Thursday, June 22, 2017

"Ao Cair da Noite" (It Comes At Night)



Um filme de terror não precisa exatamente trazer momentos explícitos, com sangue escorrendo e monstros perseguindo alguém. Pode ser apenas de sutileza, como é "Ao Cair da Noite" (It Comes At Night), direção de Trey Edward Shults. É uma obra repleta de paranoia, desconfiança, onde nada é dito, tudo é feito de forma implícita. E extremamente assustador.

A humanidade foi dizimada, mas nada é explicado. Um vírus é o mais provável. Uma família então, se isola numa casa na floresta - logo no começo o patriarca morre e seu corpo é queimado. Restam Paul (Joel Edgerton), sua mulher Sarah (Carmen Ejogoj) e o filho adolescente de 17 anos Travis (Kelvin Harrison Jr.). Uma noite, um homem tenta entrar na casa em busca de comida e água para sua família, também isolada em outro local. Após muita conversa, repleta de desconfiança, os dois núcleos decidem que o melhor e mais seguro é dividirem o espaço, para reforçar a segurança - afinal, o que mais pode estar lá fora?

O problema é que Paul nunca deixa de desconfiar de Will (Christopher Abbott), que sempre deixa furos, não parecendo ser quem ele aparenta ser. E toda a paranoia e loucura ficam presentes no personagem de Travis, um garoto que tem pesadelos intensos, e que não consegue ter muita atitude, por causa do controle que Paul faz da situação. Além do que, por vezes parece surgir uma tensão sexual entre ele e a mulher de Will.

"Ao Cair da Noite" mostra um mundo que parece ter acabado, mas não vemos escombros, não vemos pessoas caindo pelas ruas ou pela floresta. Aliás, não vemos nada. Tudo aqui é feito para o espectador pensar. Nada é gratuito. Mas que é claustrofóbico, ah, sem dúvida;

Duração: 97min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Na Vertical" (Rester Vertical)



Um filme repleto de personagens estranhos, envolvidos em jogos sexuais, e que deixa muita dúvida no ar. "Na Vertical" (Rester Vertical), dirigido pelo francês Alain Guiraudie. O longa provoca muita estranheza, com mudanças rápidas de tempo.

A história é centrada em Leo (Damien Bonnard), um roteirista com dificuldades em concluir um projeto e que vaga pelo interior da França em busca de inspiração. Em sua caminhada, ele tromba com Yoan (Basile Meilleurat), um jovem que Leo acredita ter as condições necessárias para ser um ator e que mora com o avô Marcel (Christian Bouillette), que será o protagonista de uma virada no filme quase em seu final. Seguindo viagem, Leo encontra a jovem pastora Marie (India Hair), que cuida de um rebanho de ovelhas com o seu pai Jean-Louis (Raphaël Thiéry). Não demora muito e os dois estão transando.

E o filme dá um pulo no tempo, mostrando Marie com um filho de Leo. Enfim, sua ida temporária pelo interior acaba sendo definitiva, e Leo não consegue mais deixar o local. Vai se envolvendo ainda mais com as pessoas, passando a viver como uma delas, e até entrando em relacionamentos homossexuais.

"Na Vertical" acaba sendo uma obra bizarra, não muito fácil de se assistir e de se entender.

Duração: 98min

Cotação: regular
Chico Izidro

"O Cidadão Ilustre" (El Ciudadano Ilustre)



A Argentina já tem o Papa, um dos melhores jogadores do mundo, Messi, e de forma ficcional também o prêmio Nobel da Literatura, o escritor Daniel Mantovani (Oscar Martinez, sensacional) na comédia de situação "O Cidadão Ilustre" (El Ciudadano Ilustre), direção de Mariano Cohn e Gastón Duprat. A história mostra um homem voltando para sua cidade natal e verificar que não tem nenhuma relação com o local.

Daniel Mantovani, ao contrário do conterrâneo José Luis Borges, ganhou o prêmio máximo da literatura. Na hora de receber a premiação, mostra ser um homem que não gosta de convenções, ao se recusar a usar o traje tradicional na cerimônia e também não fazendo a tradicional reverência ao rei e à rainha da Suécia. Depois, começa a receber uma enxurrada de convites para palestras, entrevistas, visitas, mas vai recusando todas. Até que uma em especial chama a sua atenção - de voltar a Salas, sua cidade natal, no interior da Argentina. Mantovani saiu de lá há 40 anos e nunca mais voltou. E a volta não será nada agradável. Aí está a graça do filme.

O escritor, ao chegar, anda de carro de bombeiros, vê um busto seu ser inaugurado na praça principal, a medalha de cidadão ilustre de Salas. Recebido como herói, mas aos poucos o passado começa a lhe incomodar. Sua literatura foi quase toda ela feita de experiências vividas na cidade, utilizando personalidades locais como personagens - enfim, ele fez uma caricatura dos moradores salenses. E alguns cobram esta hipocrisia de Mantovani.

