Thursday, August 18, 2016

"Ben-Hur"



A produção de 1959 é uma das mais perfeitas já feitas na história do cinema. Então para que fazer uma refilmagem? Para que mexer no que deu certo? Coisas da indústria cinematográfica.

"Ben-Hur", dirigido por William Wyler e protagonizado por Charlton Heston, tem 212 minutos de duração, que passam voando. Tudo é perfeito, passando pelos cenários, figurinos, montagem e atuações, ganhando 11 Oscar. O filme de 1959 já era uma refilmagem, a terceira adaptação cinematográfica - as outras foram feitas em 1907 e em 1925. A história é baseada no romance Ben-Hur: Um Conto do Cristo, de 1880, de Lew Wallace.

Agora chega as telas uma nova versão, dirigida pelo pelo cazaque Timur Bekmambetov. A história é bem conhecida: o judeu rico da Judeia Judah Ben-Hur foi criado ao lado do romano Messala. Os dois são como irmãos, mas Messala quer mais da vida e parte para servir as legiões romanas - estamos no ano 26 DC. Ao voltar para a Judeia, que é controlada pelos romanos, ele pede a ajuda de Ben-Hur para controlar os rebeldes, mas não é atendido.

Após um acidente envolvendo o governador romano da região, Pôncio Pilatos, Judah Ben-Hur é falsamente acusado e enviado por Messala para as galés, onde ficará vários anos - e sem saber o que ocorreu com o restante da família, a mãe e a irmã. Anos depois Ben-Hur volta para a sua região e só pensa em vingança contra Messala - que vai culminar na famosa cena da corrida de bigas.

A nova versão tem apenas 2h02min. E não é um filme ruim, mas tudo é tão rápido, sem as sutilezas do clássico da década de 1950. E o protagonista Jack Huston (Ben-Hur) é fraco, Tobby Kebell (Messalah) é esforçado, e o brasileiro Rodrigo Santoro interpreta Jesus Cristo, que na versão de 1959 nunca tinha o rosto mostrado. O longa conta ainda com a presença do veterano Morgan Freeman, que vive o mecenas africano que acolhe Judah-Ben-Hur (na versão anterior, o papel era vivido pelo britânico Hugh Griffith como o sheik árabe Ilderin). Melhor ficarmos mesmo com o clássico de William Wyler.

Duração: 2h02min

Cotação: regular
Chico Izidro

“Quando as Luzes se Apagam” (Lights Out)

O filme surgiu de um curta de David F. Sandberg e que agradou executivos de Hollywood. “Quando as Luzes se Apagam” (Lights Out) também é dirigido pelo mesmo Sandberg, e é um terror promissor, apesar de alguns erros estruturais.



A história mostra a aparição de um ser que se alimenta da escuridão, sumindo quando as luzes se acendem. E ela vem aterrorizando uma família desestruturada formada por Sophie (Maria Bello) e seus filhos, Rebecca (Teresa Palmer) e Martin (Gabriel Bateman).

Sophie ficou viúva após a morte misteriosa do marido, vivido por Billy Burke, de “Crepúsculo” – e aqui um erro tremendo do filme. O personagem é simplesmente destroçado, mas ninguém vai investigar o possível assassinato...

Sophie tem fortes tendências depressivas e é o motivo pelo qual a tal entidade surge das sombras, sendo batizada de Diana. Rebecca decide investigar a aparição de Diana, ainda mais quando ela passa a atacar o seu irmão menor, Martin. A garota recebe a ajuda do namorado Bret (Alexander DiPersia), que é protagonista de uma cena muito engraçada, aliviando um pouco o medo que o filme provoca.

Maria Bello está convincente como uma mulher com aparentes problemas mentais. Gabriel Bateman e A bela Teresa Palmer também convencem como membros de uma família disfuncional. E não dá para esquecer de citar Alexander DiPersia, que foge do estereótipo de namorado inútil em cena, protagonizando momentos interessantes.

O clímax é interessante, com a família presa dentro de uma mansão, tentando manter as luzes acesas, seja com velas, lanternas, e estas falhando. Enfim, “Quando as Luzes se Apagam”, sendo uma boa opção para os apreciadores do gênero terror, que estão tão carentes de bons filmes.

Duração: 1h21min


Cotação: bom
Chico Izidro

"Negócio das Arábias" (A Hologram for the King)



O filme começa com Tom Hanks cantando uma versão sobre o fracasso humano utilizando o som de um clássico do Talking Heads, "Once in a Lifetime". E logo veremos o personagem Alan Clay se dirigindo para a Arábia Saudita em "Negócio das Arábias" (A Hologram for the King), dirigido por Tom Tykwer. O objetivo de Clay é vender ao rei saudita uma tecnologia holográfica. Mas ele verá que as coisas não serão tão fáceis. Sem contar que sua vida é um desastre.

