Thursday, July 20, 2017

"Fala Comigo"



"Fala Comigo", o primeiro filme de Felipe Sholl, mostra o relacionamento de um adolescente de 17 anos e uma mulher com quase 40, deprimida. E fala de fetiche, conservadorismo, homossexualidade. Enfim, põe o dedo em tabus. O personagem principal é Diogo (Tom Karabachian, filho do músico Paulinho Moska), que mora com a mãe, Clarice (Denise Fraga), terapeuta, o pai, vivido por Emílio de Mello e a irmã Mariana (Anita Ferraz). Ele tem a mania de ligar para as pacientes de sua mãe, e ouvir as vozes delas, enquanto se masturba.

Numa de suas ligações, ele acaba contatando Ângela (Karine Teles), que vive deprimida após ter sido abandonada pelo marido. E acredita que as ligações silenciosas sejam dele. Logo Diogo e Ângela entram em contato e entre eles surge uma atração, e os dois decidem manter um relacionamento. Claro que isso irá se chocar com a posição dos pais do garoto, que vivem uma crise de relacionamento, e não conseguem entender Diogo. Ele também se questiona sobre a sua sexualidade por ter feito jogos sexuais com um colega de escola.

O estreante Tom Karabachian está muito bem em seu papel, mostrando um olhar e um jeito de um garoto realmente tentando se encontrar sexualmente. Porém o grande destaque é mesmo Karine Teles, que já havia tido um desempenho magnífico como a patroa de Regina Casé no fantástico "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert. Aqui sua personagem é o oposto daquela. Uma mulher vivendo uma ciranda de emoções - tristeza, seguida de esperança....

Duração: 1h32min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Transformers: O Último Cavaleiro" (Transformers: The Last Knight)




"Transformers: O Último Cavaleiro" (Transformers: The Last Knight), dirigido por Michael Bay, é um filme que requer muita paciência, pois tem longas duas horas e meia. E uma história confusa, chata, com personagens rasos, robôs que se transformam em carros, explosões, muitas explosões. E começa lá na época do Rei Arthur e do Mago Merlin, passa pela II Guerra e chega aos dias de hoje, quando os tais robôs são considerados ilegais, e são defendidos por alguns seres humanos, entre eles Cade Yeager (Mark Wahlberg). A salvação está nas mãos da mocinha da vez, a professora Vivien Wembley (Laura Haddock), que seria a guardiã de uma arma alienígena.

O filme é muito confuso, abusa das correrias, do quebra-quebra, de lutas e explosões. Aliás, as lutas são mostradas tão rápidas, que não sabemos quem está brigando com quem. Lá pelas tantas, nos pegamos olhando o relógio para saber quanto tempo ainda resta de tortura - se você entrar na sala sabendo o tempo de duração.

"Transformers: O Último Cavaleiro" acaba se mostrando uma obra rasa, caótica, com uma história que vai do nada para lugar nenhum. E pensar que este quinto filme da franquia é contado como a segunda parte de uma trilogia - o próximo será lançado em 2019. Não sei se terei paciência para ver.

Duração: 2h29min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"De Canção em Canção" (Song to Song)




Terrence Malick é um diretor difícil. Com uma carreira iniciada nos anos 1970, com "Terra de Ninguém" e logo depois "Cinzas no Paraíso". Depois, ele ficou afastado da direção por longos 20 anos, só retornando no final da década de 1990, com "Além da Linha Vermelha". Já nos anos 2000, lançou "Novo Mundo". E mais um sumiço, voltando com o chatíssimo "Árvore da Vida", em 2011. Então veio "Amor Pleno". Ainda está na lista dos para assistir. Mas terei paciência depois de ver a sua nova obra, intitulada "De Canção em Canção" (Song to Song).

Agora, Malick foca na indústria musical. E com o mesmo esquema de seus outros trabalhos: uma câmera inquieta, personagens divagando sobre suas vidas. A história se passa em Austin, no Texas, em meio ao cenário musical local. E tem como foco um quadrado amoroso protagonizado por Cook (Michael Fassbender), um rico empresário da indústria musical, Rhonda (Natalie Portman), uma garçonete em crise financeira, que é seduzida por Cook, BV (Ryan Gosling), compositor em ascensão no mercado da música e em um relacionamento com Faye (Rooney Mara), cantora iniciante.

Músicos como Patti Smith, a banda Red Hot Chilli Peppers, Iggy Pop dão o ar de sua graça no filme - que vai se arrastando de uma forma tal, que por vezes me peguei piscando de sono e irritação. Me sentia sendo torturado por Torquemada durante a Inquisição Espanhola. Um filme para contemplar? Está mais para remédio para insones.

Duração: 2h09min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, July 13, 2017

"Poesia Sem Fim" (Poesía Sin Fin)



O octagenário cineasta Alejandro Jodorowsky dirige "Poesia Sem Fim" (Poesía Sin Fin), segundo de uma série de filmes que se propôs a fazer para contar a sua vida. O primeiro é "A Dança da Realidade", de 2013. A obra retrata a fase adolescente e começo de sua vida adulta, onde teve de romper com o rigoroso pai, comerciante e que não aceitava o filho ser poeta - vai virar bicha!, berrava ele, querendo que o rebento fosse médico.

