Thursday, May 25, 2017

“Real - O Plano Por Trás da História”




Adaptado do livro “3.000 dias no bunker”, do jornalista Guilherme Fiúza, “Real - O Plano Por Trás da História”, dirigido por Rodrigo Bittencourt, foge acertadamente do economês para contar a história da equipe de economistas formada pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso em 1993 para a criação de um plano econômico para derrubar a inflação, que à época chegava aos 50% ao mês.

A trama, claro, teve de utilizar momentos de liberdade fictícia para poder contar aquele momento que se tornaria histórico. E é centrado no economista totalmente liberal Gustavo Franco, professor de economia, antipetista ferrenho e mostrado como um homem sem escrúpulos, que abria mão de um casamento para tentar derrotar a inflação. Ele é vivido por Emílio Orciollo Netto. Sua vida é mostrada em dois tempos, uma naquele ano de 1993, e outro exatamente dez anos depois, quando depôs na CPI do Banestado.

O filme também é cuidadoso ao mostrar os bastidores do governo de Itamar Franco (Bemvindo Sequeira), presidente tampão no lugar de Fernando Collor de Mello, que um ano antes havia sofrido impechment. Em 1994 ele daria lugar a FHC (Norival Rizzo), eleito graças ao sucesso do Plano Real.

“Real - O Plano Por Trás da História” também utiliza alguns personagens fictícios, como a jornalista Valéria Vilela (Cássia Kis), que realiza uma entrevista com Gustavo Franco, a sua assessora Denise (Mariana Lima) e o deputado petista Gonçalves (Juliano Cazarré). Aliás, o trabalho dos atores do filme deve ser ressaltado, pois eles não tentam fazer apenas imitações dos personagens reais, conseguindo dar persolidadade e veracidade aos seus interpretados. O grande destaque acaba mesmo sendo Emílio Orciollo Netto, que mesmo vivendo alguém arrogante e por vezes estúpido, gera empatia por não ter a língua presa, falando o que acha que deve falar, mesmo se machucar alguém. E a obra ainda se mostra atual por alfinetar a onda de roubalheiras que assolam o país.

Duração: 1h35min

Cotação: bom
Chico Izidro

“A Família Dionti”



A Família Dionti, de Alan Minas, tem ares de realismo fantástico nesta bonita obra infanto-juvenil, mostrando a vida de um garoto vivendo no interior de Minas Gerais. Atemporal, pois por vezes, parece que estamos nos anos 1970 – observe os pôsteres na parede do quarto do protagonista, os veículos e as roupas – mas repentinamente um personagem surge falando ao celular.

O longa mostra o dia a dia do menino Kelton (Murilo Quirino), que mora com o pai Josué (Antônio Edson) e o irmão Serino (Bernardo Santos) num pequeno sítio nos rincões de Minas Gerais. Pela manhã os garotos estudam e à tarde ajudam o pai, que trabalha numa olaria, e quando sobra tempo, jogam bola e planejam reencontrar a mãe, que um dia simplesmente foi embora, pois derreteu.

Um belo dia, a vida de Kelton começa a sofrer mudanças, quando um circo chega à cidade. E com ele a pequena Sofia (Anna Luiza Marques), cujo pai é trapezista. Ela passa a estudar na mesma escola dele, e os dois criam um laço de amizade, mais de amor por parte de Kelton. E Sofia conta histórias mágicas sobre os colegas circenses, aumentando ainda mais a imaginação do garoto, que literalmente passa a derreter de amor pela garota.

O filme tem um grande clima poético, daquela pureza interiorana que hoje em dia não se vê mais. E as atuações de seus jovens atores é muito cativante. Kelton vai derretendo aos poucos, o irmão Serino tem sonhos tristes e chora grãos de areia. Já o pai, rígido mas compreensivo – a cena dos três jogando bola é linda demais -, teme que os filhos sigam os passos da mãe.


Duração: 1h37min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

“Faces de Uma Mulher” (Orpheline)



Dirigido por Arnaud des Paillières, “Faces de Uma Mulher” (Orpheline), possuía os ingredientes para ser um excelente filme, mas acaba tropeçando em sua soberba. Ele exige do espectador uma bola de cristal para se fazer entender, ou que pelo menos, ocorra um pré-conhecimento do que pretendia o diretor. E ele acaba apresentando um quebra-cabeças.

A trama foca na vida de quatro mulheres, todas de idade diferentes e épocas distintas. Tudo começa com a jovem Renée (Adèle Haenel), que é professora e está grávida, mas se envolve em um crime, acabando sendo presa. Então ocorre uma mudança na história, que passa a focar Sandra (Adèle Exarchopoulos), que chega em Paris e obtém um trabalho no jóquei clube, e aos poucos começa a praticar pequenos desvios de dinheiro.

Quando queremos saber o que ocorre com Sandra, o filme passa a focar outra garota, a problemática Karine (Solène Rigot), que não consegue se entender com o seu pai, e está sempre fugindo, buscando a atenção de homens em boates ou até mesmo nas ruas. Por fim, aparece a pequena Kiki (Vega Cuzytek), garotinha protagonista de um desastre. Certo dia, ao brincar de esconde-esconde com dois amigos, eles somem misteriosamente, traumatizando a pequena para sempre.

E não é spoiler, mas o diretor em sua difícil apresentação dos fatos ocorridos no longa, tenta mostrar que todas elas são a mesma pessoa, em diferentes momentos de suas vidas. Faltou um manual para ele se fazer entender melhor.