Os tipos mostrados no filme são hilários. Desde o melhor amigo, que casou com a namoradinha de Mantovani na adolescência, o prefeito puxa-saco, a miss da cidade, o morador que se sente ultrajado e começa a atrapalhar os movimentos do escritor por Salas. Afinal, o ressentimento, o passado, estão lá presentes, incomodando, e atrapalhando o futuro de Mantovani.

Duração: 118min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, June 15, 2017

"Colossal"




Um filme de monstros diferente. E divertido. Poderia chamar de cinema fantástico. "Colossal", dirigido por Nacho Vigalondo, sim, isto mesmo o nome do diretor (parece pseudônimo de ator pornô), fala de auto-conhecimento, de recuperação. A história gira em torno de Gloria (Anne Hathaway), que desempregada e sem muita perspectiva, leva um pontapé do namorado. Sem muitas opções, decide voltar para sua cidadezinha natal, para morar na casa que os pais colocaram à venda.

Alcoolatra, ela acaba reencontrando um amigo de infância, Oscar (Jason Sudeikis), que lhe oferece um trabalho em seu bar. Logo num bar!!! Ela tenta se controlar, mas às vezes tem apagões. Só que aos poucos vai se encontrando. E um dia ao ver o noticiário, vê que um monstro atacou Seul, na Coreia do Sul. Aos poucos, Gloria vai constatando que a criatura tem uma ligação mental com ela. A conexão, descobre Gloria, é que sempre que ela está num parquinho da cidade, o monstro faz uma aparição na capital sul-coreana. E seus gestos são repetidos pela criatura.

Ah, e onde está Oscar? De figura amigável, logo ele está mostrando quem realmente é. E a explicação vai aparecer mais tarde. E gira em torno de inveja, raiva, ódio. O filme causa certa estranheza, pois como sendo obra de Hollywood, foge totalmente do que estamos acostumados a ver. Mas ele está com os dois pés na cinematografia oriental. Divertido.


Duração: 90min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Frantz"




"Frantz", direção de François Ozon, fala de amor, mas também deixa questionamentos no ar. Passado no final da I Guerra Mundial, trata ainda de ressentimentos entre duas nações, a vencedora França e a derrotada Alemanha. A fotografia intercala o preto e o branco quando mostra a realidade e fica colorida quando a fantasia surge na mente de algum personagem.

Numa pequena cidade alemã, vive Anna (Paula Beer), que mora com os pais de seu falecido noivo durante batalha na I Guerra, Frantz. Ela vai sempre visitar o túmulo simbólico do amado - seu corpo não está lá, tendo sido enterrado em algum lugar na França. De repente, o local começa a ser visitado por um estranho, Adrien (Pierre Niney). Sua presença causa interrogações na localidade. Quem será o estranho. Ele é um francês que conheceu Frantz no período pré-guerra e foi à Alemanha chorar pelo amigo.

No começo, Adrien sofre com o desprezo dos pais de Frantz - o pai não aceita a presença de um inimigo em sua casa. Mas aos poucos, o jovem vai quebrando a resistência, e passa a contar como era a convivência com o germânico. Anna acaba se atraindo por Adrien, e nunca fica claro se ele e Frantz não tiveram uma relação homossexual, apesar de muito do que o francês revela em suas conversas, deixa isso claro.

“Frantz” mostra claramente ressentimentos de um povo contra o outro - o incômodo fica bem evidente em cena quando Anne assiste, pasma, franceses cantarem "A Marselhesa" em uma espelunca em Paris. O filme é investigação sobre o platonismo do amor, que mostra ainda que feridas abertas dificilmente são consertadas. Recomendado.

Duração: 127min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"A Vida de Uma Mulher" (Une Vie)



Ser mulher nunca foi fácil. Então imagine viver na França no Século XIX, presa a convenções sociais e religiosas? É o que pretende mostrar o diretor Stéphane Brizé em "A Vida de Uma Mulher" (Une Vie), que mostra durantes anos a trajetória de Jeanne (Judith Chemla). Garota abastada e estudiosa, terminou o ensino básico, e voltou para morar com os pais, numa das fazendas da família.

Um dia se apaixona pelo Julien de Lamare (Swann Arlaud) e acaba casando com ele. Fato que vai transformar a sua vida. Ele não é nada fiel e transforma a vida de Jeanne num inferno. A trai com a empregada, com outra nobre. Solitária e grávida, acaba enviuvando - e o padre local enchendo a sua cabeça com bobagens católicas sobre pecados e inferno. O filme vai dando saltos no tempo, mostrando o que vai se sucedendo na vida de Jeanne. Como por exemplo o filho Paul, um rapaz irresponsável, e que vai dilapidando a fortuna da família.

As imagens de "A Vida de Uma Mulher" (Une Vie) são opacas. E detalhe: por mais que mostre décadas na vida de Jeanne, ela nunca envelhece, mantendo sempre o ar jovial. Porém, é uma obra que incomoda, mostrando o absurdo de situações que um dia fizeram parte da sociedade.

