Thursday, November 16, 2017

"Liga da Justiça" (Justice League)



Apesar de ser praticamente uma continuação de "Batman vs Superman: A Origem da Justiça", "Liga da Justiça" (Justice League), direção de Zack Snyder, é praticamente um filme de iniciação. onde ameaçados pelo vilão alienígena Lobo da Estepe, Batman, que de super-poder, tem só a riqueza, como ele mesmo frisa ao ser perguntado por Flash, tem de montar uma equipe de heróis donos de poderes especiais.

Sem o Super-Homem (Henry Cavill), morto no filme anterior, Batman (Ben Affleck) chama sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot). Os dois tem, então de recrutar os heróis Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) para salvar o planeta de um catastrófico fim.

Este filme é mais leve, trazendo mais humor, principalmente com as piadinhas soltadas pelo Flash, que se encaixa perfeitamente como o cômico da vez. A equipe conta também com o atormentado Ciborgue (Ray Fisher), um herói cujo drama o deixa um pouco revoltado e o mais resistente em entrar para a turma de super-heróis. Já Aquaman (Jason Momoa) recebeu nova roupagem, totalmente diferente daquela dos quadrinhos, e é um personagem extremamente sério. Mas apesar de diferentes em comportamento e pensamentos, a equipe funciona muito bem conjuntamente.

Já a motivação do vilão Lobo da Estepe é daquelas que me pergunto sempre: por que eles querem dominar o mundo se seus objetivos é destruí-lo?. Eles vão, afinal de contas, dominar o que, se nada vai sobrar? E as lutas são cansativas, repetitivas, fazendo com que o filme perca força em sua parte final, fazendo com que a audiência solte bocejos ao invés de vibrar nas batalhas. Enfim, os filmes do universo DC ainda tem muito a aprender com as HQ que as originaram.

Duração: 2h

Cotação: regular
Chico Izidro

"Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul)


O diretor Stephen Frears e a excepcional atriz Judy Dench já haviam feito uma parceria impressionante no drama "Philomena", e agora voltam a acertar a mão na comédia "Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul). A trama é baseada em fatos reais, e mostra a improvável amizade da Rainha Victoria (Judi Dench) e Abdul Karim (Ali Fazal), um jovem indiano muçulmano, que chega à Inglaterra no final do século XIX para entregar um prêmio a monarca em seu Jubileu de Ouro.

A Rainha Victoria, que governou o então maior império do mundo entre 1837 a 1901, já está com seus oitenta e poucos anos, e aborrecida com os rígidos costumes, aguarda apenas a hora de partir desta para melhor, quando dá de cara com o indiano Abdul (Ali Fazal). Os dois acabam se conectando imediatamente e o jovem começa a passar seus conhecimentos para a monarca - e logo é alçado a condição de professor de Victoria. Claro que a situação não agrada ao restante da corte, que decide sabotar a relação dos dois. O jeito é tentar desmascarar Abdul, que na Índia não passava de um simples escriturário em um presídio e filho de pessoas humildes. Ou seja, não teria condições de ensinar nada para a rainha.

"Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul) é um belo filme, com uma direção de arte impecável. E faz uma bela ponte entre humor, história, mas também não deixa de lado o racismo que imperava, e impera. Judi Dench está ótima, assim como seu parceiro em cena, Ali Fazal. O roteiro adaptado por Lee Hall (Billy Elliott e Cavalo de Guerra) é baseado em livro de Shrabani Basu, que teve como fonte os diários do verdadeiro Abdul (descobertos em 2010).

Duração: 1h52min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Históriade de Amor Que Não Pertencem a Este Mundo" (Amori Che Non Sanno Stare al Mondo)



Claudia e Flavio são professores universitários e se conheceram durante uma palestra, onde ela decidiu intervir na exposição dele. A antipatia se transformou em amor momentos depois, quando saíram e foram almoçar. E ela confessou amâ-lo incondicionalmente. Mas o relacionamento deles nunca foi fácil. É o que conta a diretora italiana Francesca Comencini em "Histórias De Amor Que Não Pertencem A Este Mundo (Amori Che Non Sanno Stare Al Mondo), no que pode ser considerado uma comédia romântica.

Claudia (Lucia Mascino) é só intensidade, enquanto que Flavio (Thomas Trabacchi) é mais frio. Ela, por exemplo, se desespera ao saber que ele não deseja ser pai. E decide pular fora do relacionamento, para cinco minutos depois querer reatar! A trama é bem italiana, com muito histrionismo e absurdos, e também com muita ironia e romantismo presente.

A atuação de Lucia Mascino é visceral, e ela vive com intensidade o papel da professora quase cinquentona e desesperada por amor. Sua performance é impressionante, engrandecendo uma história a qual todos nós estamos sujeitos a passar na vida.

Duração: 1h32min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Uma Razão Para Viver" (Breathe)



Este é o filme de estreia como diretor de Andy Serkis - conhecido por fazer papeis digitais em "Senhor dos Anéis" e "Planeta dos Macacos": "Uma Razão Para Viver" (Breathe), cujo título brasileiro já é um equívoco, pois o personagem principal, Robin Cavendish, passa boa parte do tempo querendo morrer.

Vamos lá: o filme foi realizado graças ao produtor Jonathan Cavendish, que quis homenagear seus pais, que viveram um forte drama humano. Ou seja, a trama é baseada em fatos reais. E ela narra a história do comerciante inglês Robin Cavendish (Andrew Garfield), que durante uma estadia na África no final dos anos 1950 acaba contraindo pólio, ficando paralisado do pescoço para baixo, ou seja, tetraplégico. À época, a medicina ainda não era tão avançada e o prognóstico era o de poucos meses de vida.