"Poesia Sem Fim" começa com a família chegando a Santiago do Chile, onde o pai Jaime (interpretado por seu filho, Brontis) e a mãe (que fala como estivesse numa ópera), estabelecem um pequeno comércio em um bairro perigoso. Os habitantes da cidade são interpretados por pessoas vestindo máscaras, como se não tivessem identidade, todos pensando igual e sem perspectivas. Ao contrário do que Alejandro, vivido por Jeremias Herskovits, sonhava para ele, que rompendo com os pais, passa a conviver com poetas, músicos, palhaços, escultores. Vagabundos, na visão tacanha de seu pai.

Entrando na fase adulta, Jodorowsky passa a ser interpretado por seu outro filho, Adan Jodorowsky. Que é introduzido ao círculo íntimo dos artistas e intelectuais, conhecendo Enrique
Lihn, Stella Diaz, Nicanor Parra e tantos outros promissores escritores que, anos depois, se consagrarão como mestres da literatura moderna latino-americana. A vida não é fácil, falta dinheiro, e a fome está sempre presente. Mas os infortúnios sempre tratados com bom humor - o próprio diretor aparece fazendo intervenções, mostrando alguns caminhos para os personagens na tela. O filme se encerra com Alejandro partindo para Paris. Um filme genial.

Duração: 123min

Cotação: Excelente
Chico Izidro

"Soundtrack"



Por que algumas pessoas procuram o isolamento, o afastamento de semelhantes, e em lugares inóspitos? "Soundtrack", roteiro e direção da dupla Manitou Felipe e Bernardo Moura, conhecidos pelo apelido de 300ml, buscam na figura de um artista interpretado por Selton Mello tentar responder a algumas destas questões. E fazem um filme vigoroso, mas introspectivo e por vezes claustofóbico, e quase todo ele falado em inglês.

O artista fotográfico Cris (Selton Mello) se dirige até uma estação de epsquisa no Ártico para fazer um trabalho experimental: tirar fotos de si mesmo, as selfies, ouvindo músicas, para que em uma exposição que pretende realizar, as pessoas possam experimentar as suas mesmas sensações ao colocarem um fone de ouvido e apreciar suas fotografias.

O problema é que ele é visto com estranheza pelos habitantes da estação: o botânico brasileiro Cao (Seu Jorge), o especialista britânico em aquecimento global Mark (Ralph Ineson), o biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) e o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran). Que não levam a sério o projeto de Cris, afinal enquanto eles imaginam estar fazendo algo sério, o trabalho do visitante é visto como excentricidade.

Durante 12 dias, o período de visita de Cris, eles terão de tentar conviver e mostrar as diferentes visões sobre seus trabalhos. Selton Mello consegue apresentar um personagem por vezes depressivo, mas também irresponsável, por não aceitar algumas regras de sobrevivência do local. Mas o destaque vai para a interpretação de Ralph Ineson, o patriarca de "A Bruxa", como um homem no limite de suas emoções. Ele sente-se preso ao lugar, e afastado da mulher, grávida de seis meses. Os dois fazem um ótimo embate, que por vezes angustia.

Duração: 112 min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Paris Pode Esperar" (Paris Can Wait)



Aos 81 anos, Eleanor Coppola, esposa de Francis Ford, estreia na direção de uma ficção. Ela já havia lançado em 1991, "Apocalipse de Um Cineasta", documentário onde ela retrata os bastidores de "Apocalipse Now", clássico lançado em 1979 pelo seu marido, mas que sofreu com a produção. Agora, Eleanor pega o espectador pelo estômago e pelo visual, numa obra delicada e sensivel. E sem grandes pretensões, por isso mesmo agradável.

A trama acompanha Anne (Diane Lane), casada com um produtor de cinema, Michael Lockwood (Alec Baldwin), que passa o tempo todo ao celular e prometendo aquelas férias a dois que nunca acontecem. À véspera de uma viagem para Budapeste, onde Michael fará negociações de uma filmagem, Anne sente dores nos ouvidos, e é impedida de viajar. Como após a Hungria eles iriam para Paris, ela recebe o convite de um dos sócios de Michael, Jacques (Arnaud Viard) de irem de carro para a Cidade Luz.

Anne aceita a sugestão. E a viagem será agradável, mas também estranha. Jacques é um bom vivant, galanteador, e comilão contumaz. No caminho de Cannes à Paris, ele vai apresentando para Anne as delícias da culinária francesa, sempre regada a bons vinhos. E ele é um homem culto, que vai pelo caminho contando os acontecimentos históricos que transcorreram nos locais por quais passam. Paisagens belíssimas, história, arte, comida, bebida. Saímos do cinema querendo ir direto para o aeroporto, e se mudar para a França.

Duração: 93min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, July 06, 2017

"Homem-Aranha: De Volta ao Lar" (Spider-Man: Homecoming)



Descaracterização. É o que acontece no novo "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" (Spider-Man: Homecoming), direção de Jon Watts. Esqueça tudo aquilo que você leu nos quadrinhos do aracnídeo desde criança, ou até mesmo os filmes estrelados por Tob Maguire no começo do século e depois as versões com Andrew Garfield. Para atrair um novo tipo de público, mais jovem e conectado com as tecnologias atuais, a nova trama mexe com toda a mitologia do super-herói escalador de paredes. Além de fazer uma mistura racial, conectado com os novos tempos.