Duração: 119min

Cotação: bom
Chico Izidro

"A Viagem de Fanny" (Le Voyage de Fanny)



Baseado em fatos reais, "A Viagem de Fanny" (Le Voyage de Fanny), direção de Lola Doillon, evoca o clássico de Louis Malle, "Adeus, Meninos", mostrando o destino de crianças judias na Segunda Guerra Mundial, quando tiveram de se reinventar para escapar da perseguição nazista. Aqui as crianças acabam não sofrendo torturas ou sofrendo nas câmaras de gás. Temos aqui uma escapada pelo interior da França para tentar se chegar a neutra suíça.

A história é mostrada sobre a ótica da pequena Fanny (Léonie Souchaud), de 12 anos, que lidera uma fuga de oito crianças, sendo duas irmãs dela, sempre com o perigo nazista rondando suas cabeças. Todas elas perderam os pais, enviados para campos de concentração. Elas, ao contrário, são abrigadas em vários locais por pessoas abnegadas e que arriscam a vida para salvá-las. Mas após denúncia, os pequenos têm de escapar, e se enbrenhar em florestas, convivendo com fome, sede, frio e colaboracionistas.

Durante a fuga, Fanny vai amadurecendo - afinal, terá de crescer antes do tempo, sendo uma mãe para crianças menores, e que o tempo todo reclamam de algo e ameaçam desistir da escapada. Responsabilidade, coragem. Apesar do suspense, já sabemos o final, com as crianças chegando à fronteira suíça, mas não sem antes passar por vários percalços em sua trajetória.

Duração: 94 min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Tal Mãe, Tal Filha" (Telle Mère, Telle Fille)



Pela primeira vez em muito tempo Juliette Binoche não aparece em cena fazendo um papel depressivo e entediante. A comédia "Tal Mãe, Tal Filha" (Telle Mère, Telle Fille), direção de Noémie Saglio, tem certa graça, apesar de ser mais um filme a trazer a questão de pessoa de certa idade ainda vivendo como se fosse adolescente.

No caso, o personagem de Juliette Binoche, Maddo, mulher de 47 anos, desempregada e que vive de favores na casa da filha, Avril (Camille Cottin), jovem responsável, de 30 anos e que que trabalha criando essências de detergente mas sonha em produzir seus próprios perfumes. Maddo vive andando pela cidade de Paris em sua moto cor de rosa e vestindo suas camisetas de bandas de rock.
Junto com elas mora o marido de Avril, Louis, que está estudando, mas que como a sogra também não ajuda nas despesas da casa.

Então um belo dia Avril e Louis anunciam para suas famílias que estão esperando um bebê. Após o jantar, Mado encontra seu ex-marido Marc (Lambert Wilson). Os dois têm uma recaída, acabam transando e ela acaba engravidando. No princípio, Mado tenta fazer um aborto, mas caab desistindo, escondendo da filha sua situação. Meses depois, Avril descobre que sua mãe não abortou e perde a cabeça, mudando-se com Louis para a casa dos pais dele.

A trama passa então a mostrar que Avril entrou em crise, perto de um ataque de nervos, enquanto que Maddo tenta mudar seu jeito de ser. Apesar da previsibilidade do roteiro, o filme proporciona momentos divertidos, apesar da falta de profundidade de seus personagens.

Duração: 94min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Rodin"



O diretor Jacques Doillon pesou a mão em "Rodin", que trata sobre uma fase da vida do escultor de O Pensador. Tendo Vincent Lindon no papel principal, o filme é um pouco cansativo, mas mostra o processo de criação de Rodin, principalmente na década de 1880. Nesta época, já era bastante famoso na França, mas ainda faltava algo para ele entrar para a história.

É quando recebe do governo o pedido para criar uma escultura, no caso "La Porte de l'Enfer", a porta do inferno. E de certa forma, o nome da obra é o que se tornaria sua vida, dividida entre duas mulheres. Ele praticamente abandona a esposa Rose Beuret (Séverine Caneele) e apaixona-se pela aluna Rose Beuret (Séverine Caneele), escultora também talentosa. Os dois acabam tornando-se amantes.

Vincent Lindon consegue transmitir a angústia de Rodin, com olhares e gestos que mostram um homem em busca da perfeição. O problema é que o filme se arrasta por demais, porém os momentos de construção das obras são primorosas.

Duração: 119min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Rock'n'Roll - Por Trás da Fama" (Rock'n Roll)



Saber rir de si mesmo. Esta é a tática o cineasta Guillaume Canet no divertido "Rock'n'Roll - Por Trás da Fama" (Rock'n Roll), que brinca com a questão da idade para os atores de cinema. E que por tabela está presente em quase todas as atividades humanas. Passou de certa idade, já se está velho demais.

Aqui, Cannet interpreta ele mesmo, ao lado da namorada Marion Cottilard, que é Marion Cottilard (sua companheira também na vida real). Na história, o ator Guillaume Canet, que está com 43 anos, recebe uma crítica de uma jovem atriz dizendo que ele não é tão “rock’n roll” quanto imagina ser. Ou seja, é uma pessoa quadrada, conservadora. Ele simplesmente pira com a afirmação da garota, e decide mudar a imagem, passando a tentar ser quem ele não é. E a situação vai ficando mais e mais estranha. Além do que, ainda tem que conviver com Marion, que recebe a proposta para filmar no Canadá e passa a falar, de forma maniática, com o sotaque de Quebec. Hilária.