Na próspera cidade de Jeddah, Clay fará amizade com um taxista árabe, amante da música norte-americana, principalmente Chicago - a cena em que Clay fica incomodado com a música do grupo é hilária. Mas nada parece funcionar, pois os sauditas não dão muita bola para o americano, que se vê perdido e incomodado com o pouco descaso. Só que aos poucos ele vai conhecendo as coisas ilegais do país, regido por um forte sistema religiosa islâmico. E se envolverá com uma bela médica, Zahra (Sarita Choudhury), que o fará repensar toda a sua vida.

"Negócio das Arábias" mostra o renascimento de um homem que via a sua vida se esvair, mas que acaba se reinventando. Um filme divertido, ao mostrar as diferenças entre duas fortes culturas. Vale uma olhada.

Duração: 1h37min

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, August 11, 2016

“A Conexão Francesa” (Le French)



Desde o título até a trama, remete diretamente ao clássico “Operação França”, de 1971 e ganhador do Oscar, onde era detalhado o tráfico de drogas da França para os Estados Unidos. Pois em ““A Conexão Francesa” (Le French), direção de Cédric Jimenez, retrata a máfia da droga na praiana Marselha entre meados dos anos 1970 até o início da década seguinte, e a luta de um juiz, Pierre Michel, para acabar com o tráfico.

Ele é interpretado por Jean Dujardin, que vira chefe de uma força tarefa para combater os traficantes, encarnado na figura de Tany Zampa (Gilles Lelouche, ótimo). Vivendo de fachada como empresário da noite e bom pai, Zampa controla o tráfico na cidade francesa, e é cruel com seus opositores. O embate entre eles é sensacional.

O filme traz cenas de perder o fôlego, e tem uma reconstituição de época excepcional – afinal, a história como já disse, se passa entre 1975 e 1981, ano da eleição do socialista François Miterrand à presidência da França, fato que deu força para que Pierre Michel conseguisse combater com mais eficácia o tráfico.

Duração: 2h15min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

“Na Ventania” (Risttuules)



O filme “Na Ventania” (Risttuules), dirigido por Martti Helde, mostra um evento não muito divulgado da II Guerra Mundial. Se Hitler foi o algoz do Holocausto judeu, Joseph Stalin também não poupou os povos eslavos e bálticos. O terror mais conhecido do líder soviético ocorreu na Ucrânia em meados dos anos 1930, quando exterminou 5 milhões de pessoas via fome.

E em 1941, quando a União Soviética entrou na II Guerra Mundial, Stalin ordenou uma espécie de limpeza étnica nos países bálticos Estônia, Letônia e Lituânia. Milhares de cidadãos destes países foram enviados para os confins da Sibéria, para realizar trabalhos braçais, e onde muitos morreram de fome ou de frio. A alegação é de que eram traidores do sistema comunista.

A medida atingiu a família de Erna, uma estoniana que foi separada do marido durante o transporte de trem que durou dias. Com ela ficou sua filha, que acabou morrendo de fome na Sibéria – quem não trabalhava não comia e crianças não trabalhavam, por isso não tinham direito a alimentação. Toda a história é contada através das cartas que Erna escreveu para o marido por mais de uma década. O filme se destaca, no entanto, pela técnica do tableaux vivant, onde os personagens são filmados sem movimento. Quase como se fossem uma fotografia. E as imagens ficam mais destacadas ainda pelo preto e branco utilizado.

“Na Ventania” (Risttuules) é um filme difícil, não sendo para aquele espectador que não tem paciência e nem mente aberta para assistir a uma obra de poucos ou quase nenhum diálogo. Apenas a leitura das cartas de Erna e movimento zero.


Duração: 1h23min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Um Espião e Meio (Central Intelligence)



Um Espião e Meio (Central Intelligence), dirigido por Rawson Marshall Thunder, trata o bullying como caso muito sério. E até é, pois muita gente ficou traumatiza para o resto da vida, chegando a cometer atos de vingança.
Aqui temos o gordinho Bob Stone (Dwayne Johnson), que foi humilhado no colégio, mas salvo de certa forma pelo colega Calvin Joyner (Kevin Hart), o cara perfeito, com um grande futuro lhe aguardando. Pois se passam 20 anos, e agora Bob é um agente da CIA, malhadão, que procura o ex-colega para ajudá-lo numa investigação, além do que está sendo procurado por ser acusado de ter assassinado o parceiro e acusado de traição.

Mas após duas décadas, muita coisa mudou. Calvin não obteve o sucesso que esperava e é um simples contador em uma firma, que lhe nega promoção, e o casamento está em crise. E ele acaba caindo numa ciranda de eventos ao ser procurado por Bob.