Na nova versão, o herói é vivido por Tom Holland e tem apenas 15 anos. Tudo bem, lá no início Peter Parker tinha mesmo esta idade. Porém, o resto é totalmente modificado. Ele ainda vive com a tia May, que agora é uma gostosona, Marisa Tomei, e não a velhinha enrugada que nos acostumamos a ver. Tem um amigo nerd gordinho e com ares orientais, o irritante Ned Leeds (Jacob Batalon). E sua paixão não é mais Mary Jane, mas sim a garota negra Liz (Laura Harrier). E o que falar do novo uniforme do Homem-Aranha? Como o personagem quer entrar para os Vingadores, e o novo longa mostra ser uma sequência de "Capitão América: Guerra Civil", o traje é completamente inteligente, todo computadorizado e projetado pelo padrinho de Peter, Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr).

A história mostra Peter Parker levando sua vida dupla - pela manhã na escola e à tarde e noite combatendo o crime pelas ruas de Nova Iorque, até que se depara com um vilão que trafica armas alienígenas, o Abutre, vivido por Michael Keaton, que um dia já foi o Batman.

"Homem-Aranha: De Volta ao Lar" (Spider-Man: Homecoming) não é, apesar de todas as alterações na mitologia do personagem, um filme ruim. Estão lá presentes o humor, a ação constante e muito drama pessoal, tanto por lado do herói, quanto do vilão - ele age criminosamente pensando em sua família. E acerto para Keaton, que não cria um bandido caricatural. Diversão certa.

Duração: 134 min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Galeria F"




“Galeria F”, dirigido por Emília Silveira, analisa os duros anos da Ditadura Militar, que duraram 21 anos no Brasil, de 1964 a 1985, sob a ótica de um preso político, Theodomiro Romeiro dos Santos, ex-militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e a única pessoa condenada à morte na história republicana do país, por ter matado aos 18 anos um dos policiais que tentava prendê-lo.

Ao lado do filho mais velho, Guga, Theodomiro visita as prisões onde foi encarcerado e relata como protagonizou uma das fugas mais incríveis naquele período triste. Os dois vão ao interior baiano, passando pelo Cemitério Campo Limpo em Ilhéus, pela fazenda Boa Esperança em Canavieiros, pela fazendo Olhos d’água em Itabebi, por Vitória da Conquista e pelo centro de tortura Forte do Barbalho em Salvador, percorrendo um total de 1277 quilômetros. Durante a viagem, Theo ainda encontra antigos colegas de guerrilha e outros com quem esteve preso e os que ajudaram em sua fuga para escapar do carrasco.

Um de seus grandes inimigos era o então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza, que aparece dando entrevistas à Rede Globo, onde fala dos esforços dos militares e policiais em recapturar Theodoro.

O documentário analisa nas lembranças de Theodomiro aqueles anos brutos, e que para ele começaram a pesar em 27 de outubro de 1970, ocasião em que foi preso e torturado. E constata ainda, de forma infeliz, que o período da Ditadura está oi foi esquecido. Em determinado momento, Theodomiro pega uma balsa e conversa com seus tripulantes, que não sabem que o Brasil foi vitimado por mais de duas décadas por brutalidade militar. E o que falta ainda é o outro lado, o dos milicos, que não dão sua versão dos acontecimentos. Mesmo que já saibamos o que eles irão falar...ou mentir...

Duração: 1h26min

Cotação: bom
Chico Izidro

"A Mulher do Pai"




A vida de uma adolescente em uma cidadezinha na fronteira do Brasil com o Uruguai é o tema de "A Mulher do Pai", dirigido pela gaúcha Cristiane Oliveira. É uma obra sensível e extremamente comovente, mostrando ainda o desalento que é viver num local distante e afastado - e isso é constantemente lembrado pelos seus personagens. Até lembrei agora da música dos Engenheiros do Hawaii, "Longe Demais das Capitais".

A garota Nalu (Maria Galant) vive com a avó e o pai cego Ruben (Marat Descartes) numa casa afastada de um vilarejo. A vida dela é radicalmente afetada quando a avó morre e Nalu passa a ter a incumbência de cuidar do pai. E os dois são quase como estranhos. Não se falam, e quando o fazem é agressivamente. O destino de Nalu, que estuda no segundo grau, é virar tecelã, assim como o pai, que vive de uma pensão do governo e do pouco que consegue vender de suas peças no mercadinho local. "O que ganho mal dá para nós dois", fala Ruben em determinado momento.

A menina também tem uma forte curiosidade sexual e vai saciando isso com um rapaz uruguaio, sobrinho do dono da vendinha do local. Em certo momento, Nalu convida a professora de artes, a uruguaia Rosario (Veronica Perrota), a dar aulas de cerâmica ao seu pai. E isso vai afetar muito a vida dos três. Nalu se sentia indiferente em relação a Ruben, e repentinamente cria um ciúme tremendo, pois Ruben e Rosario passam a se entender muito bem.