Canet passa a levar a exigência da idade aos extremos. E aos poucos vai aplicando botox na face, para parecer mais novo. A transformação, graças a muita maquiagem, vai ficando mais divertida e louca - muitos atores decidem investir no botox para não envelhecerem na tela, mas passam a ser apenas um retrato bizarro do que já foram.

Duração: 123min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Reencontro" (Sage Femme)




Catherine Deneuve está esplendorosa neste filme, "O Reencontro" (Sage Femme), dirigido por Martin Provost. Aos 73 anos, sua beleza ainda espanta, tendo envelhecido muito melhor que sua quase contemporânea Bridget Bardot. Aqui ela interpreta uma mulher irresponsável, que precisa da ajuda de outra mulher, a filha de seu falecido marido.

Deneuve vive Beatrice, que procura a ajuda de Claire (Catherine Frot, vista na comédia "Marguerite", aquela ricaça que se achava cantora lírica), parteira que trabalha em uma maternidade prestes a fechar as portas. Contragosto, ela se envolve com o caminhoneiro Paul (Olivier Gourmet), que tenta lhe ensinar a ser mais relaxada. Então surge Beatrice, que não tem a mais ninguém para pedir ajuda. É uma mulher de seus 70 e poucos anos, solitária e falida. O clichê se mostra presente, com duas pessoas de diferentes personalidades não se entendendo no começo, mas aos poucos passando a se gostar e se aceitarem. Cartilha previsível. Mas não descartável.

O filme é otimista. Mesmo que Beatrice tenha aparecido em momento de extrema necessidade e com uma doença que ameaça tirar a sua vida. E Claire, vista na comédia "Marguerite", aquela ricaça que se achava cantora lírica, tem a oportunidade de recomeçar a vida, com um namorado, um emprego novo, enfim, perspectivas novas. Apesar da trama clássica, "O Reencontro" (Sage Femme) oferece momentos interessantes, não se perdendo nas cenas de clichês sentimentais. As cenas realistas equilibram.

Duração: 117min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Coração e Alma" (Réparer les vivants)




Um filme forte e que exige do espectador estômago, principalmente para a longa cena de uma cirurgia de coração, com close no bisturi abrindo o peito de um personagem. E é uma obra que discute a polêmica questão da doação de órgãos. "Coração e Alma" (Réparer les vivants), com direção de Katell Quillévéré, mostra o desesperado de um lado e a esperança de outro.

Tudo começa quando o jovem surfista Simon (Gabin Verdet) sofre um acidente automobilístico ao lado de dois amigos, quando voltava da praia após ter passado o final de semana surfando. Os dois sobrevivem, mas Simon sofre morte cerebral. Os médicos avisam a família, e nos minutos seguintes veremos a reação dos pais de Simon, Vincent (Kool Shen) e Marianne (Emmanuelle Seigner), que precisam decidir se consentem a doação.

Do outro lado da história, temos Claire (Anne Dorval), cujo coração está falhando e se ela não achar um doador compatível, irá morrer. A segunda parte do filme se concentra na vida dela e em sua expecativa, ao lado do filho e da namorada - já que está morrendo, decide experimentar algo novo. "Coração e Alma" não é para os fracos.

Duração: 103min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Na Cama Com Vitória" (Victoria)




Pegando caroca no famoso filme de Madonna, "Na Cama Com Madonna", o título nacional desta comédia francesa, dirigida por Justine Triet, tem sua graça e charme. "Na Cama Com Vitória" (Victoria) segue o dia a dia da advogada criminalista Victoria (Virginie Effra), separada e que cria sozinha as duas filhas pequenas. Sua vida é um caos, principalmente na vida amorosa. Ela não consegue engatar relacionamentos, mas não perde tempo e leva sempre algum amante para a cama. Está aí a explicação para o nome do filme no Brasil.

Quase toda a trama segue Victoria tendo de defender um amigo, Vincent (Melvil Poupaud) da tentativa de assassinato da namorada. Neste meio tempo, a advogada contrata o estudante e ex-traficante Sam (Vincent Lacoste) para ser o babá de suas filhas. O jovem acaba se apaixonando por ela, que corre o risco de perder a licença para advogar quando revela segredos de um julgamento para um conhecido.

A bela Virginie Effra, já vista em "Um Amor à Altura" e "Elle" segura bem as pontas como a perdida e desesperada Victoria. Mas o elenco de coadjuvantes também está muito bem, principalmente Vincent Lacoste, de "Lolo: O Filho da Minha Namorada". Diversão certa.

Duração: 96min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Tour de France"




Apesar da presença sempre forte de Gérard Depardieu, "Tour de France", direção de Rachid Djaïdani, tropeça nos clichês sobre amizades improváveis, tolerância...mas ocorre um belo passeio pelas belas cidades litorâneas francesas. E por que diabos todo o jovem francês tem de gostar de rap? Parece nos filmes franceses só existir este estilo de música...