A comédia brinca muito com a questão física dos personagens, mas não espere discussões profundas sobre o bullying. A atuação de Dwayne Johnson até tem certa graça – repare quando vive o gordinho na época do colégio, coberto de maquiagem. Já Kevin Hart é um histérico, que tenta imitar, sem sucesso Eddie Murphy. Berra muito, faz caretas, chegando ao limite da irritação.

Duração: 1h49min

Cotação: regular
Chico Izidro

Perfeita é a Mãe! (Bad Moms)



Perfeita é a Mãe (Bad Moms), dirigido por Jon Lucas e Scott Moore, é um filme besteirol que depois de assistí-lo, ficamos pensando o porque paramos para vê-lo. Como protagonistas em cenas constrangedoras, mulheres tentando e falhando em tentar fazer graça. A trama acompanha a mãe de duas crianças, Amy (Mila Kunis), que decide dar um novo sentido a sua vida após descobrir uma traição do marido. Ela se une a outras duas mães, a explorada pelo marido Kiki (Kristen Bell) e a fogosa Carla (Kathryn Hahn), para tentar encontrar algum sentido na sua vida enlouquecida.

Claro que as três vão sofrer com o preconceito de outras mães, que não aceitam aquelas mulheres rebeldes, e enfrentar a cruel Gwendolyn (Christina Applegate), que se acha a dona do pedaço. Mas o filme derrapa ao apresentar todos os clichês possíveis, apostando num humor fácil e beirando o apelativo. A única coisa aproveitável neste longa sejam os pós-créditos, onde as atrizes principais são mostradas em um divertido bate-papo com suas mães na vida real. Muito pouco, pouco mesmo.

Duração: 1h38min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, August 04, 2016

"Esquadrão Suicída" (Suicide Squad)




Para começar, a premissa me lembra muito o de "Os 12 Condenados", filme sessentista onde soldados de má índole são cooptados pelos aliados para realizar uma missão suicída no meio do império nazista, sob a condição de serem indultados. Bem, em "Esquadrão Suicída" (Suicide Squad), direção de David Ayer, os piores vilões das histórias em quadrinhos são convocados pelo governo norte-americano para combater uma ameaça sobrenatural.

A história se situa pouco depois dos eventos mostrados em "Batman vs. Superman", quando a burocrata governista Amanda Waller (Viola Davis) coloca em prática seu plano, a Força Tarefa X, onde recruta vilões que estão cumprindo pena, entre eles Arlequina (Margot Robbie), Deadshot (Will Smith), Rick Flag (Joel Kinnaman), Magia (Cara Delevigne) e Diablo (Jay Hernandez).

A apresentação dos personagens é toda feita com farta dose de clássicos do rock'n'roll dos anos 1970 e 1980. E parte da ação é legal, mostrando personagens que por mais que sejam do ladoescuro da força, conseguem uma grande empatia. Pena que na parte final tudo caia na mesmice, ou seja, uma grande batalha entre os vilões/mocinhos e os vilões/vilões, com direito a destruição total de uma cidade.

As melhores interpretações ficam por conta do Deadshot, de Will Smith, a Arlequina, de Margot Robbie e o Diablo, de Jay Hernandez. Já o Coringa, vivido por Jared Leto, tem uma participação quase secundária e muito fraca - saudade dos Coringas de Heather Ledge e até mesmo de Cesar Romero na série clássica dos anos sessenta. E vamos combinar, tem muita gente chata, afinal, o que se esperar de um filme onde os personagens são saídos dos quadrinhos? É ficção. Relaxem.


Duração: 2h10min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Caminho Para Berlim" (Doroga na Berlin)




Um filmaço de guerra. E como a II Guerra Mundial é, desculpem o trocadilho, campo fértil para milhares de histórias que foram contadas e que serão contadas. Em "O Caminho Para Berlim" (Doroga na Berlin), direção de Serguei Popov, e Baseado no romance “Dois na Estepe” de Konstantin Simonov e e nos diários de guerra de Konstantin Simonov, é mostrada a história do soldado Ogarkov (Yuri Borisov), condenado à morte por fuzilamento por ter demonstrado covardia durante um ataque alemão em uma aldeia em 1942.

Após o julgamento, Ogarkov fica sob os cuidados de um soldado cazaque, Djurabaev (Amir Abdykalykov). Os dois têm de cruzar as estepes, escapando das tropas alemãs, para chegar ao local onde será aplicada a pena. O cazaque, analfabeto e rigoroso, não pensa muito e tem olhos apenas sua missão: cuidar do condenado, mesmo que este durante o percurso consiga demonstrar a valentia que lhe faltou no começo.

