Thursday, April 27, 2017

"Além da Ilusão" (Planetarium)



Passado na Paris dos anos 1930, "Além da Ilusão" (Planetarium), com direção de Rebecca Zlotowski, não é um filme fácil. Tem um tom de farsa, de mistério, mostrando a vida de duas irmãs, Kate Barlow (Lily-Rose Depp, filha do ator Johnny Depp) e Laura (Natalie Portman), que são duas jovens americanas ganhando a vida como médiuns. E nunca fica claro se as duas possuem ou não o dom de se comunicar com os mortos.

Mas a especialidade delas chama a atenção de um produtor de cinema francês, André Korben (Emmanuel Salinger), que decide filmar um evento sobrenatural sem o uso de efeitos especiais, afinal as garotas são médiuns, não é? A trajetória de Laura e Kate é contada paralelamente. Laura, depois da experiência com Korben, acaba abraçando o mundo do cinema, com suas ilusões, amores e charme, enquanto Kate segue em suas sessões de mediunidade, onde seu dom serve para fins de pesquisa. No fundo da trama, política, pois envolvidos com o mistério, as pessoas não se dão conta do perigo do nazismo que se avizinha.

"Além da Ilusão" é um filme repleto de imaginação, mas também onde a realidade se apresenta por vezes. E ainda tem a excelente reconstituição de época, com figurinos, cabelos com cuidadio extremado. As atuações de Natalie Portman e Lily-Rose Depp são deliciosas - a atriz veterana parece estar se divertindo muito e dando um show ao trocar tão facilmente o inglês pelo francês, sempre sem sotaque. Enfim, são atuações explosivas, num filme que merece atenção em dobro.

Duração: 1h48min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Elon Não Acredita na Morte"



"Elon Não Acredita na Morte", dirigido por Ricardo Alves Jr. é meio estranho, com ares de suspense. Cinema brasileiro sem atores conhecidos, sem invenções, sem humor. Um filme onde o personagem principal não tem nada de simpático. Pelo contrário, Elon (Rômulo Braga) é um homem bruto, fechado, nada simpático. E um dia a sua mulher Madalena (Clara Choveaux) simplesmente desaparece, sem deixar pistas. Nem sinal de fumaça.

Elon não vai poupar esforços para descubrir o paradeiro da mulher. Saber o que houve com ela. Ele vai ao trabalho dela, à casa da irmã da esposa e procura até a polícia. Na casa da irmã de Madalena não é bem recebido - ela aliás acha que Elon sufoca a esposa e talvez seja este o motivo de ela ter dado no pé. “Você ama de um jeito muito complicado”, diz a irmã dela para Elon. Mas a busca dele não é facilitada por seu jeito grosso, beirando a estupidez. Ao ser demitido do emprego por faltar, simplesmente arrota na cara do patrão, que decide por uma demissão por justa causa.

Rômulo Braga é o grande mérito do filme. Sua atuação de um homem perturbado e preocupado é excepcional. Elon é um personagem de difícil trato, valorizado pelo rosto bruto do ator, dono de um olhar cansado, quase insone. "Elon Não Acredita na Morte" não é um filme para qualquer espectador. Com longos momentos de silêncio e planos sequência - sempre mostrando o personagem principal de costas, como se quisesse mostrar o afastamento dele do mundo, que lhe é hostil. Mas talvez um mundo que ele deixou assim.

Duração: 1h14min

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, April 20, 2017

"Paterson"



"Paterson", de Jim Jarmusch, está longe de ser um filme fácil de ser assistido. O público comum vai considerá-lo tedioso, afinal se analisarmos bem, nada acontece em suas quase duas horas de duração. Enfim, um puro clima de cinema alternativo.

No longa, acompanhamos uma semana na vida de Paterson (Adam Driver, de Star Wars: O Despertar da Força), um motorista de ônibus que gosta de escrever poemas. E ele vive na pequena cidade de Paterson, em Nova Jérsei. Basicamente vemos o motorista dirigindo seu ônibus, enquanto escuta a conversa dos passageiros, e nas horas vagas escreve seus poemas. Também vemos o convívio com sua bela esposa, Laura (Golshifteh Farahani), que para ajudar no orçamento da casa, cozinha deliciosos bolinhos - cookies, mas também é pintora e sonha em ser cantora folk.

Paterson é um personagem calmo. Leitor voraz, escreve seus poemas num caderninho que carrega para todos os lados. Mas ele está satisfeito com seu destino, e não pensa em nada mais a não ser dirigir seu ônibus e após o serviço, levar o cachorro buldogue para passear - depois passa sempre num pub, que é outro achado, com seus frequentadores mais estranhos um do que o outro. A paixão de Paterson pela poesia é tão impar, que a certo ponto, uma garotinha também poeta, olha para ele, e diz: "Estranho, um motorista de ônibus que gosta de Emily Dickinson".

Jarmusch, enfim, consegue captar com toda a sensibilidade, muito mais do que a vida de um motorista de ônibus. E isto que torna extraordinário neste filme, de um homem comum, com uma vida comum, mas mostrando muito mais do que isso. Um belo retrato do cotidiano.

Duração:

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Joaquim"



Um Brasil colonial com homens sujos, maltrapilhos, pensando em uma forma de enriquecer de qualquer forma. É o que vemos em "Joaquim", direção de Marcelo Gomes, e que mostra como se iniciou a formação do alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), que ficou conhecido como Tiradentes, já que costumava prestar serviços dentários para o povão. E o filme estreia propriamente na semana em que acontece o feriado que homenageia o protagonista.