Os atores estão ótimos em cena. A estreante Maria Galant consegue transmitir toda a angústia de uma adolescente que ainda não encontrou o seu espaço no mundo e também têm dúvidas do que pode fazer da vida. Marat Descartes passa toda aquela amargura de uma pessoa que depende de outras para fazer as coisas mais simples, como se alimentar. Único porém foi a utilização de um funk para mostrar como a vida na capital, no caso Porto Alegre, é legal. A melhor amiga de Nalu passa uma semana em Porto Alegre e no retorno mostra um funk à jovem, como algo bom e moderno. Com tanto ritmo musical mais interessante e inteligente, isso foi um retrocesso.

Duração: 94min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Divinas Divas"



Com uma sensivel direção da atriz Leandra Leal, "Divinas Divas" faz um retrato eloquente da vida de pessoas que nasceram para subverter, mas não de maneira proposital. Leandra foca a vida das travestis Rogéria, Jane di Castro, Divina Valéria, Camille K., Eloina dos Leopardos, Fujika de Halliday, Marquesa e Brigitte de Búzios, que venceram na vida como atrizes, cantoras, dançarinas. Suas vidas foram marcadas por luta, resistência e, principalmente, por se assumirem em uma época repleta de repressão, onde não se aceitava o homossexualismo e muito menos homens se vestirem e viverem como mulheres. Não que tenha mudado muita coisa no Brasil...

Leandra Leal desde pequena conviveu com personagens como Rogéria, que lembra sua infância, onde nunca foi reprimida pela mãe. E a diretora é neta de Américo Leal (não confundir com o político gaúcho), dono do teatro Rival, no Rio de Janeiro, que acolheu desde sempre espetáculos das transformistas, desafiando tabus, regras, normas medievais.

A diretora, atriz desde os 12 anos de idade, e protagonista de filmes como "O Homem Que Copiava", "O Lobo Atrás da Porta" e "Mato sem Cachorro", é discreta atra´s das câmeras - ela nunca aparece e pouco se escuta sua voz quando questiona os travestis sobre suas vidas. E foram vidas sofridas, mas elas não lamentam, e lembram momentos fortes, como Jane di Castro, que tem um companheiro há mais de 50 anos, e que perdeu empregos, amigos, por escolher viver ao seu lado. Um filme tocante e que nos faz pensar em nossos preconceitos.

Duração: 101 min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Friday, June 30, 2017

"Uma Família de Dois" (Demain Tout Commence)



Para começo de conversa, "Uma Família de Dois" (Demain Tout Commence), direção de Hugo Gélin, tem uma incrível similaridade com o hoje clássico setentista "Kramer vs Kramer". Além do que é o remake francês do sucesso mexicano "Não Aceitamos Devoluções". Protagonizado por Omar Sy, de "Intocáveis" e "Samba", o filme mostra o amadurecimento de um homem e sua relação com a filha, de início rejeitada.

Na trama, Samuel (Sy) é um festeiro, irresponsável, que trabalha em um hotel no litoral da França. Um dia, Kristin (Clémence Poésy), com quem ele teve um rápido caso no passado retorna e deixa com ele um bebê: "toma que o filho é teu", e se manda para Londres. Samuel vai atrás da garota, mas não a encontra. Sem dinheiro, sem teto, vai ficando na capital inglesa com o bebê, batizada de Gloria. Acaba arumando emprego de dublê e vai ficando, ficando, sem nunca aprender inglês. Os anos passam e Gloria (Gloria Colston) se mostra inteligente, bem tratada pelo pai, que faz tudo por ela. Só que a menina não abandona a ideia de conhecer a mãe.

Quando já está com oito anos, Kristin aparece, e para desespero de Samuel, deseja a guarda da filha que abandonou ainda bebê. A briga vai parar nos tribunais. Então de comédia, vira drama. Mas nunca sem perder força. "Uma Família de Dois" faz refletir sobre a paternidade, amadurecimento, responsabilidade, amor intenso e inconteste. Enfim, mostra que às vezes temos de mudar para sermos felizes e fazer os outros felizes.

Duração: 118min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Um Instante de Amor" (Mal de Pierres)



Marion Cottilard está simplesmente esplendorosa em "Um Instante de Amor" (Mal de Pierres), direção de Nicole Garcia. No original, o título significa doença de pedras, aí o "gênio" do titulador brasileiro consegue pensar em instante de amor. Vai entender...

A trama se passa na França dos anos 1950, quando uma mulher, Gabrielle (Marion Cotillard), para tentar escapar de um destino nada agradável no interior do país, acaba casando com um pedreiro, José (Alex Brendemühl). O matrimônio é infeliz, e Gabrielle é uma mulher com forte feminilidade e sexualidade. Doente, com fortes dores renais, ela acaba sendo internada num hospital. E aí que começa a extravassar sua loucura, ao se apaixonar por outro paciente, o tenente do exército André Sauvage (Louis Garrel), que voltou da Guerra da Indochina. Os dois mantém um relacionamento intenso e apaixonado. E aí está a pegadinha do filme, que será explicado só lá em seu término.

De volta para casa e de José, Gabrielle não se conforma em se manter longe de André e lhe escreve cartas e mais cartas apaixonadas. Ela nunca se resigna, e os anos vão passando, e Gabrielle vai se aquietando, ainda mais depois que nasce seu filho.

