgatada no documentário “Todos os Paulos do Mundo”, direção de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira, e que faz trocadilho com um dos principais filmes protagonizado pelo gaúcho, “Todas as Mulheres do Mundo”, sucesso em 1966, dirigido por Domingos de Oliveira e com a musa Leila Diniz.

O documentário mostra um retalho de filmes e séries onde Paulo José trabalhou, e ele mesmo é um dos narradores do documentário, que tem ainda as vozes de Fernanda Montenegro, Mariana Ximenez, entre outros. Paulo José convive há quase meio quarto de século com o Mal de Parkinson, mas a doença é pouco explorada. Afinal, pouco importa, pois não tirou a capacidade de trabalho do excepcional ator, que foi casada com outra musa, Dina Sfat. e trabalhou em obras seminais como “Macunaíma” (1969), “Edu, Coração de Ouro” (1967), “Anahy de Las Missiones” (1997), “O Palhaço” (2011), foi o narrador de “Ilha das Flores” (1989) e na série global “Shazam e Xerife” (1972/1974), uma das minhas preferidas quando criança.

Afinal, se Paulo José é um homem de sorte, nós somos cinéfilos de sorte por ter podido acompanhar uma carreira excepcional e prolífica de um ator único. Documentário obrigatório.

Duração: 1h20
Cotação: ótimo

Chico Izidro

“Esplendor” (Hikari/Radiance)




Há poucas semanas estreou o fraco “Teu Mundo Não Cabe em Meus Olhos”, filme brasileiro que mostra um cego que resiste à ideia de voltar a enxergar, mas que traz atuações toscas e uma edição amadora. Já no início do ano “Por Trás de Seus Olhos”, mostrava a história de uma mulher cega que recuperava a visão e começava a questionar seu casamento. Pois os dois são uma mostra de como tratar um assunto sem convicção, ainda mais se compararmos ao japonês “Esplendor” (Hikari/Radiance), direção de Naomi Kawase. Este sim belo e emocionante, e com atuações sublimes.

A única diferença nesta obra que o protagonista não está ganhando a visão, ele está perdendo. E pior, é um fotógrafo profissional, Masaya (Masatoshi Nagase). A cegueira progressiva que vai tomando conta de seus olhos o está transformando em um homem amargurado e raivoso. Do outro lado da história temos a jovem Misako (Ayame Misaki), que trabalha com descrições audiovisuais para deficientes visuais. Ela oferece a quem não pode enxergar uma oportunidade de sentir emoções e o que está acontecendo ao redor com suas narrativas emotivas, abrindo espaço para que os cegos possam imaginar aquilo que não veem.

Masaya se mostra arredio ao trabalho da garota, que claro, fará de tudo para que ele seja mais receptivo. Os dois até iniciam um relacionamento nesta obra sensível, bela e imperdível.

Duração: 1h41
Cotação: ótimo

Chico Izidro

“A Noite do Jogo” (Game Night)




Realmente ando perdendo a paciência para certos tipos de filmes, como por exemplo esta comédia intitulada “A Noite do Jogo” (Game Night), dirigida por Jonathan Goldstein e John Francis Daley, que até rende umas piadinhas aqui e ali. Mas no final é mais um besteirol preso em clichês.

O casal Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams) adora jogos de adivinhação, fazendo noitadas com os amigos. Os dois também se conheceram assim, em um bar e tiveram uma conexão imediata – isso é mostrado logo nos primeiros momentos. As coisas ficarão um pouco estranhas quando o irmão mais velho e melhor sucedido de Max, Brooks (Kyle Chandler) aparece e sugere um tipo de jogo mais intenso, onde os três casais presentes participarão da encenação de um sequestro e deverão buscar pistas para solucionar o crime. Todos acham a ideia sensacional, e quando Brooks é levado à força por dois brutamontes, acham que é uma bela encenação.