Não vemos aqui Joaquim em sua luta contra o domínio de Portugal. A história transcorre anos antes de sua conversão a salvador da pátria, tendo como palco um vilarejo no sertão mineiro, onde Joaquim (Júlio Machado) faz parte de uma unidade militar, ao mesmo tempo que mantém um romance com a escrava Preta (a atriz portuguesa Isabél Zuaa), a quem promete comprar a liberdade. Preta é propriedade de um escravo liberto, que a maltrata, e ela não vê a hora de se ver livre de seu dono.

Joaquim aqui ainda não havia tomado a consciência que o faria se tornar um mártir. São cenas fortes, cruas, numa terra inóspita - em certo momento do filme, ele, ao lado de outros soldados, recebe a missão de se embrenhar ainda mais no sertão para tentar encontrar ouro.

"Joaquim" apresenta uma belíssima fotografia, pesquisa histórica aprimoradíssima e uma direção de arte encantadora. E tem ainda interpretações magníficas de Júlio Machado, Isabél Zuaa e Welket Bungué, de Guiné-Bissau, e que interpreta seu escravo João. Só que o filme deixa um pouco a desejar - sendo uma obra história, deveria ser um pouco mais didática - quem não conhece a vida de Tiradentes - que tem uma cena perturbadora dele arrancando o dente de um homem apenas com os dedos sujos e um alicate - ficará boiando um pouco.

Duração: 1h37min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Paixão Obsessiva" (Unforgettable)



Tem certos filmes que não deveriam ser feitos. "Paixão Obsessiva" (Unforgettable), dirigido por Denise DI Novi, é um deles. A história lembra aquelas feitas à profusão nos anos 1980 e 1990. Um personagem psicótico, que começa a atormentar a vida de outro, que procura ajuda, mas ninguém acredita nele, apesar de as evidências estarem ali, à frente de todos.

Aqui, no caso, quem sofre é Julia (Rosario Dawson), uma editora de um site de histórias de amor, que larga tudo para ir morar com o noivo David (Geoff Stults) numa pequena cidadezinha na Califórnia. Mas ela tem um passado a esquecer - era abusada fisicamente pelo antigo namorado, agora sumido devido a uma restrição judicial. E claro que ela Julia não conta para o seu novo parceiro. Que tem uma filha pequena com a ex-mulher, Tessa (Katherine Heigl).

E claro que Tessa não fica nenhum pouco feliz ao saber que o ex-marido vai se casar de novo, além do que ficará cuidando da filha dela com David. E ela decide sabotar a nova mulher do ex-marido, que para fugir do ex, não tem redes sociais. E claro, Tessa cria um facebook falso para Julia, some com suas joias, e planta várias pistas falsas para tentar destruir o relacionamento dos dois.

Só que tudo no filme é tão artificial, com roteiro repleto de furos, que chega a ser risível - no climax final, os espectadores diante de tantos absurdos que veem na tela, não se seguram e soltam gargalhadas. E as atuações? Uma pior do que a outra, com destaque para Katherine Heig, vivendo o papel de uma barbie plastificada de tanto botox. Fuja.

Duração: 1h40min

Cotação: ruim
Chico Izidro

“Stefan Zweig - Adeus, Europa” (Vor der Morgenröte)



Em 2002, o diretor brasileiro Sylvio Back já havia levado a vida de Stefan Zweig à telona com o filme "Lost Zweig". Agora, a vida do escritor volta à tona em “Stefan Zweig - Adeus, Europa” (Vor der Morgenröte), direção de Maria Schrader. Áustriaco nascido em 1881, ele foi um dos principais escritores do começo do século XX. De família judia, foi obrigado a deixar o seu país quando da ascenção do nazismo nos anos 1930, começando a perambular pelo mundo até vir aportar no Brasil no começo da década seguinte, onde escreveria a obra seminal "Brasil, o País do Futuro".

A trajetória da vida de Zweig, vivido por Josef Hader nos é contada de forma linear, mostrando seu exílio ao lado da mulher Lotte (Aenne Schwarz) primeiro na Argentina, onde surge uma bela cena com dezenas de refugiados de vários países e nações discutindo o perigo iminente do nazismo.
pontuando seu refúgio primeiro na Argentina. Também aparece a estada de Zweig nos Estados Unidos, onde se encontra com a sua irmã, a também refugiada Friderike (Barbara Sukowa).

Mas o filme centra é mesmo no período em que Stefan Zweig passou no Brasil, país que adotou e conviveu com os populares. Sua residência acabou sendo em Petrópolis, no Rio de Janeiro. A diretora mostra o dia a dia do escritor, que era muito querido por todos. Mas ele nunca conseguiu esquecer, que apesar de estar em terreno seguro, os horrores praticados pelos nazistas. E não é spoiler, mas frustrado como o mundo encarava a II Guerra Mundial, ele e sua esposa acabaram se suicidando em 22 de fevereiro de 1942. “Stefan Zweig - Adeus, Europa” é um ótimo filme para se conhecer um homem e seu tempo.