Apesar do forte erotismo em algumas cenas, "Um Instante de Amor" é delicado, com uma bela trilha sonora, onde se destaca a música do compositor russo Tchaikovsky. E até mesmo o personagem de Alex Brendemühl, marido traído, se mantém sempre ao lado da mulher, mostrando uma sensibilidade fantástica quando mostra para Gabrielle porque sempre aceitou os acontecimentos. Mas o destaque fica mesmo por conta da forte atuação de Marion Cotillard, comprovando porque é uma das grandes atrizes da atualidade.

Duração: 121min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Meu Malvado Favorito" (Despicable Me 3)



"Meu Malvado Favorito" (Despicable Me 3), direção de Kyle Balda e Pierre Coffin, traz de volta o ex-vilão Gru, sua esposa Lucy e as filhas adotivas Margot, Agnes e Edith. Gru abandonou a vilania no segundo filme, entrando para a Liga Anti-vilões como agente, ao lado da mulher. Nesta terceira parte, ele acaba sendo demitido após fracassar em uma missão: capturar Balthazar Bratt, ex-astro mirim dos anos 1980, que resolveu entrar para o mundo do crime e, se vingar de Hollywood após seu seriado ser cancelado.

Bratt é o puro estereótipo daquela década: usa cabelo com mullets, roupa com ombreiras e sua aparição é sempre mostrada com músicas que fizeram sucesso naquele período, indo de Michael Jackson, com Bad, A-ha e Take On Me, Van Halen, com Jump, entre outras.

Desempregado, Gru fica sabendo que tem um irmão gêmeo, Dru, que é multimilionário por causa de uma criação de porcos. Reunidos, o gêmeo quer fazer Gru voltar ao mundo do crime - e ele até acaba caindo em tentação, escondendo suas ações da mulher e das meninas. Ah, e tem ainda os Minions, que decidem abandonar Gru quando ele se nega a voltar a praticar maldades.

A melhor parte do filme é a presença das meninas, com seu jeito fofo e meigo. A trama é leve, sem grandes subterfúgios, e com boas piadas e referências - quem é saudosista vai curtir muito as lembranças aos anos 1980. E ainda fica um gancho para uma continuação.

Duração: 90min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Mar Inquieto"



Dirigido por Fernando Mantelli, "Mar Inquieto" mira em vários gêneros cinematográficos, mas erra na maioria deles. A história tem drama, suspense, paranormalidade, fantasmas, tudo junto e misturado. A protagonista é Anita (Rita Guedes), que tem um passado completamente junkie. Livre das drogas, ela é casada com o bruto Vitorino (Daniel Bastreghi), e mora numa praia no litoral do sul do Brasil.

Sua única amiga é a vizinha Paula (Áurea Batista), também afundada num casamento infeliz. E Anita acredita em demônios e jura ouvir vozes que vêm do mar. O marido, que quer muito ter um filho com ela, é envolvido em um crime. E o personagem de Bastreghi é dono das piores falas do filme, sendo que o ator não consegue imprimir veracidade a Vitorino. A trama ainda tem o comparsa dele, o bruto Hugo (Miguel Lunardi), que passa a assediar Anita, ao lado de um capanga (Marcos Contreras).

Anita terá de esquecer seu passado de drogadita - as piores cenas de "Mar Inquieto", onde a atriz se mostra incapaz de uma boa interpretação - são várias cenas de flash-back mostrando o passado de Anita, antes de ela se envolver com Vitorino.

As melhores partes da história são centradas nas duas amigas, Anita e Paula. Talvez para mostrar um filme feminista, onde as mulheres demonstram mais força e inteligência. A parte final vira um

Duração: 98 min

Cotação: regular
Chico Izidro

Thursday, June 22, 2017

"Ao Cair da Noite" (It Comes At Night)



Um filme de terror não precisa exatamente trazer momentos explícitos, com sangue escorrendo e monstros perseguindo alguém. Pode ser apenas de sutileza, como é "Ao Cair da Noite" (It Comes At Night), direção de Trey Edward Shults. É uma obra repleta de paranoia, desconfiança, onde nada é dito, tudo é feito de forma implícita. E extremamente assustador.

A humanidade foi dizimada, mas nada é explicado. Um vírus é o mais provável. Uma família então, se isola numa casa na floresta - logo no começo o patriarca morre e seu corpo é queimado. Restam Paul (Joel Edgerton), sua mulher Sarah (Carmen Ejogoj) e o filho adolescente de 17 anos Travis (Kelvin Harrison Jr.). Uma noite, um homem tenta entrar na casa em busca de comida e água para sua família, também isolada em outro local. Após muita conversa, repleta de desconfiança, os dois núcleos decidem que o melhor e mais seguro é dividirem o espaço, para reforçar a segurança - afinal, o que mais pode estar lá fora?

O problema é que Paul nunca deixa de desconfiar de Will (Christopher Abbott), que sempre deixa furos, não parecendo ser quem ele aparenta ser. E toda a paranoia e loucura ficam presentes no personagem de Travis, um garoto que tem pesadelos intensos, e que não consegue ter muita atitude, por causa do controle que Paul faz da situação. Além do que, por vezes parece surgir uma tensão sexual entre ele e a mulher de Will.