No início, Robin ficou internado em um hospital e perdeu até a voz. E só respirava graças a um respirador artificial. Seu desejo era o de morrer. Mas ele tinha ao lado uma bela mulher, linda Diana (Claire Foy, a rainha de “The crown”), que estava grávida exatamente de Jonathan.Com muita persistência e contra todas as perspectivas, Robin foi sobrevivendo e até criou uma cadeira de rodas para se locomover além de sua cama - o invento acabou ajudando muitas outras vítimas do mesmo infortúnio.

A história é inspiradora, mas tudo parece tão clean. Apesar da intenção de morrer de Robin, não existem conflitos maiores. Todo mundo vive feliz, com um sorriso nos lábios. Porém Serkis fugiu de uma armadilha comum a este tipo de filme: ele não apela para o choro fácil do espectador. Já é uma boa coisa.

Duração: 1h57min

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, November 09, 2017

"Terra Selvagem" (Wind River)




O roteirista dos ótimos “Sicário” (dirigido por Denis Villeneuve em 2015) e “A Qualquer Custo” (de David Mackenzie e indicado a quatro Oscars no ano passado), Taylor Sheridan dirige pela primeira vez um filme, o excelente “Terra selvagem” (Wind River), cujo roteiro também é seu. E assim como em suas obras anteriores, Sheridan apresenta grande influência dos faroestes, mas dando uma aura atual ao gênero. E ao contrário de antigamente, quando os índios ou nativos americanos, eram tratados como vilões, aqui é mostrado o descaso em que eles são tratados.

A trama gira em torno do guarda florestal Cory Lambert ((Jeremy Renner), depressivo por ter perdido uma filha adolescente. Ao encontrar o corpo de outra adolescente congelado – uma amiga de sua filha falecida –, ele decide tentar encontrar os responsáveis pelo assassinato. Em sua busca, Lambert recebe o apoio de Jane Banner (Elizabeth Olsen, de Capitão América: Guerra Civil), uma inexperiente agente do FBI que é designada para acompanhar o caso. A dupla apresenta uma excelente química, e Sheridan teve o cuidado, acertado, de não estragar a história, inventando um romance entre eles.

Já a tal terra selvagem do título são as vastas planícies cobertas de neve em que os protagonistas são obrigados a trabalhar. Neve e mais neve - logo no começo Jane chega só de camisetinha e é avisada de que não sobreviverá as intempéries apenas com aquilo. Os momentos finais são excepcionais, com aqueles tiroteios clássicos, onde ninguém está imune a levar uma bala na cabeça ou no peito. Enfim, um baita faroeste moderno.

Duração: 1h48min

Cotação: excelente
Chico Izidro

"O Outro Lado da Esperança" (Toivon tuolla puolen)



A comédia "O Outro Lado da Esperança" (Toivon tuolla puolen), do finlandês Aki Kaurismäki, mostra um pouco da situação em que vivem os imigrantes dos países wem conflitos. No caso deste filme, seguimos os passos do sírio Khaled (Sherwan Haji), que fugiu da guerra em seu país. Ele pega um navio qualquer e acaba parando na fria Helsinki, na Finlândia. Ali recebe a dica de se apresentar a um posto policial e pedir asilo político.

Mas as coisas não são fáceis para um muçulmano - que é visto com ressalvas pelos ocidentais. Afinal, existe o estereótipo de que todo seguidor de Alá é um terrorista em potencial. E enquanto espera pelo asilo, Khaled acaba caindo nas graças do dono de um restaurante à beira da falência, Wisktröm (Sakari Kuosmanen), que mesmo assim aceita empregá-lo.

A vida de Khaled se transforma, seja por bem ou por mal. Sua grande preocupação é encontrar a irmã, que havia fugido da Síria com ele, mas acabou se perdendo durante a longa viagem do Oriente Médio. Outro problema, e isso é muito comum, é a perseguição que acaba sofrendo de um grupo de neonazistas, que de forma alguma aceitam pessoas como ele no país.

O cineasta Aki Kaurismäki já havia tratado da questão dos refugiados em outro longa, o excelente "O Porto", que se passa na França, e quase que neste novo filme se repete, com um nativo acolhendo uma pessoa de outra terra. Enfim, obras que servem para debates, pois são atuais ao extremo.

Duração: 1h38min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

“Um perfil para dois” (Un profil pour deux)



Nessa comédia romântica coproduzida por Áustria, França, Bélgica e Alemanha, dirigido e roteirizado por Stéphane Robelin (“E se Vivêssemos Todos Juntos?”), seguimos os passos de Pierre Stein (Pierre Richard, ator vencedor de um César honorário em 2006) , um senhor de 80 anos, que vive recluso em seu apartamento após ficar viúvo. Para motivá-lo, sua filha Sylvie (Stéphane Bissot) contrata Alex (Yaniss Lespert, conhecido na França pela série televisiva “Fais pas ci, fais pas ça”), para lhe dar aulas de informática. O problema é que o jovem é namorado de sua neta, Juliette (Stéphanie Crayencour, de “O Amor de Astrée e Céladon”), cujo ex-namorado se mudou para a China, mas ainda é o preferido de Pierre.