Duração: 1h46min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Marguerite & Julien - Um Amor Proibido" (Marguerite & Julien)



"Marguerite & Julien - Um Amor Proibido" (Marguerite & Julien), direção de Valérie Donzelli, não conta uma história muito convencional. Pelo contrário, se aprofunda num tema deveras espinhoso, o incesto. A trama vai sendo explicada ao espectador direto de um orfanato, onde um grupo de meninas escutam atentas a trajetória de dois irmãos, que dão nome ao longa.

Passado em vários períodos - os personagens são mostrados no século XVII, mas também no presente, com cenas com helicópteros e carros -, vemos Marguerite (Anaïs Demoustier) e Julien de Ravalet (Jérémie Elkaïm), que desde pequenos nunca desgrudam, mostrando um imenso amor entre eles. Já na adolescência, os pais notam que algo diferente ocorre ali, e mandam Julien estudar fora, na esperança de que os jovens acabem se envolvendo incestuosamente. Mas quando Julien retorna, a paixão se mostra mais intensa. E Marguerite é obrigada a casar com outro homem, mas sem nunca esquecer o amor pelo irmão, que fará de tudo para resgatá-la.

O filme, apesar de seu tema chocante, por vezes se mostra entediante. Mas as atuações de Anaïs Demoustier e Jérémie Elkaïm são muito boas, principalmente da atriz. “Marguerite & Julien” ganha pontos, ainda, por sua cuidadosa fotografia e caracterização de época, e também bons momentos de cenas de sexo entre os irmãos, o que é um avanço, já que o tema é tabu.

Duração: 1h45min

Cotação: regular
Chico Izidro

Thursday, April 13, 2017

"Velozes e Furiosos 8" (Fast and Furious 8)




Sim, a saga de Domenic Toretto (Vin Diesel) está chegando a seu oitavo filme - bem que na realidade ele só participou de seis antes, pois houve ainda o longa passado em Tóquio sem o ator fortão.
Em "Velozes e Furiosos 8" (Fast and Furious 8), dirigido por F. Gary Gray, Toretto está curtindo a aposentadoria em Cuba ao lado da amada Letty (Michelle Rodriguez). Claro que as coisas não vão ficar tão calmas assim.

Logo no começo, Toretto corre pelas ruas de Havana contra um cara que ameaçou seu sobrinho, ameaçando ficar com o seu carro, numa corrida muito fake, cercada de figurantes mal-encenados, numa cena beirando o patético. Mas isso é só um aperitivo, quando ele e sua trupe são convocados para uma missão em Berlim, onde devem capturar uma arma mortal. Só que Toretto vai se virar contra seus companheiros, motivado por uma chantagem feita pela vilã Cipher (Charlize Theron). A motivação será explicada ao longo do filme ao longo de seus 136 minutos.

E vão aparecendo personagens como o ex-policial Luke Hobbs (Dwayne Johnson, cada vez mais bombado), o ex-inimigo Ian Shaw (Jason Statham), além do chefe do FBI, O Sr. Ninguém (Kurt Russell) e seu comandado Sr. Ninguenzinho (Scott Eastwood), e até mesmo Hellen Mirren, como a mãr de Ian. E tem muita correria pelas ruas de Nova Iorque, Berlim, e até uma perseguição na gélida Sibéria já na finaleira.

"Velozes e Furiosos 8" (Fast and Furious 8) é mais do mesmo, com momentos exagerados, atuações que beiram o amadorismo - as feições de Vin Diesel são sempre as mesmas, seja quando é ameaçado pela vilã Cypher, quando perde um ente querido, quando conhece alguém importante para sua vida. E o personagem parece saído dos quadrinhos, pois nunca é derrotado. E os diálogos? Sem comentários. Mas quem disse que vai ao cinema ver "Velozes e Furiosos 8" (Fast and Furious 8) querendo pensar, né?

Duração: 2h16min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Una"



Baseado na peça "Blackbird", escrita por David Harrower, que é o roteirista do filme, "Una", dirigido por Benedict Andrews, busca uma temática forte e perigosa, mas não consegue responder aquilo que se propõe. A trama fala sobre abuso de uma menor por um maior de idade.

No caso, ela é Una (Rooney Mara), que aos 13 anos foi seduzida por Ray (Ben Mendelsohn), 15 anos mais velho. Aos 28 anos, ela vai atrás dele, em busca de respostas por aquilo que ocorreu no início de sua adolescência. Traumatizada, ela consegue encontrar Ray, que trabalha em uma fábrica, com outro nome e tendo construído outra vida para ele, após passar alguns anos na prisão.

Os dois mantém um embate por várias horas, pelos cantos da fábrica onde Ray trabalha e que passa por uma estruturação. São várias feridas abertas, e durante a conversa deles aparecem flashbacks, mas o diretor mostra pouca coragem de mostrar os abusos sexuais sofridos por Una. Que se mostra dividida por vezes, não sabendo realmente o que quer. Se procura o amor de seu agressor ou puní-lo pelo que praticou quinze anos atrás.

Assim, "Una" fica no meio do caminho, sem coragem para se aprofundar em tema tão espinhoso. Enfim, acaba sendo um filme que não define o que realmente quer denunciar.

Duração: 1h34 min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Martírio"



Habitantes originais do Brasil, os índios vivem em condições absurdas nestes mais de 500 anos de existência do país, perdendo seu espaço cada vez mais. O documentário "Martírio", dirigido pelo indigenista francês Vincent Carelli é um soco no estômago. Com quase 160 minutos de duração, reúne imagens assustadoras, depoimentos mais ainda e uma luta que parece não ter fim.