Duração: 1h51min

Cotação: regular
Chico Izidro

“Muito Romântico”




“Muito Romântico” é puro cinema experimental. Mas sejamos francos e honestos, um verdadeiro pé no saco. Não se entende como os realizadores conseguiram financiamento para este filme, que se pretende um viagem estética, artesanal e outras coisas mais. Alguns intelectuais vão dizer: “ah, mas você não entendeu o que eles quiseram dizer”. Então está bem, me explique, por favor!

Os diretores e roteiristas são o casal Melissa Dlilius e Gustavo Jahn (de O Som ao Redor). No filme, eles representam um casal que se muda para a alemã Berlim, onde alugam um pequeno apartamento. E os dois tentam transmitir o que se entende por amor, convivência. A dupla toca, canta, pinta, conversa e entedia de uma forma impressionante o espectador. O casal está tentando transmitir o que sente vivendo em um país estranho.

Enfim, a obra em questão quer exigir do espectador mais do que paciência e atenção – quer entendimento, mas para isso precisariam ter sido mais claros em seus objetivos, mesmo porque a proposta é totalmente fora do convencional.

Duração: 1h08min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Wednesday, May 17, 2017

“Corra!” (Get Out)




O filme começa com um rapaz negro caminhando por uma rua escura em um bairro branco. Ele conversa ao telefone e vai ficando nervoso. Segundos depois leva uma pancada na cabeça e é colocado em um carro. Eis um longa de terror. Então se passam meses, e aparece um casal inter-racial, o fotógrafo negro Chris (Daniel Kaluuya) e a jovem Rose (Allison Williams). Eles combinam de passar o final de semana na casa dos pais dela, mas a garota não falou que o namorado é afro-americano. Mas ele não deve se preocupar, pois os pais dela são liberais e votaram em Obama. Parece uma comédia romântica.

Eis o filme “Corra!” (Get Out), dirigido pelo comediante Jordan Peele. E logo a obra começará a dar sinais de que algo é diferente. Ao chegar na bela mansão dos Armitage, formado pelo neurocirurgião Dean (Bradley Whitfortd) e a psicóloga Missy (Catherine Kenner), adepta do hipnotismo. Chris não se sentirá discriminado, mesmo que as conversas do casal pareçam um pouco forçadas. Mas tudo parece tão certinho, tão politicamente correto. De diferente na casa, os empregados são negros e parecem não se sentirem confortáveis com a presença do fotógrafo ali – talvez por ele ser tratado como uma visita, enquanto que eles são nada mais que criados, lançando olhares estranhos para Chris.

“Corra!” é uma versão modernizada e de terror do clássico protagonizado por Sidney Poitier em 1967, “Adivinhe Quem Vem Para Jantar?”, um libelo contra o segregacionismo. Ali Sidney Poitier era um negro que aparecia na casa de Katherine Hepburne e Spencer Tracy, pais da sua noiva, que em princípio ficam em choque, mas aceitam o genro – médico e bem-educado.
Chris também é culto, bem nascido, mas desconfiado. Por mais que seja bem recebido, escute elogios, algo está errado naquela mansão. E isso o incomoda demais.

O filme acaba discutindo o racismo de forma até leve, e divertido – em certo momento um dos personagens solta a pérola “o negro está na moda”. E pelas tantas, some o romance e se junta ficção científica ao terror presente. Mas não dá para contar aqui o que se sucede sem dar spoiler. Mas que é um filme assustador e que faz pensar, ah, sem dúvida.


Duração: 1h44min

Cotação: ótimo
Chico Izidro


"Antes Que Eu Vá" (Before I Fall)




“Antes Que Eu Vá” (Before I Fall), direção de Ry Russo-Young, remete diretamente ao hoje clássico “Feitiço do Tempo”, protagonizado por Bill Murray e Andy MacDowell em 1993. Nesta comédia romântica, Murray era um repórter arrogante que acabava ficando preso no mesmo dia durante anos, mas que ao repetir sempre a mesma rotina, acabava mudando o seu jeito de ser, tornando-se uma pessoa melhor.

E em “Antes Que Eu Vá” (Before I Fall) não é diferente para Samantha Kingston (Zoey Deutch), adolescente que tem tudo na vida, pais maravilhosos, uma irmã pequena carinhosa – a quem ela trata muito mal - e amiga parceiras, mas mimadas e que são praticantes do bullying na escola. Também tem um namorado bonito, mas mauricinho. E os dois planejam fazer amor pela primeira vez no dia 12 de fevereiro – dois antes do Valentine’s Day – o dia dos namorados nos Estados Unidos.

E Samantha acorda naquele dia, segue sua rotina, que acabará em tragédia no final. E Samantha acorda no dia seguinte, pensando que tudo não passou de um pesadelo, e os acontecimentos vão se repetindo, e ela morre de novo. Para acordar de novo e tudo se repetir, até ela se dar conta de que está presa ao mesmo dia. E que pode mudar coisas em sua vida e até na de outras pessoas. Enfim, “Feitiço do Tempo” redivivo. Mas até tem seu valor.

Começa ruim, parecendo mais um filme de patricinhas, com personagens estereotipados, mas tudo de forma proposital. Aos poucos vamos entendendo suas motivações. E o longa se torna agradável, ainda mais por causa da boa atuação de Zoey Deutch, que já havia sido vista em “Jovens, Loucos e Rebeldes” e “Tinha Que Ser Ele?”.


Duração: 1h38min

Cotação: bom
Chico Izidro

“Rei Arthur: A Lenda da Espada” (King Arthur: Legend of the Sword)




Dirigido pelo ex-marido de Madonna, o cineasta inglês Guy Ritchie, “Rei Arthur: A Lenda da Espada” (King Arthur: Legend of the Sword), traz elementos da filmografia do cineasta, como os flash-backs e os lances explicativos da trama. Mas também tenta se aproximar de obras fantásticas como “O Senhor dos Anéis” e “Game of Thrones” com seus dragões, magos e batalhas grandiosas.