Ao entrar no mundo da informática, Pierre entra em um um site de relacionamentos, e usa a foto de Alex, para ir em seu lugar nos encontros. Em troca de dinheiro, o rapaz aceita, já que vive na pindaíba. Então, Pierre começa a se comunicar com a bela belga Flora (Fanny Valette), e decide marcar um encontro. Mas só há uma problema: a foto que usou no perfil é de Alex, e não dele.

As situações por que passam Pierre e Alex não são novidades no mundo das comédias românticas. É um jogo de erros e de enganações, com a dupla tendo de se esquivar das desconfianças de Sylvie e Juliette, e agradar a Flora. O filme até pega inspiração em "Cyrano de Bergerac", obra de Edmond Rostand. Afinal, Alex encarna os conhecimentos de Pierre, que o auxilia em seus encontros com a garota belga.

“Um perfil para dois” é um longa que não traz novidades, mas é apresentado de modo tão divertido, que acaba envolvendo - o diretor Stéphane Robelin acertou com boas piadas. E ainda ganha força pela atuação do veterano Pierre Richard. Além do que põe em cena a bela Fanny Valette (Vertigem, Little Jerusalem e Moliére).

Duração: 1h41min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Invisível" (Invisible)




"Invisível" (Invisible), do diretor argentino Pablo Giorgelli, é uma obra crua, que apresenta uma realidade muito cruel. Somos apresentados a jovem Ely (Mora Arenillas), de 17 anos, que mora com a mãe depressiva. Além disso, ela está cursando o último ano do ensino médio e trabalha num petshop para completar a renda familiar. E tem um relacionamento carnal com um homem bem mais velho, que no caso vem a ser o seu chefe na pet shop, Raúl (Diego Cremonesi).

Sem muitas perspectivas, Ely acaba descobrindo estar grávida, vendo tudo ao seu redor começar a ruir. A jovem perde o interesse total pela escola e não sabe lidar com a gravidez indesejada. Ely passa a vagar por Buenos Aires tentando uma forma de fazer um aborto - Raúl não quer de jeito nenhum saber do bebê. Mas o problema passa a ser apenas da garota.

O título "Invisível" vem bem a calhar, pois trata do descaso da sociedade com jovens, que como no caso de Ely, se vem desamparadas, seja familiarmente, seja socialmente. O Estado se mostra ineficaz, não se comunica com a juventude, e os adultos, como Raúl, pouco se importam com o destino de garotas, que como Ely, de certa forma, são abusadas e largadas à própria sorte.

Duração: 1h30min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, November 02, 2017

"Depois Daquela Montanha" (The Mountain Between Us)



"Depois Daquela Montanha" (The Mountain Between Us), direção do israelense Hany Abu-Assad (Paradise Now e Omar), é baseado em livro de Charles Martin, e lembra muito aquele filme "Vivos", onde um grupo de esportitas uruguaios sobreviveu a vários meses de intempéries nos Andes Chilenos, em queda de um avião em 1972. Aqui a trama foca em um médico neurologista, Ben Bass (Idris Elba) e a jornalista Alex Martin (Kate Winslet), que pretendem viajar , mas o voo deles é cancelado devido a previsão de uma forte nevasca.

Como seus compromissos são inadiáveis - ele vai atender um garoto doente e ela tem casamento marcado para o dia seguinte. O jeito que eles encontram de viajar é alugar um pequeno avião, pilotado pelo veterano Walter (Beau Bridges – irmão de Jeff Bridges), que aceita se arriscar e levá-los ao destino desejado. Só que no meio da viagem, Walter sofre um derrame, e a aeronave acaba caindo em meio a uma cordilheira no centro dos Estados Unidos.

Ou seja, Ben e Alex e mais um cachorro, que era de Walter, precisarão unir forças para sobreviver ao local inóspito, muita neve, frio, rios congelados, falta de comida e até mesmo animais selvagens. Um verdadeiro na natureza selvagem.]

O filme nos faz prender a respiração, pois apresenta um bom suspense, não exagera nas cenas de perigo - não tem cenas de ação como em filmes de aventura. Vemos apenas duas pessoas tentando sobreviver a riscos extremos e que aos poucos vão se envolvendo - mas isto é outra história, já na parte final, que vira um outro filme. E que vale a pena, ainda mais por vermos dois excepcionais atores em cena. Idris Elba e Kate Winslet dão dignidade a seus personagens, trazendo ainda diálogos interessantes.


Duração: 1h47min


Cotação: ótimo
Chico Izidro

"El Amparo"




"El Amparo", dirigido pelo estreante diretor venezuelano Rober Calzadilla é uma obra baseada em caso verídico ocorrido em uma aldeia de pescadores em 1988, envolvendo civis e militares. É um filme impactante e mostra como os militares e governantes conseguem agir sem emoção e sem escrúpulos.
A história começa quando um grupo de 16 amigos se dirigem à localidade de La Colorada para uma pescaria em um final de semana. Só que ao chegar ao local, eles são atacados por um batalhão do exército e 14 deles são mortos.

Apenas dois sobrevivem, Pinilla (Vicente Quintero) e Chumba (Giovanni García). Eles se atiraram no rio para escapar ao ouvirem os primeiros tiros e quando voltam a sua cidadezinha, são presos. É que o exército alega serem eles, os mortos e os sobreviventes, guerrilheiros que pretendiam fazer um atentado terrorista.

Pinilla e Chumba sofrem todo o assédio físico e psiquico para assumirem serem guerrilheiros, mas são apenas homens simples, que viviam de bicos para sobreviver. E eles não aceitam a pressão dos milicos e de advogados para assinar uma confissão.