Narrado pelo próprio Carelli numa voz monocórdica, ele narra dezenas de anos sobre a existência dos indígenas Guarani Kaiowá no país. Muitas das cenas mostradas trazem os nativos falando em sua, para nós, incompreensível língua. Carelli, que chegou no Brasil em meados dos anos 1980, começou a filmar uma comunidade indígena em 1988, em Mato Grosso do Sul. Passou anos sem entender o que eles estavam falando. E quando descobriu, viu que era sobre terras, expulsões, invasões. Ruralistas pedem no Congresso, para nosso estarrecimento, a expulsão dos índios de suas próprias terras, e a extinção da Funai!!!!

Os nativos ainda são ameaçados de assassinatos, ataques - destaque para o assassinato do guarani-kaiowá Nízio Gomes, em 2011, em Mato-Grosso do Sul, e a cena final, com eles tentando defender um ataque armado feito por fazendeiros. Um filme violento em todos os sentidos. E que deve ser assistisdo.

Duração: 2h40min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, April 06, 2017

"Despedida em Grande Estilo" (Going In Style)



A terceira idade sofre, mostram os personagens Willie (Morgan Freeman), Joe (Michael Caine) e Albert (Alan Arkin) em "Despedida em Grande Estilo" (Going In Style), dirigido por Zach Braff. Eles são três velhinhos aposentados e amigos há décadas. E um belo dia descobrem que a empresa onde passaram a vida trabalhando não vai mais pagar a pensão deles, pois está se transferindo para o Vietnã. E assim não tem mais obrigação legal com seus ex-funcionários.

Os amigos têm vários problemas. Joe está para ser despejado de sua casa, Willie precisa de um rim novo e Albert é um solitário e ranzinza, mas quem melhor se vira, dando aulas de sax. Até que a solução é encontrada, quando Joe testemunha um assalto ao banco onde tem conta e que quer executá-lo. Ou seja, eles planejam um assalto ao mesmo banco. E a sacada do filme é mostrar como três velhinhos que passaram a vida honestamente terão de fazer para praticar o crime - o teste num roubo a um mercadinho de bairro é hilário.

O filme ainda é um protesto contra as grandes corporações, que não estão nem aí para o cidadão comum, aquele que trabalha seis dias por semana, não enriquece e ainda sofre com uma aposentadoria ridícula. "Despedida em Grande Estilo" (Going In Style) tem ainda um final muito otimista, o que pode incomodar um pouco. Mas faz a gente pensar no nosso futuro.

Duração: 1h36min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Cães Selvagens" (Dog Eat Dog)




"Cães Selvagens" (Dog Eat Dog), do diretor Paul Schrader, não é um filme ruim, mas em determinado momento, ele perde a mão. O elenco tem Nicolas Cage, Willem Dafoe e Christopher Matthew Cook, e roteiro baseado em livro de Edward Bunker.

Na trama acompanhamos três criminosos que acabaram de sair da prisão e começam a planejar como ganhar dinheiro, claro que de modo ilícito, já que não conhecem outro jeito. Nos momentos inicias temos a melhor parte, quando vemos Mad Dog (Dafoe) se drogando enquanto espera a namorada voltar para casa. E quando ela chega, ele pratica um crime terrível, com direito a assassinato da filha da mulher. O personagem Mad Dog, como diz o nome, é o mais doido do filme, viciado, psicopata, racista, homofóbico. Tudo de pior numa só pessoa.

Já Troy (Cage) é o líder da turma. Mais centrado e pensante, tenta sempre achar as soluções para as encrencas que eles se metem. Por fim, Diesel (Cook) é aquele ex-preso que não consegue achar mais seu espaço na sociedade, pois a cadeia está entranhada em seu ser.

Os três dão golpes em traficantes, em milionários. Mas durante a tentativa de um sequestro, que seria o último trabalho antes da aposentadoria, tudo degringola, e eles têm de achar uma solução para escapar. O filme acaba tendo seus altos e baixos, perdendo sua intensidade no final, quando Paul Schrader tenta dar um ar psicodélico, por talvez não ter uma ideia para encerrá-lo.

Duração: 1h32min

Cotação: bom
Chico Izidro

"A Cabana" (The Shack)




Infiéis, fujam. "A Cabana" (The Shack) é uma verdadeira ida à missa, ou seja, tédio completo. O filme é baseado em livro escrito pelo canadense William P. Young em 2007 nos EUA, e que chegou ao Brasil no ano seguinte. O filme é feito para pessoas que têm fé ou que buscam respostas para suas vidas, ou para o sobrenatural.

Dirigido por Stuart Hazeldine, fala sobre uma família que sofre uma tragédia pessoal. Num final de semana passado em um camping à beira de um lago, Mack (Sam Worthington), ao lado dos três filhos - a mulher Nan (Radha Mitchell) ficou na cidade a trabalho, num minuto de descuido perde de vista a filha menor, Missy (Amélie Eve). A polícia é chamada para tentar encontrar a garotinha, mas logo chega a informação de que ela foi assassinada em uma cabana nas redondezas do lago por um maníaco.