As cenas de batalhas são extremamente bem filmadas, assim como a reconstituição das aldeias russas. Amir Abdykalykov está ótimo no papel do soldado sem muita visão, quase um robô, e que não consegue soltar um sorriso.

Duração: 1h25min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, July 28, 2016

"Jason Bourne"



Nove anos após o terceiro filme e de uma quarta parte, de 2012, que não contou com Matt Damon, o espião desmemoriado está de volta em "Jason Bourne", direção de Paul Greengrass. E mais uma vez o agente tenta entender seu passado e se vê no meio de uma intriga de espionagem envolvendo a CIA e letais assasinos. A história não traz nada de inovadoras, mas cumpre bem a função de deixar o espectador grudado na poltrona em suas duas horas de ação quase ininterrupta.

Agora Jason Bourne está vivendo como um lutador de rua na Grécia, onde é contatado pela ex-agente Nicky Parsons, vivida pela quarta vez por Julia Stiles. Ela tem detalhes do que aconteceu com Bourne no passado. O tempo todo monitorados, os dois passam a ser perseguidos pelas ruas de Atenas, principalmente pelo assassino vivido por Vincent Cassel. A ação também vai a Berlim, e durante a ação, um intenso jogo de garo e rato, em que agentes da CIA tentam fazer de tudo para capturar o espião. A ele, só resta utilizar todos os seus conhecimentos e truques para escapar da morte - afinal a sua existência pode trazer à tona tudo de mais podre e ciorrupto do serviço de inteligência americano.

O climax acontece em Las Vegas, onde uma perseguição de carros destrói boa parte da cidade, com um carro da Swat dirigido por Vincent Cassel sendo perseguido por um sedã, pilotado por Jason.

Além do vilão vivido por Cassel, quem também está em perseguição ao herói é o novo diretor da CIA, Robert Dewey (Tommy Lee Jones), que tem ao seu lado a expert em informática Heather Lee (Alicia Vikander). Todos muito bem em seus papéis, mas principalmente Matt Damon é que arrasa, parecendo ter nascido para viver o papel do espião - assim como Tom Cruise é o cara de Missão Impossível. Indissociáveis.

Duração: 2h03min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"A Incrível Jornada de Jacqueline” ( La Vache)




Fatah (Fatsah Bouyahmed), é um pequeno fazendeiro argelino que é apaixonado por sua vaca Jacqueline, que ele deseja ver desfilando na grande feira de Agricultura, realizada todos os anos em Paris. E após anos de insistência, sua inscrição é aceita. Aí começa a "A Incrível Jornada de Jacqueline” ( La Vache), dirigida por Mohamed Hamidi. A questão é como conseguir ir para a França, já que a viagem deve correr todas por conta do candidato.
Os aldeões fazem uma vaquinha para que Fatah siga para Paris. Após embarcar numa balsa da Argélia para a França, o que resta ao fazendeiro é seguir andando até a capital francesa levando sua vaca. E pelo caminho, Fatah vai fazendo amizades e até mesmo participando de protestos políticos - sem ter a mínima ideia do que está acontecendo.

O personagem do argelino é cheio de carisma e ingenuidade. Apesar de estrangeiro numa terra estranha, ele não provoca a xenofobia dos franceses. Pelo contrário. Todos o acolhem muito bem, principalmente pelo seu tipo, que consegue se adequar ao ambiente - numa das cenas mais engraçadas do filme Fatah vai a um festival e acaba bebendo um licor de pêssego - e ele como muçulmano não deveria beber. Alcoolizado, canta e acaba sendo beijado por uma garota, auxiliar de um mágico. Só que o momento é registrado e as fotos acabam parando na sua aldeia natal, para desespero de sua mulher, que chega a pedir o divórcio.

Em seu caminho também surge o cunhado Hassan (Jamel Debbouze) casado com uma francesa e que, com vergonha disso, esconde de sua família o fato, e com um nobre, Philippe (Lambert Wilson), que está à beira da falência financeira, mas que abrigará Fatah e sua vaca em sua casa de campo, criando um forte laço de amizade.

O filme é uma fábula de como os diferentes podem se entender, podem se ajudar, sem esperar nada em troca. Enfim, uma comédia divertida e de esperança.


Duração: 1h32min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

“Mãe Só Há Uma”



“Mãe Só Há Uma”, dirigido por Anna Muylaert, é um filme muito sensível. Ele relata a história do garoto Pierre (Naomi Nero), que após quase duas décadas descobre ter sido roubado na maternidade. Portanto, sua mãe não era sua mãe, e seu nome não é Pierre e sim Felipe. O garoto descobre também que sua irmã menor também foi roubada pela mulher que se dizia mãe deles.

