"A Febre do Rato" é um termo recifense para designar algo fora do controle. No filme homônimo de Claudio Assis, também dá nome ao jornaleco, na realidade um pasquim, onde o poeta Zizo põe para fora toda a sua verborragia romântica e proletária. Ele sai pelas ruas modorrentas de Recife, vendendo o seu produto, em sua velha camionete e com a ajuda de um megafone. A vida de Zizo é assim, sobrevivendo gfraças ao jornalzinho, trepando com velhas obesas e bêbadas, e bebendo em botecos fétidos com o amigo coveiro, apelidado de Pazinho, que vai e volta em seu casamento com a manicure Vanessa, que não sabemos nunca se é mesmo uma voluptuosa mulher ou um travesti.
A serenidade de Zizo acaba quando ele se apaixona perdidamente por uma jovem estudante, a bonitinha Eneida. Todas as mulheres costumam cair na lábia do poeta, o que não é o caso de Eneida, e como na Odisseia, Zizo tentará enlouquecidamente conquistar o coração da garota. "A Febre do Rato" é filmado em preto e branco, e isso dá mais força visual a uma Recife suja, pobre e subterrânea. Claudio Assis não poupa no roteiro, recheado de sexo, palavrões e pobreza. Em determinado momento, uma garota transa com três rapazes, e o diretor não se furta em filmar, num plano aéreo, os quatro corpos rolando na cama, com os atores tocando nos órgãos sexuais de seus colegas sem pudor.
Zizo é interpretado pelo ótimo Irandhir Soares (Tropa de Elite), verborrágico e desavergonhado, enquanto a musa Eneida tem Nanda Costa como intérprete. E ela é a cara descarragada de Maria Schneider, atriz do também despudorado "O Último Tango em Paris".
A câmera em "A Febre do Rato" é trêmula, mas sem nunca perder o foco, com certas passagens remetendo a filmes psicodélicos dos anos 1960.
Cotação: bom
Chico Izidro
quinta-feira, setembro 06, 2012
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