Mas vamos lá. "Tour de France" segue os passos do jovem rapper Far’Hook (o também rapper Sadek), que se envolve com uma gangue em Paris, e ameaçado de morte, tem de passar um tempo longe. Ele acaba ganhando abrigo na casa de Serge (Gérard Depardieu), pai de seu produtor, que se converteu ao islamismo. E Serge planeja sair pela França para refazer quadros pintados por Joseph Vernet, um famoso pintor francês do século XVIII. Além do que, o velho se mostra preconceituoso, racista e intolerante..

Só que aos poucos, durante a viagem, os dois vão se entendendo, passando a conhecer melhor um ao outro, mesmo que toda a hora Serge solte um: "vocês, árabes", "vocês, islâmicos", e Far’Hook retruque: "não sou islâmico". E blah, blah, blah...No final, mais do que já foi visto centenas de vezes em filmes sobre minorias. Além do que a música é chata para caramba.

Duração: 94min

Cotação: regular
Chico Izidro

"O Filho Uruguaio" (Une Vie Ailleurs)




Com atuações espetaculares e um drama envolvente, "O Filho Uruguaio" (Une Vie Ailleurs), dirigido por Olivier Peyon, apresenta uma história que acontece quase todos os dias, o sequestro de crianças por seus pais. O caso mais lembrado no Brasil é o garoto Sean, trazido pela mãe contra a vontade de seu pai dos Estados Unidos na década passada, e que se transformou em forte caso judicial.

Filmado todo ele em Montevidéu e na pequena cidade de Florida, também no Uruguai, a trama fala sobre a frances Sylvie (Isabelle Carré), que ao lado do assistente social Mehdi (Ramzy Bedia), vai até o pequeno país sul-americano atrás do filho Felipe (Dylan Cortes). Ela foi casada com o pai de Felipe, e quando decidiu se separar, fugiu para o Uruguai com o garoto. Ao chegar, pediu a ajuda da mãe, Florencia (Gabriela Freire) e da irmã Maria (Maria Dupláa) para cuidar de Felipe, já que Sylvie, mente ele, teria morrido em um acidente automobilístico.

Quatro anos depois, Sylvie localiza o filho e planeja sequestrá-lo e levá-lo de volta à França. Mas quando Mehdi chega a Florida, se depara com um quadro totalmente diferente do que esperava. Felipe mora com a vó e a tia, e o pai morreu. Só que ele é bem cuidado, e está bem adaptado a vida interiorana. O assistente começa a questionar o plano dele e de Sylvie. Afinal, o que pode acontecer na vida do menino com a aparição repentina da mãe, que todos acreditam estar morta?

Duração: 96min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Uma Agente Muito Louca" (Raid Dingue)




Começando pelo lamentável título nacional, lembrando aquelas bizarrices dos anos 1980, "Um Morto Muito Louco", "Uma Escola Muito Louca", "Uma Viagem Muito Louca", enfim, tudo era "muito louco". Aí algum engraçadinho resolveu batizar o francês Raid Dingue de "Uma Agente Muito Louca", direção de Dany Boon.

E além do título ruim, o filme não é lá essas coisas, tentando lembrar aquelas comédias corporais eternizadas por Jerry Lewis. Mas sem o mesmo vigor e graça, além do roteiro batido. Na trama, a atrapalhada policial Johanna Pasquali (Alice Pol), que costuma tomar tombos de bicicleta, derrubar tudo a sua frente, incluindo móveis, pessoas, e apertar o gatilho de sua arma sempre em situações inusitadas, sonha em entrar para a tropa de elite francesa, chamada de Raid.

Após fracassar em tudo o que faz na vida, ela só entra na academia graças a interferência de seu pai, o Ministro do Interior. E aparece a antipatia de seu supervisor Eugène Froissard (Dany Boon), um policial misógino, que tentará de tudo para sabotar Johanna. Mas aos poucos, os dois vão se entendendo, se tornando parceiros improváveis. Enfim, "Uma Agente Muito Louca" acaba se tornando uma obra repleta de instantes verdadeiramente constrangedores, que ao invés de provocarem o riso, provocam bocejos.

Duração: 105min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Tudo e Todas as Coisas" (Everything, Everything)




Seguindo a mesma linha de outras obras sobre jovens lidando com a perspectiva da morte, como A Culpa é das Estrelas”, “Se Eu Ficar” e “Como Eu Era Antes de Você”, “Tudo e Todas as Coisas” (Everything, Everything), direção de Stella Meghie, difere um pouco de seus antecessores por não apelar para o choro fácil e nem em personagens deprimidos e pedantes. Ah, e ele ainda evoca o clássico dos anos 1970, "O Garoto da Bolha de Plástico", que revelou John Travolta para o mundo.