Tudo vira de cabeça paar baixo para Pierre/Felipe, ele mesmo confuso com sua sexualidade. É músico e transa com garotos e garotas e gosta de usar vestidos - para choque do agora seu pai Matheus (Matheus Nachtergaele), que não entende as opções do menino devido aos seus preconceitos.

O filme pegou sua trama de acontecimento verídico ocorrido em 1986 em Brasília, no famoso caso Pedrinho, roubado de sua mãe por uma mulher que se dizia assistente social. O menino seria encontrado apenas 16 anos depois.

Anna Muylaert entrega uma obra extremamente humana, com atuações impecáveis e cativantes, principalmente do ator principal, Naomi Nero, que é sobrinho do ator global Alexandre Nero. Outra sacada legal fica por conta da atriz Dani Nefussi, que interpreta as duas mães de Pierre/Felipe, ressaltando ainda mais o título do filme.

Duração: 1h22min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Dois Caras Legais" (The Nice Guys)




Uma comédia policial passada em 1977, com todos os exageros e vícios daquela época. É o filme "Dois Caras Legais" (The Nice Guys), dirigido por Shane Black, roteirista do clássico oitentista “Máquina Mortífera”, com Mel Gibson e Danny Glover. Ele também esteve no comando de "Homem de Ferro 3". E agora se sai muito bem na história de dois atrapalhados detetives Jackson Healy (Russel Crowe) e Holland March (Ryan Gosling), que investigam o suicídio de uma atriz pornô no submundo de Hollywood. Os dois no começo não se entendem - para se ter uma ideia, quando se encontram pela primeira vez, Jackson quebra o braço de seu futuro parceiro.

E quanto mais eles investigam o crime, vão se deparando com uma conspiração envolvendo uma jovem Amelia (Margaret Qualley), filha de Judith Kutner (Kim Basinger), uma funcionária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a indústria pornô e a indústria automobilística de Detroit. “Dois Caras Legais” é excelente principalmente pelas atuações divertidas, sobretudo Gosling, que interpreta um detetive desajeitado, cheio de manias e limitado por não ter olfato. Além disso, ele tem de dividir seu trabalho com a criação da filha pré-adolescente Holly (Angourie Rice), que é muito mais esperta do que o pai e o colega Jackson Healy, um brucutu.

"Dois Caras Legais" é uma ótima homenagem aos anos 1970 - a recriação de época é excepcional, além da trilha sonora. E os diálogos, repletos de palavrões, mas sempre aparecendo na hora certa.

Duração: 1h56min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Wednesday, July 20, 2016

"A Lenda de Tarzan" (The Legend of Tarzan)




O herói criado em 1912 por Edgar Rice Burroughs já ganhou dezenas de livros, seriados, quadrinhos e filmes, o mais marcante talvez seja o de 1984 com Christopher Lambert, mas não esqueçamos o mais famoso de todos, Johnny Weissmüller nas décadas de 1930 e 1940.

Agora o homem-macaco volta em "A Lenda de Tarzan" (The Legend of Tarzan), dirigido por David Yates. O filme foca em um período pós-selvagem do personagem, vivendo em Londres como Lord Greystoke e casado com Jane. Ele quer esquecer seu passado e insiste em ser chamado de John Clayton III. Mas logo estará de volta às selvas, mais exatamente no Congo. Ele é convidado para uma missão diplomática no então país dominado pelos belgas, porém trata-se de uma armadilha do vilão Leon Rom, que pretende entregar Tarzan a um líder tribal, Mbonga (Djimon Hounsou), em trocas de diamantes, além do que deseja ser o governador geral do país.

Já nas selvas, Tarzan vai se reencontrar seu passado - aparecem muitos flash-backs contando os acontecimentos de seu crescimento entre os animais e como conheceu Jane, interpretada por Margot Robbie.
Ao lado de Tarzan está o diplomata norte-americano George Washington Willams (Samuel L. Jackson), que participou do sangrento massacre dos índios na América do Norte e busca uma espécie de redenção. Seu personagem apresenta as melhores tiradas e os momentos mais divertidos do filme, que prescende de humor. Tudo é muito sóbrio e pesado.

Mais uma vez na pele do vilão Leon Rom, o austríaco Christoph Waltz desta vez está mais contido, mesmo que por vezes achemos que ele ficará histérico. Já Alexander Skarsgard, do seriado "True Blood" mostra o físico perfeito e traz de volta o grito memorável e primal de Tarzan.

Duração: 1h50min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Life - Um Retrato de James Dean" (Life)




A vida do astro James Dean, que viveu poucos mas intensos 24 anos (1931-1955), serve naquela clichê: daria um filme. Em "Life - Um Retrato de James Dean" (Life), dirigido por Anton Corbijn (de O Homem Mais Procurado e Controle: A História de Ian Curtis), retrata apenas um ano na vida do astro de "Vidas Sem Rumo", "Rebelde Sem Causa" e "Assim Caminha a Humanidade", o último, 1955.