"Ao Cair da Noite" mostra um mundo que parece ter acabado, mas não vemos escombros, não vemos pessoas caindo pelas ruas ou pela floresta. Aliás, não vemos nada. Tudo aqui é feito para o espectador pensar. Nada é gratuito. Mas que é claustrofóbico, ah, sem dúvida;

Duração: 97min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Na Vertical" (Rester Vertical)



Um filme repleto de personagens estranhos, envolvidos em jogos sexuais, e que deixa muita dúvida no ar. "Na Vertical" (Rester Vertical), dirigido pelo francês Alain Guiraudie. O longa provoca muita estranheza, com mudanças rápidas de tempo.

A história é centrada em Leo (Damien Bonnard), um roteirista com dificuldades em concluir um projeto e que vaga pelo interior da França em busca de inspiração. Em sua caminhada, ele tromba com Yoan (Basile Meilleurat), um jovem que Leo acredita ter as condições necessárias para ser um ator e que mora com o avô Marcel (Christian Bouillette), que será o protagonista de uma virada no filme quase em seu final. Seguindo viagem, Leo encontra a jovem pastora Marie (India Hair), que cuida de um rebanho de ovelhas com o seu pai Jean-Louis (Raphaël Thiéry). Não demora muito e os dois estão transando.

E o filme dá um pulo no tempo, mostrando Marie com um filho de Leo. Enfim, sua ida temporária pelo interior acaba sendo definitiva, e Leo não consegue mais deixar o local. Vai se envolvendo ainda mais com as pessoas, passando a viver como uma delas, e até entrando em relacionamentos homossexuais.

"Na Vertical" acaba sendo uma obra bizarra, não muito fácil de se assistir e de se entender.

Duração: 98min

Cotação: regular
Chico Izidro

"O Cidadão Ilustre" (El Ciudadano Ilustre)



A Argentina já tem o Papa, um dos melhores jogadores do mundo, Messi, e de forma ficcional também o prêmio Nobel da Literatura, o escritor Daniel Mantovani (Oscar Martinez, sensacional) na comédia de situação "O Cidadão Ilustre" (El Ciudadano Ilustre), direção de Mariano Cohn e Gastón Duprat. A história mostra um homem voltando para sua cidade natal e verificar que não tem nenhuma relação com o local.

Daniel Mantovani, ao contrário do conterrâneo José Luis Borges, ganhou o prêmio máximo da literatura. Na hora de receber a premiação, mostra ser um homem que não gosta de convenções, ao se recusar a usar o traje tradicional na cerimônia e também não fazendo a tradicional reverência ao rei e à rainha da Suécia. Depois, começa a receber uma enxurrada de convites para palestras, entrevistas, visitas, mas vai recusando todas. Até que uma em especial chama a sua atenção - de voltar a Salas, sua cidade natal, no interior da Argentina. Mantovani saiu de lá há 40 anos e nunca mais voltou. E a volta não será nada agradável. Aí está a graça do filme.

O escritor, ao chegar, anda de carro de bombeiros, vê um busto seu ser inaugurado na praça principal, a medalha de cidadão ilustre de Salas. Recebido como herói, mas aos poucos o passado começa a lhe incomodar. Sua literatura foi quase toda ela feita de experiências vividas na cidade, utilizando personalidades locais como personagens - enfim, ele fez uma caricatura dos moradores salenses. E alguns cobram esta hipocrisia de Mantovani.

Os tipos mostrados no filme são hilários. Desde o melhor amigo, que casou com a namoradinha de Mantovani na adolescência, o prefeito puxa-saco, a miss da cidade, o morador que se sente ultrajado e começa a atrapalhar os movimentos do escritor por Salas. Afinal, o ressentimento, o passado, estão lá presentes, incomodando, e atrapalhando o futuro de Mantovani.

Duração: 118min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, June 15, 2017

"Colossal"




Um filme de monstros diferente. E divertido. Poderia chamar de cinema fantástico. "Colossal", dirigido por Nacho Vigalondo, sim, isto mesmo o nome do diretor (parece pseudônimo de ator pornô), fala de auto-conhecimento, de recuperação. A história gira em torno de Gloria (Anne Hathaway), que desempregada e sem muita perspectiva, leva um pontapé do namorado. Sem muitas opções, decide voltar para sua cidadezinha natal, para morar na casa que os pais colocaram à venda.

Alcoolatra, ela acaba reencontrando um amigo de infância, Oscar (Jason Sudeikis), que lhe oferece um trabalho em seu bar. Logo num bar!!! Ela tenta se controlar, mas às vezes tem apagões. Só que aos poucos vai se encontrando. E um dia ao ver o noticiário, vê que um monstro atacou Seul, na Coreia do Sul. Aos poucos, Gloria vai constatando que a criatura tem uma ligação mental com ela. A conexão, descobre Gloria, é que sempre que ela está num parquinho da cidade, o monstro faz uma aparição na capital sul-coreana. E seus gestos são repetidos pela criatura.

Ah, e onde está Oscar? De figura amigável, logo ele está mostrando quem realmente é. E a explicação vai aparecer mais tarde. E gira em torno de inveja, raiva, ódio. O filme causa certa estranheza, pois como sendo obra de Hollywood, foge totalmente do que estamos acostumados a ver. Mas ele está com os dois pés na cinematografia oriental. Divertido.