A jovem Maddie (Amandla Stenberg) vai completar 18 anos, mas nunca saiu de casa, pois quando ainda criança foi diagnosticada com Síndrome da Imunodeficiência Combinada, que impede de seu corpo combater os vírus e bactérias presentes no mundo exterior. Ela é cuidada pela mãe, pauline (Anika Noni Rose), uma médica que constuiu uma casa a prova de qualquer perigo externo. A garota passa os dias na internet, ou desenhando e imaginando como seria o mundo lá fora.

E tudo vai mudar, quando uma família se muda para a casa ao lado. Um dos integrantes é o garoto Olly (Nick Robinson), que se sente muito atraído por Maddie. Os dois passam a se olhar pelas janelas de seus quartos, e logo estão tentando pensar em algo para se conhecerem em carne e osso. A questão é: apaixonados, como viver uma paixão sem poder se tocar?

O casal tem química e a história flui naturalmente. Claro que alguns absurdos de roteiro mostram a cara. Afinal, como os dois conseguem fazer algumas coisas através de um cartão de crédito que Maddie sacou através da internet? De onde surgiu o dinheiro? "Tudo e Todas as Coisas" ainda traz um grande reviravolta, inesperado, mas que acaba sendo crível, mostrando a paranoia de um dos personagens.

Duração: 97min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Cidades Fantasmas"



"Cidades Fantasmas", é um documentário dirigido por Tyrell Spencer, todo ele em preto e branco, que traz imagens perturbadoras, quase assustadoras de lugares que um dia foram prósperos e que atualmente encontram-se abandonados. Esses locais sofreram com crises econômicas, guerras, catástrofes naturais. Ruínas.

Todas essas cidades mostradas no filme se localizam na América Latina. No deserto chileno, ma Amazônia brasileira, nos Andes colombianos e no Pampa argentino, o diretor pescou depoimentos de ex-moradores ou de pessoas que ainda se aventuram em residir nestes locais sem esperança e futuro. Muitas desses antigos moradores abrem seu coração e buscam na memória o que viveram naquelas cidades. “Com um olhar contemplativo sobre o que restou, refletimos sobre o que deixamos e podemos deixar do nosso legado, entendendo que tudo pode ter um fim e que nada está livre da luta contra o esquecimento”, afirma Spencer.

A produção do documentário percorreu as localidades de Ararapira (PR), Cococi (CE), Fordlandia (PA), Minas do Camaquã (RS) e Vila do Ventura (BA), Epecuén, na Argentina, Armero, na Colômbia, e Humerstone, no Chile. E o que mostra não é nada bonito. Desolação, tristeza, silêncio e desesperança.

Duração: 71min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Quem é Primavera das Neves"



O documentário "Quem é Primavera das Neves", de Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, mostra que podemos ser um país com memória, apesar de os brasileiros não gostar muito de história, de pessoas que fizeram o nosso passado. Enfim, por mais que apregoemos a favor, somos um país sem cultura. De descaso.

Então o diretor gaúcho Jorge Furtado decide ir atrás de uma figura desconhecida, mas que teve influência na literatura do Brasil. Primavera das Neves, nascida em Portugal, foi a tradutora para o português de obras como Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, entre outros. A busca de Furtado por Primavera se inicia em 2010, quando publica em seu blog um texto perguntando quem poderia ter notícias sobre a tradutora.

Ele leva três anos para receber uma resposta, que chega através de uma amiga de Primavera, Eulalie Ligneul. A partir deste momento, Furtado começa a construir a trajetória de Primavera, ganhando a ajuda de mais outra amiga da tradutora: a artista plástica Anna Bella Geiger. O documentário vai ganhando forma. Primavera chegou ao Brasil aos 9 anos, quando os pais fugiram da ditadura de Salazar. Aos 18 anos volta a Portugal e se apaixona por um jovem tenente português, Manoel Pedroso. E Manoel também dá seu depoimento, falando sobre a vida dele com Primavera em Portugal, a resistência à ditadura Salazarista, o exílio na embaixada brasileira, a fuga para o Brasil pouco antes do golpe de 1964 com uma filha de seis meses no colo.

Primavera morreu aos 48 anos, era fluente em seis línguas, traduziu mais de oitenta livros e deixou uma obra poética até então inédita, que ganha a voz e a cara da atriz Mariana Lima - ela lê em uma forma soberba e magnífica trechos de traduções e poemas da tradutora. Um filme indispensável.

Duração: 75min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, June 08, 2017

"A Múmia" (The Mummy)




Não vá esperar muito de "A Múmia" (The Mummy), dirigido por Alex Kurtzman. Mas o filme não foi feito para se pensar e sim curtir. Puro cinema pipoca, com todos os ingredientes do gênero aventura. Então vamos considerar, não é ruim. Assistível, com momentos de terror, suspense, humor - o longa tem momentos para tudo e ainda faz uma salada de frutas, misturando seres do Egito antigo com Dr. Jeckyll e Mr. Hyde.