A vida do Rei Arthur ganha elementos mágicos. Tudo começando com uma batalha entre a Inglaterra e magos que desejam destituir o rei Uther (Eric Bana), pai de Arthur. Ele não sabe, mas foi traído pelo irmão Vortigen (Jude Law), que acaba assumindo o trono. O menino Arthur foge e se esconde pelas ruas de Londinium, onde é protegido por prostitutas. Anos depois, já adulto e com a cara de Charlie Hunnam, de “A Colina Escarlate”, Arthur, um malandro das ruas, surge para resgatar a mágica espada Escalibur, sendo o único homem a conseguir tirá-la de uma rocha, e reunir um grupo de rebeldes para tentar tirar Vortigen do comando do reino.

O filme tem qualidades, mas também exagera um pouco abusando de momentos mágicos, tirando muito os pés do chão. Por vezes parece uma obra de Guy Ritchie, por outras parece um trabalho de diretores moderninhos, que gostam de efeitos especiais exagerados. E também dá sinal de que deverá haver sequências, com o surgimento dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Duração: 2h06min

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, May 11, 2017

“Alien: Covenant”



Passados dez anos depois dos incidentes registrados em “Prometheus”, “Alien: Covenant”, novamente dirigido por Ridley Scott, que já havia nos dado em 1979 o assustador e claustrofóbico “Alien: O Oitavo Passageiro”, que pela ordem cronológica da cinessérie, transcorre cerca de 30 anos depois. O filme anterior, de 2012, perdeu um pouco de suspense e terror, que agora voltam com força.
Na trama, a nave Covenant, transportando milhares de colonos para um planeta distante a ser povoado, sofre uma pane, e os tripulantes acabam acordando do sono criogênico – eles deveriam dormir por sete anos, até a chegada da nave ao seu destino.

Os astronautas acabam recebendo sinais de vida de um planeta mais próximo, e o comandante Oram (Billy Crudup) decide investigar a sinalização. Claro que de forma equivocada. O novo planeta parece ser habitável, e os tripulantes começam a fazer planos de ali se estabelecerem – mas logo começam a ser atacados por uma estranha criatura, que se instala em suas entranhas e toma uma forma assustadora e destruidora ao sair do corpo de seus hospedeiros.

Ah, no tal planeta também está o androide David (Michael Fassbender), único sobrevivente de “Prometheus”. E o robô não tem intenções muito pacifícas, como parece querer crer. Fassbender faz papel duplo, atuando também como outro androide, o bondoso e obediente Walter. A heroína da vez é a astronauta Daniels (Katherine Waterston), viúva do capitão do Covenant, Branson (James Franco), que morreu quando do acidente da nave. Ela até faz lembrar um pouco Ripley, da inesquecível Sigourney Weaver, ainda mais usando um cabelinho curto.

E Scott consegue desta vez trazer medo e tensão na telona, deixando os espectadores nervosos e angustiados. Mas sabemos que lá pelas tantas vai ser aquilo: quem será o próximo personagem a ser assassinado pelo monstrengo.

Duração: 2h02min
Cotação: bom
Chico Izidro

“O Dia do Atentado” (Patriots Day)



Os Estados Unidos sofreram seu segundo atentado terrorista em 2013, durante a Maratona de Boston. Três pessoas acabaram morrendo e mais de duas centenas ficaram seriamente feridas, muitas perdendo partes do corpo. Agora este evento é recriado em “O Dia do Atentado” (Patriots Day), direção de Peter Berg. E ele consegue fazer um ótimo thriller, apesar de já sabermos o que ocorreu naquele dia e nos seguintes.

O atentado foi organizado por dois irmãos muçulmanos e chechenos Dzhokhar Tsarnaev e Tamerlan Tsarnaev – que explodiram duas bombas caseiras feitas com panelas de pressão perto da linha final da maratona. O filme mostra os vários lados do acontecido no dia 15 de abril daquele ano, com a preparação do atentado pelos dois irmãos, a explosão, até a investigação do FBI e da polícia de Boston, e depois a caçada humana que sucedeu, culminando na prisão dos dois terroristas.

Esta é a terceira produção de Berg tendo Mark Wahlberg como protagonista – os outros dois filmes foram “O Grande Herói” (Lone Survivor) e Horizonte Profundo: Desastre no Golfo (Deepwater Horizon). Aqui Wahlberg vive o policial Tommy Saunders, que participou ativamente das investigações e da perseguição aos chechenos. O filme tem ainda Kevin Bacon como agente do FBI, John Goodman como o comissário de polícia de Boston e J.K. Simmons no papel de um veterano policial.

E como escrevi acima, “O Dia do Atentado” (Patriots Day), apesar de sabermos o que ocorreu, Peter Berg consegue imprimir um suspense fantástico. A tensão vai num crescendo, nos fazermos suar frio, seja na cena das explosões ou quando os Tsarnaev foram descobertos. Um filmaço.

Duração: 2h09min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

“Uma Dama de Óculos Escuros Com Uma Arma no Carro” (La Dame Dans L’auto Avec Des Lunettes Et Um Fusil)



“Uma Dama de Óculos Escuros Com Uma Arma no Carro” (La Dame Dans L’auto Avec Des Lunettes Et Um Fusil”, dirigido por Joann Sfar e baseado em livro escrito por Sébastien Jafrisot, é daquelas histórias que o personagem principal se pergunta o porque de ter tomado tal decisão, que acabou se mostrando equivocada, e ameaça agora acabar com a sua vida, até então levada de forma tranquila.
A trama aparenta se passar nos anos 1970 – o filme não indica, mas as roupas, cabelos, óculos e carros dos personagens demonstra isso.

