Fotos: Universal Pictures
Christopher Nolan acertou em cheio em “A Odisseia” (The Odyssey), filmaço de quase três horas baseado no poema grego “Odisseia”, de Homero, surgida cerca de 800 a.C., e que é um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, sendo uma sequência da “Ilíada”, outra obra creditada ao poeta.
A trama mostra a longa jornada de Odisseu (interpretado por Matt Damon, em excelente atuação), rei de Ítaca, e que tenta voltar para casa e para os braços da amada rainha Penélope (Anne Hathaway) e para a convivência com o filho Telêmaco (Tom Holland), após a Guerra de Troia.
A história traz o protagonista relembrando, na companhia da ninfa da ilha de Ogígia, Calipso (Charlize Theron), todos os percalços que sofreu durante a campanha militar, enquanto ela tenta manter Odisseu como seu parceiro na imortalidade.
Ao mesmo tempo, em Ítaca, Penélope tenta manter afastado vários pretendentes, que desejam esposá-la, já que Odisseu é dado como morto, para assim assumirem o trono do reino, sendo o mais insistente e vilanesco Antinoo (Robert Pattinson, confirmando mais uma vez que virou um baita ator).
Em seu desejo de saber como foi parar ao lado da ninfa, Odisseu vai relembrando a sua longa viagem e então vão sendo mostradas as lendas do poema de Homero – como a invasão militar de Troia por meio do gigantesco cavalo de madeira, o encontro com seres míticos como o Cíclope Polifemo – em um dos momentos mais extraordinários e assustadores do filme, o embate com a feiticeira Circe (Samantha Morton, mais assustadora do que nunca), que transforma os guerreiros de Odisseu em porcos, e a tentativa de escapar da armadilha do canto das sereias – cujas figuras nem precisam aparecer, para trazer uma grande tensão na cena.

As cenas são grandiosas, com o filme trazendo aquele clima dos grandes épicos dos anos 1950 e 1960, sendo ainda bem superior a versão de 1954, “Ulysses”, dirigido por Mario Camerini, com Kirk Douglas como o protagonista. As batalhas são bem construídas, os cenários estupendos, o figurino excelente e o roteiro é bem arquitetado, não deixando pontas soltas. E apesar de suas quase três horas de duração, o espectador não sente o tempo passar.
E além dos atores já citados, “A Odisseia” traz ainda Lupita Nyong'o em papel duplo como Helena de Troia e sua gêmea Clitemnestra, Zendaya como Atena, a deusa da sabedoria, da guerra e do artesanato, que protege Odisseu, Jon Bernthal como Menelau, o rei grego de Esparta, e John Leguizamo como Eumeu, servo fiel de Odisseu e pastor de porcos cego. Todos estão muito bem em seus papéis, neste que certamente é o melhor filme do ano até agora.
Duração: 2h52
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Y7kyuElktjo
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