Tudo começa no Egito, 5 mil anos atrás, quando a princesa Ahmanet (Sofia Boutella) almejava o trono, mas com o nascimento do irmão, ela perde o direito e então planeja a morte dos pais e do garoto e também invocar o deus Set, da morte, para governar o mundo. Só que acaba sendo aprisionada e mumificada viva. O filme dá um pulo para o presente, onde seus restos são encontrados no Iraque conflagrado pela guerra. Sua sepultura é descoberta pelo soldado e também ladrão de antiguidades Nick Morton (Tom Cruise) e seu parceiro Chris Vail (Jake Johnson, do seriado New Girl, onde coincidentemente se chama Nick).

Ao lado da arqueóloga Jenny Halsey (Annabelle Wallis), eles investigam a descoberta, e acabam despertando Ahmanet, que elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador. A trama então se muda para Londres, com Ahmanet transformando homens em mortos-vivos para serví-la, enquanto tenta capturar Nick e se livrar de Jenny, vista como adversária.

"A Múmia" acaba sendo divertido, com um terror necessariamente não amedronta, mas dá pequenos sustos, e misturando personagens como o Dr. Henry Jekyll, e seu alter ego, Edward Hyde, vividos por Russell Crowe. E tem ainda Tom Cruise fazendo o que sabe de melhor, que é correr e correr e saltar e saltar. Leve o saco de pipocas e a Coca-Cola.

Duração: 1h51min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Neve Negra" (Nieve Negra)




"Neve Negra" (Nieve Negra), dirigido por Martín Hodara, é um ótimo suspense argentino e traz em
seu final aquela revelação surpreendente e inesperada, que escapa a total expectativa de quem está
o vendo. De certo modo, traz ecos do magistral "O Segredo de Seus Olhos, trazendo aliás em seu elenco o protagonista daquele filme, Ricardo Darín.

A trama aqui se passa na gelada Patagônia, onde chega da Espanha Marcos (Leonardo Sbaraglia), acompanhado de sua jovem esposa Laura (Laia Costa), que está grávida. Ele volta para casa em razão da morte do pai, e tendo de cumprir várias tarefas deixadas no testamento. E uma delas é vender as terras da família, mas para isso Marcos terá de conversar com o irmão Salvador (Ricardo Darín), que vive nelas, isolado do mundo há mais de duas décadas. Neste período tornou-se um homem retraído, amargurado e anti-social. A venda da propriedade, no entanto, vai ajudar a cobrir as despesas da clínica onde está a irmã deles, Sabrina (Dolores Fonzi).

A convivência entre eles será difícil, ainda mais tendo a sombra da morte do irmão caçula, Juan, que morreu de forma trágica duas décadas atrás - e que foi o estopim para o afastamento de Salvador. Aos poucos, e com flash-backs bem colocados, o espectador vai sendo colocado a par do que ocorreu naquela família naquelas terras gélidas. O suspense é ótimo e crescente, e a explicação para a morte do irmão mais novo pode até parecer forçada, mas não o é. E é chocante.

Duração: 1h27min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Guerra do Paraguay"



Filmado num deslumbrante preto e branco, "Guerra do Paraguay", de Luiz Rosemberg Filho, é uma
obra que exige paciência do espectador, mas ao seu final cumpre o que promete. Alto impacto e
discussão filosófica sobre a guerra e o absurdo dela, unindo o passado e o presente.

E como diz o título, tudo gira em torno da Guerra do Paraguai, que durou de 1864 a 1870, e praticamente dizimou com a população masculina daquele país. O filme tem uma sequência inicial mostrando duas mulheres puxando com muito esforço uma carroça. Logo depois, surge um soldado
brasileiro (Alexandre Dacosta) que está voltando para casa. Ele encontra o que parece ser o fantasma de um soldado paraguaio morto por ele. Os dois discutem e o brasileiro segue seu caminho.

Então ele se depara com as mulheres da carroça - uma deles está moribunda, de tanta fome. As outras duas buscam uma forma de sobreviver. Uma delas, vivida por Patricia Niedermeier, é articulada, e a outra, interpretada por Ana Abbott, está catatônica. A primeira realiza então um
grande embate com o soldado - e ele está preso ao passado, enquanto que ela representa o presente, falando sobre televisão, rádio e citando teatrólogos, filósofos - o encontro deles parece ocorrer numa fresta do tempo.

E no diálogo dos dois, existe uma forte oposição entre barbárie e humanismo, com o soldado tentando justificar a violência da guerra, e a mulher defendendo a paz e a tolerância. Quando parece que entraram num acordo, o término é inesperado e de forte impacto. Chega a ser assustador, mesmo para quem está acostumado com os horrores da guerra.

Duração: 1h20min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Animal Político"



"Animal Político", dirigido pelo cineasta pernambucano Tião, sim, simplesmente Tião, é um filme estranho, insólito. O espectador tem de ter muita paciência e mente aberta para assistí-lo. O animal do título, no caso, é uma vaca, que vai entrar em crise existencial.