O filme concentra a trama na amizade de James Dean (Dane DeHaan) e o fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson). Os filmes que eternizariam o ator ainda não haviam sido lançados e ele era ainda um desconhecido, que havia feito como coadjuvante três filmes. Stock, porém, acreditava no potencial de James Dean, e decidiu fazer um registro da sua vida para a revista Life. No início, James Dean se mostrou meio arredio, mas aos poucos foi cedendo. Afinal, era tímido e vivia em seu mundinho particular, aparentando não saber viver com a fama que poderia chegar.

Apesar de certa semelhança com James Dean, Dane DeHaan não consegue convencer, pois apresenta uma atuação afetada. Seu personagem parece o tempo todo entediado, beirando a depressão, com um cigarro na ponta dos lábios. Robert Pattinson também não ajuda. É um ator limitado, sempre com o mesmo olhar de quem parece eternamente perdido.

"Life – Um Retrato de James Dean", no entanto, tem seus méritos, especialmente a fotografia e a reconstituição de época.

Duração: 1h 52min

Cotação: regular
Chico Izidro

Wednesday, July 13, 2016

"Caça-Fantasmas" (Ghostbusters)



A nova versão de "Caça-Fantasmas" (Ghostbusters), dirigido por Paul Feig, foi audacioso por trocar os personagens originais, todos eles homens, por mulheres. E a empreitada funcionou, por incrível que pareça.

Agora a história centra na professora da Universidade de Columbia, Erin Gilbert (Kristen Wiig), que no passado escreveu um livro sobre fantasmas em parceria com a amiga Abby Yates (Melissa McCarthy). A obra, que nunca foi levada a sério, acaba sendo descoberta pelo reitor de sua faculdade e ela é demitida. O que lhe resta é se juntar novamente a Abby, que ao lado de Jillian Holtzmann (Kate McKinnon), vive de caçar espectros pelas casas de Nova Iorque. Logo se juntará ao trio a funcionária do metrô Patty Tolan (Leslie Jones).

As quatro começam a se deparar com fantasmas, mas seguem sendo desacreditadas pelas autoridades políticas e por especialistas no sobrenatural, como o personagem hilário de Bill Murray, um dos integrantes originais dos ghostbusters.

"Caça-Fantasmas" (Ghostbusters) apresenta um roteiro legal e repleto de referências oitentistas e piadas inteligentes, mostrando uma perfeita sintonia entre as quatro atrizes. Quem também está muito bem é Chris Hemsworth, que vive o secretário sexy e abobado das quatro.

Duração: 1h56min

Cotação: bom
Chico Izidro

"A Última Premonição" (Visions)



Um filme de terror sem muita imaginação e que no final mostra não ser tanto assim de terror. "A Última Premonição" (Visions), dirigido por Kevin Greutert, bebe um pouco no clássico "O Bebê de Rosemary", mas evidentemente sem nem chegar perto.

Eveleigh Maddox (Isla Fisher) está perturbada, pois sobreviveu a um acidente de carro, onde uma criança perdeu a vida. Um ano depois, ela se muda para uma vinícola ao lado do marido David (Anson Mount), e se descobre grávida. Aos poucos ela começa a ter estranhos pesadelos e visões que vão deixando-a cada vez mais perturbada. Ela conta seus problemas para o médico, interpretado por Jum Parsons, o Sheldon de "Big Bang Theory" e o marido, mas eles preferem acreditar que ela está apenas passando por um stress pós-traumático.

E o filme vai se arrastando, com algumas cenas de sustos sem a mínima imaginação. No final, o diretor tenta salvar tudo com uma virada inesperada, mas que se mostra inconsistente com o que já havia transcorrido da história. Sem contar que o elenco não ajuda. A loirinha Isla Fischer se mostra limitada Anson Mount é ainda pior, enquanto que Jim Parsons não convence como médico - o ator está tão preso ao seu Sheldon que esperamos que repentinamente ele saia do ar.

Duração: 1h23min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Porta dos Fundos: Contrato Vitalício"



Os magos das esquetes na internet se arriscam no cinema e acertam no divertido "Porta dos Fundos: Contrato Vitalício", dirigido por Ian SBF. O longa apresenta uma linha narrativa coesa, e não sem parece com uma sucessão de esquetes. Além do que foge do esquema das horrorosas comédias brasileiras protagonizadas por Leandros Hassuns da vida, pois evita os clichês de gordos, loiras burras, gays histéricos, tortas na cara, atores fazendo caretas e caindo no chão - tem um pum aqui, uma vomitada lá, mas nada excessivo.