Só que de repente se dão conta que aquilo é mais do que uma brincadeira, e que algo de grave está realmente acontecendo. E aí que a coisa desanda. Os personagens começam a falar de forma compulsiva, soltando asneiras a torto e direito, cenas de tiroteio ou de um casal que fica discutindo porque a mulher teria tido um relacionamento com um ator famoso dez anos antes, e eles ficam neste blá-blá-blá interminável.

E sem contar a pegadinha de que nada o que parece ser, é. Reviravoltas aqui e acolá e Jason Bateman com uma eterna cara de pateta – o ator até hoje só funcionou para mim nas séries “Arrested Development” e “Ozark”. No resto, é desperdício completo. Cansativo.


Duração: 1h40
Cotação: ruim

Chico Izidro

Thursday, May 03, 2018

“Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos”



Para começar, já tinha visto a mesma história no filme “À Primeira Vista” (At First Sight), de 1999, com Val Kilmer e Mira Sorvino. A mesma história, e com melhores atuações. Aqui, em “Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos”, direção de Paulo Nascimento, nem tem a coragem de se vender como um remake. A obra brasileira tenta se passar por original, e não é.

Na história, passada em São Paulo, acompanhamos o dia a dia do pizzaiolo Vitorio (Edson Celulari), cego de nascença, e que é dono de uma pizzaria no bairro do Bixiga. Ele é casado com a argentina judia Clarice (Soledad Solamil, de O Segredo dos Seus Olhos) e tendo como melhor amigo o funcionário Cleomar (Leonardo Machado), parceiro da sinuca e dos jogos do Corinthians, apesar de este ser gaúcho e torcer secretamente pelo Inter. Vitorio não se sente menos capaz por causa da cegueira, pelo contrário, é considerado um excelente profissional, e sua pizzaria vive lotada.

Mas Clarice, que abandonou tudo para ficar ao lado do marido, crê que existe uma possibilidade de ele voltar a enxergar através de um novo tratamento criado pelo oftalmologista Dr. Jantzen (Roberto Birindelli). Mas Vitorio se mostra contrariado em fazer a cirurgia, pois sente bem sendo cego, mas isto é visto como uma atitude egoísta, e ele passa a repensar. E quando faz o procedimento, se encontra em um mundo que não é o seu.

Até que a trama é bem esquematizada. O problema é que as atuações são fracas, diria mesmo decepcionantes, beirando a teatralidade, com diálogos fracos e repletos de clichês. Os atores parecem engessados em cena, deixando passar longe a naturalidade. Constrangimento alheio.

Duração: 1h40
Cotação: ruim

Chico Izidro

“Os Fantasmas de Ismael” (Les Fantômes d’Ismaël)



O tema de “Os Fantasmas de Ismael” (Les Fantômes d’Ismaël), dirigido por Arnaud Desplechin, é muito interessante: o que acontece se sua esposa desaparece por 20 anos e quando você está conseguindo se estabilizar novamente, ela reaparece do nada? Pena que o diretor não consiga sustentar a trama, se perdendo em divagações e não sabendo explicar o sumiço da mulher, ou melhor, não explicando.

A história gira em torno de Ismaël (Mathieu Amalric), um cineasta que está preparando um novo filme – aliás, temos aqui um filme dentro de um filme. A sua obra trata sobre um espião-diplomata chamado Ivan (Louis Garrel), envolvido em uma missão secreta. Ao mesmo tempo, ele mantém um relacionamento com Sylvia (Charlotte Gainsbourg, que é boa atriz, mas carece de beleza, de muita beleza), e tem como melhor amigo o pai de sua ex-esposa, vivido com intensidade pelo cineasta e ator húngaro László Szabó, e protagonista das melhores cenas do filme, como uma em que tenta abrir uma garrafa de champanhe dentro de um avião.

Eis que então, do nada, Carlotta (Marion Cottilard), que havia sido declarada como morta há dez anos, reaparece e deixa Ismaël mais angustiado do que nunca. Afinal, por que ela sumiu, por que voltou agora depois de tanto tempo, e por que desestabilizar a sua vida, que começava a entrar nos eixos?