A vaca, que tem a voz do ator Rodrigo Bolzan, vive na cidade, confortavelmente. Integrante de uma família que a ama, passa os dias como uma garota de classe média alta - frequenta academia, bons restaurantes, shoppings. Enfim, tem uma vida confortável. Só que não se sente bem. Algo está errado em sua vida, e isso lhe traz um vazio. Um dia, véspera de Natal, se surpreende desanimada com pouco significado de sua existência.

Então a vaca decide largar todo o conforto e partir para o campo, o deserto, em busca de respostas para o real sentido da vida. O espectador deve se perguntar o que terá fumado ou cheirado o diretor para apresentar tal obra, mas de certa forma, ela discute a própria vida dos seres humanos. Um pouco de paciência e dá para entrar na viagem de Tião.

Duração: 1h16min

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, June 01, 2017

“Mulher-Maravilha” (Wonder Woman)





Vamos lá. Mais um filme de super-herói, desta vez do universo DC, o mesmo do Batman e Superman, que tanto pau levaram em suas últimas incursões no cinema. Desta vez o protagonismo fica por conta da “Mulher-Maravilha” (Wonder Woman), dirigido por Patty Jenkins e tendo no papel principal a bela israelense Gal Gadot, que já foi vista em três filmes da franquia “Velozes e Furiosos” e que também ostenta o título de miss em seu país em 2004.

A trama é até interessante, mostrando a origem da heroína Diana (Gal Gadot), descendente dos deuses gregos vivendo em uma ilha isolada do mundo e povoada apenas por mulheres – de acordo com a lenda propagada por sua mãe, Hiólita (Connie Nielsen), ela foi gerada através do barro a quem Zeus deu a vida. Com espírito guerreiro desde sempre, foi contra a vontade da mãe treinar com a tia Antiope (Robyn Wright) para se tornar uma verdadeira amazona. Já entrando na fase adulta, Diana acaba socorrendo um espião inglês, Steve Trevor (Chris Pine) que caiu nas águas próximas a ilha fugindo dos alemães. Logo, a heroína vai se dar conta do perigo que corre o mundo – estamos no período da Primeira Guerra Mundial. E ela decide se unir a Steve saindo de seu conforto e vindo para a realidade do conflito, ajudando no combate as forças do kaizer. Diana acredita que a guerra é obra do principal inimigo das amazonas, Aries, o deus da guerra, e ela precisa pará-lo.

O principal vilão é o general alemão Ludendorff, vivido por Danny Huston, que ao lado da cientista maluca Dra. Maru (Elena Amaya), está preparando uma fórmula para liquidar a população europeia que não seja alemã – ah, ainda nenhuma relação com o nazismo.

O filme apresenta boas, diria excelentes cenas de batalhas, como quando Diana decide encarar soldados alemães entrincheirados numa zona chamada terra de ninguém. Mas pena que a parte final de “Mulher-Maravilha” traga mais do mesmo, com a exposição do verdadeiro vilão, numa virada completamente incoerente, e com aquele tradicional quebra-quebra, com muitas explosões, pancadarias.

Apesar deste tropeço, Gal Gadot é a cara da Mulher-Maravilha, mas bem que poderiam ter dado uma pontinha para Linda Carter, que viveu a personagem na série televisiva entre 1977 e 1979. A israelense mostra empatia e agilidade no papel. Bem que seu par, Chris Pine, não se sai mal como o espião inglês, que foge da afetação e não se preocupa em ser quase um coadjuvante. Agora é esperar por “Liga da Justiça”, no final do ano.


Duração: 2h21min
Cotação: ótimo


Chico Izidro

“Inseparáveis” (Inseparables)




Um total desperdício. Não fica claro porque existir uma refilmagem de filme tão recente e de sucesso estrondoso. É o caso de “Inseparáveis” (Inseparables), versão argentina de “Intocáveis”, filme francês de 2011 que mostrava a amizade entre um milionário tetraplégico e seu melhor amigo, um cuidador negro criado nas periferias de Paris. O longa acabou tendo seus direitos vendidos para os Estados Unidos, Argentina, Itália e até mesmo o Brasil, onde uma versão está sendo preparada com Antônio Fagundes e Lázaro Ramos nos papéis principais.

Inseparables é a versão argentina, dirigida por Marcos Carnevale. E infelizmente é um total desperdício. Tendo nos papéis principais os atores Oscar Martínez como o tetraplégico e Rodrigo de la Serna como o ajudante, peca por eles não possuírem a mesma empatia de seus pares do original François Cluzet e Omar Sy. Além do que o diretor não teve a mínima inspiração – poderia ter contado a história de uma outra forma, mas foi preguiçoso e apenas copiou o filme de 2011 cena a cena. Lembrou muito quando Gus Van Sant teve a péssima ideia de refilmar o clássico “Psicose”, de Alfred Hitchcock quadro a quadro, com a única diferença de tê-lo filmado a cores.

Martínez derrapa desde o início, com a cena da perseguição policial, até o término, com os verdadeiros personagens mostrados em fotografias e o que ocorreu com eles – a história é baseada em fatos reais. Tudo bem, nada se cria, tudo se copia, mas aqui foi demais.



Duração: 1h52min



Cotação: ruim

Chico Izidro