E tudo começa quando a bonita secretária Dany (Freya Mavor) recebe um pedido de seu chefe, Michel (Benjamin Biolay) – ele vai passar o final de semana com a mulher Anita (Stacy Martin) e a filha pequena na Suíça. Então Dany os leva ao aeroporto e depois deixa o carro dele, um cobiçado Thunderbird, na mansão. A primeira parte é feita por Dany, mas de posse do carrão, ela decide ir para o sul da França. Afinal, com mais de 20 anos de idade, nunca viu o mar e quer matar este desejo.

A decisão vai se mostrar equivocada, quando ela começa a se dirigir para o litoral. A cada localidade as pessoas dizem que ela já passou por ali no dia anterior. Dany nega, mas todos sempre insistem: é ela. O cabelo, os grandes óculos de grau. O carro. Aos poucos pequenos incidentes vão surgindo, e Dany se envolve com um pequeno trambiqueiro, George (Elio Germano). E acabar encontrando no carro um cadáver e um rifle.

Neste ponto o espectador já foi fisgado pela curiosidade. Afinal, para onde a diretora pretende seguir. O que está ocorrendo? O final, claro não contarei aqui, é surpreendente, e faz ver que valeu a pena percorrer os 93 minutos deste bom filme de suspense.

Duração: 1h33min

Cotação: bom
Chico Izidro

“A Autópsia” (The Autopsy of Jane Doe)



“A Autópsia” (The Autopsy of Jane Doe), com direção de André Øvredal, é um filme de terror que se passa praticamente em um único ambiente. E é feito de altos e baixos, mas não deixa de ser assustador e de incentivar a nossa curiosidade. E tudo é cercado por um forte clima de mistério, já em seu início. Em uma casa de uma daquelas típicas cidadezinhas americanas, uma família é encontrada assassinada. Mas o pior é quando a polícia vai ao porão e acha o corpo de uma garota semi-enterrado.

O xerife então encaminha o corpo da garota desconhecida, por isso Jane Doe ou uma espécie de Jane Ninguém, assim como eles chamam os corpos de homens desconhecidos de Joe Doe ou Zé Ninguém, para o necrotério afim de que seja feita uma autópsia detalhada nela – afinal não existem sinais de violência, nem feridas ou hematomas pelo corpo. O trabalho fica a cargo do legista Tommy Tilden (Brian Cox) e de seu filho Austin Tilden (Emile Hirsch).

E durante a autópsia, estranhos incidentes começam a ocorrer na pequena e apertada sala. E o corpo de Jane Doe, interpretada por Olwen Catherine Kelly, que simplesmente não se mexe durante todo o filme, apresenta sinais de feitiçaria em seu interior, intrigando ainda mais pai e filho, que começam a ver visões e se apavorar. E lá fora cai uma forte tempestade, e não tem ninguém para ajudá-los. Os dois parecem pouco a pouco a enlouquecer.

Para o espectador também pouca coisa é explicada, fazendo com que aparentemente estejamos trancados também naquele porão úmido e apertado. O ritmo é vigoroso, dinâmico. E não recomendável para quem é claustrofóbico.

Duração: 1h39min
Cotação: bom
Chico Izidro

“Guardiões da Galáxia Vol. 2” (Guardians of the Galaxy Vol. 2)




Continuação do estrondoso sucesso de 2014, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” (Guardians of the Galaxy Vol. 2), dirigido por James Gunn, traz de novo a turma formada pelo semi-humano Peter Quill/Senhor das Estrelas (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), o guaxinim Rocket (dublado por Bradley Cooper) e a arvorezinha Groot (dublado por Vin Diesel). E estão lá a trilha sonora forte, calcada em sucessos dos anos 1970, a exemplo do primeiro filme, muito humor, e claro, o velho papo de “a família é tudo nesta vida”.

Na trama, os Guardiões estão numa missão no espaço para os humanoides conhecidos como Soberanos. No final da empreitada, Rocket não se segura e comete um pequeno roubo, o que enfurece os Soberanos. Ao tentar fugir deles, os heróis acabam dando de cara com o sumido pai de Peter Quill, Ego, interpretado pelo veterano Kurt Russel. Aliás, logo no começo do filme, passado nos anos 1980, aparece o ator, rejuvenescido digitalmente.

Agora Quill encontrou o seu pai, que não o vira crescer. Quill foi criado pelo ladrão e mercenário Yondu (Michael Roocker, que vivia Merle, o irmão de Daryl em The Walking Dead), em uma atuação que vai da hilária ao trágico, mas sempre sem perder a ternura. Ego aparece mostrando que quer recuperar os anos perdidos ao lado do filho, mas ao longo do filme, veremos que não é bem assim.

E “Guardiões da Galáxia Vol. 2” segue com boas e divertidas aparições de coadjuvantes, como a irmã rancorosa de Gamora, Nebula (Karen Gillian), a garota inseto Mantis (Pom Klementieff). Aliás, todos os personagens que aparecem em cena, sejam eles mocinhos ou bandidos, são repletos de carisma, se destacando o ogro Taserface (Chris Sullivan, do seriado This Is Us), que tenta vender o seu nome como assustador, mas toda a vez que ele fala: “Sou o terrível Taserface”, a audiência cai na gargalhada.
E ainda tem o romance rola não rola entre Peter Quill e Gamora. Enfim, depois de 2h17min, que passam voando, devido ao acerto de suas cenas bem construídas – nada daquelas câmeras balançando e lutas em ritmo frenético, que deixam a gente tonto. Tudo é bem dosado, que mesmo aqueles que não são fãs de ficção científica, devem curtir. Ah, e espere os finais dos créditos – são cinco cenas adicionais, uma com aparição divertida do mestre Stan Lee.