Na trama, o ator Rodrigo Assis (Fábio Porchat) e o diretor Miguel (Gregório Duvivier) são premiados em Cannes. Mas após uma festança, Miguel some. A história dá um pulo de dez anos e o diretor reaparece do nada. Rodrigo, no começo gosta da volta do amigo, mas aos poucos vai começar a enlouquecer. Primeiro porque Miguel se mostra completamente invasivo e depois porque exige que o ator participe de seu novo projeto, “A Batalha de Klinglonfland”.

É que Miguel alega ter passado dez anos prisioneiro de alienígenas no centro da Terra. E Rodrigo tem de participar do filme pois havia assinado num lenço de papel o compromisso de trabalhar para todo o sempre com Miguel.

Porchat está contido, sem aqueles seus histerismos que nos acostumamos a ver em comédias fracas e idiotas como "Meu Passado Me Condena". Os coadjuvantes também são um achado. Os melhores são o gordinho Gabriel Totoro como um coadjuvante obcecado por Rodrigo, o detetive doido de Antonio Tabet, e Rafael Portugal, que vive o líder dos alienígenas.

Duração: 1h40min

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, July 07, 2016

"Julieta"




O espanhol Pedro Almodóvar adaptou três histórias da vencedora do Prêmio Pulitzer e do Nobel, Alice Munro, e criou "Julieta", sobre uma mulher de 50 e poucos anos e que repensa a sua vida ao longo de três décadas.

Julieta é interpretada na fase madura por Emma Suárez e nos seus 20 e poucos por Adriana Ugarte. A história começa quando ela está de mudança para Lisboa com o namorado Lorenzo (Dario Grandinetti). Mas ao encontrar uma antiga amiga de sua filha Antía, a quem não vê há 12 anos, Julieta decide permanecer em Madri. Vai que sua filha tente entrar em contato com ela após todos estes anos? Então o drama toma conta quando Julieta começa a escrever um diário onde vai contando a sua história ao lado do pescador Xoan, o pai de Antía, e como o conheceu e como o relacionamento dos dois engrenou.

"Julieta" volta 30 anos no tempo e a personagem ganha o rosto de Adriana Ugarte. Toda a sua vida é desmembrada - o amor pelo pescador, a relação com o pai, que professor aposentado, se tornou lavrador. A morte do marido num dia em que brigaram, e depois o sumiço da filha Antía, que a colocou num estado quase catatônico até conhecer o escritor Lorenzo.

Almodóvar, desta vez, não dá espaço para o humor em sua obra. "Julieta" é um drama pesado, sem muitas sutilezas. Assim mesmo, o diretor mostra sua conhecida mão no filme, principalmente no uso das cores nos ambientes.

Duração: 1h39min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Estive em Lisboa e Lembrei de Você"



"Estive em Lisboa e Lembrei de Você", dirigido por José Barahona, é uma adaptação de romance homônimo escrito por Luiz Ruffato. Narra a história de Sérgio (Paulo Azevedo), mineiro da pequena Cataguases, em Minas Gerais, que tentará a vida em Portugal.

São dois filmes em um só. O primeiro é péssimo e se passa em Cataguases, onde é mostrado o dia a dia do protagonista. Ele mora com a mãe, se apaixona por uma garota, casa, se torna pai, mas sua esposa logo passa a mostrar sinais de insanidade e é internada. Esta parte sofre com as atuações amadoras de seus personagens, principalmente a da atriz que interpreta a mãe de Sérgio.

Então ele decide ir tentar a vida em Portugal. E começa um outro filme, este ótimo. O drama vivido por Sérgio em Lisboa é muito bem conduzido. A história foca na dificuldade de se ser um estrangeiro num país estranho. O mineiro se depara com as dificuldades de conseguir emprego e quando aparece, são vagas na construção civil, que pagam mal. O personagem, porém, aos poucos vai se encontrando quando conhece outro brasileiro, que lhe indica para trabalhar num restaurante - o problema é que Sérgio nunca consegue tirar os documentos necessários para se manter empregado.

Ele também se verá em dificuldades quando se apaixona por uma garota de programa brasileira, vivida por Renata Ferraz. Aliás, os personagens lisboetas são muito interessantes - o africano que vive no hotel em que Sérgio está hospedado, o dono do restaurante, a prostituta.

Toda a história é contada por Sérgio, que está em um local não definido. Não se sabe se num hospital, se numa prisão, se no quarto de um hotel. Enfim, "Estive em Lisboa e Lembrei de Você" nos oferece um belo retrato de como nem sempre é possível conseguir sucesso em um ambiente totalmente diferente daquele a que estamos habituados.