Começa então o calvário de Mack, que entra em depressão profunda, questionando a fé e se afastando dos familiares. Tempos depois do incidente, Mack recebe uma carta escrita por um tal de Pai, pedindo que ele volte a cabana onde sua filha foi assassinada. E lá, Mack vai deparar com o próprio deus, na figura de uma mulher negra, Octavia Spencer, de "Estrelas Além do Tempo", Jesus Cristo (Avraham Aviv Alush) e o Espírito Santo, ou Sarayu (Sumire). E eles vão dar uma aula de catequese para Mack, mostrando ainda que ele deve se desprender de qualquer apego terrestre, e de sentimentos como a vingança, a raiva e a culpa.

A primeira parte de "A Cabana" é até interessante, pois sugere um filme de suspense, tipo "O Silêncio do Lago". Mas em seu decorrer, vira um filme puramente religioso, com uma pregação insuportável, que pode agradar pessoas religiosas, mas certamente não vai convencer quem não acredita.

Duração: 2h13min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, March 30, 2017

"O Mundo Fora do Lugar" (Die abhandene Welt)



Sophie (Katja Riemann) se vira como realizadora de casamentos para casais que não querem nada religioso e também é cantora em um restaurante. Mas sua vida vai sofrer mudanças radicais e aproximá-la mais do pai e de um tio, ao descobrir segredos do passado deles, em "O Mundo Fora do Lugar" (Die abhandene Welt), direção de Margaretha von Trotta.

Certo dia, seu pai, Paul (Matthias Habich), encontra na internet uma matéria sobre a cantora lírica Caterina (Barbara Sukowa), que é uma sósia perfeita de sua falecida esposa, Evelyn. Paul fica obcecado em saber mais sobre aquela mulher, e pede que Sophie vá ao encontro dela, no outro lado do oceano, em Nova Iorque. Ele deseja que a filha para tentar convencê-la a visitá-los na Alemanha. Meio a contra-gosto, Sophie decide atender o pedido do pai. E ao chegar e conhecer Caterina, uma musa controladora e irascível, Sophie irá juntar os pontos aos poucos, mesmo que para tanto tenha de fuçar no passado de muitas pessoas.

Atuações soberbas, principalmente de Barbara Sukowa e Katja Riemann, e sequências questionadoras, chegando perto de um filme de detetive sem crime - mas de segredos perturbadores e constrangedores. E aquela coisa que sentimos quando não entendemos o porque de algumas pessoas guardarem rancores por décadas, por motivos muitas vezes, ridículos.

Duração: 1h41min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Mulheres do Século 20" (20th Century Women)



"Mulheres do Século 20" (20th Century Women), direção de Mike Mills, mostra um belo mas perturbador retrato do final dos anos 1970. O filme tem tons bastante autobiográficos e mostra a história de três mulheres de gerações diferentes que dividem uma mesma casa: a mais nova, Julie (Elle Fanning), com 17 anos de idade, a do meio, Abbie (Greta Gerwig), com seus quase 30 e a mais velha, Dorothea (Annette Bening), com 50 e poucos anos e mãe do adolescente de 15 anos, Jamie (Lucas Jade Zumannv), que é o narrador da trama, talvez o alter-ego do diretor.

O filme tem sempre presente Jamie, pois é sempre mostrado o seu ponto de vista. Ele tem uma grande proximidade com Julie, com os dois conversando sobre tudo e com o hábito de dormirem na mesma cama, mas sem rolar sexo entre eles. Já com Abbie, os diálogos mostrados falam sobre bandas de punk rock - a fotógrafa é o retrato da época, final dos anos 1970. E por fim, Dorothea, nascida em meados dos anos 1920, se discorre sobre o passado. Mas ela é uma mãe presente e preocupada com o garoto - que criado sem pai, não aparenta rebeldia, mas sim sede de conhecimento.

O forte de "Mulheres do Século 20", além do visual característico da época, são seus diálogos, fortes e reflexivos, se mostra o principal elemento do longa. Enfim, fica evidente que é um filme quase autobiográfico, sendo possível enxergar o que ocorreu na vida do diretor em sua adolescência, cercado de três mulheres fortes e inteligentes, que moldaram seu caráter.

Duração: 1h59min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Central - O Filme"



"Central - O Filme", direção de Tatiana Sager e Renato Dornelles, baseado em livro-reportagem do próprio Dornelles, "Falange Gaúcha", mergulha no inferno do Presídio Central de Porto Alegre, considerado em 2008 a pior penitenciária do país.

A produção passou mais de dois meses dentro dos corredores fedorentos do lugar, mostrando o pesadelo por que passam condenados, carcereiros, seus familiares. O ambiente é tão horrível, com os presos sendo quase o dobro do que o local suporta, que as celas ficam acertas e são geridas pelos próprios "moradores" do local, onde a Brigada Militar tem a entrada restrita. O tráfico de drogas e armas rola solto, além do que muitos dos presidiários têm de pagar para ficar no local. E muitos deles possuem doenças como tuberculose e HIV.

"Central - O Filme" ainda traz cenas perturbadoras, como uma festa regada a cocaína, com os presos enfileirados, esperando sua vez de pegar a droga, e comemorações de facções quando vencem outras. Os presidiários ainda dão seus depoimentos de como funciona o sistema na cadeia, com muitos familiares tendo de fazer trabalhos para manter seus entes queridos vivos atrás das grades. E não, ninguém é inocente neste mundo. Cruel.