Duração: 2h17min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, May 04, 2017

“A Filha” (The Daughter)



Segredos de família não costumam sem nada agradáveis. Em “A Filha” (The Daughter), direção de Simon Stone, eles aparecem para acabar com a paz e tranquilidade de uma delas. A trama se passa em uma pequena cidade no interior da Austrália. E tudo começa quando Christian (Paul Schneider), depois de vários anos distante de casa, retorna para acompanhar o casamento do pai, Henry, (Geoffrey Rush) com uma mulher 30 anos mais jovem.

Na cidadezinha, ele, que é alcoólatra, encontra seu melhor amigo de infância, Oliver (Ewen Leslie), que acabou de perder o emprego – ele era empregado da madereira de Henry, que a fechou por não obter lucro. E Oliver tem uma família perfeita, formada pela mulher Charlotte (Miranda Otto) e a filha perfeita, Hedvig (Odessa Young, de atuação esplendorosa). A garota usa cabelos da cor rosa, é talentosa e tenta, sem sucesso, perder a virgindade com o namoradinho. E ela é que será o estopim da tragédia que se avizinha. Tanto que o filme se chama “A Filha”.

Mas não cabe contar aqui como se chegará a tal ponto, que tem uma frase forte de um dos personagens: “Saia daqui. Eu nem consigo olhar para você”. A trama vai sendo servida em pílulas, mas quando chega o ápice, é como um tapa na cara. E mesmo passados tantos anos e tanto amor, fica a pergunta: “Não é possível perdoar, afinal determinada escolha foi feita por amor”. É um filme forte e belo.

Duração: 1h34min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

“Melhores Amigos” (Little Men)



Jacob (Theo Taplitz) é um garoto de talento para as artes, mas solitário em Manhatan. Certo dia a família recebe a notícia de que o avô morreu. Com dificuldades financeiras, todos se mudam para o casarão que ele deixou no Brooklyn. E a vida de Jacob vai virar repentinamente em “Melhores Amigos” (Little Men), dirigido por Ira Sachs. Ao chegar ao novo bairro, o adolescente fará amizade com Tony (Michael Barbieri), que é filho da costureira que aluga uma loja anexa a casa.

Os meninos se entendem imediatamente. Mas nada será fácil para eles. Afinal, a mãe de Tony, Leonor (Paulina Garcia) passou anos pagando um aluguel irrisório para o falecido avô de Jacob. E os pais dele, Brian (Greg Kennear) e Kathie (Jennifer Ehle) querem um reajuste. Brian é um ator de teatro que ganha muito mal e quem realmente sustenta a família é Kathie. E este conflito entre os pais de Jacob e Tony poderá interferir na amizade dos dois, que no primeiro momento, ao sentir o clima pesado entre seus familiares, decidem fazer uma greve de silêncio – é saborosa a cena em que os meninos tentam não falar quando interpelados por seus pais.

E Tony ainda serve como porto seguro para Jacob, vítima de bullying por sua habilidade com as artes – os outros meninos o vem como um afeminado. E o próprio filme deixa isto em aberto, abrindo a dúvida de que Jacob nutriria uma paixão pelo melhor amigo.
Os garotos estão ótimos em seus papéis, mas os adultos também brilham. Principalmente Greg Kinnear e Paulina Garcia, conhecida como a intérprete da mãe de Pablo Escobar na série “Narcos”. O embate entre os dois nos faz se agitar na poltrona, e pelo jeito com que Paulina atua, acabamos torcendo contra ela.

Duração: 1h25min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, April 27, 2017

"Além da Ilusão" (Planetarium)



Passado na Paris dos anos 1930, "Além da Ilusão" (Planetarium), com direção de Rebecca Zlotowski, não é um filme fácil. Tem um tom de farsa, de mistério, mostrando a vida de duas irmãs, Kate Barlow (Lily-Rose Depp, filha do ator Johnny Depp) e Laura (Natalie Portman), que são duas jovens americanas ganhando a vida como médiuns. E nunca fica claro se as duas possuem ou não o dom de se comunicar com os mortos.

Mas a especialidade delas chama a atenção de um produtor de cinema francês, André Korben (Emmanuel Salinger), que decide filmar um evento sobrenatural sem o uso de efeitos especiais, afinal as garotas são médiuns, não é? A trajetória de Laura e Kate é contada paralelamente. Laura, depois da experiência com Korben, acaba abraçando o mundo do cinema, com suas ilusões, amores e charme, enquanto Kate segue em suas sessões de mediunidade, onde seu dom serve para fins de pesquisa. No fundo da trama, política, pois envolvidos com o mistério, as pessoas não se dão conta do perigo do nazismo que se avizinha.

"Além da Ilusão" é um filme repleto de imaginação, mas também onde a realidade se apresenta por vezes. E ainda tem a excelente reconstituição de época, com figurinos, cabelos com cuidadio extremado. As atuações de Natalie Portman e Lily-Rose Depp são deliciosas - a atriz veterana parece estar se divertindo muito e dando um show ao trocar tão facilmente o inglês pelo francês, sempre sem sotaque. Enfim, são atuações explosivas, num filme que merece atenção em dobro.