“Os Fantasmas de Ismael” (Les Fantômes d’Ismaël), apesar de trazer um assunto instigante e com boas atuações, se perde a muita divagação e devaneios do diretor, que enfim, não consegue encontrar uma solução final para sua obra, que se perde no meio do caminho.

Duração: 2h14
Cotação: regular

Chico Izidro

“Verdade ou Desafio” (Truth or Dare)



Adolescentes sendo caçados não por um assassino serial, mas por um espírito vingativo e cruel. “Verdade ou Desafio” (Truth or Dare), direção de Jeff Wadlow, tem muito da cinessérie “Premonição”, que teve um bom começo, mas aos poucos foi perdendo força e criatividade. Aqui falta força e criatividade, além de trazer atuações beirando o amadorismo.

Um grupo de colegas da faculdade decide passar um final de semana no México (!!!), onde são convencidos por outro rapaz a participar de um jogo, verdade ou desafio. OU seja, alguém aponta para você e pergunta: verdade? Aí você deve revelar algo muito secreto de sua vida. Ou desafio: então você deve praticar algum ato tresloucado. Só que sem saber, a garotada acaba sendo caçada por um ser sobrenatural, que passa a matar um por um caso não cumpram algumas regras do jogo, ou mesmo se cumprirem.

No início, até que aparecem alguns sustos. Mas aos poucos, a trama vai se tornando repetitiva, faltando imaginação, e pior, um ator que consiga fazer uma cara de medo ou de espanto. Sem contar os furos sequenciais. Fuja.

Duração: 1h40
Cotação: ruim

Chico Izidro

“Vingadores: Guerra infinita” (Avengers: Infinity War)



Talvez seja a idade, sei lá, mas estes filmes de super-heróis, que tanto me emocionaram um dia, há cada dia começam a ficar sem muito sentido para mim. Vide que não achei nada demais, aliás, mais do mesmo em “Pantera Negra”. E “Vingadores: Guerra infinita” (Avengers: Infinity), direção de Joe e Anthony Russo, é mais do mesmo. Podem xingar bastante, mas são apenas duas horas de brigas, e mais brigas, e destruição, e barulho, e mais barulho, com espaço, de vez em quando para algumas piadinhas.

Claro que é um grande feito reunir diversos super-heróis da Marvel, todos ganhando espaço. Na história, os Vingadores devem combater o vilão Thanos (Josh Brolin), que depois de ver sua civilização Titã ser exterminada, decide reunir as Joias do Infinito para, assim, governar o mundo. E de certa forma, destruir metade dele – afinal todo o vilão quer dominar um mundo destruído. Por que está paranoia?

Então Thanos ameaça a própria existência da Terra, que deverá ser defendida por Thor (Chris Hemsworth), Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr), Dr. Estranho (Benedict Cumberbach), Pantera Negra (Chadwick Boseman), entre outros. Então vamos a duas horas intermináveis de lutas, lutas. Claro que os efeitos especiais são espetaculares e o final deixa um baita gancho para o próximo filme. Mas é para fãs de videogames.

Duração: 2h30
Cotação: regular

Chico Izidro

Thursday, April 26, 2018

"Construindo Pontes"




O documentário "Construindo Pontes", dirigido por Heloisa Passos, é daqueles que focam o acerto do presente com passado. E o título é sugestivo, mostrando o distanciamento de pai e filha por questões ideológicas, que teve de construir uma ponte para se reconectarem.

A cineasta paranaense Heloisa Passos foi a responsável pela direção de fotografia de mais de 20 filmes, entre eles "Viajo porque Preciso, Volto Porque Te Amo"; "Mulher do Pai"; "Lixo Extraordinário" e "O Que se Move", e atualmente é membro da Academia de Artes e Ciência Cinematográfica de Hollywood.

A ideia do documentário "Construindo Pontes" é iniciada quando Heloisa ganha de presente uma coleção de filmes em Super-8 com imagens das “Sete Quedas”, paraíso natural destruído no começo da década de 1980 para a construção de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo. Então, ela decide passar a limpo a relação atribulada com seu pai, o engenheiro civil Álvaro Passos, que trabalhou na construção de rodovias durante a ditadura militar - isso fez com que ganhasse muito dinheiro, e pudesse dar uma vida mais do que confortável à família. Só que com o tempo, Heloisa foi ganhando censo crítico e passou a ver que algo havia de errado. De um lado fartura e do outro pobreza.