Duração: 1h15min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Era o Hotel Cambridge"




"Era o Hotel Cambridge", da diretora Eliane Caffé, narra a trajetória de centenas de pessoas que invadiram um velho prédio abandonado no centro de São Paulo. O hotel do título foi um dos principais do país na década de 1950, quando recebeu várias personalidades nacionais e internacionais, mas com o tempo foi entrando em decadência. Seu proprietário acabou abandonando o prédio.

Dez anos depois, cheio de entulhos, ratos, insetos, pessoas que não tinham onde morar, o ocuparam, fazendo uma reforma geral no local. Foi a senha para que o proprietário pedisse a reintegração de posse. Moram no prédio refugiados recém-chegados ao Brasil e trabalhadores sem-teto, que se organizam numa comuna.

O filme é um misto de documentário com ficção. Parece que seus moradores interpretaram momentos de suas vidas no prédio, ao lado de atores como José Dumont e Suely Franco. Aliás, a direção de arte foi feita em parceria com alunos da Escola da Cidade, uma experiência pedagógica e artística que explorou as fronteiras entre arquitetura e cinema e entre arte e educação.

A preparação do projeto levou dois anos e foi gerido por um coletivo que permitiu transformar todo o edifício (que é zona de conflito real) no set criativo da filmagem. Esse coletivo foi composto por quatro frentes principais: núcleo de estudantes de arquitetura da Escola da Cidade, equipe de produção do filme, lideranças da FLM (Frente de Luta pela Moradia) e grupo dos refugiados. Por meio de oficinas dentro da ocupação surgiu a matéria-prima para o aprimoramento do roteiro e da direção de arte. A ousadia do experimento garantiu autenticidade e força dramática ao filme.

Recentemente, o edifício Cambridge foi declarado pelo poder público como área de interesse social, à espera de um retro-fit para moradia popular. Mas o ponto forte dessa experiência foi fortalecer o engajamento político dos estudantes e fazê-los sentir a importância e a responsabilidade social do arquiteto, trabalhando nas fronteiras, contaminando e provocando situações e pontos de vistas transformadores.

Duração: 1h39min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"O Ornitólogo"




"O Ornitólogo", direção de João Pedro Rodrigues, é um filme com um pouco dos pés na religiosidade. Vemos a peregrinação do ornitólogo Fernando (Paul Hamy), que está viajando pelo curso de um rio em Portugal pesquisando cegonhas pretas raras. Ele viaja em um caiaque e um dia sofre um acidente, sendo resgatado por duas garotas chinesas que estão fazendo o trajeto de Santiago de Compostela.

Então, o filme se encaminha para algo de terror, com Fernando sendo amarrado pelas duas e sofrendo um certo tipo de tortura. Ao conseguir escapar, o ornitólogo se embrenha mais e mais na mata, onde irá passar por experiências estranhas. Em uma noite ele dá de cara com uma tribo de caretos que fala mirandês e que estão realizando um tipo de ritual. Seguindo seu caminho, Fernando encontra um pastor chamado de Jesus, que cuida de algumas cabras na beira do rio. Os dois acabam se envolvendo romanticamente, mas culminando num final trágico.

E neste ponto do filme, o espectador se pergunta o que está ocorrendo na tela, depois de tanta viagem beirando o alucinógenio, na história. Que parece interminável, apesar da fotografia, que mostra uma paisagem excepcional. Mas a trama é meio sem pé nem cabeça. Ah, mas vou dizer que gostei pois é um filme-cabeça. Não, o filme é ruim e não diz a que veio.

Duração: 1h57min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"A Vigilante do Amanhã" (Ghost in the Shell)



Baseado em anime japonês, "A Vigilante do Amanhã" (Ghost in the Shell), direção de Rupert Sanders, traz a bela Scarlett Johansson vivendo uma espécie de robocop - ela tem o corpo construído artificialmente, mas os cientistas preservaram apenas o seu cérebro, que claro, controla todas as suas atividades. Major, a personagem de Johansson, comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos numa cidade futurista em 2029 - seria Tóquio, já que mais da metade das pessoas que surgem na tela são japonesas. Além do que, o visual é flagrantemente calcado em filmes oitentistas, mais evidentemente "Blade Runner".

Mas não é só o visual que remete ao clássico sci-fi. O personagem Major vive aquele conflito - seriam suas memórias reais ou implantadas. E como em "Blade Runner", a personagem caça um outro personagem robotizado, Kuze (Michael Carmen Pitt). E o filme vai empilhando referências, como as lutas e perseguições, muito iguais a "Robocop".

Os efeitos visuais de "A Vigilante do Amanhã" são impressionantes. O diretor apresenta uma fotografia cheia de detalhes. Mas infelizmente, no final das contas, o filme não é muito diferente da maioria dos seus pares de ação. E o espectador pega no sono.

Duração: 1h47min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Irmã (Little Sister)



Família não é fácil. Por isso, Colleen (Addison Timlin), que um dia foi uma adolescente gótica, se prepara para se tornar freira. Ainda em dúvidas sobre seu futuro, ela recebe um e-mail da mãe, vivida por uma ainda bonita Ally Sheedy, musa dos anos 1980, de filmes como "Clube dos Cinco" e "avisando que seu irmão voltou da guerra do Iraque severamente machucado. Assim, em Irmã (Little Sister), direção de Zack Clark, Colleen pede alguns dias para a madre superiora e retorna para casa.