Duração: 1h48min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Elon Não Acredita na Morte"



"Elon Não Acredita na Morte", dirigido por Ricardo Alves Jr. é meio estranho, com ares de suspense. Cinema brasileiro sem atores conhecidos, sem invenções, sem humor. Um filme onde o personagem principal não tem nada de simpático. Pelo contrário, Elon (Rômulo Braga) é um homem bruto, fechado, nada simpático. E um dia a sua mulher Madalena (Clara Choveaux) simplesmente desaparece, sem deixar pistas. Nem sinal de fumaça.

Elon não vai poupar esforços para descubrir o paradeiro da mulher. Saber o que houve com ela. Ele vai ao trabalho dela, à casa da irmã da esposa e procura até a polícia. Na casa da irmã de Madalena não é bem recebido - ela aliás acha que Elon sufoca a esposa e talvez seja este o motivo de ela ter dado no pé. “Você ama de um jeito muito complicado”, diz a irmã dela para Elon. Mas a busca dele não é facilitada por seu jeito grosso, beirando a estupidez. Ao ser demitido do emprego por faltar, simplesmente arrota na cara do patrão, que decide por uma demissão por justa causa.

Rômulo Braga é o grande mérito do filme. Sua atuação de um homem perturbado e preocupado é excepcional. Elon é um personagem de difícil trato, valorizado pelo rosto bruto do ator, dono de um olhar cansado, quase insone. "Elon Não Acredita na Morte" não é um filme para qualquer espectador. Com longos momentos de silêncio e planos sequência - sempre mostrando o personagem principal de costas, como se quisesse mostrar o afastamento dele do mundo, que lhe é hostil. Mas talvez um mundo que ele deixou assim.

Duração: 1h14min

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, April 20, 2017

"Paterson"



"Paterson", de Jim Jarmusch, está longe de ser um filme fácil de ser assistido. O público comum vai considerá-lo tedioso, afinal se analisarmos bem, nada acontece em suas quase duas horas de duração. Enfim, um puro clima de cinema alternativo.

No longa, acompanhamos uma semana na vida de Paterson (Adam Driver, de Star Wars: O Despertar da Força), um motorista de ônibus que gosta de escrever poemas. E ele vive na pequena cidade de Paterson, em Nova Jérsei. Basicamente vemos o motorista dirigindo seu ônibus, enquanto escuta a conversa dos passageiros, e nas horas vagas escreve seus poemas. Também vemos o convívio com sua bela esposa, Laura (Golshifteh Farahani), que para ajudar no orçamento da casa, cozinha deliciosos bolinhos - cookies, mas também é pintora e sonha em ser cantora folk.

Paterson é um personagem calmo. Leitor voraz, escreve seus poemas num caderninho que carrega para todos os lados. Mas ele está satisfeito com seu destino, e não pensa em nada mais a não ser dirigir seu ônibus e após o serviço, levar o cachorro buldogue para passear - depois passa sempre num pub, que é outro achado, com seus frequentadores mais estranhos um do que o outro. A paixão de Paterson pela poesia é tão impar, que a certo ponto, uma garotinha também poeta, olha para ele, e diz: "Estranho, um motorista de ônibus que gosta de Emily Dickinson".

Jarmusch, enfim, consegue captar com toda a sensibilidade, muito mais do que a vida de um motorista de ônibus. E isto que torna extraordinário neste filme, de um homem comum, com uma vida comum, mas mostrando muito mais do que isso. Um belo retrato do cotidiano.

Duração:

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Joaquim"



Um Brasil colonial com homens sujos, maltrapilhos, pensando em uma forma de enriquecer de qualquer forma. É o que vemos em "Joaquim", direção de Marcelo Gomes, e que mostra como se iniciou a formação do alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), que ficou conhecido como Tiradentes, já que costumava prestar serviços dentários para o povão. E o filme estreia propriamente na semana em que acontece o feriado que homenageia o protagonista.

Não vemos aqui Joaquim em sua luta contra o domínio de Portugal. A história transcorre anos antes de sua conversão a salvador da pátria, tendo como palco um vilarejo no sertão mineiro, onde Joaquim (Júlio Machado) faz parte de uma unidade militar, ao mesmo tempo que mantém um romance com a escrava Preta (a atriz portuguesa Isabél Zuaa), a quem promete comprar a liberdade. Preta é propriedade de um escravo liberto, que a maltrata, e ela não vê a hora de se ver livre de seu dono.

Joaquim aqui ainda não havia tomado a consciência que o faria se tornar um mártir. São cenas fortes, cruas, numa terra inóspita - em certo momento do filme, ele, ao lado de outros soldados, recebe a missão de se embrenhar ainda mais no sertão para tentar encontrar ouro.

"Joaquim" apresenta uma belíssima fotografia, pesquisa histórica aprimoradíssima e uma direção de arte encantadora. E tem ainda interpretações magníficas de Júlio Machado, Isabél Zuaa e Welket Bungué, de Guiné-Bissau, e que interpreta seu escravo João. Só que o filme deixa um pouco a desejar - sendo uma obra história, deveria ser um pouco mais didática - quem não conhece a vida de Tiradentes - que tem uma cena perturbadora dele arrancando o dente de um homem apenas com os dedos sujos e um alicate - ficará boiando um pouco.

Duração: 1h37min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Paixão Obsessiva" (Unforgettable)



Tem certos filmes que não deveriam ser feitos. "Paixão Obsessiva" (Unforgettable), dirigido por Denise DI Novi, é um deles. A história lembra aquelas feitas à profusão nos anos 1980 e 1990. Um personagem psicótico, que começa a atormentar a vida de outro, que procura ajuda, mas ninguém acredita nele, apesar de as evidências estarem ali, à frente de todos.