Duração: 1h34min

Cotação: bom
Chico Izidro

“Janis: Little Girl Blue”



“Janis: Little Girl Blue” é um documentário dirigido por Amy J. Berg e mostra a história de uma das maiores cantoras de todos os tempos, a texana Janis Joplin, falecida em 1970, com apenas 27 anos. O filme se utiliza de imagens de arquivos, muitas delas inéditas, correspondências pessoais da cantora e entrevistas de parentes, ex-colegas e namorados.

O belo documentário mostra uma Janis a que não estamos acostumados a ver - uma garota divertida, brincalhona, e que sofreu muito na época do colégio, na pequena e conservadora Port Arthur, no Texas, devido ao seu jeito iconoclasta. Ela também foi vítima de bullying na faculdade e isso marcou muito sua vida. Janis esteve sempre em busca do amor e lamentava porque seus músicos, após os shows, iam para casa acompanhados e ela ficava sozinha, apenas com sua bebida, seus cigarros e as drogas.

O filme também mostra a passagem de Janis pelo Brasil, época em que ela conheceu o grande amor de sua vida. A cantora esteve no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 1968, mas depois fez uma tour pelo Nordeste com o namorado, que a forçou a abandonar as drogas. Mas eles não ficariam juntos e Janis lamentaria para o resto de seus dias o fim do namoro.


“Janis: Little Girl Blue” mostra uma pessoa produtiva e que brigou desde sempre contra a segregação racial - chegou a namorar uma garota negra, que dá seu depoimento. Janis era encantadora demais e tinha uma voz extraordinária. Sua morte é mostrada de maneira breve, apenas como registro, pois sua vida foi muito mais forte. É um filme comovente.


Duração: 1h24min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"A Era do Gelo: o Big Bang" (Ice Age: Collision Course)



"A Era do Gelo: o Big Bang" (Ice Age: Collision Course), dirigido por Mike Thurmeier, é o quinto filme da série de animação com os mamutes, tigres de dente de sabres e bichos-preguiças que viviam na era pré-histórica. Desta vez,
Sid, Manny e Diego encaram um asteroide e tem de tentar salvar a Terra da extinção. Enquanto isso, o esquilo Squat está perdido no espaço, dentro de uma nave extraterrestre, tentando capturar a sua noz.

Desta vez, é trazido de volta a doninha Buck, presente no terceiro episódio, e tem como vilões um trio de dinossauros voadores, que querem impedir que os nossos herois não consigam evitar a colisão do asteroide na Terra - assim eles dominariam o planeta em meio ao caos. Além disso, a trama repete vícios de outras produções, ao colocar o mamute Manny preocupado em perder a filha para o genro, no velho estilo conflito de gerações, mas sem aprofundamento.

"A Era do Gelo: o Big Bang" soa extremamente exagerado, sem o mesmo humor dos outros filmes. Não bastasse isso, o título em português é totalmente equivocado. Afinal, o que vemos não é o Big Bang, que é o fenômeno que teria originado a Terra. E sim uma colisão de um asteroide com o planeta, evidenciado no título original “collision course” – ou “rota de colisão”.

Duração: 1h34min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Big Jato"

"Big Jato"



Diretor de "Amarelo Manga" e "Febre do Rato", Claudio Assis comanda agora "Big Jato", biografia do jornalista Xico Sá. A trama é mostrada de forma atemporal na pequena cidade nordestina de Peixe de Pedra, que parece ter parado no tempo. As casas são antigas, as roupas, radinhos de pilha, mas vemos carros atuais, telefones celulares que não funcionam, mas servem como máquinas fotográficas.

Vemos aqui uma fase na adolescência de Francisco (Rafael Nicácio), um garoto que quer ser poeta e se vê dividido entre o pai, Francisco, que trabalha num caminhão, o Big Jato, limpando as fossas dos banheiros dos moradores do município, e que é extremamente conservador e machista, e o tio, Nelson, radialista fanático pelos Beatles e pela banda que teria servido para inspiração para o grupo inglês, Os Betos. Ambos os personagens são interpretados por Matheus Nachtergaele e seu show à parte.

Em meio ao conflito, pois o pai quer vê-lo trabalhando na limpeza de fossas - Francisco pai e Francisco filho são conhecidos como merda e o merdinha, o garoto se apaixona e escreve suas primeiras poesias, para horror do pai. O filme foca nas descobertas e nas tentativas de mudança, num lugar que parece ter sido esquecido. A presença do cantor Jards Macalé também não se mostra interessante - ele interpreta o personagem Principe, que costuma dar conselhos ao garoto. Mas se Macalé e Nicácio falham, a veterana Marcelia Cartaxo rouba a cena em cada aparição.

Mas é um filme que fala de esperança. E por isso é saboroso de se ver.


Duração: 1h33min

Cotação: bom
Chico Izidro