As cenas são cruéis, cruas. E evidente que não temos como não tomar partido a favor dos dois homens comuns, que tentam manter a dignidade e esclarecer a verdade, neste bom thriller político sul-americano. Passados quase 30 anos, a solução para o caso continua inconclusa, e talvez nunca venha a tona.


Duração: 1h39min


Cotação: ótimo
Chico Izidro

"A Noiva" (Nevesta)




Este ano já havia nos "presenteado" com o terrível filme russo de super-heróis "Guardiões". Agora o cinema da Rússia vem com filme de terror. E novamente ocorre um tropeço. Falo de "A Noiva" (Nevesta), direção de Svyatoslav Podgayevskiy, e que fica mais próximo do risível do que do horror. E para piorar apesar de falado originalmente em russo, a distribuidora lança cópias dubladas em inglês - e aí duplicam os erros. As vozes aparecem sem sincronia...

A trama se inicia no século 19 e apresenta um costume daquela época, que é interessante - os olhos de uma pessoa morta eram pintados nas pálpebras e depois ela era fotografada. De acordo com a tradição, tal situação permitiria que a alma da pessoa ficasse a salvo no negativo, ou seja, seria uma forma de enganar a morte. Então o nobre fotógrafo Barin (Igor Khripunov) perde a noiva (Miroslava Karpovich), e então realiza o procedimento. Mas ele quer mais, quer trazer sua noiva de volta, e encontra a solução vida colocando a alma dela em outro corpo. Porém depois do ritual, Barin percebe que sua noiva não é mais a mesma e acaba sofrendo as consequências de sua atitude precipitada.

Então o filme dá um salto no tempo, vindo para os dias atuais, onde o jovem casal formado por Nastya (Victoria Agalakova) e Ivan (Vyacheslav Chepurchenko) decidem visitar os familiares dele, no interior da Rússia. A casa da família é afastada de tudo e controlada pela irmã de Ivan, Lisa (Aleksandra Rebenok), uma mulher amargurada que vive com os dois filhos, sendo também uma fervorosa seguidora das tradições de sua família. E desde os primeiros momentos, Lisa vai torturando psicologicamente Nastya, que aos poucos vai notando que algo de estranho toma conta do local, até descobrir o que pretendem fazer com ela.

Só que nada funciona neste filme. As atuações são amadoras, pioradas pela dublagem tosca. E as cenas de tensão? Clichês e mais clichês, como de um vulto passar rapidamente pelo corredor, atrás de um dos personagens. Ou criancinhas correndo e sumindo pelas escadarias de um casarão. E por aí vai. O filme tinha apenas meia-hora e eu só pensava quanto tempo mais de tortura teria pela frente..."A Noiva" é só decepção.

Duração: 1h33min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, October 26, 2017

"Thor: Ragnarok"



Se em "Thor" (2011) e "Thor: O Mundo Sombrio" (2013), a trama era meio sinistra, com mão pesada, o terceiro filme do herói de Asgard, “Thor: Ragnarok” virou uma comédia, que vai agradar mais ainda aos fãs dos quadrinhos e filmes da Marvel. A direção é Taika Waititi, e o longa se aproxima muito de "Os Guardiões da Galáxia", além de ser uma mini-aventura dos Vingadores.

Na trama, Thor (Chris Hemsworth) tem de se unir ao seu irmão, o traiçoeiro Loki (Tom Hiddleston) para combater a irmã deles, Hela (Cate Blanchet), após a morte de Odin (Anthony Hopkins). A vilã da vez pretende se adonar de Asgard - além do que Thor ainda tem de tentar impedir impedir Ragnarok – a destruição do seu mundo e o fim da civilização Asgardiana.

O herói tem, então, além de se aliar ao irmão, montar uma equipe formada por Hulk (Mark Ruffalo) e Valquíria (Tessa Thompsom), para combater Hela. Mas no filme, nada é levado muito a sério. Mesmo nos momentos mais nervosos, é aberto um espaço para a tiração de sarro. "Thor Ragnarok" tem, também, um punhado de coadjuvantes como Idris Elba vivendo Heimdall, o Guardião de Asgard, o divertido homem de pedra Korg (o próprio Taika Waititi), Jeff Goldblum como o Grão-Mestre e Benedict Cumberbatch como Dr. Estranho. Ah, tem ainda a participação tradicional de Stan Lee, como um barbeiro alienígena.

A interação entre Thor e Hulk é gigantesca - Thor se acha o gostosão do pedaço, enquanto que Mark Ruffalo não como o monstro-verde, mas na pele do Dr. Bruce Banner parece mais perdido do que cego em tiroteio, em participação hilária. Já as cenas de batalha, embaladas pela música Immigrant Song, do Led Zeppelin, são grandiosas. O único problema talvez esteja com a vilã protagonizada por Cate Blanchett - ela está careteira, e pensando que está desfilando em uma passarela.

Duração: 2h11min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

O Formidável (Le redoutable)



O diretor Michel Hazanavicius, que já havia homenageado o cinema coim o oscarizado "O Artista", volta mais uma vez seu olhar para a sétima arte, no caso falando sobre um de seus maiores cineastas, o conterrâneo francês Jean-Luc Godard, um dos ícones da Nouvelle Vague, ao lado de François Truffaut, em "O Formidável (Le redoutable). O longa fala de um período específico do diretor de "Acossado", "O Desprezo" e "Je Vous Salue Marie". No caso o ano de 1967, quando ele lançava "A Chinesa".