Duração: 90min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Frantz"




"Frantz", direção de François Ozon, fala de amor, mas também deixa questionamentos no ar. Passado no final da I Guerra Mundial, trata ainda de ressentimentos entre duas nações, a vencedora França e a derrotada Alemanha. A fotografia intercala o preto e o branco quando mostra a realidade e fica colorida quando a fantasia surge na mente de algum personagem.

Numa pequena cidade alemã, vive Anna (Paula Beer), que mora com os pais de seu falecido noivo durante batalha na I Guerra, Frantz. Ela vai sempre visitar o túmulo simbólico do amado - seu corpo não está lá, tendo sido enterrado em algum lugar na França. De repente, o local começa a ser visitado por um estranho, Adrien (Pierre Niney). Sua presença causa interrogações na localidade. Quem será o estranho. Ele é um francês que conheceu Frantz no período pré-guerra e foi à Alemanha chorar pelo amigo.

No começo, Adrien sofre com o desprezo dos pais de Frantz - o pai não aceita a presença de um inimigo em sua casa. Mas aos poucos, o jovem vai quebrando a resistência, e passa a contar como era a convivência com o germânico. Anna acaba se atraindo por Adrien, e nunca fica claro se ele e Frantz não tiveram uma relação homossexual, apesar de muito do que o francês revela em suas conversas, deixa isso claro.

“Frantz” mostra claramente ressentimentos de um povo contra o outro - o incômodo fica bem evidente em cena quando Anne assiste, pasma, franceses cantarem "A Marselhesa" em uma espelunca em Paris. O filme é investigação sobre o platonismo do amor, que mostra ainda que feridas abertas dificilmente são consertadas. Recomendado.

Duração: 127min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"A Vida de Uma Mulher" (Une Vie)



Ser mulher nunca foi fácil. Então imagine viver na França no Século XIX, presa a convenções sociais e religiosas? É o que pretende mostrar o diretor Stéphane Brizé em "A Vida de Uma Mulher" (Une Vie), que mostra durantes anos a trajetória de Jeanne (Judith Chemla). Garota abastada e estudiosa, terminou o ensino básico, e voltou para morar com os pais, numa das fazendas da família.

Um dia se apaixona pelo Julien de Lamare (Swann Arlaud) e acaba casando com ele. Fato que vai transformar a sua vida. Ele não é nada fiel e transforma a vida de Jeanne num inferno. A trai com a empregada, com outra nobre. Solitária e grávida, acaba enviuvando - e o padre local enchendo a sua cabeça com bobagens católicas sobre pecados e inferno. O filme vai dando saltos no tempo, mostrando o que vai se sucedendo na vida de Jeanne. Como por exemplo o filho Paul, um rapaz irresponsável, e que vai dilapidando a fortuna da família.

As imagens de "A Vida de Uma Mulher" (Une Vie) são opacas. E detalhe: por mais que mostre décadas na vida de Jeanne, ela nunca envelhece, mantendo sempre o ar jovial. Porém, é uma obra que incomoda, mostrando o absurdo de situações que um dia fizeram parte da sociedade.

Duração: 119min

Cotação: bom
Chico Izidro

"A Viagem de Fanny" (Le Voyage de Fanny)



Baseado em fatos reais, "A Viagem de Fanny" (Le Voyage de Fanny), direção de Lola Doillon, evoca o clássico de Louis Malle, "Adeus, Meninos", mostrando o destino de crianças judias na Segunda Guerra Mundial, quando tiveram de se reinventar para escapar da perseguição nazista. Aqui as crianças acabam não sofrendo torturas ou sofrendo nas câmaras de gás. Temos aqui uma escapada pelo interior da França para tentar se chegar a neutra suíça.

A história é mostrada sobre a ótica da pequena Fanny (Léonie Souchaud), de 12 anos, que lidera uma fuga de oito crianças, sendo duas irmãs dela, sempre com o perigo nazista rondando suas cabeças. Todas elas perderam os pais, enviados para campos de concentração. Elas, ao contrário, são abrigadas em vários locais por pessoas abnegadas e que arriscam a vida para salvá-las. Mas após denúncia, os pequenos têm de escapar, e se enbrenhar em florestas, convivendo com fome, sede, frio e colaboracionistas.

Durante a fuga, Fanny vai amadurecendo - afinal, terá de crescer antes do tempo, sendo uma mãe para crianças menores, e que o tempo todo reclamam de algo e ameaçam desistir da escapada. Responsabilidade, coragem. Apesar do suspense, já sabemos o final, com as crianças chegando à fronteira suíça, mas não sem antes passar por vários percalços em sua trajetória.

Duração: 94 min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Tal Mãe, Tal Filha" (Telle Mère, Telle Fille)



Pela primeira vez em muito tempo Juliette Binoche não aparece em cena fazendo um papel depressivo e entediante. A comédia "Tal Mãe, Tal Filha" (Telle Mère, Telle Fille), direção de Noémie Saglio, tem certa graça, apesar de ser mais um filme a trazer a questão de pessoa de certa idade ainda vivendo como se fosse adolescente.