O documentário é interessante, pois mostra como os dois têm visões de mundo completamente opostas. Álvaro acha correto o que os militares fizeram durante o que ele chama de "revolução" e parece sentir falta daquela época. Já Heloisa é lésbica - o que fez com que saísse de casa aos 22 anos ao ser flagrada pelo pai beijando outra menina, e é esquerdista, pró-Lula. Os dois não têm vergonha de expor suas posições diante às câmeras. E tentam uma reconciliação no final, ao visitar uma das obras de Álvaro no interior paranaense, mas até isso faz aumentar o abismo entre eles.

Duração: 1h12
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"O Pacto de Adriana" (El Pacto de Adriana)



A ditadura de Pinochet no Chile entre os anos 1970 e 80 foi uma das mais violentas da América Latina. Para se ter uma ideia, com uma população de cerca de 10 milhões de habitantes, foram 40 mil as vítimas, entre elas 3.225 mortos ou desaparecidos, enquanto que o Brasil com aproximadamente 100 milhões teve 434 mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar.

Em "O Pacto de Adriana" (El Pacto de Adriana), a diretora Lissette Orozco tenta descobrir o passado da tia, Adriana, que para ter uma vida melhor durante a ditadura chilena, entrou para a policia secreta de Pinochet, a DINA. Foi um período rico para ela, que viajou muito, conheceu personalidades e esteve presente em festas fantásticas. Mas tudo com um preço.

Já em meados dos anos 2000, a vida da tia da diretora começou a ser vasculhada, descobrindo-se que ela respondia a um processo judicial pelo assassinato de um importante dirigente comunista. Adriana acabou fugindo do Chile e se exilando na Austrália, onde os chilenos que lá vivem pedem que ela seja extraditada para casa e responder por seus crimes. Ela é acusada de torturar e matar presos políticos e a imprensa não lhe dá sossego.

Lissete aparece conversando com testemunhas, parceiros e até mesmo a tia, através do skype. A mulher jura inocência, mas todos os fatos mostram a sua culpabilidade. É uma obra intimista, bem pesquisada e detalhada, com imagens da época, e depoimentos fortes e marcantes - um dos ex-colegas de Adriana na DINA reconhece seus crimes, mas acha que ela não fará o mesmo. O final fica em aberto, talvez para cada um fazer seu julgamento. Forte.

Duração: 1h30
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Praça Paris"



"Praça Paris", da diretora Lucia Murat, tem como foco central a relação de duas mulheres: a negra Glória (Gracê Passos), que vive numa favela carioca e tem em sua rotina a violência cotidiana, e a psicóloga portuguesa Camila (Joana de Verona). A obra mostra um Rio de Janeiro sem segurança, aliás, a insegurança está presente nas duas personagens.

Glória sofre porque é sozinha, foi estuprada pelo pai quando criança, e tem um irmão preso - aliás, ele é o chefe do tráfico na favela, e controla a vida da irmã mesmo atrás das grades. Ela trabalha como ascensorista na mesma faculdade em que Camila estuda e dá os primeiros passos para clinicar, tendo Glória como paciente. Mas Camila também tem seus medos - morando há pouco no Rio de Janeiro, tudo para ela parece ser assustador e ela carrega consigo preconceitos da classe média branca.

"Praça Paris" acerta ao focar a relação atribulada de Glória e Camila, cujas protagonistas apresentam atuações fortes. Sendo Gracê Passos e sua Glória mais visceral, pois a personagem vai se libertando de suas amarras aos poucos. Já Joana de Verona consegue irritar com sua psicóloga que não se mostra preparada para tal atividade - ela mesmo se mostra fraca e cheia de insegurança, provocando uma tragédia final.

Duração: 1h50
Cotação: ótimo

Chico Izidro