Godard, aqui é visto como uma pessoa egocêntrica, fria e arrogante, mas ao mesmo tempo apaixonado pela atriz principal de "A Chinesa", que viria a ser a sua esposa, Anne Wiazemsky (Stacy Martin). Hazanavicius mostra uma Paris conturbada, se aquecendo para os protestos de 1968. Godard, interpretado por Louis Garrel, fisicamente muito semelhante ao diretor, e que tem de encarar situações por vezes estranhas e controversas. Muitos personagens surgem em cena, ora xingando seu filme, ora o elogiando. Hazanavicius filma com propriedade as manifestações de rua na capital francesa e as reuniões nas faculdades.

Godard não é um sujeito de fácil convivência - pelo menos é o que é mostrado em "O Formidável". Aos poucos ele vai matando o relacionamento com sua esposa, se mostrando distante, arrogante, o dono da verdade. O filme tem momentos sérios, mas também abre espaço para a comédia, principalmente nas sequências em que Godard vê seus óculos serem quebrados, seja por tombos, pisões.

"O Formidável" é um longa divertido e que faz rir através de situações inusitadas. E o que colabora ainda são as atuações excepcionais de Louis Garrel, que evoca o ser azedo, irônico e cheio de desprezo que era Godard, e Stacy Martin, com um jeitinho doce e dellicado, e que também se assemelha em muito a atriz de "A Chinesa", Anne Wiazemsky.

Duração: 1h42min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Manifesto" (Manifesto)



Em ""Manifesto" (Manifesto), do diretor alemão Julian Rosefeldt, a atriz Cate Blanchett interpre 13 personagens diferentes, em uma série de monólogos, onde ela analisa o que é arte e sua importância para a sociedade contemporânea. Ela tenta responder ou questionar os componentes performáticos e o significado político de declarações artísticas e inovadoras do século XX, que vão dos futuristas e dadaístas ao Pop Art, passando por Fluxus, Lars von Trier e Jim Jarmusch.

Cate encarna, para falar sobre a arte, um mendigo, dona de casa, jornalista, roqueira e por aí vai, com personagens indo e voltando. Mas o problema é que "Manifesto" não tem ritmo, é enfadonho, fazendo com que o espectador se perca no meio de tanta ladainha se passando por filosofia. Lá pelas tantas nos vemos brigando para não desistir e sair no meio do filme, ou mesmo de tentar não pegar no sono - confesso que Morpheus acabou me vencendo em alguns momentos.

O que se salva é a performance de Cate Blanchett, realmente fascinante na maioria dos papéis que topou fazer. Mas isto é muito pouco para salvar esta obra do naufrágio total.

Duração: 1h34min
Cotação: ruim

Thursday, October 19, 2017

"Bom Comportamento" (Good Times)



Esqueça Robert Pattinson de a saga vampiresca "Crepúsculo", onde o ator passava o tempo com cara de deprimido e entediado. Em "Bom Comportamento" (Good Times), direção dos irmãos Bennie e Joshua Safdie, Pattinson interpreta Constantine Nikas, um assaltante um pouco azarado e equivocado em suas ações, mas extremamente devotado ao irmão mais novo, Nick Nikas (Bennie Safdie), que é deficiente mental.

Sonhando com uma vida melhor e longe das agruras de Nova Iorque, Constantine organiza um assalto a um banco no Queens, onde leva o irmão. As coisas acabam dando erradas e Nick é preso. O que resta a Constantine é bolar um plano para tirar o irmão de trás das grades. Todo o evento da tentativa de salvamento ocorre durante apenas uma noite e vai envolvendo outras pessoas, que de uma forma ou outra, se mostram dispostas a ajudar o azarado ladrão.

As cenas são alucinantes, mostrando uma Nova Iorque noturna e underground, e traz uma trilha sonora forte e angustiante. Robert Pattinson apresenta uma das melhores atuações de sua vida, mostrando que aquele vampiro insosso de "Crepúsculo" faz parte do passado. O elenco também traz Jennifer Jason Leigh (Garota Solteira Procura...) como Corey, a namorada desajustada de Connie, Buddy Duress (Amor, Drogas e Nova York) no papel de Ray, um traficante, a iniciante Taliah Webster como a garota negra Crystal, sem muitas perspectivas jovem sem muitas perspectivas, cai na lábia de Constantine e Barkhad Abdi (Capitão Phillips), que trabalha como segurança num parque de diversões.

Duração: 1h41min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Tempestade: Planeta em Fúria" (Geostorm)



Mais uma vez o planeta está em risco de extinção. Então o cientista Jake Lawson (Gerard Butler) criou uma máquina capaz de controlar, através de satélites, o clima na Terra. Mas claro que algo vai dar errado, em "Tempestade: Planeta em Fúria" (Geostorm), direção de Dean Devlin, ex-parceiro do mestre em cinema-catástrofe Roland Emmerich.

A ação transcorre no futuro próximo, e tem aquelas pitadas familiares sentimentalóides, além de ser repleto de furos. A linha é a mesma de outros filmes como "O Dia Depois de Amanhã", "O Inferno de Dante", "Volcano – A Fúria", "Impacto Profundo" e "Armageddon". Então dê-lhe explosões, vendavais, nevascas, tsunamis. Mas desta vez nada de destruir Nova Iorque. As cidades visadas são Madri, Nova Delhi, Dubai e o Rio de Janeiro, que tem Copacabana atacada por uma onda de gelo - e a computação gráfica esqueceu do calçadão!!!