No caso, o personagem de Juliette Binoche, Maddo, mulher de 47 anos, desempregada e que vive de favores na casa da filha, Avril (Camille Cottin), jovem responsável, de 30 anos e que que trabalha criando essências de detergente mas sonha em produzir seus próprios perfumes. Maddo vive andando pela cidade de Paris em sua moto cor de rosa e vestindo suas camisetas de bandas de rock.
Junto com elas mora o marido de Avril, Louis, que está estudando, mas que como a sogra também não ajuda nas despesas da casa.

Então um belo dia Avril e Louis anunciam para suas famílias que estão esperando um bebê. Após o jantar, Mado encontra seu ex-marido Marc (Lambert Wilson). Os dois têm uma recaída, acabam transando e ela acaba engravidando. No princípio, Mado tenta fazer um aborto, mas caab desistindo, escondendo da filha sua situação. Meses depois, Avril descobre que sua mãe não abortou e perde a cabeça, mudando-se com Louis para a casa dos pais dele.

A trama passa então a mostrar que Avril entrou em crise, perto de um ataque de nervos, enquanto que Maddo tenta mudar seu jeito de ser. Apesar da previsibilidade do roteiro, o filme proporciona momentos divertidos, apesar da falta de profundidade de seus personagens.

Duração: 94min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Rodin"



O diretor Jacques Doillon pesou a mão em "Rodin", que trata sobre uma fase da vida do escultor de O Pensador. Tendo Vincent Lindon no papel principal, o filme é um pouco cansativo, mas mostra o processo de criação de Rodin, principalmente na década de 1880. Nesta época, já era bastante famoso na França, mas ainda faltava algo para ele entrar para a história.

É quando recebe do governo o pedido para criar uma escultura, no caso "La Porte de l'Enfer", a porta do inferno. E de certa forma, o nome da obra é o que se tornaria sua vida, dividida entre duas mulheres. Ele praticamente abandona a esposa Rose Beuret (Séverine Caneele) e apaixona-se pela aluna Rose Beuret (Séverine Caneele), escultora também talentosa. Os dois acabam tornando-se amantes.

Vincent Lindon consegue transmitir a angústia de Rodin, com olhares e gestos que mostram um homem em busca da perfeição. O problema é que o filme se arrasta por demais, porém os momentos de construção das obras são primorosas.

Duração: 119min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Rock'n'Roll - Por Trás da Fama" (Rock'n Roll)



Saber rir de si mesmo. Esta é a tática o cineasta Guillaume Canet no divertido "Rock'n'Roll - Por Trás da Fama" (Rock'n Roll), que brinca com a questão da idade para os atores de cinema. E que por tabela está presente em quase todas as atividades humanas. Passou de certa idade, já se está velho demais.

Aqui, Cannet interpreta ele mesmo, ao lado da namorada Marion Cottilard, que é Marion Cottilard (sua companheira também na vida real). Na história, o ator Guillaume Canet, que está com 43 anos, recebe uma crítica de uma jovem atriz dizendo que ele não é tão “rock’n roll” quanto imagina ser. Ou seja, é uma pessoa quadrada, conservadora. Ele simplesmente pira com a afirmação da garota, e decide mudar a imagem, passando a tentar ser quem ele não é. E a situação vai ficando mais e mais estranha. Além do que, ainda tem que conviver com Marion, que recebe a proposta para filmar no Canadá e passa a falar, de forma maniática, com o sotaque de Quebec. Hilária.

Canet passa a levar a exigência da idade aos extremos. E aos poucos vai aplicando botox na face, para parecer mais novo. A transformação, graças a muita maquiagem, vai ficando mais divertida e louca - muitos atores decidem investir no botox para não envelhecerem na tela, mas passam a ser apenas um retrato bizarro do que já foram.

Duração: 123min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Reencontro" (Sage Femme)




Catherine Deneuve está esplendorosa neste filme, "O Reencontro" (Sage Femme), dirigido por Martin Provost. Aos 73 anos, sua beleza ainda espanta, tendo envelhecido muito melhor que sua quase contemporânea Bridget Bardot. Aqui ela interpreta uma mulher irresponsável, que precisa da ajuda de outra mulher, a filha de seu falecido marido.

Deneuve vive Beatrice, que procura a ajuda de Claire (Catherine Frot, vista na comédia "Marguerite", aquela ricaça que se achava cantora lírica), parteira que trabalha em uma maternidade prestes a fechar as portas. Contragosto, ela se envolve com o caminhoneiro Paul (Olivier Gourmet), que tenta lhe ensinar a ser mais relaxada. Então surge Beatrice, que não tem a mais ninguém para pedir ajuda. É uma mulher de seus 70 e poucos anos, solitária e falida. O clichê se mostra presente, com duas pessoas de diferentes personalidades não se entendendo no começo, mas aos poucos passando a se gostar e se aceitarem. Cartilha previsível. Mas não descartável.

O filme é otimista. Mesmo que Beatrice tenha aparecido em momento de extrema necessidade e com uma doença que ameaça tirar a sua vida. E Claire, vista na comédia "Marguerite", aquela ricaça que se achava cantora lírica, tem a oportunidade de recomeçar a vida, com um namorado, um emprego novo, enfim, perspectivas novas. Apesar da trama clássica, "O Reencontro" (Sage Femme) oferece momentos interessantes, não se perdendo nas cenas de clichês sentimentais. As cenas realistas equilibram.

Duração: 117min

Cotação: bom
Chico Izidro