Ao chegar em casa, seu quarto adolescente permanece inalterado, como se ela não tivesse passado um dia fora. Crucifixos de cabeça para baixo estão lá, assim como seus discos de rock. E os pais seguem usando drogas e o irmão, Jacob (Keith Poulson) vive enfurnado no quarto, tocando bateria, e com vergonha de encarar o mundo por causa das feridas que deformaram seu rosto.

Colleen tem, então, de lidar com pendências emocionais de seus familiares e dela mesma - que aos poucos vai tentando levar alegria à casa, mas sem pregações religiosas, mas procurando o passado para tentar achar soluções - pinta o cabelo de rosa, participa de festa de Halloween e obriga o irmão a encarar o mundo. Um filme sensível. E a personagem principal lembra muito a jovem Winona Ryder.

Duração: 1h31min

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, March 23, 2017

"T2 Trainspotting"



Vinte e um ano depois, o diretor Danny Boyle apresenta a sequência do clássico dos anos 1990, Trainspotting, onde era mostrada a rotina de quatro amigos viciados em drogas na capital escocesa Edimburgo. Em "T2 Trainspotting", é mostrado o que aconteceu com cada um deles, agora todos quarentões. No final do primeiro filme, Renton (Ewan McGregor) enganava os demais parceiros e escapava com milhares de libras.

Pois vinte anos depois, Renton decide deixar Amsterdã e retornar à cidade natal. Agora um novo homem, com emprego e livre das drogas, ele vai encontrar os antigos camaradas ainda perdidos na vida: Sick Boy (Jonny Lee Miller) dirige um falido bar que era de sua tia, cheira quilos de cocaína, enquanto tenta dar golpes ao lado da prostituta Veronika (Anjela Nedyalkova), Spud (Ewen Bremner) continua viciado em heroína e o violento Begbie (Robert Carlyle) está na prisão, cumprindo pena de 20 anos.

Aos poucos, porém, é mostrado que a vida de Renton não está tão certinha quanto ele tentava transparecer. Logo os golpes passam a fazer parte da rotina dele, ao lado de Sick Boy e Spud, que mostra pendores de escritor, ao resgatar em anotações as lembranças da turma. Mas eles ora cooperam um com o outro, ora um tenta passar a perna no outro, ainda mais que Renton ainda é visto como um traídor pelos antigos parceiros.

O filme é quase como uma homenagem ao seu antecessor, trazendo várias referências, citações e flash-backs da obra de 1996 - que ainda está no coração de toda uma geração. O espectador que nunca viu Trainspotting vai ficar perdido. "T2 Trainspotting" mostra ainda uma Edimburgo completamente diferente, agora mais modernizada em uma parte, mas em outra decadente, com prédios abandonados, lixos por toda a outra parte, muitos imigrantes, desemprego. Não deixa de ser uma crítica social forte.

Duração: 1h57min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Fragmentado" (Split)



M. Night Shyamalan é cineasta que teve um início de carreira extraordinário, principalmente com os longas "O Sexto Sentido", "Corpo Fechado", "A Vila", mas ao longo dos anos veio perdendo força, principalmente com "A Dama na Água", "Fim dos Tempos", e chegando ao buraco com "O Último Mestre do Ar". Ele voltaria a ganhar um pouco de força com o quase desconhecido "A Visita". Mas agora ganha fôlego com "Fragmentado" (Split).

Na trama, temos um homem que sofre com o transtorno dissociativo de identidade (TDI), Kevin (James McAvoy, de X-Men). Um deles, Dennis sequestra três garotas, Márcia (Jessica Sula), Claire (Haley Lu Richardson) e a esquisitona Casey (Anya Taylor-Joy, de A Bruxa), as trancafiando num porão. Elas não têm a mínima ideia dos objetivos do rapaz, se é estuprá-las, matá-las ou apenas confiná-las. Aos poucos, vão tentando encontrar uma maneira de escapar, ao mesmo tempo que vão se defrontando com as várias personalidades dele.

O filme também mostra, em forma de flash-backs, a infância de Casey ao lado do pai e do tio - e aos poucos vamos entendendo porque a menina é completamente quieta, fechada em seu mundo. Mas ao mesmo tempo é a mais esperta das três, com um grande instinto de sobrevivência. Já Kevin, como o aspirante a estilista Barry, é tratado pela psicóloga Karen Fletcher (Betty Buckley), que consegue de certa forma controlar as personalidades, mas desconhecendo as partes psicopatas do paciente.

"Fragmentado" consegue ser assustador, com boas atuações, principalmente James McAvoy, que consegue impressionar com as diversas personalidades que interpreta, mostrando trejeitos e expressões diferentes. Mas Anya Taylor-Joy, que já havia ido excepcionalmente bem em A Bruxa, dá ao seu personagem um ar de uma pessoa perdida, mas que mostra força e já passou por pior do que se avizinha. Shyamalan desta vez vai bem, ainda mais por deixar de lado as suas pegadinhas finais. Mas logo após o final, há uma esperta referência a "Corpo Fechado".

Duração: 1h 57min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Power Rangers" (Saban's Power Rangers)



Nunca assisti a série Power Rangers na televisão. Então entrei virgem na sala de cinema para ver o filme "Power Rangers" (Saban's Power Rangers), dirigido por Dean Israelite. E duas horas depois sai da sala completamente aturdido, aborrecido mesmo com tamanha pataquada, usando termo dos quadrinhos da Disney nos anos 1970.