O tal cientista, Jake Lawson, tem uma relação complicada com o irmão Max (Jim Sturgess), que namora secretamente, Sara (Abbie Cornish), a chefe de segurança do presidente dos Estados Unidos, interpretado pelo canastrão Andy Garcia. O sistema criado por Lawson apresenta falhas por causa de uma sabotagem - aí fica a pergunta, o vilão tem o objetivo de fazer o mundo ser destruído para poder governá-lo!!!!

O elenco traz ainda Ed Harris como um conselheiro do governo, Alexandra Maria Lara no papel da astronauta líder da equipe do satélite e a carismática Zazie Beetz (a Domino de Deadpool 2) como uma especialista em infórmatica. É um filme ruim, repleto de clichês e que não tem nada de novo a dizer.

Duração: 1h49min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Além da Morte" (Flatliners)




Às vezes me pergunto qual a necessidade de se refazer um filme? Parece que o objetivo dos produtores é piorar a história. São poucas as refilmagens que se saíram melhor do que o original. Um dos casos é "It - A Coisa", e para por aí. Agora "Linha Mortal", de 1990, vira "Além da Morte" (Flatliners), direção de Niels Arden Oplev.

O primeiro filme levava vantagem até no elenco, que contava com por Kevin Bacon, Oliver Platt, William Baldwin e Julia Roberts e Kiefer Sutherland, que até faz uma ponta nesta nova versão, como um professor.

A trama gira em torno de alunos de medicina que liderados por Courtney (Ellen Page), resolvem testar os limites entre a vida e a morte. Para isso, eles são "mortos" por alguns minutos, para tentar descobrir o que pode haver do outro lado, e logo depois reanimados. Claro que a experiência tem um preço, pois aos poucos os jovens começam a ser perseguidos por fantasmas de seus passados. Além de uma masculinizada Ellen Page, o elenco conta ainda com Kiersey Clemons (Flashpoint), Diego Luna (Rogue One), Nina Dobrev e James Norton.

O roteiro de Ben Ripley repete quase passo a passo a história apresentada em 1990, com apenas algumas diferenças nos traumas dos personagens - e desta vez um deles morre! Mas é apenas mais do mesmo. Dispensável.

Duração: 1h49min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, October 12, 2017

"Entre Irmãs"




"Entre Irmãs", é o novo filme de Breno Silveira (2 Filhos de Francisco; Gonzaga: De Pai pra Filho), e é baseado no livro "A Costureira e o Cangaceiro", escrito por Frances de Pontes Peebles. A trama, passada em Pernambuco na década de 1930, tem um pouco de tudo: cangaço, hipocrisia, homossexualismo, política, feminismo e por aí vai.

No filme vemos a vida de duas irmãs, Emilia (Marjorie Estiano) e Luzia (Nanda Costa), criadas pela tia no sertão nordestino. Elas trabalham como costureiras e sonham com uma vida melhor. Emilia é romântica e quer sair do vilarejo, e Luzia sofre por ter um braço deformado devido a uma queda de uma árvore quando criança.

Já adultas, acabam sendo separadas - Luzia é raptada pelo líder cangaceiro Carcará (Júlio Machado) e Emilia acaba conhecendo um rapaz da capital, Degas (Rômulo Estrela) e casando com ele, passando a morar em Recife, e viver em meio a alta sociedade conservadora recifense. E tudo permanecerá difícil para elas. Luzia convive com a violência diária e a fuga dos cangaceiros pelo sertão, escapando da polícia. E sua irmã se vê envolta num casamento de mentira.

O dia a dia das duas é mostrado paralelamente, opção que funciona totalmente, dando um ritmo excepcional ao longa, que tem quase três horas de duração. Alguns momentos são marcantes - como quando o sogro de Emilia faz uma experiência genética nela, mostrando como o "homem branco" é superior ao "matuto" interiorano. Ou quando ela descobre o segredo de seu marido Degas. E até mesmo o seu envolvimento com a nova amiga, a bela Lindalva (Leticia Colin). Um filme, sem querer exagerar, digno de Oscar.

Duração: 2h45min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"A Morte Te Dá Parabéns" (Happy Death Day)



"A Morte Te Dá Parabéns" (Happy Death Day), direção de Christopher Landon, é uma mistura de "Feitiço do Tempo" com "Pânico", e nele acompanhamos a estudante Tree Gelbman (Jessica Rothe) presa em um mesmo dia, uma segunda-feira, em seu aniversário. E o mesmo dia se repete, sempre com o mesmo final, ela sendo assassinada por um cara vestindo uma máscara de um boneco.

A jovem tem, então, tentar entender o porque está sendo assassinada - e claro, tem aquele papo de ser uma pessoa melhor, que claro, não se concretiza com as mortes, que surgem de todas as maneiras possíveis e imagináveis, seja por faca, taco de beisebol, fogo.

Apesar de apresentar um tema batido, o da pessoa presa no tempo, adiciona elementos divertidos e personagens coadjuvantes interessantes: desde o interesse romântico de Tree, Carter Davis (Israel Broussard), ao professor com quem ela mantém um romance, Gregory (Charles Aitken), até as colegas de fraternidade, que parecem ter saído do filme "Meninas Malvadas" ou da série "Scream Queens". E Jessica Rothe desempenha seu papel de menina festeira e depois arrependida com louvor. E suas mortes....

