Friday, March 05, 2010

PRECIOSA



PRECIOSA (Precious, de Lee Daniels) é de uma violência poucas vezes vista no cinema. Não porque tenha tiros e explosões, mas por causa da crueldade com que Claireece Precious (a novata e excelente Gabourey Sidibe) é tratada pela vida. Nascida negra, gorda, num bairro pobre de Nova Iorque, na adolêscencia já é mãe de uma menina com Sindrome de Down, e está grávida do segundo filho. Detalhe: os rebentos são de seu próprio pai, que a estupra sistematicamente desde a mais tenra idade. Além disso, é semi-analfabeta e sofre com os abusos da mãe. Vida pior não poderia ter.
Até que é indicada para uma escola especial, onde pela primeira vez recebe a atenção de alguém, a professora de nome exótico Blu Rain (Paula Patton, de Dejá Vu), que acredita em seu potencial. Claireece se solta, mesmo que aos poucos. Rabisca e une as primeiras letras como nunca havia feito em seus 17 anos.
A atriz e comediante Mo'Nique, desconhecida no Brasil, é quem interpreta a cruel mãe da menina. E que interpretação. Após cinco minutos, já odiamos a mulher com todas as nossas forças. Vive de pensão da assistência social e passa os dias fumando e vendo televisão.
Preciosa sonha em ser alta, esguia e loira e tem momentos de fuga da realidade, quando imagina ter um destino melhor. Porém sempre vem um soco no estômago atrás do outro. Quando as coisas parecem melhorar...sempre pioram.
Quem surpreende é a cantora Mariah Carey, desprovida aqui de qualquer charme, no papel de uma assistente social. Outra participação é do cantor Lenny Kravitz, como um enfermeiro.
PRECIOSA acontece nos Estados Unidos, mas também no Brasil, na Europa, em qualquer lugar do mundo em que pessoas são maltratadas por aquelas que mais lhes deveriam dar uma coisa simples: amor.

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