quinta-feira, julho 19, 2012
Violeta Foi Para o Céu
É muito fácil uma cinebiografia cair no lugar comum, didático, sem imaginação. A vida da cantora, artista plástica e militante Violeta Parra é retratada com competência em "Violeta Foi Para o Céu", de Andrés Wood. Para começar, a vida da cantora é entrecortada por uma entrevista concedida por ela à tevê argentina no começo dos anos 1960. Violeta foi uma mulher de origem humilde, nascida em Ñuble, em 1917.
O filme começa com a cantora, que desde cedo, sonhava em seguir a carreira, atravessando o deserto chileno ao lado do filho, e com seu paupérrimo violão. Ela procura um músico ancião, pois quer aprender com ele a cantar e a compor letras. Então, a trama vai e volta no tempo, mas sem nunca ficar incompreensível. Artista prolífica, nos anos 1950, viajou à Europa, apresentando-se na Polônia, União Soviética, Inglaterra e França, onde moraria por dois anos e exporia obras - a 1ª latino-americana a fazê-lo, no Museu do Louvre.
Na década seguinte, retornou à sua terra, quando conheceria o músico suíço Gilbert Favre (vivido por Thomas Durand), que seria um dos fatores de sua ruína. Ela apaixonou-se incondicionalmente por ele, muitos anos mais novo, e quando foi abandonada, começou a entrar em parafuso. Violeta também criou em Santiago a tenda Comuna de La Reina, com o objetivo de transformá-la num centro para a cultura folclórica do Chile. O projeto fracassou herculeamente. Em 1967, depressiva, matou-se com um tiro. Tinha apenas 50 anos. Deixou, porém, canções como "Volver a los 17" e "Gracias a la vida".
Violeta é interpretada magistralmente pela também cantora e atriz Francisca Gavilán. Não bastasse isso, "Violeta Foi Para o Céu" tem um cuidado sonoro poucas vezes visto. Ouvimos o ranger de portas e janelas incessantemente, a chuva caindo sobre a tenda, os dedos dedilhando o violão. O longa é baseado em livro escrito por um dos filhos de Violeta, Ángel Parra.
Cotação: ótimo
Chico Izidro
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