Duração: 1h36min

Cotação: bom
Chico Izidro

"As Aventuras do Capitão Cueca" (Captain Underpants: The First Epic Movie)



"As Aventuras do Capitão Cueca" (Captain Underpants: The First Epic Movie), animação dirigida por David Soren é uma adaptação dos livros publicados por Dav Pilkey. É uma história divertida, que trata muito sobre a amizade e como é bom dar risadas.

No filme, temos dois amigos que se conheceram ainda no jardim de infância e tiveram uma conexão imediata. Agora George e Harold estão começando na escola e estão sempre juntos. E uma de suass diversões é criar histórias em quadrinhos - um faz o roteiro e o outro desenha. E uma de suas criações é o pateta Capitão Cueca. Além disso, vivem aprontando no colégio, ganhando a antipatia do diretor Sr. Krupp.

Um dia, eles percebem que Sr. Krupp se parece muito com o Capitão Cueca e o hipnotizam com um anel de plástico que veio numa de caixa de cereal. O diretor passa a achar que é o super-herói. Claro que para um herói tem de haver um vilão, e ele surge na figura de um novo professor, o senhor Fraldinha Suja, que é muito zoado por causa de seu nome. Assim, ele decide criar uma máquina para acabar com as risadas.

Então George e Harold vão precisar da ajuda real do Capitão Cueca para salvar o mundo de perder o humor. A história é bem escrita, e é feita mais para adolescentes do que para crianças, e claro as piadas com puns e arrotos estão lá - mas vai agradar também os adultos, que certamente vão lembrar de suas infâncias com o melhor amigo e as estripulias no colégio ou na vizinhança.

Duração: 1h29min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola"




Um filme que tenta pregar a anarquia, além de verborrágico ao extremo, com piadas infames e pró-bullying: "Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola", dirigido por Fabrício Bittar, baseado em livro homônimo do apresentador de tevê e comediante Danilo Gentili. Os dois comentaram em entrevistas que o objetivo era referenciar filmes clássicos da Sessão da Tarde como "Karate Kid" (1984), "Porkys (1981)" e "Curtindo A Vida Adoidado (1985)", onde adolescentes enganavam os seus pais e professores para matarem aulas. Na trilha sonora, destaque para "We’re Not Gonna Take It", da banda Twisted Sisters.

Na história, o estudante Pedro (Daniel Pimentel) sofre a pressão para ser o melhor da escola, e isso provoca estresse. Um dia, ele encontra um diário escrito por um antigo estudante da escola (o próprio Danilo Gentili) mostrando como provocar o caos no colégio e ser aprovado colando. Ao lado do amigo Bernardo (Bruno Munhoz), Pedro vai ao encontro do Pior Aluno para pegar mais dicas de como entrar no mundo marginal.

E aparece uma profussão de piadas sobre gordos, pedofilia, masturbação, bebedeiras. Nada de novo, tudo tão batido que lá pelo décimo peido na tela, já encheu.
Além do que, os coadjuvantes não ajudam. Fábio Porchat aparece como um professor pedófilo, o ator mexicano Carlos Villagran, o Quico do Chaves, faz o papel do diretor da escola - e ele se vê atrapalhado pela dificuldade em falar português. Talvez quem se sai melhorzinho seja Moacir Franco no papel de zelador do colégio - dono de um linguajar sujo e pesado, mas tentando passar sabedoria.

Duração: 1h44min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, October 05, 2017

"Chocante"



Comédia é para fazer rir. Então será que "Chocante", direção de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, pode ser considerado comédia? Não vemos aqui ninguém fazendo caretas, se jogando no chão, gritando histericamente. O que temos mais é filme que consegue transmitir muito sentimento nostálgico de uma época, no caso o final dos anos 1980 e começo da década de 1990, e o auge das boy bands. Quem não se lembra? Polegar, Dominó, todas imitando seus similares americanos, como Backstreet Boys, New Kids On The Block e Take That.

Pois "Chocante" conta a história fictícia da boy band Chocante, que viveu seu auge durante oito meses, e que acabou durante a transmissão de um programa de tevê. Aqui a brincadeira fica por conta do Domingo Legal, do Gugu. Vinte anos depois, quatro dos cinco integrantes se reúnem no velório de um deles. E ao encontrar uma fã histérica, que ainda vive como se estivesse naquela época, vivida por Débora Lamm, os rapazes, agora senhores gordinhos e fora de forma, decidem tentar reviver o sucesso.

Clay (Marcos Majela) trabalha como locutor num supermercado, Téo (Bruno Mazzeo) é cinegrafista de casamentos e batizados, Tim (Lúcio Maurto Filho) é um oftalmologista, e Toni (Bruno Garcia), dividido entre dirigir um uber ou um táxi. As poucas piadas presentes tiram sarro de eles tentando acertar os passos da dança que os consagraram há 20 anos. O ex-empresário deles, vivido por Tony Ramos, é chamado para tentar acertar alguns shows, e insiste na entrada de um integrante famoso nas redes sociais, Rod (Pedro Neschling). E isso mostra claramente o abismo de gerações. Todos têm seus momentos solo para brilhar um pouco, com destaque para Majela e Garcia.

Mas o que pesa mesmo é a memória sentimental daquele período, visto hoje como brega. A música do grupo fictício, com direito a vídeo-clipe, é um grude só: "choque, choque, choque, choque de amor!". Enfim, não dá para rir muito, mas dá para fazer uma viagem no tempo, mesmo para aqueles que, como eu, não curtiam essas boy bands.