A trama começa na Era Cenozóica, quando vemos o Ranger Vermelho Zordon (Bryan Cranston) tentando impedir que uma de suas parceiras, Rita Repulsa (Elizabeth Banks), mas que se virou para o lado do mal, consiga um cristal que a possibilitará dominar o mundo. Milhões de anos depois, jovens que não conseguem ser aceitos pela sociedade, vivendo por isso vários conflitos, acabam se reunindo quase ao acaso na pequena cidade de Angel Grove: o astro de futebol americano, Jason (Dacre Montgomery), mas que está impedido de jogar depois de ter praticado uma bobagem adolescente, o autista Billy (RJ Cyler), a bonita Kimberly (Naomi Scott), o garoto que cuida da mãe doente, Zack (Ludi Lin) e a rebelde Trini (Becky G.).

Os cinco acabam descobrindo pedras que os tranformará em pessoas com superpoderes (ops, já vi isso antes, num filme chamado Poder Sem Limites). O grupo, na sequência, encontra a nave de Zordon enterrada numa mina, junto com o robô Alpha 5 ( Bill Hader) e uma representação holográfica de Zordon, que revela a eles que foram escolhidos como Power Rangers, com a missão de salvar o mundo da ameaça proporcionada por Rita. Até aí já se passaram mais de uma hora de filme e muita enrolação.

Só vamos ver os heróis em ação nos minutos finais do longa, usando suas vestes coloridas. Até lá o que temos é uma torturantes história sonolenta, com dramas adolescentes manjados, que tanto já foram usados no cinema. E as atuações são calamitosas, principalmente a de Elizabeth Banks, com suas caretas e risadas maldosas. E vamos combinar, por que os vilões querem dominar o mundo, mas sempre com a intenção de destruí-lo? E o término é aquilo, lutas, e mais lutas, e mais lutas. Foi um alívio quando acabou.

Duração: 2h04min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Fatima"





Um filme que mostra o choque de gerações entre imigrantes. "Fatima", direção soberba de Philippe Faucon, mostra a vida dos árabes vivendo em terras francesas, e como eles tentam se adequar a costumes completamente distintos de sua terra natal.

Aqui, no caso temos a argelina Fatima (Soria Zeroual), que mora há mais de duas décadas na França. Porém, ela nunca conseguiu aprender a falar bem o francês, e não consegue escrever e ler, tornando-se quase uma pária. Mesmo assim, se vira trabalhando como doméstica, e criando duas filhas, Souad (Kenza Noah Aïche), de 15 anos, adolescente rebelde; e Nesrine (Zita Hanrot), de 18 anos, que está começando os estudos de medicina.

Fatima fala o mínimo na língua de seu país de adoção, e sofre com o preconceito das filhas, que têm vergonha dela, principalmente a mais nova. As duas jovens, além disso, não seguem as rígidas tradições árabes - não cobrem o cabelo, são expansivas, dão abertura para qualquer rapaz que chegue para falar com elas. Para desespero de Fatima.

Sem conseguir se comunicar com as filhas, seja no idioma local, seja pelo sentimento, Fatima começa a fazer anotações em árabe sobre tudo aquilo que gostaria de falar às filhas em francês. Enfim, temos aqui uma excelente obra sobre diferenças culturais, geracionais, com atuações simples e tocantes.

Duração: 1h19min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, March 16, 2017

"Tinha Que Ser Ele?" (Why Him?)




Eu fico me perguntando o que faz um ator como Bryan Cranston embarcar em furadas como esta? Pagar as contas, deve ser. Ou então tentar se desviar dos filmes pesados que fez nos últimos tempos? Bem que ele começou a ser conhecido quando fez a série cômica "Malcolm in the Middle" no começo deste século.

Em "Tinha Que Ser Ele?" (Why Him?), dirigido por John Hamburg, Cranston é Ned, um empresário falido, que na véspera de Natal decide levar a mulher, Barb (Megan Mullally, a Karen, de Will and Grace) e o filho nerd Scotty (Griffin Gluck) para visitar a filha Stephanie (Zoey Deutch), que está estudando em Stanford, na Califórnia, e também conhecer o novo namorado dela, Laird Mayhew (James Franco).

Só que ao chegar no destino, Ned descobre que Laird é um rapaz milionário, graças a um game que criou, mas também excêntrico e extremamente carente. A antipatia por Laird cresce ao saber que o jovem já divide as escovas de dentes e os lençois com a filha há mais de seis meses, e ele ainda quer casar com Stephanie. Então começam as piadas escatológicas, caretas, desentendimentos, até claro, tudo desenbocar no amolecimento de Ned - com direito até a presença de Gene Simmons e Paul Stanley, as cabeças pensantes da banda hard rock Kiss.

A única graça no filme está na presença do auxiliar de Laird, Gustav (Keegan-Michael Key), que aparece em cena revivendo Cato, o ajudante faz tudo de Peter Sellers na cinesérie "A Pantera Cor de Rosa". Gustav sempre aparece repentinamente, testando ops reflexos de defesa do patrão. A certo momento, Ned questiona: "Sério, vocês vão fazer este lance Pantera Cor de Rosa?". Foi uma boa sacada, ainda mais para o público atual, que não tem a mínima ideia de quem tenha sido o genial Peter Sellers. Pesquisem.

Duração: 1h52min

Cotação: regular
Chico Izidro