Aqui, no caso, quem sofre é Julia (Rosario Dawson), uma editora de um site de histórias de amor, que larga tudo para ir morar com o noivo David (Geoff Stults) numa pequena cidadezinha na Califórnia. Mas ela tem um passado a esquecer - era abusada fisicamente pelo antigo namorado, agora sumido devido a uma restrição judicial. E claro que ela Julia não conta para o seu novo parceiro. Que tem uma filha pequena com a ex-mulher, Tessa (Katherine Heigl).

E claro que Tessa não fica nenhum pouco feliz ao saber que o ex-marido vai se casar de novo, além do que ficará cuidando da filha dela com David. E ela decide sabotar a nova mulher do ex-marido, que para fugir do ex, não tem redes sociais. E claro, Tessa cria um facebook falso para Julia, some com suas joias, e planta várias pistas falsas para tentar destruir o relacionamento dos dois.

Só que tudo no filme é tão artificial, com roteiro repleto de furos, que chega a ser risível - no climax final, os espectadores diante de tantos absurdos que veem na tela, não se seguram e soltam gargalhadas. E as atuações? Uma pior do que a outra, com destaque para Katherine Heig, vivendo o papel de uma barbie plastificada de tanto botox. Fuja.

Duração: 1h40min

Cotação: ruim
Chico Izidro

“Stefan Zweig - Adeus, Europa” (Vor der Morgenröte)



Em 2002, o diretor brasileiro Sylvio Back já havia levado a vida de Stefan Zweig à telona com o filme "Lost Zweig". Agora, a vida do escritor volta à tona em “Stefan Zweig - Adeus, Europa” (Vor der Morgenröte), direção de Maria Schrader. Áustriaco nascido em 1881, ele foi um dos principais escritores do começo do século XX. De família judia, foi obrigado a deixar o seu país quando da ascenção do nazismo nos anos 1930, começando a perambular pelo mundo até vir aportar no Brasil no começo da década seguinte, onde escreveria a obra seminal "Brasil, o País do Futuro".

A trajetória da vida de Zweig, vivido por Josef Hader nos é contada de forma linear, mostrando seu exílio ao lado da mulher Lotte (Aenne Schwarz) primeiro na Argentina, onde surge uma bela cena com dezenas de refugiados de vários países e nações discutindo o perigo iminente do nazismo.
pontuando seu refúgio primeiro na Argentina. Também aparece a estada de Zweig nos Estados Unidos, onde se encontra com a sua irmã, a também refugiada Friderike (Barbara Sukowa).

Mas o filme centra é mesmo no período em que Stefan Zweig passou no Brasil, país que adotou e conviveu com os populares. Sua residência acabou sendo em Petrópolis, no Rio de Janeiro. A diretora mostra o dia a dia do escritor, que era muito querido por todos. Mas ele nunca conseguiu esquecer, que apesar de estar em terreno seguro, os horrores praticados pelos nazistas. E não é spoiler, mas frustrado como o mundo encarava a II Guerra Mundial, ele e sua esposa acabaram se suicidando em 22 de fevereiro de 1942. “Stefan Zweig - Adeus, Europa” é um ótimo filme para se conhecer um homem e seu tempo.

Duração: 1h46min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Marguerite & Julien - Um Amor Proibido" (Marguerite & Julien)



"Marguerite & Julien - Um Amor Proibido" (Marguerite & Julien), direção de Valérie Donzelli, não conta uma história muito convencional. Pelo contrário, se aprofunda num tema deveras espinhoso, o incesto. A trama vai sendo explicada ao espectador direto de um orfanato, onde um grupo de meninas escutam atentas a trajetória de dois irmãos, que dão nome ao longa.

Passado em vários períodos - os personagens são mostrados no século XVII, mas também no presente, com cenas com helicópteros e carros -, vemos Marguerite (Anaïs Demoustier) e Julien de Ravalet (Jérémie Elkaïm), que desde pequenos nunca desgrudam, mostrando um imenso amor entre eles. Já na adolescência, os pais notam que algo diferente ocorre ali, e mandam Julien estudar fora, na esperança de que os jovens acabem se envolvendo incestuosamente. Mas quando Julien retorna, a paixão se mostra mais intensa. E Marguerite é obrigada a casar com outro homem, mas sem nunca esquecer o amor pelo irmão, que fará de tudo para resgatá-la.

O filme, apesar de seu tema chocante, por vezes se mostra entediante. Mas as atuações de Anaïs Demoustier e Jérémie Elkaïm são muito boas, principalmente da atriz. “Marguerite & Julien” ganha pontos, ainda, por sua cuidadosa fotografia e caracterização de época, e também bons momentos de cenas de sexo entre os irmãos, o que é um avanço, já que o tema é tabu.

Duração: 1h45min

Cotação: regular
Chico Izidro

Thursday, April 13, 2017

"Velozes e Furiosos 8" (Fast and Furious 8)




Sim, a saga de Domenic Toretto (Vin Diesel) está chegando a seu oitavo filme - bem que na realidade ele só participou de seis antes, pois houve ainda o longa passado em Tóquio sem o ator fortão.
Em "Velozes e Furiosos 8" (Fast and Furious 8), dirigido por F. Gary Gray, Toretto está curtindo a aposentadoria em Cuba ao lado da amada Letty (Michelle Rodriguez). Claro que as coisas não vão ficar tão calmas assim.

Logo no começo, Toretto corre pelas ruas de Havana contra um cara que ameaçou seu sobrinho, ameaçando ficar com o seu carro, numa corrida muito fake, cercada de figurantes mal-encenados, numa cena beirando o patético. Mas isso é só um aperitivo, quando ele e sua trupe são convocados para uma missão em Berlim, onde devem capturar uma arma mortal. Só que Toretto vai se virar contra seus companheiros, motivado por uma chantagem feita pela vilã Cipher (Charlize Theron). A motivação será explicada ao longo do filme ao longo de seus 136 minutos.