Duração: 1h34min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Churchill"



O diretor australiano Jonathan Teplitzky decidiu destruir a história no drama de guerra "Churchill", interpretado por Brian Cox. O filme até tem bons momentos e uma reconstituição de época grandiosa. E apesar do título, a exemplo de muitas obras sobre personalidades históricas, não faz um resumão da vida da pessoa, mas foca em um período específico. Aqui, o longa mostra o Primeiro Ministro Inglês na II Guerra Mundial, mais especificamente às vésperas do Dia D, e transforma Churchill em um dirigente histérico e ultrapassado.

No filme, Churchill se opõe à invasão da Normandia, conhecida como o Dia D, em 6 de junho de 1944, receoso de que se repita o elevado número de mortes da Campanha de Galípoli, em 1915, na I Guerra, e que diz ter tentado evitar. O problema é que a oposição do dirigente britânico ao Dia D nunca ocorreu. Na realidade o primeiro-ministro questionou enviar as tropas para uma invasão à França nos anos de 1942 e 1943, por não estarem ainda bem preparadas, mas nunca em 1944, da qual foi um incentivador.

"Churchill" tem seus bons momentos, mas por vezes aparece muito exagerado. O personagem berra com seus comandados, e ainda tem um encontro com o então rei da Inglaterra, que parece implausível. Churchill está em seu escritório, quando sua esposa chega e o avisa que tem uma visita. Churchill sai da sala e encontra o rei nas escadarias....quem foi o roteirista desta cena?

Apesar de atropelar a história, o filme tem boas atuações. Brian Cox faz um Churchill convincente, e passa o tempo todo fumando charutos, bem como o personagem real. E Miranda Richardson vai bem também com a personagem mais forte do longa, Clementine Churchill, a esposa do primeiro ministro.

Duração: 1h45min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Blade Runner 2049"



Para começar, o clássico "Blade Runner", dirigido por Ridley Scott em 1982, não precisava de uma sequência. Aquele final onde o detetive Rick Deckard (Harrison Ford) fugia com sua namorada replicante Rachael (Sean Young) e que apesar do final em aberto, deixava tudo claro, era o suficiente. Mas o dinheiro chama e mais de três décvadas depois, decidiram fazer a parte 2, "Blade Runner 2049", dirigido por Denis Villeneuve.

A trama original se passava em 2019, e agora dá um pulo de 30 anos. Em 2049, a Tyrell Corporation, empresa responsável pela criação dos androides, foi comprada por Niander Wallace (Jared Leto), que fez novos e melhorados seres sintéticos para assumir trabalhos humanos degradantes nas colônias espaciais ou no que restou da Terra. E o planeta é mostrado de uma forma degradante, desolado, com pouco ou quase nenhum verde - tudo é cinza e sombrio.

O personagem principal agora é o novato policial K (Ryan Gosling), ele próprio um replicante da nova geração e que caça modelos antigos, considerados rebeldes. E em sua tarefa, ele acaba descobrindo um segredo que pode ameaçar ainda mais o planeta. Então tem de tentar encontrar Deckard, que como se sabe, deu um jeito de sumir há três décadas.

Villeneuve (de A Chegada) se utiliza bem dos efeitos visuais e de uma boa história de detetive. Mas convenhamos, "Blade Runner" não necessitava desta sequência, não fosse ter o mesmo nome, poderia ser um policial futurista qualquer. E não tem nenhum clima "noir", tão destacado na obra de Ridley Scott. "Blade Runner 2049" até se esforça para respeitar sua matriz, mas passa longe do pretendido.

Duração: 2h43min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Melhor Professor da Minha Vida" ( Les Grands Esprits)




No mesmo clima de "Ao Mestre com Carinho", que pega a educação como foco central e há um professor que se diferencia dos demais - e nesta linha dá para citar ainda "Sociedade dos Poetas Mortos", "Escritores da Liberdade" e "Escola do Rock", chega o francês "O Melhor Professor da Minha Vida" ( Les Grands Esprits), dirigido por Olivier Ayache-Vidal. O longa faz ainda uma reflexão sobre o ensino na França, e como ele é diferente para os bens-nascidos e os despossuídos (uma semelhança gritante com o Brasil).

Na trama, o professor François Foucault (Denis Podalydès, de “Chocolate”), que leciona no renomado colégio parisiense Henri IV, em Paris, acaba sendo transferido, quase sem querer, para a periferia parisiense, onde os alunos são na maioria negros e filhos de imigrantes, ao contrário dos elitizados estudantes do instituto anterior. No novo emprego, a situação é complicada, com os jovens nem um pouco interessados em estudar, pois acreditam eles, nada vai mudar em suas vidas.

François Foucault, sem saber o que fazer e desanimado, escuta da irmã: os alunos não querem aprender ou o professor é que não torna a matéria interessante? Assim, decide mudar seus métodos. O foco fica principalmente no jovem Seydou (vivido por Abdoulaye Diallo), garoto quase selvagem, e que desafia completamente Foucault.

O filme não consegue fugir muito dos clichês, mas apresenta momentos interessantes, como por exemplo uma visitação ao Palácio de Versalhes, que proporciona uma cena hilária. As atuações de Denis Podalydès e Abdoulaye Diallo também são muito boas - o personagem do professor beira o hilário, com sua cara de pateta. E "O Melhor Professor da Minha Vida" acerta, ainda, ao não apelar para o sentimentalismo. Agradável.

Duração: 1h46min
Cotação: bom
Chico Izidro