E vão aparecendo personagens como o ex-policial Luke Hobbs (Dwayne Johnson, cada vez mais bombado), o ex-inimigo Ian Shaw (Jason Statham), além do chefe do FBI, O Sr. Ninguém (Kurt Russell) e seu comandado Sr. Ninguenzinho (Scott Eastwood), e até mesmo Hellen Mirren, como a mãr de Ian. E tem muita correria pelas ruas de Nova Iorque, Berlim, e até uma perseguição na gélida Sibéria já na finaleira.

"Velozes e Furiosos 8" (Fast and Furious 8) é mais do mesmo, com momentos exagerados, atuações que beiram o amadorismo - as feições de Vin Diesel são sempre as mesmas, seja quando é ameaçado pela vilã Cypher, quando perde um ente querido, quando conhece alguém importante para sua vida. E o personagem parece saído dos quadrinhos, pois nunca é derrotado. E os diálogos? Sem comentários. Mas quem disse que vai ao cinema ver "Velozes e Furiosos 8" (Fast and Furious 8) querendo pensar, né?

Duração: 2h16min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Una"



Baseado na peça "Blackbird", escrita por David Harrower, que é o roteirista do filme, "Una", dirigido por Benedict Andrews, busca uma temática forte e perigosa, mas não consegue responder aquilo que se propõe. A trama fala sobre abuso de uma menor por um maior de idade.

No caso, ela é Una (Rooney Mara), que aos 13 anos foi seduzida por Ray (Ben Mendelsohn), 15 anos mais velho. Aos 28 anos, ela vai atrás dele, em busca de respostas por aquilo que ocorreu no início de sua adolescência. Traumatizada, ela consegue encontrar Ray, que trabalha em uma fábrica, com outro nome e tendo construído outra vida para ele, após passar alguns anos na prisão.

Os dois mantém um embate por várias horas, pelos cantos da fábrica onde Ray trabalha e que passa por uma estruturação. São várias feridas abertas, e durante a conversa deles aparecem flashbacks, mas o diretor mostra pouca coragem de mostrar os abusos sexuais sofridos por Una. Que se mostra dividida por vezes, não sabendo realmente o que quer. Se procura o amor de seu agressor ou puní-lo pelo que praticou quinze anos atrás.

Assim, "Una" fica no meio do caminho, sem coragem para se aprofundar em tema tão espinhoso. Enfim, acaba sendo um filme que não define o que realmente quer denunciar.

Duração: 1h34 min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Martírio"



Habitantes originais do Brasil, os índios vivem em condições absurdas nestes mais de 500 anos de existência do país, perdendo seu espaço cada vez mais. O documentário "Martírio", dirigido pelo indigenista francês Vincent Carelli é um soco no estômago. Com quase 160 minutos de duração, reúne imagens assustadoras, depoimentos mais ainda e uma luta que parece não ter fim.

Narrado pelo próprio Carelli numa voz monocórdica, ele narra dezenas de anos sobre a existência dos indígenas Guarani Kaiowá no país. Muitas das cenas mostradas trazem os nativos falando em sua, para nós, incompreensível língua. Carelli, que chegou no Brasil em meados dos anos 1980, começou a filmar uma comunidade indígena em 1988, em Mato Grosso do Sul. Passou anos sem entender o que eles estavam falando. E quando descobriu, viu que era sobre terras, expulsões, invasões. Ruralistas pedem no Congresso, para nosso estarrecimento, a expulsão dos índios de suas próprias terras, e a extinção da Funai!!!!

Os nativos ainda são ameaçados de assassinatos, ataques - destaque para o assassinato do guarani-kaiowá Nízio Gomes, em 2011, em Mato-Grosso do Sul, e a cena final, com eles tentando defender um ataque armado feito por fazendeiros. Um filme violento em todos os sentidos. E que deve ser assistisdo.

Duração: 2h40min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, April 06, 2017

"Despedida em Grande Estilo" (Going In Style)



A terceira idade sofre, mostram os personagens Willie (Morgan Freeman), Joe (Michael Caine) e Albert (Alan Arkin) em "Despedida em Grande Estilo" (Going In Style), dirigido por Zach Braff. Eles são três velhinhos aposentados e amigos há décadas. E um belo dia descobrem que a empresa onde passaram a vida trabalhando não vai mais pagar a pensão deles, pois está se transferindo para o Vietnã. E assim não tem mais obrigação legal com seus ex-funcionários.

Os amigos têm vários problemas. Joe está para ser despejado de sua casa, Willie precisa de um rim novo e Albert é um solitário e ranzinza, mas quem melhor se vira, dando aulas de sax. Até que a solução é encontrada, quando Joe testemunha um assalto ao banco onde tem conta e que quer executá-lo. Ou seja, eles planejam um assalto ao mesmo banco. E a sacada do filme é mostrar como três velhinhos que passaram a vida honestamente terão de fazer para praticar o crime - o teste num roubo a um mercadinho de bairro é hilário.

O filme ainda é um protesto contra as grandes corporações, que não estão nem aí para o cidadão comum, aquele que trabalha seis dias por semana, não enriquece e ainda sofre com uma aposentadoria ridícula. "Despedida em Grande Estilo" (Going In Style) tem ainda um final muito otimista, o que pode incomodar um pouco. Mas faz a gente pensar no nosso futuro.

Duração: 1h36min

Cotação: bom
Chico Izidro